É mentira que os professores estejam a ser avaliados!

A Srª Ministra agendou a reunião.
A FENPROF agendou a manifestação.
A Srª Ministra mudou o local.
A FENPROF também.
A Srª Ministra voltou uma e outra e ainda outra vez…
E a FENPROF também.

Resultado: Ministra reunida com a Direcção e na rua a FENPROF a mostra mais uma vez a força da razão.
O que se disse na reunião?
Nada que não se adivinhasse.
A brincadeira deste ano é para continuar – o simplex ii continua, pelo menos até às eleições, como dá jeito.
O mais interessante da coisa é que se passou mais um ano e eu continuo sem ser avaliado… quer dizer… o Sócrates e a Lurdes falam , escrevem, saltam e correm… Mas a verdade, verdadinha é esta: em 5 anos, por este governo, nunca fui avaliado. Pelo andar da carruagem, no próximo também não vou ser.

Estão agora a perceber a enorme mentira que é este governo e esta equipa da educação?

Poemas do lusco-fusco

Todos somos fingimento
para descanso dos nossos fantasmas.
Por isso não interessa dizer
que a nossa voz há-de cantar
no tempo em que morrem as flores.

   Todos somos fingimento (adao cruz)

Todos somos fingimento (adao cruz)

Engano

Por erro , a imagem debaixo de “Mais uma vez a igreja e os golpistas” não é a que lá está mas esta

  atrás das grades (adao Cruz)

atrás das grades (adao Cruz)

Mais uma vez igreja e golpistas

Mais uma vez, volto a repetir. Como é possível aceitar uma igreja de joelhos perante os golpistas das Honduras? Como é possível, entre a repulsa de tantos povos e governos perante o golpe, a igreja destacar-se nestes apoios cavernícolas a ignóbeis fósseis das velhas ditaduras latino-americanas? A igreja, cuja história escura, sinistra e por vezes sórdida, poderia redimir-se de forma inteligente, ainda que parcialmente, neste gigantesco passo sócio-político-humanitário dos países da América Latina, perde mais uma vez a oportunidade e emerge da sua própria lama como a larva que sempre cresceu nos fedorentos caldos das mais sanguinárias ditaduras. Como é possível a existência de mentes tão anquilosadas, encarceradas em crânios que se dizem, hipocritamente, cultos, humanos, solidários e fraternos? A igreja é, com efeito, um dos maiores cancros da humanidade.

    atrás das grades (adao cruz)

atrás das grades (adao cruz)

Jan quando ainda era James

Não percam o artigo de hoje no Ípsilon acerca de Jan Morris, a propósito da publicação, que só peca por ter tardado tanto, do seu "Veneza", magnífico roteiro da Sereníssima. James Morris escreveu o livro quando ainda era homem mas quem responde hoje às perguntas da jornalista Alexandra Prado Coelho é a simpática octagenária Jan. Reparem na admirável delicadeza, a que não falta um rigor que apenas podemos intuir, desta descrição do seu processo de transformação: "O primeiro resultado não foi exactamente uma feminização do meu corpo, mas um despir da capa rugosa que cobre os indivíduos masculinos. Não estou a falar apenas dos pêlos ou da textura da pele, nem da saliência dura dos músculos: tudo isto desapareceu efectivamente nos anos que se seguiram, mas com eles desapareceu também algo menos tangível, que sei agora ser especificamente masculino: uma espécie de camada invisível de resiliência acumulada, que oferece um escudo para o lado masculino das espécies, mas ao mesmo tempo diminui as sensações do corpo".

Irão em mudança

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – III

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

No lindo folheto que me foi parar às mãos também se diz, possivelmente para dourar a pílula, que está prevista a construção do terminal de cruzeiros de Sta. Apolónia, para fins de 2010, obra esta que inclui o desenvolvimento e a reabilitação dos cais existentes entre o actua terminal de Cruzeiros de Sta. Apolónia e a Doca da Marinha, numa extensão de 675 m obrigando, por isso, ao fecho da Doca do Terreiro do Trigo. Obra esta que irá concentrar “todo o movimento de navios de cruzeiros” ( o sublinhado é meu).

Francamente é pouco, muito pouco em termos do presente e futuro, quando se sabe que esta actividade de turismo tem um forte potencial de crescimento e já se pode constatar a entrada de 300 mil turistas anuais, por esta via.

Dadas as dimensões do cais acostável parece-nos, pelo contrário, que não se pensou no futuro; com efeito, navios como o “Elizabeth II” ou o “Independence of the Seas” apresentam-se com comprimentos que excedem largamente os 300 m ( o primeiro com cerca de 345 m e o segundo, um pouco menos, com 315m).

Salvo melhor opinião, penso que as dimensões modestas deste cais estão condicionadas, a jusante, pela actual Estação Fluvial (carreiras do Seixal, Montijo, Barreiro, Cacilhas), para não prejudicar ou mesmo impedir a navegação dos barcos que aí acostam; e, a montante, pela implantação da Ponte Chelas-Barreiro que já tive ocasião de criticar em trabalhos anteriores. Situação esta agravada, ainda mais, pela cota muito baixa no banzo inferior do seu tabuleiro – escandalosamente baixa, repito – além de muitos outros inconvenientes também fortemente penalizantes que enumerei oportunamente.

Será que a Câmara Municipal de Lisboa não tem uma palavra a dizer? E já nem faço referência à Junta Metropolitana de Lisboa com funções e meios muito limitados.

Na verdade, a jovem democracia portuguesa ainda não aprendeu a repartir competências e responsabilidades. Faz imensa falta uma Comunidade de Transportes nas grandes cidades, isto é, organismos de planeamento, gestão e controle, dispondo de meios que lhes permitem coordenar acções integradas no campo do Urbanismo/Transportes, a vários níveis.

Ou, de forma mais simplificada, menos elaborada, a existência de uma “holding” de transportes urbanos, ou seja, uma empresa que associa todos os operadores e os municípios envolvidos a qual, sem prejuízo da autonomia de cada uma das empresas componentes, assegura uma gestão coordenada, complementar e não concorrente de todo o sistema de transportes urbanos da cidade e respectiva área suburbana.

Tudo isto já foi experimentado, em maior ou menor grau, em muitas cidades e há várias dezenas de anos. Mas, em Portugal, a norma consiste em centralizar o poder de forma rígida e hierárquica.

No caso vertente, tanto mais fácil porquanto há uma forte dependência entre os Serviços e o Ministério que os tutela. Com os resultados que se conhecem.

Balsemão e Frei Tomaz

As maiores empresas de media portuguesas assinam hoje em Lisboa uma declaração histórica exigindo novas leis de protecção da propriedade intelectual na Internet para assegurar a liberdade do jornalismo.

A Declaração de Hamburgo foi lançada em Junho pelo Conselho Europeu de Editores, cujo chairman é Francisco Pinto Balsemão, e pela Associação Mundial de Jornais. É o patrão da Impresa que promove o encontro de hoje, onde estarão também os representantes de duas dezenas de empresas, como PÚBLICO, Media Capital (TVI, rádios e revistas), rádio e televisão públicas, Controlinveste (DN, JN, 24Horas, O Jogo, TSF), Cofina (Correio da Manhã, Record), Impala, Rádio Renascença, Sojormedia (i) e agência Lusa.

do Público

Esta deve ser a net-guerra mais idiota que conheço. Consiste em querer impedir agregadores de notícias como o Google News de fazerem o seu serviço, ou como agora parece, cobrar-lhes por isso. É completamente idiota porque na Rede a moeda principal não é o euro ou o dólar: é o tráfego. E os agregadores de notícias geram tráfego para as páginas que linkam, além de nos permitirem ler as gordas de vários media em pouco tempo, e com actualização permanente. Estou a linkar uma notícia do Público e não de outro jornal qualquer que dissesse o mesmo pela simples razão de o Público retribuir o tráfego que lhe dou com um link. Toma lá a moedinha, dá cá a moedinha. É isto.

Imaginando a ideia aplicada na rua, cada vez que alguém olha para os escaparates de jornais num quiosque devia pagar, sei lá, um cêntimo. Só não percebo porque não pagam uma taxa extra os proprietários dos cafés que disponibilizam jornais aos seus clientes, até porque já pagam por terem a televisão ligada.

Quem não quer perceber que o digital mudou o  mundo, e que o papel de celulose tem os dias contados, quem não se sabe adaptar e começa a ver os seus lucros encolhendo, dispara em todas as direcções, disparatadamente, até levar com um tiro nos pézinhos, isto se não acertar na própria cabeça.

Esta guerra é muito bem explicada pelo Karlus, que assumindo ser parte interessada (é dele o agregador Destakes), desmonta a argumentação, admitindo que de uma argumentação se trata.

E volta a relembrar que Balsemão, o pai da declaração histórica(!!!) é um “um utilizador diário do próprio Google News” – pena que o recorte que utiliza não esteja lá muito legível e não o possa copiar para aqui, mas ninguém é perfeito.

Boa Balsemão: bem me avisava a minha avó que bem prega frei Tomaz, ouve o que ele diz mas não olhes para o que faz…

Maiact – Convite:

Fliscorno – Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (III)


Este gráfico apresenta duas linhas:
1. a amarela mostra o preço do brent;
2. a verde mostra, para cada semana, a diferença entre o preço do brent e o preço do gasóleo (antes de impostos).

Num mundo ideal a linha verde seria uma recta. O que vemos é que há semanas em que a distância entre a linha do brent e o preço do gasóleo (antes de impostos) aumenta e noutras diminui.

De uma forma geral, estas variações oscilam entre dois patamares mas nos períodos A e B, em torno do último pico do preço do brent, vemos que a distância entre estas duas linhas aumentou consideravelmente. Ora no período A, o brent estava em subida. Se a distância entre as linhas aumentou é porque o gasóleo aumento a uma taxa inferior ao preço do brent. Por outro lado, no período B, estando o brent em queda e tendo aumentado a distância entre as duas linhas, então o gasóleo não baixou de preço com a mesma taxa do brent. Assim, no período B pagámos mais pelo gasóleo do que devíamos. Ficámos a ganhar ou a perder? Só depois da análise numérica poderemos saber.

A seguir virá um estudo semelhante para a gasolina. E depois deste virão as conclusões numéricas.

A oposição infiltrou-se nos ministérios, essa é que é essa

Na que dizem ser a primeira escola a concluir o processo de avaliação dos seus professores (deve ter sido a primeira a chegar à meta), quem não entregou os “objectivos individuais” não vai ser avaliado. Havendo escolas onde ninguém entregou tal aberração, e onde o processo decorre normalmente, passamos a partir de hoje a ter dois tipos de escolas: as lambedoras e as normais. E dois novos tipos de professor: o que teve a sorte de estar numa escola normal, e o que teve o azar de estar numa escola lambedora, lambida, ou delambida, não sei bem que palavra escolher.

Não é  novidade, porque a ascenção a professor titular já tinha sido por sorteio.

Como a armadilha estava montada, também não é novidade nenhuma que no Ministério da Educação se conspira para derrotar mais uma vez o PS, dando entretanto trabalho a juristas e tribunais que, coitados, bem andavam necessitados.

Com ministros destes nenhum governo precisa de oposição. Como sou da oposição fica aqui o meu protesto contra esta concorrência desleal. Acho que me vou queixar à Autoridade respectiva.

Fabricio Estrada – Síntesis (3 años) Gobierno Manuel Zelaya Rosales (II)

Nota: Fabricio Estrada, poeta hondurenho, envia-nos algumas informações sobre o que se passa nas Honduras. Numa altura em que na nossa comunicação social as informações são escassas, e dúbias, acreditamos que escutar os defensores do Presidente eleito é também uma forma de ultrapassar essas limitações. /continuação de aqui)
honduras3
Foto: Esto fue domingo 12, durante un concierto que organizamos! Aquí estamos de pie!!

Educación:

Al crear la matrícula gratis, fueron beneficiados más de 1 millón 750 mil niños y jóvenes en 12,977 centros educativos de todo el país.

La inversión en educación pasó a ser una de las mayores en América Latina: 9.5% del Producto Interno Bruto.

Se elevó un 11% la cobertura de Educación Pre básica.

Se albafetizó a 116,000 alumnos y a 24, 049 personas adultas egresadas de primaria.

Se entregaron 6 millones de textos en materia básicas, y por primera vez incluyendo integralmente a las lenguas indígenas

Se llevó a cabo la Auditoria Social junto a 50 mil padres y madres de familia, además de finalizar el Censo y Auditoria de Puestos y Salarios con el apoyo del Tribunal Superior de Cuentas.

Se le cumplió al magisterio erogando 18,107 millones de lempiras en pagos a maestros, en servicios, materiales, infraestructura y suministros.

116 mil alumnos alfabetizados y 26,049 personas atendidas en la Educación para Adultos
– 152,934 estudiantes beneficiados con Bono de Transporte, 30 mil estudiantes obtuvieron Becas de Excelencia Académica y 40 mil Becas Sociales, además de 2 mil

Solidaridad Social

En el marco de la Estrategia para la Reducción de la Pobreza (ERP) se dio prioridad al Programa Red Solidaria, focalizado en 200,000 familias en extrema pobreza

En un año se aprobaron 582 millones de lempiras a los municipios del país, con fondos de la Estrategia de Reducción de la Pobreza en programas de impacto productivo y social con lo que se benefició a 1 millón 156 mil hondureños.

En un acto de justicia y equidad social, en el campo laboral, se puso en marcha el Programa de Protección de las Empleadas Domésticas, que logro incorporar a los beneficios del Seguro Social a 73,315 trabajadoras del ramo.

En el programa de Red Solidaria que coordina la Primera Dama Xiomara Castro de Zelaya se atendió a 80 mil familias en extrema pobreza gracias a la ayuda de instituciones solidarias que generan oportunidades de sostenimiento con una inversión de 67 millones de Lempiras. De igual forma en el Programa de Merienda Escolar se invirtieron 260 millones de Lempiras y se atendió integralmente a más de un millón de niños y niñas en casi 14 mil centros educativos de todo el país.

– Se salvaguardó la estabilidad económica y social al lograr extender el TPS a nuestros compatriotas en EEUU

Inversión de 1 mil millones de lempiras en proyectos de agua potable en Tegucigalpa.

Se firmó y aprobó el ALBA.

Recaudación Fiscal:

Con la DEI, se logró un hito histórico al recaudar un 25% que el 2006, y esto sin crear ni un tan solo impuesto. La DEI ingresó una recaudación histórica de más de 8 mil millones de lempiras con respecto al 2006.

Seguridad:

– Creación de 3,080 mesas ciudadanas organizadas
– 300 millones de lempiras dados al Programa Comunidad segura

Acciones anticorrupción:

La implementación de la Ley de Transparencia y de Acceso a la Información Publica, tuvo la finalidad del desarrollo y ejecución de la política nacional de Transparencia, así como el ejercicio del derecho democrático y de participación ciudadana en las diferentes instancias de consulta, planificación, control, monitoreo y seguimiento de las acciones del Estado, aspectos que significan un hecho trascendental e histórico para el país.

Se inició la era de un gobierno electrónico CON TRANSPARENCIA Y PODER CIUDADANO, fomentando la eficiencia administrativa, mayor información pública y control ciudadano.

Se crearon, a través de Sinacorp, dos nuevos mecanismos anticorrupción denominados: Honducompras y Onadici.

En los programas sociales con ayuda internacional mediante el ALBA, Honduras recibió 30 millones de dólares para créditos a pequeños agricultores, 100 tractores y 100 millones de
dólares para programas de vivienda, además de otros apoyos para
programas de salud, educación y asistencia en tecnología, sobre todo
para realizar exploraciones de petróleo.

José Ferraz Alves – Empreendedorismo Social no Porto (conclusão)

Outro exemplo de aplicação do empreendedorismo social, já sugerido a propósito da questão da gestão autónoma do aeroporto do Porto, publicado no Semanário Sol em 2009.01.26:

“A Associação de Cidadãos do Porto (ACdP) defendeu hoje que não basta autonomizar a gestão do Aeroporto Sá Carneiro, sendo necessário que as mais-valias obtidas se injectem directamente no tecido económico da região. José Ferraz Alves, economista e membro da ACdP, disse à Lusa que o objectivo é concretizável através de «parceria público-privada auto-regulada», seguindo as teorias de Muhammad Yunus para os negócios sociais. Muhammad Yunus é economista e banqueiro do Bangladesh, fundador do Banco Grameen, impulsionador do micro-crédito e Nobel da Paz em 2006.

De acordo com o modelo proposto, a propriedade e gestão do aeroporto seria privada e das autarquias, mas o seu objecto social não seria a maximização dos seus lucros, antes o desenvolvimento da região, medido por indicadores económicos concretos. Após a recuperação do capital investido pelos accionistas, o aeroporto passaria a ser «a verdadeira fonte de rendimentos para as acções de desenvolvimento da região». José Ferraz Alves disse que o modelo é «perfeitamente exequível» e acrescentou que «o próprio caderno de encargos pode prever que se premeie quem opte por essas soluções inovadoras».

A ACdP entende que estruturas de importância estratégica não podem ser geridas para visar o lucro, mas para injectar as mais-valias obtidas directamente no tecido económico da região. Em gestão autónoma, o aeroporto geraria receitas adicionais na ordem dos 400 milhões de euros, aumentando a competitividade das empresas exportadoras e a criação de 25.000 empregos, segundo estudos de uma empresa de consultoria. «Aplicando os princípios que defendemos, esses valores seriam superiores», acredita a ACdP, para quem o Aeroporto Sá Carneiro deve ser um instrumento estruturante ao serviço do Noroeste Peninsular e de duas das regiões mais deprimidas da Europa». «Não é suposto que seja apenas parte de um negócio lucrativo para quem o explorar a partir de Alcochete», acrescenta.

Junta Metropolitana do Porto, o Conselho Empresarial do Norte e outros agentes do Norte têm reivindicado a separação do Aeroporto Sá Carneiro daANA – Aeroportos e Navegação Aérea, que será alvo de privatização, autonomizando o seu destino do futuro aeroporto de Lisboa e permitindo a sua utilização para potenciar o desenvolvimento da região. – Lusa/SOL”

Enquanto o Empreendedorismo é individual, produz bens e serviços, tem o foco no mercado, a sua medida de desempenho é o lucro e visa satisfazer necessidades dos clientes e ampliar as potencialidades do negócio, o empreendedorismo social é colectivo, produz bens e serviços à comunidade, tem o foco na busca de soluções para os problemas sociais, a sua medida de desempenho é o impacto social e visa respeitar e resgatar as pessoas de situação de risco social e a promovê-las em gerar capital social, inclusão e emancipação social. No médio e longo prazos, esta postura irá influenciar radicalmente a elaboração e execução de projectos sociais, que deverão, cada vez mais, apresentar, como nos negócios empresariais, propostas que demonstrem efectividade, eficiência e eficácia quanto à aplicação dos recursos solicitados, além de apresentar maneiras de aferir os resultados de forma clara e transparente. Que lições se podem extrair?

  • 1. Em primeiro lugar, os empreendedores sociais precisam de criar legitimidade para as suas ideias e abordagens, dado que é preciso uma enorme quantidade de energia para convencer os outros de que as suas propostas transformarão sistemas e práticas injustos e ineficazes.
  • 2. Em segundo lugar, esses empreendedores devem encontrar formas de acesso a líderes políticos, corporativos e filosóficos que abraçarão essas abordagens inovadoras e depois alavancarão os seus contactos de forma a fomentar uma implementação mais ampla.
  • 3. Em terceiro lugar, esses empreendedores também terão de descobrir como atrair capital financeiro, humano e social para apoiar os seus projectos.

Pelo que sugiro a criação a nível autárquico de um Pelouro para o Empreendedorismo Social e de um Fundo de Capital para o Empreendedorismo Social, que junte as fontes de financiamento possíveis (Fundações, Estado, Parcerias Empresariais, Capital de Risco, Business Angels, Doações em dinheiro, em espécie, donativos do IRS e Receitas Próprias dos vários projectos), que responda e seja facilitadora dos projectos isolados e em conjunto que existem e existirão na cidade. Que desenvolva parcerias técnicas com Fundações Internacionais com know-how neste domínio, para fazer o que Bill Drayton e a sua Fundação procuram:

  • – Encontrar os projectos que procuram de forma inovadora resolver problemas sociais e reconhecer o seu mérito.
  • – Em seguida, promover as suas iniciativas, organizando conferências e encontros que juntavam esses empreendedores sociais, ajudando-os a aprender com as experiências mútuas, apoiando-os com pequenas doações, apresentando-os aos doadores, documentando as suas actividades e divulgando os tipos de trabalho desempenhados e respectivas filosofias.
  • – Apoiar a melhor estruturação do seu financiamento e funcionamento sustentável.

Porque não integrar a dimensão social na teoria económica? A generalidade das pessoas preocupa-se com o mundo e com os outros. Os seres humanos têm o desejo instintivo e natural de melhorar a vida dos outros, caso tenham oportunidade. Se pudessem escolher, prefeririam viver num mundo sem pobreza e doença, livre da ignorância e do sofrimento desnecessário. Porque não construir empresas que tenham por objectivo pagar decentemente aos assalariados e melhorar a sua situação social, em vez de fazer com que dirigentes e accionistas se encham de lucros? John Kenneth Galbraith, a propósito da crise de 1928, colocou a desigualdade na distribuição de rendimentos como sendo a sua principal causa. O problema não era o consumo, mas existirem poucos consumidores, o que tornou a economia dependente de um alto nível de investimento ou de um elevado nível de consumo de bens de luxo, ou de uma composição de ambos. O capitalismo moderno tentou resolver o problema através do crédito. Mas, a solução passa necessariamente pela correcção real das desigualdades na distribuição de rendimentos. Numa sociedade onde a riqueza é melhor distribuída, esta circula melhor. Mais vale entregar migalhas a milhões, do que muito a poucos. Para concluir a introdução deste tema, remeto para o texto de Sílvia Mota, no seu Leitura Partilhada e para os comentários aí feitos, do qual transcrevo a seguinte passagem de “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck (1939), Editora Livros do Brasil, tradução de Virgínia Motta:

– Não nos esquecemos de nada? Fizemos, com certeza, tudo o que era possível?
– Aquele tipo lá da cadeia dizia assim: “De qualquer maneira, a gente faz o que pode.” E acrescentava: “A única coisa que nos deve importar é dar sempre um passo em frente, por mais pequeno que ele seja. Se depois, a coisa fizer marcha-atrás, nunca recuará tanto como andou para a frente. É uma coisa que se pode provar, e é por isso que vale a pena agir. Está provado que nada é inútil, mesmo que o pareça.”

Apontamentos & Desapontamentos: Acabar de vez com o trabalho. Uma solução para o desemprego

desemprego
Um dos aspectos que sempre me seduziu na argumentação do ensaísta francês Albert Jacquard (1925) é a sua consistente defesa de uma sociedade futura menos voltada para o consumo e mais evoluída culturalmente, com uma consciência colectiva que ultrapasse interesses pessoais, de classe, de género, etnia, de religião ou quaisquer outros. Mais pobre materialmente e mais rica humanisticamente., regredindo do ponto de vista da posse de bens individuais e evoluindo no sentimento de pertença a uma comunidade de milhares de milhões de pessoas. Mais voltada para o ser do que para o ter. A sua teoria de um «decrescimento sustentável», radica na tomada de consciência de que o crescimento descontrolado das economias conduzirá, com o aumento exponencial da população, ao caos social e ao extremar das desigualdades, dado que os recursos do planeta são limitados, finitos. Hoje não é dia de desapontamento, mas sim de apontamentos.
Apontamentos tomados durante uma intervenção de Jacquard numa jornada de debate interdisciplinar sobre o desenvolvimento territorial a partir das relações entre educação, acção meio-ambiental e cultural, realizada no Centre d’Estudis i Recursos Cultural de Barcelona e a que assisti há uns anos atrás. O que se segue é fruto das notas que tomei, auxiliadas por uma entrevista que no dia seguinte Jacquard deu, salvo erro, ao La Vanguardia e onde pude colher elementos que me tinham escapado na véspera. Não tenho a pretensão de reproduzir textualmente o que o sábio disse, mas sim de resumir o sentido daquilo que disse. Remeto-vos para a leitura dos seus livros, alguns dos quais estão traduzidos em português.
Começou a sua palestra com uma citação de Valéry – «Le temps du monde fini commence», «agora que fomos à Lua, pudemos ver como a Terra é pequena», disse. Em contrapartida, a população não pára de crescer. Dentro de um século seremos dez mil milhões. Temos de reflectir como poderão essas pessoas viver neste pequeno planeta e, para isso, temos de ser lúcidos. A ciência trar-nos-á essa lucidez, pois permite compreender como se fabrica um indivíduo a partir do património genético. Temos de saber ver a nova realidade do mundo. Somos quatro vezes mais do que éramos no princípio do século XX. Se procedermos sem reflectir, desembocaremos na destruição da humanidade ou, em alternativa, na supressão de toda a liberdade. Temos de administrar criteriosamente os recursos do planeta, não podemos ter tantos filhos. Numa Terra pequena tem de se limitar a natalidade.
Quanto ao envelhecimento da população, isso, segundo Jacquard, não é um mal. A velhice traz mais experiência. Veja-se, cada vez há menos trabalho porque há mais robots. Quando houver mais pessoas com mais de 65 anos do que jovens, terá de haver uma adaptação a essa realidade. O objectivo da vida humana não é trabalhar, mas sim desenvolver-se e isso pode fazer-se em qualquer idade. Isto é uma utopia, mas estamos condenados à utopia, afirmou. Os utópicos mais fantasiosos são os que vêm o mundo daqui a cem anos como uma projecção do actual. Ao contrário, os mais realistas são o que o vêm diferente. E uma vez que assim será, mais vale imaginá-lo.
No que se refere ao preocupante problema do crescente desemprego, Jacquard fez uma afirmação surpreendente – O ideal é que não haja trabalho. O problema do desemprego será resolvido quando ninguém trabalhar. Hoje, para produzir alimentos ou viaturas, precisa-se de cem vezes menos trabalho do que há um século. Portanto, devíamos ter cem vezes mais tempo livre. Não soubemos multiplicar os tempos livres. E os tempos livres são o tempo que se dedica à cultura.
Quanto à manipulação genética, Jacquard fez parte durante quatro anos do Comité Nacional de Ética onde discutiu essa questão. Na sua opinião, a manipulação genética foi até agora benéfica. Permitiu avançar na investigação sobre o ADN e começar a curar mais eficazmente certas doenças. Pode também desembocar em aplicações perigosas. Deve proibir-se determinadas aplicações, sem bloquear a investigação. A clonagem humana, por exemplo, seria dramática; tecnicamente possível, é uma abominação. Muitas vezes um êxito técnico ou científico pode constituir uma catástrofe humana.
Enfim, segundo Jacquard, não estamos inevitavelmente condenados ao caos e à catástrofe. A superpopulação, a escassez de recursos do planeta e temas mais imediatos como o desemprego, têm afinal solução. O nosso futuro depende daquilo que fizermos hoje. Afinal, podemos (poderíamos?) ser os deuses do nosso próprio devir.

Humor insular

melga

Alberto Jardim quer uma constituição que proíba o comunismo.

Depois de uma noite em que a defesa anti-aérea cá de casa falhou redondamente, eu queria um decreto que abolisse as melgas. Um despacho também serve, suspeito que a eficácia seria parecida.

Por terras de Sua Majestade (IV)

O Castelo de Stirling fica a uma hora de Edimburg. Aqui viveram Jaime V e Mary de Guise, princesa francesa com quem casou. No alto de uma colina, as suas vistas são de uma beleza excepcional.
Para Glasgow, que fica a uma hora de caminho, junto ao rio Clayde que é razão da existência da cidade. O seu porto de mar foi de uma importância fundamental no desenvolvimento da cidade. Primeiro com a importação de tabaco, depois com a construção naval. Quando a Guerra termina, 75% da população fica no desemprego. Daqui resulta a emigração para os USA e uma sociedade pobre, analfabeta e na origem de grandes problemas sociais.
A cidade responde com o desenvolvimento dos serviços, com as três Universidades e com a investigação cientíica, a ponto de hoje ser uma referênia na Medicina. Aqui se organizam congressos e convenções com os mais prestigiados cientistas mundiais.
Mas há problemas que persistem, como é o caso das mães jovens de 12 anos que são uma percentagem muito superior ao resto do país.
Entretanto, a melhoria das condições de vida da cidade permitem que o salmão volte ao rio.
Aqui, a divisão entre Católicos e Protestantes atinge o cúmulo da rivalidade. A origem das pessoas, ainda muito presente, reflecte-se nos dois clubes de futebol existentes. Celtic é catolico, Rangeres protestante.
Esta divisão entre Católicos e Protestantes começa com Henrique Vlll, que se quis ver livre da mulher para casar outra vez. O Papa nao aceita e o Rei nao está de modas. Manda matar quem não se converta e manda destruir as Igrejas Católicas. Felizmente que se esqueceu da de Durham e desta de Glasgow. É única nas suas catacumbas. Aqui jaz o Santo Mungo, sec.VI, Celta.
É muito frequente ver-se a recuperação dos tectos das Igrejas e Monumentos ser feita com a técnica da engenharia naval, percebendo-se, claramente, que se trata de navios virados ao contrário para quem olha de baixo.
É uma das cidades com mais gente jovem, a que se juntam estudantes de todo o país e de todo o Mundo. Só pagam propinas os de fora, os que não são escoceses.
Trata-se de um grande centro comercial e científico.
Já encontrei o português da praxe que aqui vive há dez anos!

O palco de Jardim

Desalentado por estar a perder o palco das alegrias políticas, João Jardim foi ao fundo da cartola mágica e de lá retirou uma proposta de revisão constitucional. A proposta de revisão já lá está há muitos anos, tantos que, provavelmente, cheira a bolor. Para dourar a coisa, o líder da Madeira resolveu acrescentar uns pontos para tornar a iniciativa mais emocionante e para prolongar o barulho. Assim, sempre volta a ter palco. Quanto mais não seja para matar saudades.

O homem quer as palavras ‘regiões autónomas’ em maiúsculas. Por certo uma questão de estatuto. As regiões autónomas ganham logo outra dimensão se forem REGIÕES AUTÓNOMAS. É ou não diferente? Claro que é. As populações dos Açores e Madeira viverão muito mais felizes. Quer ainda que a expressão ‘Estado Unitário’ seja substituída por ‘Estrutura do Estado’. Estrutura do Estado? Se alguém tiver a amabilidade de me explicar isto, talvez perceba a relevância da mudança.

Outra alteração passa por proibir o comunismo. Jardim odeia comunistas, comunismo e tudo o que se refira a comum. Mais que desconhecimento da história e dos fundamentos da doutrina política, Jardim desconhece a pluralidade. Aquilo de que ele não gosta não deve existir.

No entanto, Jardim é a prova viva de que o comunismo é uma concepção política de muito difícil ou nula aplicação nos seus fundamentos essenciais: é que a sociedade, a economia e a política, tal como as propostas de revisão constitucional, são feitas por homens. E não conheço nenhum que não tenha defeitos.

Pipi das meias altas

Não tem nada a ver com isso. É apenas publicidade enganosa.

Circula para aí uma publicidade que diz que eu não posso viver sem publicidade. Em parte é verdade. A publicidade não é só a “publicidade”. Um mural “revolucionário“, por exemplo, também é publicidade. Publicidade a um serviço institucional também é publicidade, ainda que não venda nada. A publicidade é de certa forma uma expressão artística humana e abrange ainda muito mais aspectos da vida quotidiana. Por isso mesmo, gosto de publicidade, ou não fosse até uma parte da minha profissão. Mas especificamente, refiro-me à publicidade comercial, aquela que tenta vender coisas. Tal como tudo, tem o lado positivo e o lado negativo. O lado positivo é ser um suporte pequeno em que alguém, com liberdade e capacidade criativa, tenta passar uma mensagem da forma mais eficiente possível a um destinatário final. Às vezes é pura arte. O lado negativo é precisamente a mesma situação, com a diferença que o destinatário não sabe que é de facto publicidade. Neste contexto encaixam-se conceitos como por exemplo, as publireportagens, a propaganda e mais especificamente, a publicidade para crianças. Enganar bem, costuma-se dizer, também é uma arte.

Por isso fiquei intrigado com o tal ICAP, de que nunca tinha ouvido falar. Fui então ver o site. Ainda mais intrigado fiquei. Porque o que quer que seja o Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial deu-se ao trabalho de elaborar um muito completo Código de Conduta. Nesse Código, a páginas tantas, fala em crianças e jovens no artigo 23 e um dos parágrafos refere mesmo que: “A publicidade não deve: a) explorar a inexperiência ou credulidade das crianças e dos jovens;(…)“.

Então algo está errado. Não é uma crítica directa ao ICAP. Ainda bem que existe algo que regule a publicidade (nem que seja ela própria), e especialmente a direccionada para crianças. Mas se assim é, não estão a fazer aquilo a que se propõem. Ninguém do ICAP ainda reparou que nos anúncios dos Happy Meals, Danoninhos, Chocapics e afins, exploram a “inexperiência ou credulidade das crianças“, vendendo-lhes hambúrgueres, cereais para pequeno-almoço, iogurtes e todo o género de coisas usando como isco toda uma parafernália de brinquedos e ofertas? No ICAP, ninguém vê os intervalos dos espaços infantis? No ICAP ninguém tem filhos, conhece alguém que tenha filhos ou alguma vez viu um puto aos berros no supermercado por causa de um Kinder Surpresa? Ainda não repararam que existe publicidade MESMO direccionada para os filhos e não para os pais, como deveria ser? No ICAP ninguém vê o Canal Panda?

Pergunto-me ainda: será que estas empresas concebem publicidade propositadamente para crianças, porque têm medo que os adultos deixem de comprar os seus produtos? Ou apenas querem aproveitar a inexistência de crítica e selecção por parte dum “target” mais inocente? Será que estas empresas nunca ouviram falar em estudos sobre como a publicidade influencia directamente as crianças? Será que nunca ouviram falar de nagging? Deveriam saber, porque foram elas que fizeram os estudos…

Custa-me a acreditar que no meio de tantos estudos de mercado e de opinião, tudo isto seja apenas uma enorme, infeliz e inocente coincidência. Para mim, é apenas mais um reflexo perverso de uma economia sem ética que se baseia num consumismo desenfreado e no desperdício constante para se manter em funcionamento. Mais grave ainda, é que isto torna os meios de divulgação de publicidade numa espécie de educadores extra-familiar. E tudo aparentemente promovido apenas com vista ao lucro de uma empresa, porque eu não consigo vislumbrar quais as grandes vantagens para as crianças.

Noutra perspectiva diferente, costuma-se dizer que bons produtos dispensam publicidade. Vendem-se a si próprios. Não sei o que isso quererá dizer dos produtos actuais, tão dependentes de uma boa e hiper-estudada campanha de publicidade. Tanto para adultos como para crianças. Publicidade para crianças não é novidade. Mas é inegável que é um fenómeno em crescendo e cada vez mais agressivo.

Só por curiosidade, eu perguntei ao meu filho se ele sabia o que era publicidade. Com 7 anos, respondeu-me que achava que era um programa para os “grandes“. E anúncios? Anúncios é o que dá no meio dos “programas para os grandes”. E anúncios no meio dos desenhos animados? Não há anúncios no meio dos desenhos animados, senão não eram desenhos animados, mas sim “um programa para grandes”, não é? E é para miúdos com esta inocente mentalidade e que dão este tipo de respostas, que algumas empresas gastam milhões de euros em publicidade para lhes tentarem impingir todo o género de tralhas, iludindo-os e enganando-os com bugigangas e brinquedos de plástico.

Deixo um vídeo ao ICAP, para o caso de nunca terem ouvido falar em “nagging”…