benfica

Luz falha em Benfica há duas horas

Humm, deve ser por isso que ainda ninguém leu em condições a tal decisão do Juiz sobre as eleições internas da lampionagem, eheheheh.
Confesso, já não me divertia assim há muito. Então o orelhas não pode ir a votos? So falta dizer que foi o Pinto da Costa que comprou o juiz, eheheheh.
Caro Amigo Bruno Carvalho: Cuidado. Se vais a votos sozinho eles matam-te.
Ehehehehehe.

PSL e MFL Juntos

Tem a sua piada.
Eu não voto em Lisboa, mas esta coisa de ter outra vez o PSL à frente de Lisboa faz-me rir!
É pois uma risada ao quadrado!

Michael tal como Elvis ?

Numa fase da vida em que a juventude se foi, a capacidade de criação diminui, a resistência às dificuldades decai. É cada vez mais dificil encontrar objectivos ao nível dos que a vida nos habituou.

Se isto é dificil para o comum dos mortais o que se passará com ícones de toda uma geração ?

Uma solidão cada vez mais absoluta, uma mente que se nega a aceitar a realidade, um corpo que não responde. Tudo á procura de refúgio nos medicamentos, nas doenças reais e nas psicossomáticas.

O fim é estranhamente igual. Michael tal como Elvis?

Grandes expectativas

A direcção da Associação Nacional dos Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP) acha que as suas associadas, grandes construtoras nacionais, poderão exigir indemnizações ao Estado “se houver um retrocesso nas grandes obras públicas já definidas pelo actual Governo, nomeadamente o novo aeroporto de Lisboa e a alta velocidade ferroviária”.

Isto é, embora não houvesse qualquer adjudicação, um grupo de empresas, que não sabiam se seriam ou não adjudicatárias, admitem pedir indemnizações por algo que não sabiam se teriam direito. Para o caso de não terem entendido, aqui vai: querem ser compensadas por algo que nunca tiveram, mas apenas a expectativa de ter.

Por exemplo, eu tenho a expectativa de ser beneficiado por um apoio do QREN. Não interessa em que programa, escolham um por mim. Como começo a perceber que não vou receber a massa, comunico já que pedirei uma indemnização.

Eles, as empresas, fizeram investimentos a pensar nas adjudicações que não sabiam se iram ter. Eu também fiz esses investimentos. Por exemplo, comprei uma camisa de marca a pensar em me apresentar melhor quando fosse receber o dinheiro. Aliás, quantos milhares de portugueses não o fizeram?

A expectativa era grande, compreende-se. Tinham sido feitas grandes promessas, apresentadas obras de vulto, que agora não avançam. Pelo menos para já. A ANEOP ficou incomodada, claro. É como estar à espera do ovo no rabiosque da galinha mas esta não o liberta. Não há omeletas, ovos mexidos ou escalfados, nem nada que se pareça.

Eu, pela parte que me toca, estou desolado. Não sei o que fazer à camisa.

José Soares: BPN, SLN e Sua Excelência, o Presidente da República… a propósito de um artigo do Mário Crespo

Isto passou um bocado despercebido mas ainda há quem volte ao tema, embora com o tratamento cerimonioso de “Sua Excelência o Presidente da República” e sem que os  jornais não façam primeiras páginas com isto, nem a TVI se interesse.

Se fosse o Sócrates, lá estariam eles todos a berrar com a Manuela Moura “Bocas” Guedes à cabeça….enfim….critérios puramente jornalísticos, bem entendido.

E qualquer dia temos aí também a história da outra Manuela que agora é contra tudo o que antes defendeu com unhas e garras. Isto é para onde sopra melhor o vento.

Após publicação do artigo do Mário Crespo, no JN de 8 de Junho de 2009, (que abaixo se transcreve) penso dever ser minha retribuição cidadã lembrar a esse propósito que em 2003, data da mais valia da familia Silva, um seu destacado membro iniciava o guloso caminho financeiro para as Presidenciais, nas quais talvez fosse preciso algum dinheiro para alavancar o início da aventura… mas nós talvez pudéssemos fazer de conta que não é preciso dinheiro para ser candidato a Presidente da República, talvez pudéssemos fazer de conta que o mandatário financeiro dessa operação não foi Manuel Dias Loureiro, até poderíamos talvez supor que a familia Silva, verdadeiramente, nunca comprou acções de coisa nenhuma, tendo  talvez  apenas feito de conta que assinaram uns papéis a dizer que sim que não se importariam de comprar acções e uns meses depois a dizer que sim que estavam interessados em vendê-las… continuemos a fazer de conta…

 

Continuemos a fazer de conta, por Mário Crespo

Façamos de conta que e o que passou no BPN e na SLN não é mesmo uma enorme "roubalheira". Façamos de conta que há outro termo para descrever correctamente o saque de dois mil milhões de dinheiro dos portugueses.

Façamos de conta que a mais-valia de 147 por cento do investimento de Aníbal Cavaco Silva e família não aparece nos dois mil milhões de prejuízos do BPN nacionalizado. Façamos de conta que não é o contribuinte português quem está a pagar esses dois mil milhões. Façamos de conta que é normal conseguir valorizar um investimento 147,5 por cento em menos de dois anos. Tudo isto fora do controlo das entidades fiscalizadoras e reguladoras do mercado de capitais. Façamos de conta que um conglomerado de bancos e offshores que compra coisas por dezenas de milhão, que vende depois por um dólar, e que rende mais do que a Dona Branca, é normal. Façamos de conta que um negócio gerido assim faz algum sentido no mercado. Façamos de conta que é acessível ao cidadão comum um negócio destes. Façamos de conta que sabemos todas as circunstâncias da compra e da recompra das acções de tão prodigiosa mais valia, que a família Silva detinha no projecto de Dias Loureiro e Oliveira e Costa. Façamos de conta que a SLN não tem nada a ver com o BPN. Façamos de conta que o BPN e a SLN não têm um número invulgar de gente do PSD envolvido nas suas actividades. Façamos de conta que Aníbal Cavaco Silva não é a personalidade de mais influência no PSD. Façamos de conta que os termos SLN, Sociedade Lusa de Negócios ou SLN Valor aparecem no comunicado da Presidência da República de 23 de Novembro de 2008. Façamos de conta que, nesta fase de dúvidas, é aceitável uma declaração como a emitida pelo Palácio de Belém sem referências ao valioso investimento familiar no mais controverso dos projectos financeiros da história de Portugal. Quando é só esse investimento que está causa. Por ser uma aplicação num projecto de licitude duvidosa. Façamos de conta que o Chefe Executivo desse projecto não tinha sido um íntimo colaborador de Aníbal Cavaco Silva responsável por finanças públicas. Façamos de conta que entre 2001 e 2003 os negócios do BPN e da SLN decorriam de forma irrepreensível e no cumprimento integral da lei da República. Façamos de conta que não foi por escolha pessoal do Presidente da República que Dias Loureiro foi nomeado Conselheiro de Estado. Façamos de conta que, como o Presidente disse, estar Dias Loureiro no Conselho de Estado era a mesma coisa que estar António Ramalho Eanes ou Mário Soares ou Jorge Sampaio. Façamos de conta que o Presidente relatou tudo o que devia ter relatado ao País sobre os seus activos passados nos projectos de Oliveira e Costa e Dias Loureiro. Façamos de conta que não há gente presa por causa do BPN. Façamos de conta que não vai haver mais gente presa. Façamos de conta que o que se passou no BPN e na SLN não é mesmo uma enorme "roubalheira". Façamos de conta que há outro termo para descrever correctamente um saque de dois mil milhões de dinheiro dos portugueses. Façamos de conta que não conseguimos imaginar quantas escolas, quantos hospitais, quantas contas de farmácia, quantas pensões mínimas, quantas refeições decentes se podem comprar com esse dinheiro. Façamos de conta que basta, apenas, cumprir rigorosamente a Lei e ignorar o que a Lei não diz, para se ser inquestionavelmente impoluto. Façamos de conta que não sabemos o que se está a passar à nossa volta. Até onde aguenta o País continuarmos a fazer de conta que não vemos?

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (2ª PARTE) – II

Por outro lado, continuam a gastar-se muitos milhões de euros numa rede (?) ferroviária de bitola ibéria, sem que esteja elaborado um Plano Nacional de Mudança de Bitola, em consonância com os espanhóis. Na ausência de qualquer estratégia, é por demais evidente que estamos a comprometer a interoperabilidade com os restantes países europeus e o abaixamento, desejado, dos preços do nosso import / export.

Mais ainda: a insistência portuguesa na bitola ibérica (caso da linha convencional de mercadorias entre Sines /  Évora / Elvas /Caia) poderá conduzir-nos a uma impasse de gravíssimas consequências na medida em que os espanhóis prosseguem uma política de intenso desenvolvimento dos seus portos e, deste modo, poderão em qualquer altura, sob os mais variados pretextos dificultar a passagem dos comboios de mercadorias de e para o mercado português. Basta-lhes prosseguirem com a implementação da bitola europeia na sua rede.

É uma política de vistas curtas dos nossos responsáveis que irá prejudicar, seriamente os nosso portos que numa situação dessas serão postos de parte pelos operadores internacionais e relegados à pequenez do nosso mercado interno. Ainda não perceberam?

Resta-nos um tráfego acrescido de camiões transportando a mais variada carga a partir das plataformas logísticas ou dos portos secos espanhóis situados próximo da nossa fronteira, em  direcção às zonas mais urbanizadas do litoral português; com os inconvenientes que se conhecem.

Dada a indefinição que perdura relativamente ao traçado das novas linhas de c.f. e quanto às variantes a introduzir nas linhas convencionais, algumas delas com vantagens evidentes e de largo alcance – cito, entre outras, Leiria / Pombal unindo as Linhas  do Norte e do Oeste, com pouco mais de duas dezenas de Km – só com muita sorte é que as novas estações ou, aquelas que estão a ser modernizadas poderão funcionar como elos de ligação entre futuras linhas de AV, as linhas clássicas (convencionais) e as estradas. Todas elas necessárias e indispensáveis para as sinergias que se pretendem.

Há problemas, sim, há muitas faltas, mas este ministério não se atrapalha.

Em Julho passado a SET prometeu que a rede convencional de c.f. iria receber 1,7 milhões de euros para implementar 12 projectos de investimento, por todo o país: variantes, modernização de linhas e ligações ferroviárias das quais a mais importante é a Sines / Elvas.

Só não explicou duas coisas:

– porquê uma nova linha convencional de mercadorias Évora / Caia? Em minha opinião, poderia (deveria) rentabilizar melhor este troço aproveitando a AV como linha mista, embora com velocidades comerciais mais reduzidas;

– onde vai buscar tanto dinheiro para pagar… as promessas?

A leitura do portal do MOPTC relativa ao primeiro concurso para a AV também é sugestiva, embora pouco esclarecedora; assim;

“A linha de AV entre Lisboa e Madrid tem como tempo de percurso objectivo as 2h 45 m para as ligações directas de passageiros entre as duas capitais, cumprindo-se a ligação entre Évora e Lisboa em 30m e os 167 Km do troço Poceirão / Caia em menos de 29m. …A infra-estrutura da linha AV terá via dupla electrificada de bitola UIC, e será projectada para 350 Km / h.

A componente da rede convencional no troço Poceirão / Caia terá via única electrificada e será executada em bitola ibérica e travessa polivalente”.

No que se refere aos tempos de percurso entre Lisboa  e Madrid, já fiz os meus comentários e reitero o que disse: os tempos indicados não são praticáveis, a não ser que os espanhóis alterem as características da linha AV entre Badajoz e Madrid.

E quando se aponta para menos de 29m o tempo necessário para percorrer o troço Poceirão / Caia, isso significa um velocidade média comercial superior a 345,5 Km / h. Desculpem, mas esta afirmação é ridícula: esta velocidade comercial não se pratica em nenhuma linha de qualquer país do mundo.

Esta ignorância, direi melhor esta desfaçatez, não é caso único dado já tive ocasião de verberar este Ministério pela sua aparente cumplicidade face a números errados apresentados por uma empresa de consultoria internacional (v. o meu texto de 3 de Abril 2006 – Alguns Erros Grosseiros Quando da Apresentação da AV – e seguintes).

Recordo, por último, que o traçado de uma linha de muito alta velocidade nada tem a ver com a linha convencional para mercadorias e velocidades comerciais muito mais baixas; mesmo tratando-se de um terreno relativamente plano, como sucede no Alentejo. E a aplicação de travessas polivalentes continua a ser uma técnica arriscada na medida em que são relativamente recentes e, por isso, não suficientemente testadas. A elas já me referi em artigos anteriores e penso retomar esta matéria no próximo texto, a publicar neste sítio.

Será que vai passar a noite a casa?


ver aqui.

Santana com boas intenções de voto

Para ganhar ? Não se sabe mas tudo indica que está ” taco a taco ” com Costa. Hoje é o dia de apresentação da candidatura ali ao Arco Cego, um exemplo de uma recuperação urbana muito bem conseguida. E que Santana quer mostrar como obra sua, o que é verdade.

Um amigo meu, jornalista, confidenciou-me que Santana tem cerca de 10 pontos acima de Costa nas intenções de voto, o que a confirmar-se, penaliza Costa e a sua pouca apetência para se ver livre da Sociedade Frente Tejo e da suspeita que o governo manda onde não deve.

Com a Câmara do Porto ganha, segundo as sondagens vindas a público (Rio tem o dobro das intenções de voto de Elisa) o PSD confirmaria a sua implantação autárquica a nível nacional, até porque tudo indica que nas câmaras mais representativas os actuais autarcas vão ganhar.

Percebe-se que com este cenário juntar as dua eleições no mesmo dia seria um trunfo definitivo para o PSD.

Os votantes em Sá Fernandes não vão segui-lo agora que foi absorvido pelo PS, mas o Movimento de Roseta vai ser uma surpresa, como já foi na eleição anterior. Nada disto ajuda Costa.

Esperemos, então, que as sondagens apareçam à luz do dia.

Falando de democracia: Direita e Esquerda

A raiz dos conceitos de direita e esquerda estará, segundo sempre ouvi dizer, no facto de nas assembleias políticas anteriores e posteriores à Revolução de 1789, os políticos mais conservadores se sentarem à direita da mesa da presidência e os mais radicais à esquerda. Na Assembleia Nacional (1789), a expressões «gauche» e «droite» eram aplicadas respectivamente a republicanos e a monárquicos; na Convenção Nacional (1792), o termo usou-se para distinguir jacobinos de girondinos. Os primeiros eram defensores dos chamados sans-cullotes, os deserdados da fortuna; os segundos eram deputados que representavam a burguesia ilustrada, hesitante entre a monarquia constitucional e a república.
De então para cá, o campo semântico dos dois termos foi-se alargando e especializando, incorporando contributos e empréstimos vindos de todas as áreas do conhecimento e, da localização, aleatória de duas facções nos hemiciclos da França de fins do século XVIII, os conceitos de direita e esquerda saltaram para a liça das grandes lutas sociais e políticas. O poeta Jean-Arthur Rimbaud disse que era preciso «mudar a vida». Karl Marx, (que, tal como Engels, nunca disse ser «de esquerda»), afirmou que era indispensável «transformar o mundo». Eis aqui duas boas sínteses para o conceito de esquerda, a mudança da vida e a transformação do mundo, numa palavra, a Revolução. A direita, também com contributos os mais diversos, vindos também de todos os quadrantes do conhecimento, procura conservar o que considera serem valores intemporais – reage mal à mudança da vida e pior a todas as transformações do mundo que não sejam regressos ao passado.
Existe desde há uns anos a esta parte, eu diria desde que, na prática, PS e PSD se fundiram num só partido, a tendência para afirmar que os conceitos de esquerda e de direita deixaram de fazer sentido. Outro elemento que contribuiu para a criação desta ideia foi o colapso do chamado «socialismo real». Mal ou bem (eu penso que mal), esse tipo de socialismo era associado à esquerda e, tendo ruído e com ele a dicotomia que justificava os blocos militares, as pessoas, ficando sem uma das suas referências básicas, entenderam que todas essas coisas de que se falou muito depois de 1974, nomeadamente a luta de classes, tinham tido o seu acto final. Tal como num mapa, se não tivermos a indicação de onde se situa o Norte, nunca encontraremos o Sul (e vice-versa). Era, diziam alguns, o fim da História e o fim da Política. Saturadas da interminável querela, as pessoas suspiraram de alívio.
Esta conclusão, de que já não faz sentido a dicotomia esquerda/direita, quando inocentemente tirada pelos cidadãos comuns, é compreensível; porém ouvi políticos profissionais, comentadores e analistas políticos, politólogos, gente com responsabilidade, argumentar no mesmo sentido. E, nesses casos, já não acredito em inocência, tanto mais que foi a «inocência» dos segundos que terá induzido a dos primeiros. Porque, claro, meus amigos, o fim do conceito de esquerda e direita, o fim da concepção da luta de classes e a extinção do próprio conceito de classe, são tudo coisas que interessam muito à direita e à falsa esquerda e à direita travestida. Porém todos esses conceitos só deixarão de fazer sentido quando a vida tiver mudado e o mundo se tiver transformado num local onde não existam desigualdades sociais; a fome, a miséria, a doença, todas as chagas sociais, tiverem sido extintas. O «fim» dos dois conceitos, já era, desde há anos, tema de discussão por essa Europa fora, sobretudo em democracias mais antigas do que a nossa, como a italiana. Vejamos.
Em meados dos anos noventa, saiu em edição portuguesa a obra do italiano Norberto Bobbio, Direita e Esquerda (Destra e Sinistra), com o subtítulo Razões e significados de uma distinção política. Definindo as palavras que constituem o título, diz Bobbio: «Os dois conceitos – «direita» e «esquerda» – não são conceitos absolutos. São conceitos relativos. Não são conceitos substantivos ou ontológicos. Não são qualidades intrínsecas do universo político. São locais do «espaço» político, representam uma determinada topologia política, que nada tem a ver com a ontologia política: Não se é de direita ou de esquerda, no mesmo sentido em que se diz que se é «comunista», «liberal» ou «católico». Por outras palavras, «direita» e «esquerda» não são termos que designam conteúdos definitivamente assentes. Podem designar conteúdos diferentes, de acordo com as épocas e as situações». Isto parece-me correcto – Lembro como a generalidade dos oposicionistas à ditadura do Estado Novo eram considerados «de esquerda», vindo-se a revelar depois da Revolução que uma boa parte deles passou, em função das opções político-partidárias que fez, a ser considerada de «direita». Mais adiante, Bobbio acrescenta: «Convirá também notar que «esquerda» e «direita» são termos que a linguagem política veio utilizando desde o século XIX até aos nossos dias para representar o universo conflitual da política. Todavia, esse mesmo universo pode ser representado, e foi-o de facto noutros tempos, por outros pares de opostos, alguns dos quais têm um valor descritivo forte, como «progressistas» e «conservadores», e outros têm um descritivo fraco, como «brancos» e «negros». O par «brancos- negros», também só exprime uma polaridade, isto é, significa apenas que não se pode ser ao mesmo tempo branco e negro, mas não permite de modo algum perceber quais são as tendências políticas de uns e de outros». Como se infere do que nos diz Bobbio, não se é de esquerda ou de direita tout court; é-se de esquerda ou de direita em relação a um determinado referencial, nem que seja apenas relativamente à mesa da presidência.
Esta «geometria variável» que acompanha a aplicação dos conceitos de opostos em política é um dado a ter em conta, sempre que falamos de «esquerdas» e de «direitas» e que nos deve levar a ser um pouco mais rigorosos. Sobretudo, cuidado com as imitações, como nos avisa o Sérgio Godinho.

Granadeiro e os pontos nos is…

Henrique Granadeiro, num excelente e transparente texto, vem-nos confirmar algumas coisas, que todos sabemos, mas que mesmo assim, não deixamos de apreciar.

Em primeiro, é que enquanto gestor nas empresas do Estado, está por conta dos governantes, políticos accionistas que são quem verdadeiramente mandam. Já mandou a Manuela Ferreira Leite e agora manda José Sócrates.

Depois vem-nos dizer que MFL tem passado, tomou decisões, algumas delas erradas outras que não lhe agradaram. Tambem já sabíamos que MFL anda cá há quase 35 anos, já foi ministra, é natural que tenha passado. Tal como José Sórates.

O que Granadeiro se esqueceu de dizer, e isso é que seria sério, é que Manuela Ferreira Leite tem um passado insuspeito, é um político a quem nunca foram imputadas malfeitorias, suspeitas de casos menos claros, que tenha enriquecido com a política. Tirou um curso no “velho” ISEF com uma elevada nota, a melhor do curso. Fez uma carreira impoluta enquanto economista, é mãe respeitada, política com experiência e provas dadas.

Granadeiro deveria ter continuado com as comparações, não é sério que tenha ficado por onde ficou!

Da minha janela vejo os "posts" dela…


Escrevo os meus “posts” no meu escritório que tenho em casa. No fundo da casa e a mais pequena das divisões, tem uma janela, paredes cheia de quadros (comprados na rua) nas viagens que tenho feito por esse mundo.

Uma estante cheia de livros não lidos, uma colecção de moedas não arrumada e um armário cheio de roupa de onde vou tirando peças que já não cabem na minha barriguinha da felicidade. Uma “sapateira” (não sei se é assim que se diz ) onde arrumo os sapatos e que não serve para mais nada, embora pareça um móvel e tanto. Uma estante onde arrumo umas colecções de livros e que escondem vinhos, wiskies e outros pecados que não estou para revelar aqui.

A secretária onde escrevo os “posts ” está rodeada de duas cadeiras que, segundo o meu filho, são notáveis e a que ele dá uma importância deveras curiosa. Ele comprou-as e eu paguei-as. Neste escritório pobre e desarrumado entra de vez em quando a D.Emília, que está cá em casa há trinta anos e que para meu desespero atira tudo para o lixo. Principalmente, o que está à vista, pois é a única maneira de não as perder. A D. Emília acha que se não estão guardadas é porque não servem e como tal, lixo com elas!

O mundo que eu vejo da minha janela é um mundo variado e curioso. Tenho a sorte de viver numa casa que tem a casa mais próxima a 50 metros, na frente e na traseira, dois largos portanto, com árvores, relva e pássaros, pombas e cães a urinar com as respectivas donas. De vez em quando os cães aparecem com novas donas. Se forem de idade é porque as anteriores morreram, se são novas é porque se divorciaram. E, neste caso, há que ter redobrada atenção.

Na casa em frente mora um (uma?) curioso que me espreita com um binóculo assente num tripé, e que já teve o desplante de me enviar um feixe de “raio lazer” vermelho, um ponto apenas que me persegue dentro de casa.

Não sei o que fazer ao ponto vermelho. Vocês sabem?

“O que faço não é uma arte nem uma ciência, é a vida”, Pina Bausch

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Pina Bausch morreu ontem. Com ela a dança nunca mais foi a mesma. Sem ela, a dança não será a mesma. Desde 1973 que dirigia a sua companhia, a mesma que a ajudou a suportar a notícia de que tinha cancro, recebida há apenas cinco dias. Morreu aos 68 anos.

Nasceu em 1940 na cidade alemã de Solingen, como Philippine Bausch. Pina, como o mundo a conheceu, recebeu aulas de ballet desde cedo.
Aos 15 anos, Bausch foi estudar dança para a escola Folkwang, em Essen, fundada pelo coreógrafo Kurt Joos, que foi o seu grande mentor. Nos Estados Unidos, na Juilliard School of Music, em Nova Iorque, consolidou a formação. Regressou à Alemanha em 1962 para dançar como solista no grupo de dança da Folkwang.

Estreou-se como coreógrafa em 1968. Anos mais tarde, em 1973, foi convidada a dirigir a Companhia de Bailado do Teatro de Wuppertal. Deu asas à sua capacidade criativa e teve diversos dissabores, com o público, colegas e até bailarinos. Inclusive chegou a perder o público. A todos foi recuperando.

“O que faço não é uma arte nem uma ciência, é a vida”, dizia. De Portugal recebeu a Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, que o Governo português lhe atribuiu em 1994. Foi uma entre muitas distinções.