Os negócios de futebol

Não sei se já perceberam que os negócios no futebol se fazem por “pacote” . Normalmente aparece um treinador, por exemplo, vindo das profundezas de um futebol mediano ou mediocre (incluo os que nunca ganharam nada ou andam em equipas do fundo da tabela) e com eles vem meia equipa de jogadores.
Todos “Maradonas” ! Ao fim de meia dúzia de jogos logo se vê que há um que “dá uns toques” e que os outros só jogaram na praia. Na época seguinte tudo se repete.
O Leão este ano jogou pelo seguro. Olhou para a equipa e viu o que toda a gente via, falta um “10” um homem que jogue atrás dos dois homens da frente e que ao mesmo tempo, liberte o Moutinho para jogar em todo o campo.
E pronto, uma das vantagens de estabilizar a equipa é esta. Conhecemos o que temos e damos valor ao que temos.
Na Águia temos mais do mesmo, um monte de jogadores tal como o ano passado. Metade não joga ou torna-se um problema para se arranjar solução.
Um avançado como Saviola é mais que suficiente para dar objectividade à equipa e um defesa esquerdo, para o David Luis jogar no meio da defesa. Mas não, vem aí uma camioneta de aquisições ! Jogadores para não jogarem.
Muitos de nós acham que as comissões e as mais valias se contabilizam com malas de dinheiro, off shores etc.
E se o “contrapeso” forem estes treinadores e jogadores que não dão rendimento nenhum ?
 
PS: não estou a referir-me concretamente ao Benfica, até porque há equipas que nem jogadores portugueses têm. Mas lembram-se todos de um recente negócio que é parecido. Eu compro umas acções por 2 e uns meses depois tenho alguem que mas compra (só a mim) por um preço 150 vezes superior. Está tudo legal. Se eu tiver um monte de jogadores que ninguem quer e os conseguir vender no meio de um qualquer negócio, tudo o que venha é lucro.
Devia haver um limite de jogadores estrangeiros por equipa!

Moby – Wait for Me + Regina Spektor – Far:

Dois novos trabalhos de excelência, acabadinhos de sair, que partilho convosco aqui, no Aventar e no Sinaleiro, sempre boas músicas:

De Chopin para o Samba

Ao que tudo indica, numa conversa de corredor de um centro comercial, Maria João Pires informou um amigo, por acaso jornalista, que vai abandonar Portugal, renunciar à cidadania portuguesa e viajar para o Brasil, dedicando-se a um projecto turístico. Pelos vistos está desiludida com os “coices e pontapés que tem recebido do Governo português". Consta que é uma questão de apoios financeiros, ou falta deles ao projecto de ensino artístico de Belgais.

Apesar de ser uma escola de génese privada, trata-se de um estabelecimento público e recebeu apoios do Governo. Obteve-os. Entretanto, o Ministério da Educação travou a entrega de mais verbas “por falta de comprovativo de despesas”, além de parte do dinheiro já entregue ter sido utilizado para pagar dívidas da Associação Belgais à Segurança Social e Finanças. Pelos vistos, a associação só comprovou 32 por cento do valor que estava previsto para este ano lectivo, cujo financiamento global aprovado rondou os 172 mil euros, lê-se no Sol.

De tudo isto, só falou Joana Pires, a filha de Maria João Pires e dirigente da Associação de Belgais. A pianista não deu cavaco às tropas. Como aliás parece fazer questão de o fazer na maior parte das vezes. É uma artista, das mais importantes do mundo no seu sector, e portanto não estará para dar explicações aos simples mortais. Aliás, também não tem de dar explicações. Por isso não permitiu ao amigo jornalista que registasse essas declarações. Fez bem. Não vá arrepender-se da decisão.

Tenho pena que qualquer português queira deixar de o ser. O mesmo acontece com Maria João Pires, cujos méritos artísticos são inegáveis. Mas se é assim que pretende, que o faça.

Para ameaças do género – ou me dão dinheiro ou vou-me já embora – já temos Alberto João Jardim. Maria João Pires terá frequentado a mesma escola. Já ameaçou no passado, não concretizou. Se agora o fizer, que seja feliz na Baía. Ainda vamos ouvir o seu nome como autora do tema de samba de um qualquer bloco do Carnaval baiano.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC ( 2ª PARTE) – IV

No que se refere às auto-estradas marítimas aprovadas pela EU, uma delas interessa-nos particularmente, o chamado Arco Atlântico ligado a Península Ibérica ao Mar do Norte e à Irlanda, a que já fiz referência anteriormente, considerando-o um investimento reprodutivo muito importante para a nossa economia e, provavelmente, a ser  suportado por parcerias Estado / Privados.

Julgamos, contudo, ser indispensável um melhor esclarecimento desta situação, especialmente numa altura em que foi tomada pública a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Estado, a APL, a REFER e a Liscont, com vista à ampliação do terminal de contentores de Alcântara e prolongado o prazo da sua concessão.

Vejamos, então o que se passou:

Este terminal está concessionado à Liscont, prevendo-se o seu termo em 2015. Porém, em 2004, posta pelo Governo a hipótese de ser transferido para Stª Apolónia, os responsáveis da Liscont exigiram garantias de forma que o novo terminal oferecesse as mesmas condições de operação que o de Alcântara. O que seria muito difícil de obter, dada a profundidade do rio, para menos, assim como a escassez das terraplanagens disponíveis.

Note-se que as principais características deste terminal de contentores, em Alcântara, eram as seguintes:

Área do terrapleno concessionado – 97.323 m2.

Capacidade de movimentação instalada – 350.000 TEU’s / ano

Capacidade de armazenagem – 8.592 TEU’s / ano

Comprimento do cais – 630 m

Fundos – 13 m ZH

Ainda para uma maior dificuldade na transferência prevista para Stª Apolónia, sucede que tinha ficado acordado entre a Administração do Porto de Sines e a PSA de Singapura (concessionária do terminal XXI, em Sines) que o Governo só poderia aprovar investimentos nos portos de Lisboa e Setúbal em áreas já concessionadas ou em processo de concessão. Mais uma cláusula condicionante que, pela sua ingenuidade (?), lembra o célebre “contrato de exclusividade” assinado quando da construção da  Ponte Vasco da Gama.

Passados alguns governos e outros tantos Ministros das O.P. (nomeadamente o Dr. Mexia e o Engº L. Valente de Oliveira), em Abril de 2007 – já posta de lado a hipótese da transferência deste terminal para Stª Apolónia – a Mota-Engil, através de uma “subholging” adquiriu mais algumas posições nas empresas SOTAGUS e LISCONT, após o que passou a controlar 100% da primeira e 82,94% desta última.

A autoridade da concorrência de então (Prof. Doutor Abel Mateus), consultada, não se opoz a esta operação de concentração “uma vez que não é susceptível de criar ou reforçar uma posição dominante…”.

Sublinhe-se, contudo, que a Autoridade fez questão de esclarecer que, embora consultado, “ O IPTM – Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos ainda não se pronunciou, em concreto, quanto às eventuais implicações da operação de concentração em análise no sector maritimo-portuário,…” por razões, segundo parece, motivadas por circunstâncias e vicissitudes várias que assim não o permitiram.

É estranho, mas é um facto. Este parecer tem a data de 25 de Junho de 2007.

Pouco tempo depois, em 27 de Setembro de 2007, a REFER – Representação Permanente Portuguesa, em Bruxelas, informou que a Comissão Europeia, por proposta do Vice-Presidente Jacques Barrot, nomeou Luís Valente de Oliveira (entretanto saído do Governo) para coordenador europeu para as redes transeuropeias de transportes, mais concretamente, para as auto-estradas do mar. Transcrevo:

“Luís Valente de Oliveira exerceu nos últimos anos cargos no Governo Português onde ocupou, nomeadamente, o posto de Ministro do Planeamento e Administração do Território, de 1985  a 1995, e de Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação, de 2002 a 2003. A criação de auto-estradas do mar são ligações marítimas, regulares e de qualidade, entre vários portos da União Europeia, numa lógica de cadeia multimodal perfeitamente integrada que não só evita estrangulamentos rodoviários, como permite uma maior integração das regiões periféricas e insulares da União”.

Resumidamente, direi que o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, nomeou responsável pelos transportes o Vice-Presidente da Comissão Jacques Barrot e, posteriormente, por proposta deste, nomeou o Engº L. Valente de Oliveira coordenador europeu para as auto-estradas do mar. Neste cargo cabe-lhe, pois, facilitar o diálogo entre os Estados interessados, com vista a uma melhor sincronização dos trabalhos e dos planos de financiamento, envolvendo projectos essenciais para  se desenvolver uma política de transportes sustentável.

A título meramente pessoal cabe-me  dizer que considero este engenheiro um técnico de qualidade indiscutível.

Por outro lado e numa outra perspectiva, quem se der ao trabalho de ler o Relatório e Contas da Mota-Engil, SGPS, S.A., relativo ao ano de 2007, poderá comprovar:

O Prof. Luís Valente de Oliveira (além de muitos outros cargos em empresas e instituições devidamente identificadas) desempenha, aì, as funções de Director não executivo (2006-2009), tendo como Presidente António Manuel Queirós Vasconcelos da Mota. Acrescente-se que uma parte das remunerações atribuídas (cujo montante se específica), ficará dependente dos resultados obtidos.

No Relatório referido poderá, ainda, ler-se que a Mota-Engil terá uma participação de 30% no capital da Sociedade que irá ser criada para gerir a plataforma logística do Poceirão – a LOGZ. ATLÂNTICO HUB, SA – com uma vocação atlântica e preparada para responder aos desafios da intermodalidade, nomeadamente nos mercados Ibéricos e Europeus (o sublinhado é meu).

“A sua localização estratégica, tendo como vantagem a proximidade dos portos de Lisboa, Setúbal e Sines permite-lhe funcionar como porta de entrada para  o tráfego de mercadorias de e para os continentes Americano e Africano, criando uma nova alternativa para navios de baixo calado na Península Ibérica, incrementando os fluxos provenientes dos portos domésticos para o “hinterland” Ibérico”.

Parece-me haver uma clara contradição entre o cargo que o Engº Valente de Oliveira desempenha na Mota-Engil e as funções de coordenador das A-E marítimas: isto por razões de ética e deontologia profissional.

Com efeito, não se ignora que terá de estudar e elaborar pareceres relativos a essas A-E que tocam os portos portugueses, nomeadamente os principais; e quanto a estes, o terminal de contentores de Alcântara concessionado à Mota-Engil è único (pelas suas características) no porto de Lisboa.

E, sendo assim, o Sr. Engº poderá ter de arbitrar ou, pelo menos intervir em eventuais conflitos de interesses entre a Mota-Engil e outros. No centro das decisões, ser-lhe-á muito difícil, optar sem que fique sujeito a fortes críticas, na medida em que poderá obter informações privilegiadas e ter acesso fácil aos melhores contactos.

Lá diz o ditado: Não basta ser honesto, é preciso parecê-lo.

Não tenho formação nem conhecimentos suficientes de ordem jurídica mas, a experiência da vida ensinou-me que nem tudo o que é legal é moral. Se há nesta situação algo que mereça ou deva ser esclarecido, estou certo que o Sr. Engº o fará no mais breve prazo e com frontalidade que é lícito esperar. E já tarda.

A Gestão das Escolas é uma vergonha!

Tenho procurado ao longo dos últimos tempos manter-me calmo e sossegado sob pena de dizer ou escrever o que não devo, mas o que está a acontecer na escola pública é demasiado grave.
Até há algum tempo tínhamos uma gestão das escolas baseada numa equipa, eleita directamente pela comunidade e onde os partidos não riscavam nadinha, ou quase…
Vem o Partido Socialista, esse ignóbil grupo de gatunos que nos (des)governa e imaginem! de Esquerda.
Pois, estes senhores de ESQUERDA (cruzes! Credo! Canhoto!) acabaram com um espaço de Democracia na gestão das escolas.
E, car@ leitor@, quem não exerce Democracia não a pode “passar” aos alunos… quem sabe não é essa a ideia.
Os Centralistas Burocratas do Ministério e Direcções Regionais, equipas de apoio e ex-Presidentes sedentos de poder bateram palmas – cria-se um órgão (Conselho Geral) onde entram os caciques locais e tudo fica prontinho para fazer chegar às escolas o que de pior há na sociedade Lusa: o compadrio, os amigos, as cunhas, os partidos…
Eu, empregado da Escola Pública; eu, utilizador da Escola Pública; Eu, cidadão da Escola Pública escrevo aqui com todas as letras: por favor, vejam o que se está a passar nas nossas escolas: os partidos locais estão a entrar com toda a força, compram eleições, escolhem quem querem…
Sim, falo no Presente… mas a pensar no futuro.
Já é mais do que preocupação!

Concursos de Professores: colocações para breve

Concursos de Professores ou a pior forma de gerir e motivar os Professores – é mais ou menos isto que se vai passando em todas as escolas deste país.
Os directores querem organizar as coisas e preparar o próximo ano – não podem porque não sabem quem vão ser os professores.
Estes não sabem onde vão trabalhar, se perto se longe, se aqui ou acolá e por isso, motivação é palavra que não rima nos dias que correm com colocação.
De qualquer modo se clicarem neste link – http://dre.pt/sug/2s/getpartes.asp?s=dia&p=c&dr=128.2009, poderão aceder ao índice do Diário da República (Série II, Parte C – Governo e Administração Directa e Indirecta do Estado) de 06 de Julho de 2009.
Na página em causa surge o Aviso n.º 11875/2009. D.R. n.º 128, Série II, de 2009-07-06, que é o que nos interessa: o aviso das listas de colocação. Claro que se clicarem no link do Aviso não se irá, para já, abrir nenhum documento, pois apenas será disponibilizado na 2.ª feira,…
Quer isto dizer, que a nossa aposta vai para o dia de hoje (6ª feira). Temos menos de 7h para confirmar a aposta aventar (copiada quase integralmente de uma dica do SPN).

Maria João Pires já não é portuguesa («agradeçam» à Ministra da Educação)


Após vários avisos de Maria João Pires ao Governo e à Ministra da Educação, o projecto de Belgais acabou e Maria João Pires renunciou à Nacionalidade portuguesa. A falta de dinheiro era uma realidade há muito e não foi resolvido por quem de direito. O próprio Presidente da Câmara de Castelo Branco, eleito pelo PS, encarou o assunto como se nada fosse. Quanto ao Governo, sobretudo a Ministra da Educação, o que interessa é afrontar os professores e acabar com tudo o que era gestão democrática das escolas – nomear os seus «boys» e «girls» para as novas Direcções da Gestão escolar. Projectos independentes e únicos, como era o caso de Belgais, esses não lhes interessa – ali não há tachos para distribuir.
E assim acaba o sonho de um conjunto de rapazes e raparigas que, um dia, pensaram poder vir a seguir as pisadas de Maria João Pires. Uma pianista única, uma das maiores ex-portuguesas vivas. Ex-portuguesa porque, a partir de hoje, deixou de ser. E deixou de o ser porque Portugal, está visto, não a merecia. «Agradeçamos» todos à Ministra da Educação, essa grande portuguesa que tanto tem feito (procuremos, que havemos de encontrar) pelo nosso país.

Falando de democracia: centralismo democrático

«Centralismo democrático» é a designação que se dá à forma de direcção e ao modo de organização dos partidos comunistas. As características e os princípios deste sistema de estruturação partidária, são – a elegibilidade de todos os cargos e a possibilidade da sua revogação em qualquer altura; uma severa centralização organizativa; todas as decisões aprovadas pela maioria devem ser acatadas pela minoria; uma forte disciplina implantada a todos os níveis da estrutura; permanente possibilidade de discussão da linha política; o imperativo da crítica e da autocrítica; unidade na acção, não se admitindo a criação de facções, fracções, tendências ou «sensibilidades». É óbvio que qualquer defensor deste tipo de organização que me esteja a ler, logo dirá que esta descrição é sinteticamente redutora. Será, mas alongar-me mais era correr o risco de não encontrar ninguém com paciência para chegar ao fim da leitura.

Na prática, este sistema de direcção partidária criada por Lenine conduziu em linha recta ao estalinismo e às suas monstruosas consequências, entre as quais a eliminação física, pura e simples, de quem se atreveu a discutir a linha política do partido (a tal que, segundo o projecto de Lenine, podia ser discutida permanentemente). Depois, já não era apenas a linha do partido que era crime discutir (e crime ainda muito maior, era discordar), pois também todas as directivas emanadas do comité central, não podiam ser contestadas. Sabe-se que o comité central obedecia cegamente a Estaline. O que passava pela cabeça de um Estaline, filtrado pela sua psicopatia, era a «linha política do partido». As purgas em que foram executados centenas de milhares de comunistas, eram a forma «democrática» de resolver a discussão. Chegou-se a um ponto em que, como as paredes tinham ouvidos e microfones também, as pessoas já tinham medo de pensar algo que fugisse à ortodoxia estalinista. Em «1984», o genial romance de George Orwell, retrata-se de forma exemplar uma sociedade dirigida pela omnipotência do Big Brother.

Rosa Luxemburgo (1870-1919), a revolucionária social-democrata alemã, fundadora do grupo Spartakus (foi assassinada durante a revolução spartakista), que, com Karl Liebknecht, contestou vivamente a organização partidária que Lenine defendia para os partidos, dizia em A Revolução Russa: «Sem dúvida que toda a instituição democrática possui os seus limites e os seus defeitos…Pois bem, o remédio inventado por Lenine e por Trotsqui – a supressão da liberdade em geral – constitui um mal pior do que aqueles que pretendia curar».

O «centralismo democrático» tem vigorado nos partidos comunistas e não só, pois a concepção leninista de partido foi adoptada por organizações partidárias e movimentos de todo o leque político, da extrema-direita à extrema-esquerda. No fundo reproduz o conceito de democracia a que Jean-Jacques Rousseau punha reticências em Do Contrato Social – o que assenta cegamente no princípio da representatividade. As massas ou os militantes elegem representantes, que, depois de eleitos, passam a agir sem consultar os eleitores ou sem sequer respeitar os pressupostos programáticos que conduziram à sua eleição. Albert Camus, em O Homem Revoltado, chama a atenção para o facto de Lenine, inspirado em Karl Marx, ter criado o imperialismo da Justiça, «justificando com uma justiça longínqua a injustiça durante todo o decurso da História».

A democracia interna nos partidos políticos (e não falo só dos partidos comunistas), deixa muito a desejar. Porque a concepção leninista de organização partidária pegou e o «centralismo democrático» tem feito carreira por todo o leque político, da direita à esquerda. Eleitos os comités centrais, os secretariados, as direcções e presidências (a nomenclatura varia, o sistema é muito semelhante), os militantes eleitores passam a ser meros coladores de cartazes, vendedores de jornais, produtores de aplausos e agitadores de bandeirinhas nos comícios.

Centralismo democrático? – Não pode ser: os dois termos excluem-se reciprocamente: – ou bem que é centralismo, ou bem que é democrático.

Projecto DL do Governo coloca no desemprego centena de técnicos, num acto incostitucional (I)

No âmbito do Projecto do Decreto-Lei (DL), publicado para apreciação pública na separata do Boletim do Trabalho e do Emprego, a 05/06/2009, que visa regulamentar o exercício da actividade de coordenação em matéria de segurança e saúde na construção, levantam-se diversas questões que terão sérias repercussões sobre a área profissional da segurança e higiene no trabalho. Concretamente, o Governo pretende colocar no desemprego Centenas de Técnicos em exercício, alegando a necessidade de uma nova licenciatura de base para a profissão, priviligiando maioritariamente os engenheiros civis, numa lei restritiva com eficácia retroactiva, que amputa o conteúdo essencial do direito à liberdade de profissão, o direito à segurança no emprego e o direito de iniciativa privada, em violação da Constituição da República Portuguesa.
Neste contexto, segue-se um texto que resume as principais questões e outro texto que faz o enquadramento legal da inconstitucionalidade do diploma numa tentativa de tornar pública esta polémica.

PROJECTO DE DECRETO-LEI

O novo Projecto de Decreto-Lei do Governo Atira Para o Desemprego Centenas de Técnicos num Acto Inconstitucional.
O Projecto do Decreto-Lei (DL), publicado para apreciação pública na separata do Boletim do Trabalho e do Emprego, a 05/06/2009, que visa regulamentar o exercício da actividade de coordenação em matéria de segurança e saúde na construção levanta diversas questões que terão sérias repercussões sobre a área profissional da segurança e higiene no trabalho com custos elevado para o País, reflectindo um “desinvestimento” em políticas de formação levadas a cabo nos últimos 10 anos, concretamente nos efeitos respeitantes ao sector já admitido no mercado laboral, que passa a não reunir as habilitações necessárias para poder continuar no exercício das suas funções.
O referido Projecto do DL, chega mesmo a condicionar, no regime transitório de autorização ao exercício da função – pretendendo regular, com efeitos retroactivos – a formação de base no acesso à profissão, colocando toda uma classe actualmente em exercício, experiente e de formação tão recente quanto actualizada, como obsoleta.
É então proposta uma estratificação da classe profissional em três níveis, sendo que o acesso ao nível 1 da coordenação de segurança em obra passa a ser limitado a quem detenha um “título profissional que o habilite, nos termos da legislação em vigor, para o exercício das actividades de Director de Obra ou de Director de Fiscalização de Obra deste nível”, i.e., Engenheiros Civis e Arquitectos, e os níveis 2 e 3, como níveis em que os técnicos actualmente em exercício poderão ainda permanecer, respeitando às obras de pequena dimensão, claramente um mercado meramente residual.
Em suma, e genericamente o projecto de DL que se avalia, pretende exceptuar a área da segurança e higiene no trabalho no sector da construção, ao indicar que afinal as competências necessárias não são as específicas da segurança e higiene no trabalho, mas as de civil e de arquitectura! Pelo menos no que se considera como grande obras, à revelia da segurança no sector que não se compadece de acordo com o valor da obra, mas sim com os riscos da actividade.
Ora, aprovando o Conselho de Ministros a proposta de DL, o Governo coloca na rua ou em situação laboral precária, toda uma classe de profissionais altamente qualificados, que diariamente provam o seu valor profissional no mercado de trabalho, engrossando as fileiras do desemprego à revelia dos interesses do País. De nenhum caso de comprovada incapacidade dos actuais Técnicos Superiores houve conhecimento desde a entrada do DL 110/ 2000 onde se regula a formação então necessária à aquisição de competências de segurança e higiene no trabalho. Qual será, portanto, a justificação do diploma entrado na véspera dos feriados de Junho? Em concreto, apenas espelha um afunilamento forçado e determinado à prevalência de algumas Licenciaturas em detrimento de outras graduações numa linha inovadora e decorrente das diversas carreiras profissionais que o próprio Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social tem vindo a aprovar e fomentar. O DL se aprovado, desencadeia um jogo de interesses sectoriais que em nada beneficiam a resolução da crise de agora, ao arrepio de interesses globais, ou seja, nacionais. Dez anos depois da legislação em vigor, pretende-se fazer aprovar novo diploma que retira do mercado grande parte dos Técnicos Superiores, pois a maioria não é engenheiro civil ou arquitecto, e os substitui por duas classes profissionais que até à data não representam a maioria da categoria laboral em causa!
Centenas dos Técnicos Superiores de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho, a nível nacional, foram formados nos Centros de Emprego do país numa óptica de reconversão de competências com recurso ao dinheiro dos contribuintes e aos fundos da União Europeia. Espantosamente, esta pretensão do novo diploma, globalmente resultante na pura e simples anulação das sucessivas linhas de qualificação dos técnicos formados já em funções, descarta qualquer responsabilidade. O sistema de formação não presta contas do que realiza com o erário público? No curto prazo, uma década, há Decretos-Lei antagónicos? O direito ao emprego entrou em ritmo alternativo, agora estes graduados, depois aqueles, a seguir nem se sabe quais? É a desordem, o caos laboral, a guerra de visões parcelares.
Tal instabilidade jurídica na regulação dos acessos a categorias profissionais revela-se incompatível com o desenvolvimento do país, tanto ao nível da sua inconstitucionalidade, como ao nível dos custos para o País, consubstanciando-se numa lei restritiva com eficácia retroactiva, que amputa o conteúdo essencial do direito à liberdade de profissão, o direito à segurança no emprego e o direito de iniciativa privada, em violação da Constituição da República Portuguesa.

(continua)

Eleições

O nível atingido nas eleições do benfica e cujo exemplo máximo está NESTA caixa de comentários do Sapo, é revelador do estado deste clube.

Maria Monteiro – Onde lês o Aventar?

escritorio
Eu por Lisboa/Olivais vou-vos lendo e aprendendo mas sem regras, por entre estudos, trabalhos, músicas, conversas, encontros … enfim quando calha. O local é mesmo em casa, com uma caneca de chá, no meio de pilhas de papéis e de muitas realidades…

Pois é um espaço que já vem do meu tempo de menina e moça, e como necessidade de estudo, sempre repartido com a minha irmã.
Foi aqui nesta secretária, que escrevi, ouvi música, estudei e… sonhei com revoluções.

A secretária, o estirador, a estante e as cadeiras são as mesmas, mas, com o crescer do meu filho, o sofá deu lugar a uma bateria (semi montada), a um teclado, a mais uma viola, a muitas mais estantes e grades (tipo aki) e livros também aos montinhos pelo chão.

Nós dois, mãe e filho, temos uma saudável gerência deste espaço completamente (des)organizado mas onde passamos grande parte do tempo quando estamos em casa.

Há uma varanda fechada que dá para um campo de futebol e do outro lado fica o Tejo ali mesmo ao fundo da rua.

O Aventar já esta no monitor e a caneca do chá será mais logo…

1Abraço
Maria

Benfica com eleições (i)legais

vergonha-benfica

As eleições do Benfica estão a tornar-se um ‘must’ para qualquer estudante ou estagiário de direito. Em dois dias seguidos, os canais de televisão colocaram, frente a frente, não os candidatos a presidente, não os respectivos vices, não os potenciais directores desportivos mas, sim, os advogados.

Em vez de um debate sobre contratações, treinadores, erros do passado, estratégias desportivas de futuro e de sobrevivência desportiva, discutem-se artigos de estatutos, providências cautelares e coisas afins.

Já agora, que haverá de tão grave para que seja necessário forçar as eleições para o dia de hoje? Porque arrisca Manuel Vilarinho, como presidente da Assembleia-Geral, uma acusação de crime de desobediência, por recusar uma notificação judicial que aplica uma providência cautelar à candidatura de Luís Filipe Vieira? Afinal, em causa pode ficar todo o acto eleitoral. Quer Manuel Vilarinho ver-se livre, muito depressa, da presidência da AG ou terá outros motivos?

ANDA TUDO MARADO DA CABEÇA

TANTO DESGASTE
.O desgaste provocado pela governação, provoca que algumas pessoas, coitadinhas, percam as estribeiras e façam gestos que não lembra ao demónio. Quase merecia uma tentativa de pega de caras. Claro que não são mal educadas as pessoas que fazem o que o senhor fez, nem nada que se pareça, estão só desgastadas e pronto. E até pediu desculpa e tudo, o pobre do homem. Que mais poderia  fazer?
E o desgaste provocou a demissão do sr Pinho. Coitadinho do ministro e coitadinho do nosso Primeiro, que a dois meses das eleições perde um dos ministros mais inteligentes do seu governo. Mais conhecido pelas gaffes de que foi protagonista do que pelo trabalho efectuado, abandona hoje, no meio de polémica e sem deixar pena, a governação.
Pena ter sido só ele, que há muitos mais que deveriam seguir-lhe as pisadas.
E agora como vai o sr Sócrates fazer para substituir um homem, tão imprescindível como este, só por dois mesitos, ele que é o sexto ministro a abandonar o barco? É que no fim desse tempo, o emprego acaba-se de vez, e o empregador passa a ser outro.