Onde escreves os teus "posts"?

O Ricardo, digo “r”, deu o mote, o Luís escreveu um dos seus melhores textos, a Maria, a nossa mais dedicada leitora, mostrou-nos, com a habitual abertura de espírito, como é o outro lado, e eu fiquei com sentimento de culpa, porque tinha dito que achava a ideia muito boa, mas não escrevi nada, embora tivesse uma boa desculpa.
Pois bem, não escrevo sempre no mesmo local, mas este é o local mais constante.

Um pequeno escritório, do qual a imagem mostra a parede que se parece com um escritório, porque tudo o resto é uma confusão de livros, fotografias, caixas com revistas do Noddy, carrinhos sem rodas, um pato só com uma pata, metade de um poster do Ruca, desenhos e desenhos e desenhos, e outros tesouros que o meu filho deixa espalhados pela casa e eu que vou recolhendo e trazendo para aqui, na tentativa de documentar uma infância que, segundo me afiançam, passa demasiado depressa.
A secretária é nova cá em casa e veio de um negócio de família que faliu, o que espero que não seja mau augúrio, e a verdade é que ainda não me habituei a ela porque tem um tampo de vidro e eu prefiro a madeira.
O texto poderá tomar corpo aqui, mas a sua centelha inicial vem de outros espaços. Uma conversa, algo que se vislumbra pela primeira vez, ainda que tenha estado sempre ali, e a maioria dos textos tem, aliás, um cenário mental, que é uma certa casa de uma certa rua, ou uma varanda, ou uma esquina, ou alguém a quem vi num certo local. Desde criança que tenho localizadas muitas das minhas memórias pela rua da cidade em que ocorreram, e movo-me nesse mapa interno, com as coordenadas do tempo e do espaço por vezes baralhadas, e é nele que me redescubro.
E por isso, o verdadeiro local onde escrevo sem nunca o ter feito aí, e um dos meus favoritos da casa, é este.

A vista que tenho da varanda vale o terceiro andar sem elevador e com uma escadaria de degraus enormes (quando estava grávida deixava um banquinho no segundo andar para me sentar a descansar a meio da subida), a ausência de estacionamento, as contas astronómicas de electricidade porque não há aquecimento central… Da minha varanda, no centro da cidade, vejo a Torre dos Clérigos, vejo a câmara municipal, vejo o mar quando o céu está limpo, vejo céu e espaço a perder de vista.
E quando regresso à secretária perco-me novamente no emaranhado das minhas ruas.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Estou na praia, Carla, areia, calor e multidões é demasiado mau. As pessoas andam atrás do calor ? É como no inverno ir para a Serra da Estrela. Olha que essa do banquinho é uma ternura…


  2. Querida Carla, apesar de tudo, e do que vou dizer a seguir, a sua sala/escritório de entre as 3 que já apareceram está em 1º lugar com 9,4 entre os 3. A da maria recebeu 9 e o Luís 8 e tem de ir à oral!Sinceramente…. a escrever para uma parede?Isto parece-me mais uma telenovela pornográfica tipo deep throat I, II, III..Por este andar vamos parar onde…ao quarto da aldeia do interior de trabalho do R’ MAS EU NÃO QUERO VER O QUARTO DELE NEM ESSA ESTÉTICA DE «mostras o quarto onde escreves..e amanhã a cozinha, olha e já agora podes subir um cm da saia??!!» MAS EU AFINAL SOU O MAIS PURO E INOCENTE DAQUI!!! Afinal sou eu o único verdadeiramente cristão católico apostólico!!!!Só me levantei agora, às 19h45 da tarde (!!) e estou numa fase muito espiritual tipo muita fruta muitos vegetais e muita água.Beijos e Haja decência que sou pessoa de bem e nada ligado a modernices!

  3. maria monteiro says:

    É verdade Carla, os tampos de vidro têm o seu quê…digo eu que trabalhei numa fábrica produtora de vidro… à conta da “descoberta” do mercado do mobiliário, e porque tínhamos que dar o exemplo, lá fomos todos corridos a secretárias e mesas totalmente em vidro… Tirando esse pormenor o mundo vidreiro é um fascínio…. e vá escrevendo por aí…


  4. O Luís está na praia?? Mas aqui no Porto chove e nem nos melhores dias de outono está assim tão melancólico, este tempo…E QUEM O MANDOU IR PARA O MEIO DO POVO?..ELE, SE QUISER PRAIAS DESERTAS, LINDAS, BOAS, E ONDE POSSA MOSTRAR À VONTADE O QUANTO A NATUREZA FOI GENEROSA COM ELE(!!), PODE PERGUNTAR A LISTA DE PRAIAS DA ZONA DELE, NUDISTAS, QUE EU DIGO-LHE! NINGUÉM O MANDOU IR PARA A MULTIDÃO! Ah e já agora Maria, diga ao Luis que descanse..mesmo que um dia se zangue comigo… jamais mas jamais, eu darei qualquer informação extra dele…!!!POR ISSO, QUE NÃO TENHA MEDO DE ME ENFRENTAR E SER SEMPRE DURO COMIGO! EU SEPARO AS COISAS! E JURO ISSO PELA MINHA VIRGINDADE (PSICOLÓGICA)


  5. E que largue o maldito aparelho!! Nem na praia larga a internet! CHEGA! BASTA! E BASTA DE MARCAÇÕES E DE FANTASMAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! COM TANTA PERNA JEITOSA AÍ DE MEXICANAS E SUBURBANAS BOAS, PARA QUÊ ESTAR A OLHAR PARA O ECRAN DO POD E SIMILARES! LARGUE O OSSO!!!

  6. maria monteiro says:

    Sim, é verdade, não haverá nunca informações de ninguém para ninguém, nem de alguém para alguém

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