CARTA ABERTA A BARAK OBAMA (2)

CARTA ABERTA A BARAK OBAMA (2)

Meu caro amigo Barak Obama (e uso a palavra amigo com sinceridade), eu sou um gajo sério e não tenho maldade, pode crer. Por isso lamento a dor de cabeça que esta carta lhe vai dar ao chegar-lhe às mãos, não fisicamente, como é óbvio, mas, porque você é um homem inteligente e não o bronco do seu antecessor, ela já está há muito dentro de si. Nada preciso lembrar-lhe, pois tudo conhece melhor do que eu. Mesmo assim, gostaria de lhe dizer o seguinte:
A política externa do seu país, o domínio e o endeusamento da força, a incapacidade do respeito pelos outros, a arrogância, a prepotência, a ignorância e a incultura de muitos que a conduzem, a mentalidade das figuras que a comandam, a genética sede de rapina fazem dela um mal para a humanidade. Só assim se compreendem as atrocidades divulgadas, as mais cruéis manifestações da perversão do ser humano, que muito provavelmente não são de agora, que são de todos os tempos, que não tiveram lugar apenas no Iraque e que são do crónico conhecimento dos principais mandantes. Mandantes que as definem e as impõem, como muito bem denunciaram as revistas New Yorker, a Stern e a Newsweek. Dizem ainda que Rumsfeld aprovou um plano altamente secreto que autorizava e impunha novos e específicos métodos torcionários. Dizem ainda que a Secretária da Defesa dos EU autorizou, com o aval do Pentágono, o uso da tortura. Como se eu e os que temos dois olhos na testa, não o soubéssemos de há muito! Ao virem a lume tais expressões da mais abominável baixeza humana, é fácil a pessoas sem quaisquer princípios de ética, de moral e de justiça, sacudirem a água do capote, mentirem descaradamente e atirarem as culpas para cima de meia dúzia de mentecaptos e energúmenos.
Não sou eu quem acredita que tais actos bárbaros e selvagens são fenómenos isolados e pontuais. A história está repleta de exemplos. São inúmeras as notícias e os trabalhos jornalísticos que sempre o mostraram. Pelo contrário, penso que é ignorância, má-fé ou ingenuidade não acreditar que sempre foram a prática sistemática do exército americano e da CIA, em qualquer parte do mundo onde quase sempre entraram pela força. Penso que eles são e sempre foram a prática e a norma. Por saber isso, meu caro amigo Obama, eu louvo a sua atenção para corrigir esta América, a que se diz defensora dos direitos humanos e cria o mais vergonhoso campo de concentração do nosso tempo. Por alguma razão Bush se recusou a submeter os soldados americanos á jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Era o que faltava! Ele sabia bem as linhas com que a América se cose. Quem não deve não teme, diz o ditado, mas ele sabia bem o que devia e sabia bem as consequências trágicas de uma submissão desse tipo. Se eles se deixassem julgar e se o Tribunal Penal Internacional merecesse algum crédito, não faltariam cadeias repletas de americanos, criminosos de guerra. Choca saber que uma boa parte do povo americano, a tal que apoia esta América, não ficou particularmente chocada com as imagens das atrocidades. Ficou chocada, isso sim, com a sua divulgação, por colocar a descoberto a histórica hipocrisia deste país.
Amigo Obama, não deixe que a humanidade esqueça a lágrima de alegria que se fez mar de esperança, ao sonhar que o SENHOR Barak Obama era o homem que haveria de transformar uma nação grande e nada recomendável numa Grande Nação que fosse exemplo para o mundo. (Continua).

                       (adão cruz)

(adão cruz)

Comments

  1. dalby says:

    Caro Adão Cruz, o aventar.admin tem um comment para si que não deixaram publicar e que eu penso era respeitoso, mas que simplesmente se opunha a uma das suas ideias politicas.Peça pf o comment à ADMIN! merci dalby

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