Francisco Leite Monteiro – Apelos: Pela Madeira

Os calores precoces fizeram antecipar o calendário tradicional e por arrastamento o “tempo de parvoidades”, pretexto para nos últimos artigos mensais, ter abordado umas quantas. Bem longe de se terem esgotado e enquanto se aguarda a abertura da “universidade de verão” do Porto Santo, sempre prolífica, o momento que se vive, recomenda mais ponderação e um pouco menos de ligeireza. São três as questões que hoje abordo, sumariamente, e que sem alarmar, diria motivo de preocupação, qualquer delas contendo um apelo que oxalá seja entendido.

1. Começo por repescar uma questão de que me ocupei há algum tempo – o caso “Quinta do Lorde” – importando, da evolução que se conhece, que sejam tomadas medidas sérias que impeçam o alastramento do processo de descaracterização daquela zona, que já defini como um “susto”, a tudo que resta desde aí até à Ponta de São Lourenço. A confirmar-se a notícia que veio a público, há cerca de um mês, sobre a decisão do Procurador da República mandando arquivar o processo que pôs em dúvida as condições de licenciamento do “Quinta do Lorde Resort”, é verdadeiramente preocupante e permite quase extrapolar-se que o mesmo poderá ser considerado “modelo” de desenvolvimento para ser repetido. Um absurdo, mas maior seria, esperar uma decisão que pudesse conduzir à total destruição do que está feito, por total impossibilidade de repor a situação. Como já escrevi a irreversibilidade do que bem ou mal foi autorizado, é um facto e o que importa agora é impedir a ampliação do que foi licenciado e está em vias de conclusão, sem qualquer possibilidade de extravasar para além do perímetro demarcado. Nessa perspectiva há que acautelar contra a repetição de novas situações, não mais consentindo qualquer uso ou alteração do solo, do que resta da Ponta de São Lourenço até ao farol.

2. Causa de alguma inquietação, é o do futuro desenvolvimento do Hotel Savoy, propriedade da SIET, que já fez correr muita tinta e, em sentido figurado, algum “sangue”, dado o processo que ainda se arrasta, com o encerramento do hotel e o despedimento de pessoal, processo que oxalá chegue a bom termo. Quase alarmante é o que poderá vir a desenvolver-se nos terrenos propriedade da SIET, ocupando quase na totalidade o quarteirão delimitado pela Avenida do Infante, a Rua do Favila, a Rua Imperatriz Dona Amélia e a Travessa que liga esta à Avenida, que implicou já a necessidade de uma revisão do Plano de Urbanização. Estar-se-á na iminência de um novo “susto”, considerado o aumento significativo da volumetria prevista para a nova construção distribuída por 3 núcleos, uma verdadeira “muralha”, praticamente, ao longo da Avenida do Infante, com 12 andares, atingindo no bloco central 14, acima do solo. Aos poderes públicos e em particular à Câmara Municipal do Funchal, lanço um voto, quase desafio, para que seja revista a situação, enquanto é tempo e antes que seja irreversível, como no caso da Quinta do Lorde.

3. A terceira questão, de natureza bem diversa das outras duas, está intimamente relacionada com ambas e com todas as questões que à Madeira e aos Madeirenses dizem respeito. Não será por acaso que o Diário de Notícias, fundado que foi em 1876, há 133 anos, é um diário com uma posição de relevo a nível nacional e é, indubitavelmente, uma referência dos temas regionais, assim como o verdadeiro porta-voz dos Madeirenses, abertas que tem as suas colunas e o “site” na Internet, aos seus leitores. Leio o Diário desde que aprendi a ler, na Madeira e, hoje com 77 anos, vivendo no continente, assino o Diário, o que não dispensa a leitura matutina da edição electrónica. O comunicado da Gerência do Diário de 31 de Julho e o que está subjacente, não pode deixar um qualquer Madeirense indiferente.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Pois é, meu caro, a ideia que se fica é que na Madeira e no Porto Santo é se não houver mais terreno, inventa-se. O modelo económico seguido não permite outra coisa. Ao fim de tanto desenvolvimento? onde estão os empregos que criam riqueza? O turismo, as bananas,as flores,a poncha,os ananazes…e mais? Tem que haver obras de construção civil. Aqui no continente andamos nisto desde sempre!