LOGICAMENTE

Li mais jornais durante estas curtas férias. Sempre gostei de ler jornais. Não só pela curiosidade das notícias, mas também pela necessidade de encontrar algo de novo, de novidade. Mas os jornais estão uma chachada. Chega-se sempre ao fim com a sensação amarga de tempo perdido. E pela primeira vez comecei a comprar “de vez em quando”. A maior parte das crónicas e artigos não passa de banalidades. Sem qualquer profundidade literária, política, social, filosófica ou científica. Uma inutilidade total. Umas coisas escritas por pessoas que nem conheço, outras por pessoas que conheço mas que não me merecem credibilidade. Crónicas e artigos sempre metidos dentro da forma, das regras, dos carris, da órbita, sem evidenciarem qualquer impulso ou tendência a furar a casca do ovo. Nunca ultrapassando a fronteira para além da qual, logicamente, não serão publicados. Claro que este “logicamente” quer dizer censura.
Aqui há uns anos atrás, fui publicando vários artigos em alguns jornais. Bons tempos! Hoje nada me publicam. Eu sei o que valho e o que não valho. E sei que muito do que escrevo vale mais do que muito do que leio. Simplesmente, o que escrevo atreve-se a ultrapassar, muitas vezes, a tal fronteira para além da qual, logicamente, não publicam. E quando os amigos me dizem: – então, pá, há muito que não vejo nada teu nos jornais -, eu respondo: – prefiro escrever e meter dentro da gaveta do que escrever e meter dentro da forma -.

Comments


  1. Tem razão. O jornais começam a não se poder ler – ou o mal é deles ou é a minha paciência que já não é o que era. E quem diz jornais, diz televisão e rádio – a comunicação está cheia de incompetentes e de videirinhos. Há uma nítida rarefacção de qualidade e de integridade. Também deixei de colaborar em jornais, porque, agora que não há censura, há «linhas editoriais» a respeitar. E eu de linhas não gosto. Só se for a do Estoril para apanhar o ar do mar (que aqui na Ericeira também não me falta). Abraço.

  2. Luis Moreira says:

    É um hábito. Já compro jornais para ler os títulos. Com o expresso, então, já só leio o Nicolau santos nos assuntos de economia.

  3. dalby says:

    Luis Nicolau so o da Roménia porque esse que tu referes …simplesmente….O_D_E I O! Em relação aos vossos dissabores jornalísticos..tendes, com alguma humildade de auto questionar-vos se ESTE TEMPO os vossos artigos são contextualizados….? Ou seja, mesmo sendo bons, podem talvez não ser «artesãos do momento»! There is a time for everything…A classe trabalhadora de jornalistas??? Hummm nunca os tomei a sério…é sempre algo com Poder mas relativo…assim tipo O ISEP e a FEP!!!!! Os primeiros são jornalistas, os segundos ARTISTAS!!


  4. Infelizmente os lamentos apresentados são uma realidade. Para muita pena minha.

  5. maria monteiro says:

    Para mim continua a ser um hábito diário a compra do DN mas aqui em Portalegre (porque estou no campo) só mesmo quando vou a cidade… as noticias chegam-me mais pela televisão

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