Irlanda: A vitória dos anti-democratas

A vitória do SIM no referendo sobre o Tratado de Lisboa foi uma clara vitória dos anti-democratas europeus. Não está em causa o resultado em si. Não, não é isso.
O que está em causa é a repetição do referendo um ano depois da realização do mesmo. E apenas para que o SIM acabasse por ganhar, como veio a acontecer. Apenas para que o Tratado de Lisboa fosse aprovado. Se o NÃO tivesse voltado a ganhar, no próximo ano lá teríamos um novo referendo. E outro, e outro, e outro…
Ora, isto é tudo menos democrático. Se fazem referendos, têm de aceitar os resultados!
Resta-nos agora que a esperança de que os nossos bons amigos polacos e checos – e agora sim, estou a falar do Tratado em si mesmo – não o ratifiquem e atirem para o caixote do lixo da História algo que, definitivamente, pode interessar a muita gente (até quem vê nisso o maior momento da sua carreira política), mas não interessa a Portugal.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Meu caro, em que circunstâncias se devem repetir referendos? Nunca? De dez em dez anos? Menos? Não, devem repetir-se quando houver uma mudança significativa social e política. Cá, se fosse como tu dizes, nunca mais tinhamos aborto terapêutico.

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Não é o espaço temporal, Luis. É o motivo. Repetir o referendo passado um ano, só porque o resultado não agradou, não me parece democrático.