A escola pública autónoma

Reforçar a autonomia da escola pública face ao Ministério da Educação e dos Sindicatos é o grande salto em frente para a qualidade.

Há cinco anos que são conhecidos “rankings” das escolas segundo determinados parâmetros. É já possível tirar conclusões quanto à capacidade da maioria das escolas públicas. Temos escolas que se classificam sistematicamente nas primeiras cem, as que se classificam nas primeiras duzentas e as que se classificam nas primeiras 500.

Estas escolas dão todas as garantias para receberem com sucesso, plena autonomia de meios financeiros, técnicos e humanos. Se os burocratas se sentirem muito incomodados por virem fugir das suas garras de uma só vez, tantas escolas, pode avançar-se por modelos em que no primeiro se integrem as primeiras cem, a seguir as segundas cem e por aí fora.

A autonomia é que cria as condições para uma verdadeira escola competitiva, não só a nível dos objectivos que venha a acordar com o Ministério, mas tambem porque as melhoras, reconhecidas, serão mais procuradas.

Estarão criadas as condições para que os professores sejam pagos segundo uma avaliação por objectivos, sem divisões artificiais na carreira e sem burocracias que só dificultam, e que dão pretextos para que sindicalistas e políticos se degladiem à custa dos professores e dos alunos.

Para quem quer que a escola patine, então é fazer de conta que são os sindicalistas e os burocratas é que são os verdadeiros actores da Educação, ou então baralhar e dar de novo e propor o cheque ensino para uma suposta liberdade de escolha.

Porque os que podem escolher já o fazem como atesta a existência das escolas privadas ! E pior, o factor dinheiro nem é o preponderante na escolha. Resta-nos elevar o nível do ensino em todo o país, segundo as características do lugar onde a escola funciona.

Comments


  1. “Estarão criadas as condições para que os professores sejam pagos segundo uma avaliação por objectivos,…”É capaz de clarificar esta ideia? Obrigado.

  2. Luis Moreira says:

    Meu caro Miguel Pinto, a avaliação deverá se feita pelo grupo de trabalho, que foi tambem quem negociou e aceitou os objectivos a que se propos chegar. A avaliação será feita por quem trabalha lado a lado, por quem se conhece como ninguem. No dia em que o grupo de trabalho começar a ser prejudicado, sistematicamente, por quem não cumpre, o grupo tratará do assunto. Promessa de quem andou trinta anos a avaliar pessoas.


  3. Se bem entendi a sua ideia, a avaliação deve ser feita inter-pares. E sem querer abusar da sua paciência, a que objectivos se refere?

  4. Luis Moreira says:

    Aos objectivos que cada escola deve negociar com o Ministério, atendendo às caracteristicas da escola (social, o mais importante) e que a direcção da escola depois negoceia com os professores segundo as suas capacidades .Como em todo o mundo onde há mérito e responsabilidade, não é preciso inventar nada.


  5. Acho a ideia espantosa mas ainda não percebi como se faz. Que tipo de negociação pode fazer a escola com o ME? Mais alunos como melhores resultados nos exames? Mais alunos inscritos? Menos abandono precoce (peço desculpa pelo palavrão)? É disto que se trata? E depois a escola premeia os professores que se crê que mais contribuíram para a execução desses objectivos? A ideia é criar uma espécie de mercado da educação?

  6. maria monteiro says:

    Santa Maria dos Olivais é a minha freguesia que integra Olivais Norte, Olivais Sul e Parque das Naçõesquem pode escolher até escolhe ESCOLAS PÚBLICAS…. vejamos um pequeno exemplo que se passa no Parque das Nações:www.ebi-vasco-gama.rcts.pt/ http://www.peticao.com.pt/escola-basica-vasco-da-gamaNo jornal “Notícias do Parque” de Outubro passo a transcrever […] Para José Moreno, presidente da associação de moradores, “anunciada construção das duas novas escolas é uma excelente notícia para o Parque das Nações, que só peca por tardia, como o comprovam as centenas de crianças que não têm conseguido acesso à Escola Vasco da Gama – já com a sua capacidade praticamente duplicada – constituindo, anualmente, um drama para as mesmas e um sacrifício acrescido para os pais, que se vêem obrigados a colocá-las em escolas dos Olivais, a quatro ou cinco quilómetros de distância, ou a recorrer a colégios privados, com custos que constituem uma enorme sobrecarga financeira para os respectivos agregados familiares” O excesso de procura que se verifica todos os anos levou a que alguns encarregados de educação dessem inicio a uma petição que teve o seu arranque antes do Verão. Para José Moreno, “esta petição que um conjunto de pais tem estado a fazer circular é consequência desta enorme carência de escolas no Parque das Nações, situação que, esperemos já não tenha de repetir-se no ano lectivo de 2010/2011.” […]E como quem pode manda…. foi assinado no dia 4 Setembro um protocolo entre Senhora Ministra da Educação, Senhor Presidente do Parque Expo e o Senhor Presidente da CMLisboa para a construção de uma nova escola básica integrada do1º,2º,3º ciclos na Zona Sul do PNações.(aqui a força da petição) Para os alunos residentes no PNações, que não obtiveram vagas no 1º ciclo, foi criado um protocolo com a Escola 159-Agrupamento Fernando Pessoa – para a abertura de uma turma piloto, que poderá transitar para a nova escola, assim que esta estiver concluída.Rolando Borges Martins (presidente do Parque Expo) garantiu que serão ao todo mais duas escolas públicas, uma privada e um berçário que para o próximo ano lectivo se irão juntar à EBI Vasco da Gama e ao Colégio Oriente (este último abriu portas em Setembro, mas sendo privado não está ao alcance de todas as bolsas…)

  7. Luis Moreira says:

    Não, a ideia é retirar da discussão os palavrões dos que não querem ser avaliados. E considerar espantosa uma ideia que é aplicada em qualquer escola privada ( mesmo deste país onde existem tantos a quererem que tudo fique na mesma) é que é espantoso.Mercado da educação? Não, é avaliar o trabalho das pessoas segundo o mérito, a responsabilidade, a capacidade de trabalho, fazer as coisas certas e não as coisas erradas, ser eficaz, a disponibilidade que têm para exercer a profissão. Vai ver que quem tem estas capacidades tem resultados melhores dos que estão à espera de chegar ao topo da carreira só porque ficaram velhos…


  8. Bem, já percebi que a ideia é premiar o mérito, a responsabilidade, etc., etc. Eu só estou a tentar perceber se o Luís tem alguma ideia de como isso se faz. Coloquei algumas perguntas e não espero chavões como respostas. Mas se entender responder dessa forma agradeço-lhe de igual modo.

  9. Luis Moreira says:

    Então, Miguel Pinto, ainda está de boca aberta, tal é o espanto? Olhe, o meu filho andou do 1º ano ao 12º no Valsassina. Sabe que o prof. de Matemática tinha como objectivo que 70% dos alunos entrassem na 1ª opção no exame à faculdade? Como o meu filho lhe estragava a média, não me largava. O meu rapaz teve 19 valores no exame nacional. Não perca a sua inteligência e as suas forças a lutar contra o inevitável.

  10. Luis Moreira says:

    Faz-se como já lhe disse. Suponha que naquela escola em matemática há um problema . Os resultados não satisfazem.É preciso que 50% dos alunos atinjam determinado nível. A direcção da escola e o grupo de professores da disciplina acordam numa estratégia para melhorar o desempenho. Que meios são necessários ? Como juntar os alunos ?Vamos implementar aulas de trabalho específico ?Em que ano e em que matérias se encontram os piores resultados? Acordam-se com os professores segundo o envolvimento voluntário e os resultados obtidos , compensações monetárias, ou / e créditos para avançar na carreira. Vai ver, não há problema nenhum, o grupo sabe quem trabalha.


  11. #9 Olhe que não é caso para menos. Bem, pelo menos já percebi que o objectivo do professor do seu filho foi alcançado por mérito do Luís. Parabéns. Creio que o professor do seu filho terá suspirado de alívio quando percebeu que o Luís estava disposto a dar-lhe uma ajudinha.Estou esclarecido. #10 “Os resultados não satisfazem. É preciso que 50% dos alunos atinjam determinado nível.” Eu só não percebo como se definem essas percentagens. Deve haver alguma lógica intrincada para se definirem resultados dos alunos. Na minha modesta opinião eu seria mais ambicioso e perspectivava sempre 100%. Nenhum aluno ficaria sem apoio, todos necessitam de elevar as suas capacidades… Disse capacidades, Luís, não disse elevar os resultados. Saberá que os resultados são efémeros, muito mais do que as capacidades. Mas isto sou eu a pensar e não percebo nada do assunto.

  12. Luis Moreira says:

    Você caro Miguel, nunca perceberá nada. O Luis não fez nada quanto à nota do filho. Verificou foi que o prof. tinha como alvo o meu filho e outros nas mesmas condições.Quanto a obter 100% nunca é o objectivo. Sabe porquê? Porque não é alcançável. O Miguel faz ideia do grau de dificuldade de um hospital, em ralação a uma escola? O grau de especialização, de especialidades, o número de actos médicos todos diferentes, os doentes todos diferentes. acha mesmo que os médicos não são avaliados? Está mesmo convencido que é com esse nível de argumentos, tipo como se fixam objectivos, que convence alguem? Olhe ,há bem pouco tempo esteve cá um profissional da educação, francês, que deu uma entrevista e explicou as várias formas de pôr uma avaliação em pé, nas escolas. Escusado será dizer que nenhum professor a leu!

  13. maria monteiro says:

    já que estamos em maré de matemática dou também o exemplo da Herculano de Carvalho onde anda o meu filho (195 no ranking). Era uma escola só com o 10º-11º-12º e com muito bons alunos. Há uns anos abriu o 7º ano – a escola decidiu criar uma turma com crianças vindas de dois colégios privados e mais duas turmas com as restantes crianças. Os aproveitamentos foram sempre diferentes… pelo caminho alguns passavam com dificuldade ou até chumbavam… porem todos conseguiram fazer o 9º ano e alguns seguiram para profissionais… Se no 7º ano só no 2º período começou a haver aulas de reforço, nos anos seguintes, já com experiência anterior, as aulas de reforço, para todos os alunos, começaram logo no inicio do ano… Posso dizer que o meu filho e outro colega tiveram no exame nacional de matemática 20valores. É preciso empenho dos professores e empenho dos alunos …

  14. Luis Moreira says:

    Maria, é óbvio que não tenho nada contra o Miguel, mas impressiona que pessoas inteligentes e mesmo interessadas achem que a escola pública aguenta se funcionar assim. Quem está a defender a escola pública sou eu, que a quero autónoma (única forma de dignificar os professores,a não ser que queiram continuar a ser carne para canhão entre a Lurdinhas e o Mário alucinado, ou outros iguais) que os professores evoluam na sua carreira segundo o mérito e a responsabilidade e as suas capacidades.Colocar a questão que não sabe como fixar objectivos é de quem nunca leu nada sobre o assunto. Claro que não é possível fazer avaliação a partir da 5 de Outubro, não é possível, são mil e tal escolas, todas diferentes, cada uma com as suas capacidades e as suas possibilidades. mas se não se discutirem estas questões, sobra o quê para a escola pública?

  15. Luis Moreira says:

    Quando se começou a falar na avaliação dos profissionias nos hospitais a posição dos médicos era a mesma da dos professores. Não é possível.Veio, nessa altura para cá o Prof Manuel Antunes, cirurgião cardíaco que sempre trabalhou fora do país. Tinha inimigos em tudo o que era Ministério da Saúde, só porque queria implementar uma unidade autónoma , com meios e objectivos negociados e os profissionais a ganharem segundo o mérito.É um cirurgião de fama internacional, tive oportunidade de falar com ele várias vezes. O seu peso, de médico reconhecido internacionalmente, abriu-lhe as portas para conseguir implementar a unidade, segundo os conceitos de Gestão consagrados. Hoje opera mais doentes que todos os outros centros cardíacos nacionais juntos, quem entra na equipa nunca mais sai, tem pessoas interessadas para entrarem na equipa, resultados ao melhor nível internacional.Tudo coisas que os médicos a Ordem e os sindicatos diziam que não era possível. Está aí ! E não comparem a complexidade de um centro cirurgico cardio-toráxico com uma escola, em termos de gestão.

  16. maria monteiro says:

    Claro que eu entendi isso Luís… por vezes dá-me alguma tristeza perceber que ainda há professores que só estão para cumprir horário, dar aulas e de preferência com alunos não problemáticos. Também há professores que não se cansam muito com aulas de reforço porque deixa de haver o extra das explicações….

  17. Luis Moreira says:

    É claro. Esperam sentados que chegue a promoção. Todos nós temos professores na família, sabemos bem o que pensam e como ficam espantados quando percebem que se está a falar de coisa fasíveis e consagradas. Esta de como se fixam os objectivos é do mais risível. Estão mesmo convencidos que é argumento que se apresente.