A Minha Mona Lisa

A partir de um dia que nem queria lembrar, em Junho deste ano, temos andado a trabalhar – os que têm trabalho – e a votarmos cidadãos todos: parlamento europeu, poder executivo de Portugal ou Assembleia como todos dizem, para finalizar com as mais importante de todas: as eleições sobre autarcas dos mais de 300 Concelhos de Portugal. Votamos e ganhamos todos, em todas. Não tenho ouvido ninguém reconhecer que tem perdido, ainda que tenham mudado de número de representantes aos que o povo entregou pastes da sua soberania.

Mas será que o nosso mundo está dividido entre o trabalho, as eleições as mortes e o IRS?

De certeza deve haver mais actividades e comemorações. Este ano comemoramos os 100 anos da morte do ilustre compositor, Franz Joseph Haydn, esse autor que nos encantara com a sua música clássica, ao abandonar a composição barroca pelo classicismo, junto com Wolfgang Amedeus Mozart e Ludwir van Beethoven. Uma triada de compositores que permitem descansar de tanto discurso que se ouve ou nas ruas, ou na televisão. O compositor do quarteto mais calmo do mundo: As Sete Útimas Palavras de Cristo na Cruz, de 1786, para dois violinos, uma viola, um cello e uma coro acrescentado após o ter apresentado, como solicitado, ao Arcebispo de Cádis, apenas com instrumentos. Foi um padre quem lhe acrescentara um coro. Haydn ficara tão deliciado, que o  refez, acrescentado um coro como o quinto instrumento que entra no quarteto. Temo-nos deliciado todos os dias de manhã, ao ligar o radio e ouvir essa a sua imensa música. Com tanto movimento que alegra a nossa vida.

 

E a suposta descoberta de uma pintura de Leonado da Vinci, com essa encantadora senhora que sorrí com um riso sereno e calmo, sempre a olhar para nós? Dá a impressão não apenas de calma, mas de candor, simpatia, paz, alegria, como se estiver a nos oferecer um conselho ou a espreitar para nós com doçura. Mal vemos essa cara e sorriso, ficamos namorados, como se estivermos  a ouvir a reiterada sonata I de Die Sieben Letzten Worte Unsere Erlösers Am Kreuze.de Haydn. Quem vê a minha Mona Lisa, fica prendado pela companhia, pela colaboração, até nos esquecermos das cores apagadas que datam do ano 1505. A sua figura aparece apagada pelas cores de  Outono,. mas esse fundo esverdeante faz ao nosso coração palpitar. A primeira vez que a vi no Louvre, esse óleo de 61 cm por  91.5 essa miniatura acaba por ser um gigante que nos entontece. A mulher que amamos é, de certeza, a nossa Mona Lisa. Foi a obra de Da Vinci, quando o velho Continente começava a resumir. Foi o primeiro pintor da renascença.. Renascença, ou essa alvorada no saber, na ciência, na descoberta de outra terras, da reformas da confissão romana entre outra vária no Século XVI: Luteranismo na Alemanha e países vizinhos, que abandonaram Roma para criar um sentimento de fé que eu não tenho, e tornar as crenças misteriosa, apenas para iniciados em sacramentos da ordem sacerdotal, em saberes populares, como fez Jean Calvin na União Helvética, John Knox na Católica Escócia que passara a ser presbiterial ou orientada por vizinhos  de boa reputação, ou esses da mã reputação na Inglaterra desses tempos, os Tudor. E outros. A descoberta de que o mundo era redondo e que se podia contornar pelo mar, fizeram da República de Veneza entre Marco Polo e a minha Mona Lisa, não essa nova, mas a eterna, virar ao mundo do avesso.

Lã ficou a mina Mona Lisa a nos encantar enquanto o mundo debatia se o saber era teologia o ciência. Aparece como distanciada do tempo, dos debates, dos desencontros, das reformas e, especialmente dos dissabores dos que desejam mandar e queimam em fogueiras o com o pensamento, a dedicação aos seres humanos que amamos

A minha Mona Lisa é eterna e não há descobertas para a mudar. Fico em paz…Descasemos de política e debates, com a arte de criar…e sorrir com a Minha Mona Lisa que nunca mais aparece,,

 

 

Comments


  1. Belo texto, meu caro Raúl!