O matrimónio homossexual, direito mínimo a liberdade de amar

Bem sabido é que dedico vida, tempo, e pesquisa a analisar crianças, os seus sentmentos, ideias e formas de aprendizagem. Como é sabido também, o meu eterno comentário: estudar crianças é uma investigação muito difícil. Inclui não apenas os mais novos, bem como os adultos que os acompanham.

Há imensas opiniões sobre o seu cuidado e o seu crescimento, desde as mais doutorais até às mais simples. De todas as opinões, há uma que jamais é tratada, especialmente com meninas, a da sexualiade, o seu desenvolvimento e o desejo que não conseguem imaginar de onde vem, na, ainda, mente sem conceitos.

Não entenderiam se os adultos falassem com eles sobre a paixão ser uma força da natureza. E, no entanto, o desejo sexual começa em nós desde o 5º mês de gavidez da mãe, como tem sido provado pelo psicanalista britânico Wilfred Bion em várias das suas obras, especialmente do seu texto Learning from experience, 1962, Karnac Londre e Nova Iorque 

(texto inspirado no ensaio da sua professora Melanie Klein Envy and Gratitude, primeira aproximação na Hungria de 1924, publicado em língua inglesa em 1946 e1957, já refugiada em Londres, por causa de guerra, e traduzida para o luso- brasileiro, professora e discípulo, em 1991 a primeira e em 1998, o segundo, Imago Editores, Rio de Janeiro).

O que no entanto interessa é esse saber doutoral, escrito, desenvolvido e provado em várias línguas. Interesa saber que lein comçara a interessar-se pela inveja ao descobrir que aparecia na criança bebé pela voracidade mostrada por ela ao ser amamentada ou voracidade oral endereçado ao seio bom, esse que acaricia e nutre com doçura e serenidade, afastando outros enquanto é alimentada, ou chorar se não consegue a sua satisfação.

Bion repara que a criança no seio materno, dentro do líquido amniótico do qual se alimenta, começa, pelo quarto mês de gravidez da mãe, a mexer ao sentir que um corpo estranho está a roubar-lhe o alimento: o pénis do pai ou de um outro qualquer. Esses movimentos do bebé dentro do útero não é uma simpatia de se depreguiçar do não nato, é uma luta encarniçada pela sua subsistência.

Crianças todas, que na medida do seu crescimento e do prazer obtido do seio bom, começam a sentir inveja de pessoas que acarinham a mãe. Conhecida é a frase dos pequenos que debatem com o pai ou outra pesoa, de quem é a mãe: a vitória é sempre deles, porque não há adulto que tenha a audácia de confrontar a reivindicação dos pequenos sobre a pertença da mãe. Caso aconteça essa negação, a criança fica mais perto da mãe para a defender e fazer dela uma pertença.

Primeira ideia qua aparece na minha mente ao tentar experimentar as bases da homossexualidade. Bases que talvez nem precisem de explicações doutorais. Há os que a denominam aberração, como Freud em 1906, aberração criada por ele ao reparar que estava apaixonado pelo irmão da sua mulher e por um dos seus discípulos, como consta da autopsicaánlise do autor em praticamente todos os seus textos que tratam de como a libido manda nos nossos sentimentos e racionalidade e sinterizada por Didier Anzieu no seu texto de 1958, traduzido ao luso portugês em 1970 Edições 70.

O sentimento homossexual do fundador da psicanálise fica provado, sentimento conhecido, pela sua filha Anna Freud e intuído por especialistas. Aliás, é o próprio Freud quem no seu texto de 1923 Das Ich und das Es, Internationaler Psycho-analytischer Verlag, Leipzig, Vienna, and Zurich. traduzido ao inglês como The Ego, the superego and the Id, e a nossa língua como O ego, o superego e o id, sendo o ego o que aparentamos ser, o superego o que queremos ser o Id o travão entre hábitos e costumes éticas e estéticas e os nossos namoros segredos.

Nas minha análises, tenho observado que o desejo pelo género semelhante ao nosso começa cedo na vida. Há várias formas de exprimir essa bivalência sexual – note bem, bivalência, não ambivalência.

Uma delas, a mais usada, é a inteligência de amar em quem acorda em nós sentimentos de admiração e emotividade, Se a libido comanda o nosso comportamento e aparece em frente de nós uma pessoa do nosso género de quem gostamos e essa outra pessoa gosta de nós, existe, por lei, a liberdade de optar entre o nosso apetite sexual e a nossa acção. Se existe a liberdade de amar e mudar de sentimentos após um tempo, deve também existir a liberdade de se apaixonar por quem nos acorda um sentimento libidinal.

Têm existido imensas interptretações sobre a base da existência da homossexualidade. Uma delas é a classe social: é sabido e conhecido que o rei inglês que perdeu as colónias americanas, George III Hannover, tinha a sua mulher e aos seus jóvens amantes masculinos. E outros seus descendentes mais recentes, que, por conveniência de serviço, não menciono.

A libido manda na nossa racionalidade e se essa libido não é libertada, acaba por danificar a quem sofre por amar em segredo, e não ao contrário. A homossexualidade foi sempre uma acção exisitente, que era punida, justamente, por existir.

É verdade também que o nosso bivalente Freud defendia o desejo proibido pela cultura, ao definir o conceito de sublimação ou manter sempre no Id, o nosso desejo. Aliás, até o concílio de Trento da confissão romana, era elegante ter mulher e um jovem amante.

A partir desa reunião de Bispos, muito prolongda,apareceu o matrimónio entre seres de diferentes sexos, uma cadeia que levara aos piores sintomas de luta dentro de família ou ente amigos que convertiam o amor em rijas de galo. Sabemos hoje em dia que o matrimónio homossexual dentro da forças armadas europeias e norteamericanas,é uma reivincação ganha.

O amor não satisfeito é desesperante e é capaz de endoeicer os frustados, que punem as suas famílias porque eles são punidos. Razão tinam Passolini e Fassbinder nos filmes feitos sobre o amor homófomo e esses ocultamentos das indústrias cinematográicas sobe profecias
se
xuais por causa do lucro que deixariam de dar actores como Humprey Boggart, Orson Wells, esses começos de Lawrence Olivier, os de Marlon Brando e o ocultamento de outros actores que fazem a delicia do público feminino

Para acabar, porque há muito pare dizer, o matrimónio homossexual é um remédio santo para as depressões, essas que fazem parte do pais. Que não podem criar filhos? Por acaso as crianças precissam modelos masculinos/femininos se passam a maior parte do tempo fora de casa? E em casa não é o jogo preferido das crianças ou no matrimónio ou do doente e o médico? E a masturbação colectiva, como tenho observado entre jovens e adultos, à noite, em dias de festa?

Se assim não fosse, porque Karol Woitila ia dictaminar em 1991 as palavras que consinadas nos artigos 2331 a 234 do seu catecismo, ao permitir a homossexualiade e a masturbação?

Tenho falado até este minuto apenas do amor entre homens. É evidente que há um imenso amor entre homes e mulheres, paixão, diria eu, que são punidas pela lei e pela doutrina cristã e muçulmana como adultério. Suficiente. Apenas dizer que a maior punição é a entregue pelo grupo social que ainda pensa que estes actos são condenados, apesar de que entre os proletários, como tenho observado, acontecem com muito frequencia. Fica para outro aventar, Hoje, é a lei do matrimónio o que mais nos importa e a salvaguarda da paixão de seja de quem com quem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (Auteuil, 10 de Julho de 1871Paris, 18 de Novembro de 1922) foi um escritor francês.

A homossexualidade é tema recorrente em sua obra, principalmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes subseqüentes. Trabalhou sem repouso à escrita dos seis livros seguintes de Em Busca do Tempo Perdido, até 1922. Faleceu esgotado, acometido por uma bronquite mal cuidada.

 

Comments


  1. A homosexualidade revista enquanto género humano, sem preferências e sem fobias.

  2. xico says:

    É igual deixar de condenar os actos homosexuais ou outros fora da esfera do casamento e chamar casamento à união de duas pessoas para “oficializar” a sua relação amorosa, afectiva, etc? Ou o casamento deve ser o reconhecimento social e cultural de uma união necessária e natural para a procriação, essa palavra maldita nos tempos actuais? O casamento não deve ser o ritual simbólico da união do ser humano, naturalmente feito homem e mulher, para em união perpetuarem a espécie? Pensar assim pressupõe homofobia? Será assim tão esquisito pensar num ritual social e cultural para marcar o potencial da união dos dois géneros de que a humanidade é constituída?


  3. Xico, eu quanto ao casamento também sou de opinião que a procriação,  é particularmente definidora de uma circunstância única que os homossexuais não podem obter.E que isso, é razão bastante para o casamento se manter tal qual está.

  4. Anónimo says:

    É óbvio!


  5. Então isso significa, Luis, que homens e mulheres que já não estão em idade fértil não devem poder casar. E não devem poder casar porque já não podem procriar. No teu caso concreto, devias ser impedido de casar com uma pessoa da tua idade, já que não poderiam procriar.


  6. Eu não posso procriar? Essa é boa. Tenho é que arranjar uma mulher em idade fértil.Mas o que eu não percebo nesta questão é o que atrai os gays no casamento, sendo que já têm as uniões de facto que são rigorosamente as mesma coisa.


  7. Luís, eu escrevi «devias ser impedido de casar com uma pessoa da tua idade, já que não poderiam procriar.» Ou seja, não poderiam procriar por causa da idade dela, não por causa da tua. Mas se a união de facto é exactamente a mesma coisa, qual é o problema? O que é que te incomoda assim tanto que os gays casem? Deixa-os casar, em que é que isso te diminui?


  8. Caro Ricardo Santos, agradeço o seu comentário ao meu [Error: Irreparable invalid markup (‘<em […] <a>’) in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]<br />Caro Ricardo Santos, agradeço o seu comentário ao meu <EM class=incorrect name="incorrect" <a>post</A> </EM>de matrimónio homossexual. É irónico, mas, não lhe parece que devíamos respeitar as formas de amar? Dentro do meu saber, tenho lido Klein , Freud, Bion , Lacan e escrito livros sobre o assunto. Bem sabemos que a palavra homossexual levanta risos, por causa do temor de, um dia, amar alguém do nosso género. Como Freud, que teve que sublimar a sua homossexualidade e criou conceito e terapia em 1923. A palavra gay é mais elegante, em inglês é alegria. Estou a ajudar aos meus colaboradores que querem casar e vou continuar. Como tenho acesso directo ao PM ., vou escrever um Aventar público para ele. Entretanto, os de hoje,´são metáforas do luto que vive a família da minha mulher. Devemos ser fortes e sermos sérios nas formas de amar, que ficaram em prisão no Século XVI…Mas Wojtila-erro meu no texto-retirou da lista dos pecados a homossexualidade e a masturbação. O problema é que a nossa cultura cristã não aceita outras formas de amar que as que a sociedade permite. Mas, já todas o permitem, porque nós não? E bem sabemos, como descendentes de mouros e árabes , que ser bivalente é uma realidade em Portugal, escondida num armário que abre só, de tantos os escondidos  das formas culturais de amar. Esta é uma. Agradeço a sí ao Luís os comentários. São pessoas de bem Raúl Iturra <A href="mailto:lautaro@netcabo.pt">lautaro@netcabo.pt</A>


  9. Caro professor, não vejo onde está a ironia. Eu sou a favor do casamento entre homossexuais e acho que é exactamente a mesma coisa que o casamento heteroosexual. E foi exactamente isso que disse ao Luis Moreira, que é contra. E perguntei-lhe em que é que o casamento gay o diminuía. E disse-lhe para deixar que os gays casem, porque não é um problema dele. Lamento não ver onde está a ironia. Fui um dos subscritores iniciais do Manifesto pelo casamento gay.