Enriquecer à portuguesa

Conheça um banqueiro. Convença-o a emprestar-lhe uns milhões e dê como garantia as acções que vai comprar de empresas do PSI-20. Com o rendimento das acções vai pagando o empréstimo. Convem fazer um plano de negócio onde demonstra tim-tim por tim-tim que vai produzir riqueza e criar postos de trabalho. É que assim, convence tambem os serviços do banco e vai buscar uns milhões de subsídios ao Estado.

 

Depois almoce com uns jornalistas e convide decisores na área da comunicação social, que vão fazer barragem ao seu negócio, protegendo-o de quem nada faz e só quer o mal dos empreendedores. Entretanto, começa a ganhar dinheiro e ainda não avançou com o negócio, o que lhe permite arranjar mais uns milhões que aplica na bolsa.

 

Você, agora, já é comendador, já ninguem está à espera que suje as mãos na indústria ou na agricultura, onde se produz a riqueza. Como se tornou um accionista de referência de uma ou de várias empresas "amigas" do governo, tem lugar assegurado nas administrações, a ganhar principescamente.

 

Os bancos nem se atrevem a pedir-lhe que devolva os empréstimos, não vá alguem bisbilhoteiro de dentro da banca, dizer como se fizeram os negócios "finos". Se deixar de ganhar dinheiro ou que haja um "crash" bolsista, você entrega as acções e o prejuízo é da banca, e você continua a ganhar uns milhares por mês em vencimentos.

 

Vai dando algum aos partidos, principalmente ao que apoia o governo, e não vão faltar obras públicas e "contentores de Alcântara", que fazem aumentar o seu rendimento e que lhe abrem as portas a mais um lugarzinho bem pago nos orgãos sociais.

 

Dá muito trabalho ser rico em Portugal!