Andam a vender os meus jarros

A maioria das árvores que embelezam a minha rua, não estariam grandes e viçosas se não fosse o meu trabalho, incompreendido, diga-se de passagem, noite dentro em pleno verão, a chegar-lhe água.

 

Entre a minha casa e a garagem do prédio há um pequeno jardim, que cresceu graças à minha força de trabalho e a algumas situações rídiculas, porque as pessoas nunca acreditam que alguem faça alguma coisa por altruísmo,  ou porque pura e simplemente gostam de jardinar.

 

Não senhor, passei a ser o encarregado da câmara que trata dos jardins e vá de mandar bitaites, o senhor não quer varrer ali aquelas folhas, está tão feiínho, ou aquela árvore  precisa de poda e eu a ver se não me desmancho, assim talvez tenham alguma consideração pelo encarregado e não estraguem.

 

Bem, um dia (há sempre um dia) cheguei à rua e tinham-me roubado os jarros lindos que cresciam numa mancha de branco, que davam nas vistas, mas isto é como um pai que tem uma filha linda, sabe que um dia lha vão roubar, é a lei da vida e ainda bem que é assim, não se pode esconder.

 

Pior que estragado, torno a colocar a tabuleta " este jardim é seu, proteja-o" e vou até à Guerra Junqueira ver as "teens" enquanto almoço, e ler uma horinha ali debaixo do frondoso arvoredo quando, entre o barulho de conversas, ouço um tipo a gritar " um molho de jarros, um euro" e, aparece-me o facínora com os meus jarros a querer vender-me os meus jarros!

 

Não perdi a cabeça porque o preço, enfim, fazia juz à beleza dos jarros e além disso, não me ofereceu desconto…

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