Salvar a Ponta de S. Lourenço

TEXTO DE FRANCISCO LEITE MONTEIRO

 

Nos últimos 6 meses foram 5 os textos que escrevi e o Diário publicou, a propósito do “susto”, como classifiquei a ameaça de descaracterização que representa para a zona o tão falado “eco-resort” da Quinta do Lorde. Como se antecipava, o relatório do inquérito da comissão nomeada pela ALRAM foi presente e aprovado na última terça-feira, tendo o plenário concluído não existirem quaisquer actos administrativos ilegais e lesivos do interesse público regional ou do Estado. A esse mesmo respeito, no Diário de 29, em “Opinião”, assinado por Jacinto Serrão, foram feitas algumas considerações eminentemente politico-partidárias e, até certo ponto, superficiais, sobre a decisão do parlamento regional, ficando-se pelo que dir-se-ia ser o reconhecimento do facto consumado, mas a que faltou muito do essencial, a tempo que se está, ainda, de precaver contra outros desastres de natureza ambiental em toda a Região.

 

Pretendo com isto lembrar, repetindo, que muito mais importante do que assacar responsabilidade aos promotores, nem tendo sido detectadas irregularidades no licenciamento, mas mais ainda, pela impossibilidade de fazer recuar o tempo e repor o espaço natural destruído, o que muito mais importa é, sem mais perdas de tempo, impedir a repetição de situações semelhantes.

 

Resumindo e concluindo, importa agora e sempre, alertar o poder público para a necessidade de ser reforçada a legislação e respectiva fiscalização, por forma a pôr cobro a novas situações, não mais consentindo qualquer uso ou alteração do solo, do que resta da Ponta de São Lourenço, até ao farol, bem como em outras espaços em toda a RAM que isso justifique, impedindo o alastramento da descaracterização do espaço natural que, no caso dos 16 hectares ocupados pelo “Quinta do Lorde Resort” é, lamentavelmente, irreversível. Publicado no «Diário de Notícias da Madeira»

Comments


  1. O assalto do “betão” continua…

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