Today is More day


 

 

Sir Thomas More nasceu em Londres a 7 de Fevereiro de 1478, filho de John More, um Juiz. Estudou na St. Anthony School, em Londres e mais tarde em Oxford, onde começou a escrever pequenas comédias e onde traduziu um biografia de Pico Della Miradandola, um humanista italiano.

Depois de concluir os seus estudos em Oxford, foi para Londres para os os “Inns of Court” estudar e trabalhar com magistrado. É nessa altura que integra um grupo de “Reformers” ou Humanistas intitulados os London Reformers, dos quais faziam parte John Colet, Thomas Linacre, William Lily, William Grocyn, entre outros. Estes homens aspiravam operar uma mudança em alguns sectores da socieidade e da Igreja, como a educação, tendo, contudo, sempre em conta que a a religião e a “piety” estavam em primeiro lugar, embora se procurasse uma religião mais pura que se afastasse da corrupção da época. A religião é um tema central na vida de Thomas More e de todos os seus contemporâneos e dela não podemos fugir quando analisamos a vida de More.

Foi aliás, durante a sua estadia num Mosteiro em Londres que Thomas More pensou em tornar-se monge e seguir a vida eclesiástica em vez de uma vida dedicada à Função Pública (não é bom dizer isto desta maneira. Parece que estou a ver o More atrás de uma secretária a preencher impressos e a atender clientes). Contudo, acaba por desistir da ideia e escolhe definitivamente dedicar a vida ao país, entrando para o Parlamento inglês em 1504. As razões pelas quais More desiste da vida eclesiástica são sobretudo, duas. A primeira, consiste na ideia de que More tinha um grande um sentido de dever e acreditava que todos os homens tinham um papel a ocupar no “palco” que era a vida. E o seu dever era servir o seu país. A segunda razão, mas não menos importante, é o facto de More temer a possibilidade de se vir a tornar um padre impuro. Aparentemente, e segundo Erasmus, More percebe que os seus apetites sexuais o podiam levar a desviar-se da religião, caso a ela se dedicasse por inteiro.  A isto podemos evidentemente associar o facto de Thomas More usar um cílicio e outros meios de auto-flagelação. Alguns anos, mais tarde é nomeado Undersheriff da Cidade de Londres. Ao ocupar este posto, a sua reputação cresceu e STM era conhecido por ser imparcial e justo.

Durante a década seguinte, Thomas More começa a atrair a atenção de vários membros da Corte, inclusivamente o Rei, Henrique VIII. Em 1515, More acompanha uma delegação à Flandres devido a um problema no comércio de madeira, e a sua “Utopia”, torna-se uma referência nesta viagem. More foi extremamente importante quando conseguiu suprimir uma revolta em Londres contra os estrangeiros. Depois começou a acompanhar a Corte em diversas “viagens de Estado”, inclusive uma viagem a França quando Henrique VIII tenta fazer uma aliança com o Rei de França, Francisco. Em 1518, More entra para o Privy Council e é ordenado cavaleiro em 1521.

Com o aparecimento de Lutero e do Protestantismo, More ajuda Henrique VIII a redigir a sua “Defesa dos sete sacramentos” e escreve uma carta à réplica de Lutero embora sobre um pseudónimo. A relação entre Henrique VIII e Thomas More é uma de proximidade, e More torna-se Presidente da Câmara dos Comuns. Neste cargo, More contribuiu para o estabelecimento do discurso livre no Parlamento.

O seu declínio começa quando Henrique VIII se quer divorciar de Catarina de Aragão para casar com Ana Bolena. Apesar de no início More ter aceite o argumento de que o casamento entre Henrique VIII e Catarina foi ilegal, este torna-se cada vez relutante em aceitar a decisão, especialmente depois de Henrique VIII começar a negar a autoridade do Papa. Mesmo assim, More torna-se Lord Chancellor em 1529, depois da queda do Cardeal Thomas Wolsey.

More demite-se deste cargo em 1532 alegando motivos de saúde, mas sabe-se que a verdadeira razão pela qual o fez foi a sua desaprovação da posição de Henrique VIII para com a Igreja Católica. Henrique VIII separou-se da Igreja Católica, formando assim a Igreja anglicana e proclamou-se chefe desta. Depois de Catarina de Aragão ser afastada, Ana Bolena é coroada Rainha e More não vai à sua coroação. Em 1534 More foi acusado de cumplicidade com alguns opositores de Henrique VIII mas não foi condenado devido à protecção da Câmara dos Lordes. No entanto, em Abril de 1534, More recusou-se a jurar sobre o acto de Sucessão (que legitimava todos os filhos de Ana Bolena como possíveis herdeiros) e recusa-se a fazer o Juramento da Supremacia (que advém do acto de Supremacia que reconhece Henrique VIII como o chefe da Igreja Anglicana). Desta maneira, Sir Thomas More é preso na Torre de Londres e executado a 6 de Julho de 1535. É comum dizer-se que as suas últimas palavras foram: “The King’s good servant, but God’s First.”

Thomas More casou duas vezes, tendo quatro filhos, um rapaz e três raparigas. More educou todos os seus filhos nas diversas disciplinas: latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática, teologia, não fazendo distinção entre os sexos. A sua casa ou “household” era uma autêntica escola onde a educação era dada não só aos seus filhos mas também a outras crianças. Thomas More foi também um dos primeiros  ingleses a usar a ideia humanista que a instrução devia estar aliada ao prazer: era comum ensinar através de jogos ou charadas. Era um grande amigo de Erasmos de Roterdão que nunca escondeu a admiração pelo inglês e chegou a dedicar-lhe “Praise of Folly”.

Como sabemos, More escreveu vários livros sendo o mais conhecido a “Utopia”. Este livro cria uma ilha imaginária com o seu Estado, sociedade e costumes. Alguns estudiosos acreditam que este livro trata-se de uma sátira à Europa do Século XVI. More escreveu mais livros, como “História de Ricardo III”, “Piedosa instrução”, “Díalogo de Conforto contra a Tribulação“, “Diálogo contra as heresias” e fez algumas traduções.

Apesar de se ter batido pelos seus ideais, e em última analise, ter morrido por causa deles, Thomas More não é uma personagem que reúna consenso. Os católicos adoram-no e o Papa Pio XI tornou-o Santo em 1935. Contudo, alguns estudiosos dizem que More era um fanático religioso, extremamente intolerante, que chegava a auto-flagelar-se. Sabe-se, efectivamente, que More conduziu e condenou à morte cerca de 6 pessoas acusadas de heresia assim como queimou e destruiu livros e obras relacionadas com o Protestantismo.

Mesmo não reunindo consenso, Sir Thomas More é uma figura que desperta grande curiosidade e por vezes, admiração. A peça “Sir Thomas More” de Anthony Munday, foi escrita a várias mãos e acredita-se que William Shakespeare tenha também participado na sua elaboração. Outra peça, agora do século XX, “A man for all seasons”, foi escrita por Robert Bolt e mostra More como o epíteto da Consciência e da integridade. Karl Zuchardt escreveu também outra peça sobre STM, intitulada “Stirb Du Narr!” (“Morre seu idiota”). O escritor católico G.K. Chesterton chegou a dizer que More foi a “greatest historical character in English history.” Muitas biografias foram escritas sobre Sir Thomas More, algumas acusando-o de ser intolerante, f
an
ático e pervertido, (como é o caso de escritores como Richard Marius  e Jasper Ridley) e outras mostravam-no como sendo um inteligente humanista, devoto que acreditava na necessidade de autoridade do Estado (de acordo com a biografia de Peter Ackroyd). O mais recente retrato de Thomas More é feito através da série “Tudors”, que se revela bastante simpática para com a personagem, chegando a colocar em dois extremos a integridade e a consciência de Sir Thomas More e a amoralidade de Henrique VIII.

Para bem ou para mal, a complexidade de More e a falta de consenso sobre esta personalidade histórica é o que o torna interessante. Um homem integro ou intolerante? Um fanático religioso, ou um crítico da sua própria Igreja? Um visionário ou um político autoritário? Um humanista ou um homem sedento de poder?

 

 

Comments

  1. É uma figura extraordinária, interessam pouco os pecadilhos…

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