Amor e Romance

 

 O sono dos sonhos. Amar e sermos amados. Entregar a nossa paixão a quem corresponda, A espera dessa paixão seja correspondida. No fogo do ardor emotivo que se dá a nada pede em troca. Distinguir entre paixão e amor. Uma problemática para quem sinta esse sentimento que movimenta o mundo. Tenho dito vezes sem fim que a paixão é uma força da natureza, porém, o amor é a força do destino da sina pessoal. Amar é diferente da paixão. Na idade de inocência, sempre pensava que amar era antes de se apaixonar. Mais adulto, distingui entre paixão e amor. O primeiro, é essa força da natureza por mim mencionada. Amar, é um sentimento, uma emoção casta e pura. A paixão procura erotismo e satisfazer a libido. O amor, tem várias versões e muitos significados. Enquanto a libido é apenas uma, atingir o orgasmo, o amor pode ser a observação da pessoa que nos atrai. Amar é galanteio, é ser requestado, é se entregar a uma causa, como esse sentimento de amar a Pátria, ou amar ao amigo, aos ascendentes e aos descendentes.

 

Ou, também, pode ser uma obrigação reprodutiva cultivada pelos totens de grupos étnicos ou par famílias que procuram um benefício na união de dos que, meigos ou não entre eles, é de conveniência familiar ou ainda profissional, juntar em acasalamento. Como os amores de Auguste Rodin e da escultora Camille Claudel: ele aprendia dela, ela endoideceu pelas imitações das suas esculturas que ele se atrevia a fazer. Ou o amor entre Pablo Picasso e Françoise Gilot: ele roubava a sua inspiração e não lhe permitia tempo para pintar. Todo o que Françoise pretendia era aprender dele, e ele a seduziu em 1943. Não havia pinturas, havia filhos: Claude e Paloma e o de outras mulheres que Fraçoise cuidara, especialmente, especialmente de Pablo, sobrevivente do desastre do matrimónio com a bailarina russa Olga Koklova, casados em1918. Quer Rodin, quer Picasso, abusavam suas mulheres. A única que o sobreviveu foi Françoise, não apenas em vida cronológica, bem como em obras de arte. Fugiu para os Estados Unidos com os seus filhos e passou a ser uma famosa pintora. Nenhum nem outro tinham amor, apenas o egocêntrico carinho por si próprios e a sua arte. Paixão, havia muita e desejo, ainda mais. Os dois artistas roubavam a arte das suas damas por meio da sedução. Camille e Françoise eram um negócio redondo para eles. Diferente aos amores de Abelardo e Heloisa. O primeiro era um académico pobre, sem dinheiro para trabalhar na Universidade. Sacerdote, começou a ensinar nas ruas de Paris e nos montes das províncias. Foi o criador do grupo de académicos sem Universidade ou Goliardos.

Goliardos, na Idade Média eram clérigos pobres, egressos das universidades. Desamparados pela Igreja, tornavam-se itinerantes (clerici vagantes), vagabundos, de espírito transgressivo e provocador. Em meados do século XIII, perambulavam pelas tavernas, portas das universidades e outros lugares públicos, cantando e declamando seus poemas satíricos, um tanto cínicos, muitas vezes denunciando os abusos e a corrupção da própria Igreja, ou poemas eróticos, frequentemente muito ousados.

Abelardo foi um deles. Pedro Abelardo, Petrus Abaelardus (Le Pallet próximo de Nantes, Bretanha, 1079Chalons-sur-Saône, 21 de abril 1142) ficou conhecido do público por sua vida pessoal e o relacionamento com Heloísa, de que fala em sua História das Minhas Calamidades.

Um dos túmulos mais bonitos que se encontra no Pére Lachaise é o de Pierre Abélard e Héloïse, protagonistas de um trágico romance interrompido na Paris medieval do século XII. Pedro Abelardo era um filósofo que se apaixonou por Heloísa, de quem era tutor e que era 20 anos mais nova. Os dois tiveram um filho, Astrolábio, e casaram-se às escondidas. Quando o tio de Heloísa, um clérigo de Notre-Dame, soube, mandou castrar Abelardo que foi viver na abadia de St. Denis, onde continuou seus estudos. Heloise retirou-se para um convento. Mesmo distantes, os dois se corresponderam em longas e amorosas cartas, mas nunca mais se falaram pessoalmente. Os mas hoje quase 700 anos depois, estão para sempre juntos numa tumba em estilo neo-gótico. Ou Romeu e Julieta.  Há a peça de teatro de Shakespeare de 1591 e há o mito italiano de 1562, mito que relata como o amor de dois adolescentes que casam por namoro, acaba por dar a paz as suas famílias de posse, na Mantua do Século XII. É um enredo que foi circulando ao longo dos séculos e que narra amor, erotismo, sexo e morte. A típica história para apaziguar a liberdade erótica entre os Séculos XI e XVI, travada pela Reforma Protestante. Os romanos e todas as religiões cristãs fecham no casulo do sacramento do matrimónio, este dilema do que é primeiro:  o amor ou a paixão. No meu ver, ao pensar nas histórias, é quase impossível separar. Ou, por outras palavras, são histórias que nos ensinam que paixão e amor são dois lados da mesma moeda, com a paixão em frente e o amor a seguir. O amor é a prova do romance, da união que perdura após a paixão se consumir. Freud a sintetiza no conceito libido que comanda os nossos sentimentos entre pares do mesmo o diferente género. O amor é a prova da devoção que sentimos por uma pessoa ao longo de muitos anos. Eis porque é denominado romance.

Não é história enovelada, é a fantasia da paixão. Vemos, gostamos, a libido age e, se é satisfatória, o amor acontece. Parece-me que é a ordem das emoções. A melhor prova de amor, a proteger a quem desejamos e a ter ciúmes de quem nos quer arrebatar essa pessoas. O amor é entre, a paixão, um entretenimento que pode durar ou um curto espaço de tempo, ou perdurar ao longo da vida. Pelo menos, no corpo de uma pessoa, que procura satisfazer a sua libido em que mais seduz, do mesmo ou diferente género. As histórias narradas, provam este meu acerto., como a história de Jenny von Westphalen, uma baronesa da Prússia, que todo abandona pelo amor da sua vida, Karl Marx. Como Maria Cheia de Graça, por mim.

 

Comments


  1. Excelente, como habitualmente, caro prof.

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