Do tabu desaparecido ao aparecimento da História

O Presidente mais criador de tabus em Portugal desfez agora, o último que criou.
E desfê-lo da melhor maneira, justificando-se perante o seu eleitorado conservador, que esperava dele um não!, explicando que colocou acima das suas convicções  pessoais, as questões éticas  do superior interesse do Estado, e por isso assina o Sim! pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Esteve  muito bem e  esta frase ficará para a sua  história, tal como  será mal  engolida pelos seus pares partidários, que não vêm Portugal para além do seu umbigo, ou quanto muito, do cinto das suas calças gordas, em que nos trazem apertados com as  suas frustrações e hipocrisias …
Neste contexto, Portugal deu hoje, Dia Internacional da Homofobia, como já o fez no passado com a abolição da  escravatura, da pena de morte , uma lição de modernidade, um passo planetário e civilizacional útil,  pelos Direitos Humanos, libertário para toda a Humanidade.
Na sua alocução o PR recordou que havia poucos países no mundo que tenham  o instituto do casamento civil, tal como foi arquitectado este, e tal como foi aprovado.
Nao referiu, entretanto, que em mais de 80  a homossexualidade ainda é criminalizada, e em alguns, com a pena de morte. E neste campo a Europa, agora ameaçada pela crise do euro, tem sido farol.Temos orgulho nisso, embora não baste …..
A vida dos homossexuais pelo mundo  fora é um inferno, e em Portugal,  de há uns anos para cá, vem-se desinfernizando, a descontento de alguns, que só vivem felizes com a infelicidade dos outros, à mingua de não serem  capazes de construir a sua própria felicidade..
Das palavras do Presidente também se percebeu que este é um problema secundário, ao contrário do que pretendeu fazer passar a Drº Isilda Pegado,como se o mundo fosse desabar com a aprovação deste  documento.Ele incentiva-nos, agora, a olhar em frente ,  para  enfrentar os problemas cruciais que o pais tem de vencer e que não começaram, nem acabam, com o PEC.
Mas não se pense que esta  luta acabou aqui!
Nada disso! Há outros momentos que é preciso franquear ainda, e não vão ser fáceis: procriação medicamente assistida para todas, independentemente da situação conjugal,e  a adopção por casais  homossexuais, outro grande papão que a Isilda vai alimentar na sociedade portuguesa …..
Mas verdadeiramente, a grande luta que  todos, todas temos de travar, é a luta pela Diversidade, pela Igualdade, que uma riqueza cultural social e económica que tem escapado ao País, mas nao pode escapar ao seu futuro.E essa não se trava por decreto. Exige uma transformação das mentalidades. É uma exigência democrática.
A luta continua! E nós Cidadãos de cabeça erguida, estamos cá, para travá-la .
A Luta continua!
AS

Comments

  1. Luís Moreira says:

    A isilda, realmente, é uma grande ajuda , tão falta de senso é capaz de mostrar.

  2. Pedro Rocha says:

    O sr. silva educadinho e bem comportado continua a sua senda de não decisões.
    Não entendo como pode um ex-prof da área de gestão ser tão pouco rigoroso, corajoso, arrojado, determinado, convicto e assertivo. Aliás, é falta destas características que caracteriza os líderes empresariais portugueses, ou seja não sabem decidir, estão sempre com receio de decidir. Querem o poder, mas não o sabem exercer por uma simples razão: Não sabem conquistar os grandes desafios ganhando-os mas sim optando por os não os perder. No imediato resulta, mas a longo prazo não saímos da cepa torta, como aliás está à vista de todos.
    O sr. silva tem sido um dos melhores exemplos do que atrás disse.

  3. Alberto Silva says:

    Não estou contra esta lei, é-me apenas indiferente.

    Porque diabo é que o estado tem de estar no negócio dos casamentos!? Afinal de contas as uniões de facto não são equiparadas a casamento? Para que é então necessário este “amém” do estado?

    Se o que falta é uma cerimónia, qualquer um pode inventar uma. Querem-se casar com um burro!? Tudo bem, arranjem um padre, um capitão de navio, ou o vizinho do lado, façam uma pantomina qq (como fazem na ICAR) e pronto, estão casados. Claramente esta é uma instância do estado a meter-se onde não é chamado.

    Já agora, Pedro Rocha, já olhou para os gestores portugueses ultimamente? O Sr. Silva é um óptimo exemplo da raça…

  4. Pedro Rocha says:

    Caro Alberto,
    Infelizmente olho todos os dias. Vivem e gerem todos à conta do Estado. Obviamente existe a excepção que confirma a regra.

  5. maria monteiro says:

    O direito a casar pelo civil já abrange todos. Agora inicia-se uma longa caminhada na mudança de mentalidades

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