A educação e a cultura no OGE de Sócrates

Passo a passo, a proposta de OGE do governo de Sócrates vai-se perfilando no horizonte dos portugueses. Trata-se, efectivamente, de perspectiva medonha para centenas de milhares de famílias. A ser viabilizada, grande parte dos cidadãos viverão 2011 como o “annus horribilis” do pós-25 de Abril – e vá lá saber-se quantos anos mais se seguirão. Ou então, o FMI o ditará. Estamos encurralados, sem cápsula que nos retire do aterro.

Sócrates e as suas equipas conduziram o País a situação muito complexa, em resultado de lemas  de  incompetência e de falta de honestidade política – fiquemos por aqui. Hoje, a credibilidade internacional de Portugal está, de facto, deteriorada, como alegam os nossos banqueiros. Todavia, estes omitem terem sido dos principais impulsionadores da crise financeira com que nos debatemos. Convém lembrar-lhes o fortíssimo protagonismo na estruturação dos chamados ‘consórcios’ para obras faraónicas, em simultâneo com a destruição do tecido económico; ou seja, as políticas seguidas desde Cavaco Silva. Sócrates acabou por desferir o golpe fatal e diria inevitável, mesmo que o PSD renuncie.

Regressemos, entretanto, à proposta governamental do OGE. Por ora, detenhamo-nos, apenas, na redução das deduções de despesas de educação no IRS . Esta “simples” medida constitui outra mácula do ataque disparatado ao sistema educativo, já vitimizado pelas ‘Novas Oportunidades’. O jornal ‘Público’, em título, ainda chegou a anunciar o aumento do IVA dos livros de 6% para 23%. Se assim sucedesse, seria mais um atentado ao papel da literatura na formação cultural dos portugueses, em acréscimo ao que já se verifica nos programas escolares e é denunciado por Maria do Carmo Vieira em “O Ensino do Português”.

Sócrates, o engenheiro sem direito a filiação na Ordem, reforça, assim, os “méritos” das provas académicas dominicais, prestadas através de ‘fax’. Os resultados evidenciam-se em prestações de “bede inglish”. O grave é serem raros os portugueses com acesso à Universidade de Columbia, proporcionado por Manuel Pinho. O tal ex-ministro dos chifres a quem a EDP, ao que se diz, financia com 3 milhões de euros uma vida dourada em ‘New York’ – “I want to be a part of it, New York, New York”, diz a canção.

Comments

  1. Antes que dê azar, na notícia não está muito claro que os livros mudem de 6% para 23% de IVA…

    Pela minha parte espero bem que não.

  2. carlos fonseca says:

    Caro Fernando Martins:
    Tem toda razão, mas a notícia inicial do ‘Público’, em título, indicava explicitamente livros. Vou rectificar também o ‘post’.

  3. carlos fonseca says:

    Fernando Martins, confirmo: o ‘post’ foi alterado.

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