A guerra monetária e a estratégia do medo

Confirmando os sobressaltos por que o mundo passa nos tempos recentes, duas expressões ganharam novo fôlego e andam nas bocas dos estudiosos, políticos, analistas, etc. Uma delas tem atravessado o Brasil, onde o Dilma acusa Serra de impôr uma estratégia do medo (veja uma busca que inclui apenas resultados da última semana), e também a França – onde o porta-voz do PS acusa Sarkozy de criar uma estratégia do medo agitando os fantasmas do terrorismo e da emigração.

Outra expressão ressurgida -estava adormecida há sete ou oito décadas – é guerra monetária (veja resultados em português para “guerra monetária” nos últimos trinta dias e compare com o passado).

Enquanto a globalização econômica funcionava a favor dos EUA e dos grandes países europeus, e conforme suas empresas migravam para países do Terceiro Mundo pagando aos trabalhadores salários de miséria e vendendo seus produtos nos EUA e na Europa com suas margens de lucro aumentadas ao máximo, era tudo correto e ótimo, apesar das reclamações dos trabalhadores norte-americanos e europeus que perdiam seus empregos.

Contudo, agora, quando chinesas, brasileiras, vietnamitas, indianas e demais terceiromundistas empresas fabricam seus produtos com os quais inundam os mercados do Ocidente a preços fora de qualquer possibilidade de competição, os EUA e a empoada Europa começaram a choramingar suas mágoas e até ameaçar, esquecendo todas as suas juras ao “livre comércio”.

Os jornais alemães e franceses já ameaçam ostensivamente os chineses e demais produtores terceiromundistas com a aplicação de novas taxas e tarifas, se a China não permitir uma forte valorização do iuan. Simultaneamente, os parlamentares norte-americanos já se movem para alavancar no Congresso norte-americano a aprovação de novas tarifas, taxas e outras restrições sobre, principalmente, os produtos chineses exportados aos EUA.

(Ler o artigo completo)

Dois anos após a quebra do banco Lehman Brothers, economistas, a ONU e até governos dizem que o mundo dá sinais de ir na mesma direção da “guerra das moedas” iniciada em 1931, após a quebra da Bolsa de Nova York. Naquele ano, o banco central inglês desvalorizou a libra esterlina em 24%, medida seguida por vários países. Os Estados Unidos acabariam tomando o mesmo caminho em 1933.

(artigo completo)

Hoje (07/10), o jornal alemão Deutsche Welle alertou as nações com o Editorial: Nova Ordem Monetária é Imprescindível:

As maiores economias do mundo apostam em um enfraquecimento de suas moedas. As exigências são as mesmas em qualquer lugar: fortalecer a economia nacional. Uma mistura perigosa para a economia mundial.

(artigo completo)

As analogias militares deveriam ser usadas com cuidado. Enquanto ministros das finanças das nações mais poderosas preparam-se para um encontro, fala-se numa “guerra” monetária. O que isso significa? E se o conflito é iminente, há alguma forma de lucrar com o espólio da guerra?

(artigo completo)

Comments

  1. carlos fonseca says:

    Pedro, excelente ‘post’ – “tem pano para mangas”. A dificuldade está em escolher o tema de arranque para um comentário.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.