O orçamento judicial

O roubo aos funcionários públicos médio-altos (os 1500€ que dispensam a ralé da banhada são ilíquidos mas há pouca gente a dar por isso) tinha as suas excepções: a tropa, que afinal é promovida, a bófia, onde  além de tanques anti-motim parece que enfim, sempre há carreira na parte do poder  que não está na ponta da espingarda mas na mãos de quem a segura, os padres e que deus nos valha, o Banco de Portugal não conta porque são inimputáveis, e normalmente haveria uma arte subliminar de vírgulas num decreto safando juízes e magistrados, sempre falamos do poder judicial, e o respeitinho é muito lindo.

Não houve. Falou mais alto o clamor da vingança e optou-se por correr o risco de, julgando em causa própria, os juízes complicarem a aplicação do orçamento.

Preventivamente vai-se espalhando sobre eles o que Maria de Lurdes Rodrigues não chegou a pensar dos professores, que por sua vez já ultrapassava em muito os piores delírios de Maomé perante o toucinho. Hoje são os mais bem pagos da Europa, no topo da carreira, quando chegam ao Supremo. E são muitos, em número.

Não tivesse provado já desta carne e acreditaria que todos chegam ao Supremo Tribunal de Justiça. Mas sei dos professores, com o melhor topo de carreira mas o detalhe de ser quase impossível lá chegar antes de ultrapassada a idade limite para a reforma e ao mesmo tempo um dos piores salários médios acrescido da maior carga de trabalho, tudo isto na Europa dos estudos devidamente aparecidos nas redacções no intervalo de na Presidência do Conselho de Ministros escreverem na Corporativa.

Começa a falhar o truque, moços. Sei de uns 140 000 que nessa já não caem. A ver se a coisa vos corre mal já somos uns 400 000, fora o resto.

Não é em tribunal que acabam os gamanços?

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