genealogia de Karl Marx e a sua disciplina de vida

É sabido que tenho escrito dois livros sobre Kart Marx: Karl Marx, um devoto luterano, editado pelo ISCTE-IUL em http://repositorio.iscte.pt/, e no Internacional: http://www.rcaap.pt, 500 páginas, enquanto a minha editora Tinta-da-china, Lisboa, decide a sua publicação em breve; bem como ofereci à Associação Portuguesa de Antropologia, APA, outro de 200 páginas: A religião é o ópio do povo, mesmos repositórios, mas a ser editado por Celta Edições, Oeiras. É desses capítulos que tenho organizado um excerto entregue a APA para o Congresso de Setembro de 2009. O texto está ainda nos repositórios mencionados.

Porque se falo de Karl Marx, a imagem que publico é a da sua mulher? Sem ela, Marx nunca teria escrito nada. Foi a baronesa quem redigiu O Manifesto Comunista,

Baronesa Johanna von Westphalen, mulher de Karl Marx, redatora dos seus livros

1848 e todos os textos publicados após casamento, no 19 de Junho de 1843. Katl Heinntich tinha formação teórica em economia, filosofia e direito. Jenny Marx, de quem pouca coisa se há escrito, excepto nos meus livros, nos da David MacLellan e duas biografias: a de Heinz Frederich Peters, 1986, Allen & Unwin, UK: Red Jenny. A life with Karl Marx, e a de Françoise Giroud, 1992, Livros do Brasil: Jenny, a mulher de Kart Marx (título original: Jenny Marx ou la femme du Diable).

O avô de Kart Heinrich, por linha paterna era Marx Levi, rabino de Trier (a mais velha e mais sonolenta das cidades alemãs), tendo casado numa família onde os rabinos se destacavam desde o século XVI. O filho mais velho de Marx Levi sucedeu-o como rabino de Trier, e seu filho mais jovem, Herschel Marx, seguiu carreira de advogado, casando-se também numa família de rabinos, com Henriete Presborck. É desse casamento que nasce, em Trier, na Prússia do Reno, Karl Marx, em 5 de Maio de 1818, segundo filho que sobreviveu de pais burgueses e judeus.

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Frequentemente, em reacção contra as humilhações que os judeus tinham de suportar (vindas da burguesia alemã, sobretudo na Prússia), assim como as exclusões injustas de que eram vítimas (as leis prussianas vedavam os não – cristãos o serviço público e as profissões liberais. Não podiam atingir o grau de oficiais no exército, nem ser admitidos na magistratura, nem na carreira diplomática), os israelitas alemães adoptavam as doutrinas socialistas. Herschel Marx considerava-se tanto alemão quanto judeu, e provavelmente muito mais um homem do iluminismo. Era discípulo de Lessing e Kant, e era conhecido por todos o seu saber sobre Voltaire e Rousseau. Para poder exercer a profissão de advogado, tinha que se adequar ao sistema, e para isso, era necessário escolher entre mudar de fé ou de profissão. Não pensou duas vezes: em 1817 adoptou o nome cristão de Heirinch e foi recebido na Igreja Evangélica do Reino da Prússia. A sua mulher, rejeitou o baptismo para si, o clima intelectual do ocidente nada significava para ela, mas não pôde recusá-lo para os seus filhos. Mesmo assim, a conversão recente ao cristianismo não era sempre suficiente para fazer esquecer a origem dos convertidos. Embora fossem vários os problemas, no geral, a família era feliz. Heirinch conseguiu ser socialmente aceite e gozar de um certo sucesso. A mãe era dedicada aos cuidados da casa, ao dos oito filhos, que se davam bem, principalmente Sophie e Karl, os mais velhos e os mais admirados pelos pais.

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Quanto mais Karl Marx crescia, mais adquiria o gosto paterno pela literatura e filosofia. Aos doze anos, numa dissertação de exame sobre a escolha de uma profissão, podemos observar uma fagulha, um prenúncio do Marx adulto: “Mas nem sempre podemos seguir a profissão pela qual nos sentimos inclinados. As nossas relações na sociedade já são condicionadas parcialmente antes que possamos determiná-las.” Porém, quem mais o influenciou durante a infância, nem foi o seu pai nem foi a escola, mas sim o seu filósofo e amigo Freiherr Ludwig von Westphalen, cuja casa ficava na mesma rua em que Marx morava. Ludwig von Westphalen era um aristocrata de meia-idade que possuía gostos bem próximos dos de Marx, como o prazer de ler Homero e Shakespeare, ou conversar sobre a literatura de meia dúzia de línguas. Foi de Westphalen que Marx ouviu falar de Saint-Simon.

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Aos dezassete anos, Marx sai do Ginásio de Trier para a Universidade de Bona, onde estudou oficialmente direito, mas dava preferência às aulas de Schelegel sobre Homero. As suas leituras eram constituídas principalmente por mitologia e poesia. Pouco trabalhou, gastou muito dinheiro, foi preso por distúrbios nocturnos e, para completar o seu comportamento burguês, travou um duelo onde foi ferido acima do olho. Aproveitou ao máximo e em quase todos os sentidos, o seu primeiro ano na universidade.

No verão, ao voltar para casa, surpreende quer a sua família, quer o seu amigo e quase pai, Freiherr Von Westphalen, sem saberem o que pensar, quando pede consentimento para casar-se com Jenny von Westphalen, filha de Freiherr (para Marx, ela era a moça mais bonita da cidade!). No entanto, enquanto Karl não tivesse concluído seu curso e iniciado a vida profissional numa carreira lucrativa, o casamento, pelo menos para Heinrich, era praticamente impossível. Mesmo com as dificuldades aparentes, Freiherr não hesitou muito em dar o consentimento. Heinrich Marx foi quem mais se preocupou: sabia que uma paixão de mais ou menos um ano não era bastante para preencher um casamento entre um rapaz com dezoito anos de idade, pertencente à classe média e neto de rabinos, e uma aristocrata de vinte e dois anos de idade, neta do conselheiro do Duque de Brunswick e filha de uma Wishart. O pai optou por mandá-lo para a Universidade de Berlim, longe de Trier. Cidade em que acabou por descobrir um mundo completamente novo: uma metrópole com 320.000 habitantes, cheia de luz e de vida. Marx alugou um quarto na Leipzig – strasse.

Só e impossibilitado de trabalhar o estudo de direito, começou a aborrecê-lo. Não é, pois, de estranhar, que o primeiro ano em Berlim decorresse entre leituras variadas incompletas, enquanto aos estudos dedicava tempos mínimos e obrigatórios.

A ausência de Jenny era superada por meio dos horríveis poemas que lhe escrevia. Denotava-se, que diariamente, a sua organização da habitação e da sua higiene pessoal, atingia o máximo caos. Essa era Karl Heinrich, jovem, sem mulher, sem família e numa cidade estrangeira: um ser humano.

Comments

  1. Paulo Oisiovici says:

    Seu texto carece de rigor científico e é muito pobre, senão medíocre. Não menciona as fontes das quais retirou as “informações” que utilizou. A introdução denuncia seu anti-semitismo e aversão ao pensador judeu-alemão aclamado recentemente pela Europa como o maior gênio do milênio e de todos os tempos, numa pesquisa/enquete feita pela BBC, de Londres. Adjetivou os poemas, que segundo você Marx enviava a Jenny von Westphalen, de horríveis. No entanto, não nos permitiu o contato com pelo menos um desses poemas para fundamentar, ou comprovar, sua adjetivação e nos permitir avaliar se tal ajuizamento decorre da baixa qualidade do texto de Marx, de sua aversão a esse genial pensador, ou se utilizou tal adjetivo pelo fato dos escritos de Marx, cuja genialidade, cultura e capacidade magnífica de expressar-se em vários idiomas, reconhecida por quem lhe conheceu pessoalmente, estarem acima da sua limitada capacidade de compreensão ou afinidade com a literatura.
    Um texto inócuo, medíocre e irrelevante para qualquer um que deseje conhecer a genealogia e a disciplina de vida de Karl Marx. Assim, tal texto, envergonha as escolas e/ou universidade que tenha lhe dado qualquer título.

    • Albano Coelho says:

      @Paulo Oisiovici:
      Há uma grande diferença entre ser marxista – algo que partilhamos, nós e o Prof. Dr. Raul Iturra – e ser fanático idólatra de Karl Marx, característica exclusivamente sua.
      O recurso ao insulto pessoal demonstra somente a sua deficiente formação intelectual.

    • Metal says:

      Quando existe uma tentativa de expor um lado de ser humano “normal” de algum ícone da história, isto gera um caminhão de insultos sobre que se atreveu a tal feito.
      Vale lembrar que os ícones da história só o são pelos seus trabalhos e não pela personalidade. A tentativa de se escrever sobre o lado humano destas pessoas, é visto por muitos como sacrilégio.


  2. Para quem quer realmente conhecer a genealogia e a disciplina de vida de Karl Marx, um texto de qualidade e uma fonte fidedigna de informações sobre esse assunto/tema:”Recordações Pessoais Sobre Karl Marx”
    Paul Lafargue
    Setembro de 1890
    ________________________________________
    Primeira Edição : Des souvenirs sur K. Marx publiés par l’un de ses plus proches collaborateurs – et son gendre. Paru dans Die Neue Zeit, IX Jhrg., 1890-1891, pp. 10-17, 37-42.
    Tradução: Abguar Bastos, no livro “A Filosofia de Carlos Marx”, Editora Vitória. Revisão de Edison Cardoni, para edição “O Capital de Karl Marx”, Conrad Editora.
    Primeira Edição:…
    Transcrição: Alexandre Linares.
    HTML: Fernando Araújo, janeiro 2009.

    P.S.: Cuidado com textos medíocres, sem fundamentação científica mínima, nos quais, autores que escondem sua péssima formação intelectual por trás de credenciamentos acadêmicos, não citam sequer as fontes pesquisadas. Esses autores, são mercenários que fazem da publicação de textos em série, sem nenhum compromisso com a verdade, nem sequer com o mínimo rigor científico, meio de vida. Esses mercenários não têm o menor respeito pelos leitores e nem o menor compromisso com a qualidade do que escrevem. Querem apenas ganhar dinheiro e divulgar seus nomes… Como se todos os leitores fossem imbecis, a ponto de avaliar a qualidade de um texto, pelo nome do autor e seu credenciamento acadêmico. O mundo está cheio desses mercenários e charlatões…


  3. What’s up, after reading this remarkable article i am also happy
    to share my experience here with friends.


  4. A cada dia se torna imprescindível que tenhamos cuidado com textos medíocres, sem fundamentação científica mínima, nos quais autores, como Raul Iturra, que escondem sua péssima formação intelectual por trás de credenciamentos acadêmicos, não citam sequer as fontes pesquisadas. Esses autores, são mercenários que fazem da publicação de textos em série, sem nenhum compromisso com a verdade, nem sequer com o mínimo rigor científico, meio de vida. Esses mercenários não têm o menor respeito pelos leitores e nem o menor compromisso com a qualidade do que escrevem. Querem apenas ganhar dinheiro e divulgar seus nomes… Como se todos os leitores fossem imbecis, a ponto de avaliar a qualidade de um texto, pelo nome do autor e seu credenciamento acadêmico. O mundo está cheio desses mercenários e charlatões…
    (Paulo Oisiovici)

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