Carta para o Drucas

DRUCAS
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“Drucas”, filho, que é feito de ti, que já ninguém te ouve?

Desculpa tratar-te assim com tanta familiaridade, mas a idade vai-me permitindo umas coisas assim mais a modo que atrevidotas.

Sabes, tenho andado para aqui a cogitar sobre ti.

Que se passará contigo, que depois de teres sido a nossa grande esperança e depois de teres dito tantos disparates te calaste para ninguém mais te ouvir? Nem agora na pré-campanha para as presidenciais e com os candidatos a discutirem tudo menos o que interessa ao País, te ouvimos qualquer comentário.

Eu sei que até o sr Ministro das Finanças, depois de todas as borradas que fez ou que foi mandado fazer, se calou, mandando os Secretários de Estado dizerem umas bitaitadas, mas é precisamente por causa disso que tu deverias dizer alguma coisinha aqui às tropas. Também sei que se calhar não te convém dizeres mais asneiras e pelo sim pelo não o melhor é estares calado, mas assim perdes mais do que o que pensas que ganhas. É que isto está a ir de mal a pior. A nossa (do País) credibilidade está pelas ruas da amargura (sejam elas em Santa Comba, em Vila Real, na Bemposta ou em Oliveira do Hospital, ou em outro qualquer lugar) e esperava-se de ti, um salto qualitativo, umas palavras de esperança, um murro na mesa ou simplesmente uma chamadita de atenção.  

Mas não, filho, tens-te mantido mudo e quedo. E assim não pode ser. O povinho não gosta porque sabe que quem não fala, consente. Porra, pá, és o chefe da banda, o gajo que é a esperança de muitos de nós, o tipo que substituiu a velha e arcaica liderança. Onde estão os teus coisos?

Faz-te homem, carago, mexe-te, fala, insurge-te, diz umas asneiradas, mas diz qualquer coisa. Está na hora!

Bem, e por hoje não te bato mais. Vou esperar para ver o que fazes.

Desculpa esta minha maneira de falar, e aceita um abraço deste teu amigo

 

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