Presidente Oliveira da Figueira


Tivemos o sr. Teófilo e as suas positivas burrices. Logo a seguir, chegou o sr. Arriaga patrocinando “golpe de espadas” e descoroçoados lamentos acerca de quem o rodeava e daquilo que significava a instituição. O Bernardino, esse que não merece o senhor, consistiu numa tisana de cogumelos venenosos, engrossada com Agarol. A brincadeira Sidónio, coisa que ficou entre o pingalim à entrada da sopa dos pobres e o general Tapioca. Os impotentes srs. Almeida e Gomes e as águas paradas do sr. Carmona que por uns tempos deram a beber a mais uma excelsa burrice, de seu nome Higino Lopes. O loquaz sr. Thomaz e o arrependido que se des-arrependeu Spínola. O saltitante sr. Gomes II, do esquecido crachá da PIDE e do Movimento para a Paz e Cooperação, a expensas dos generosos cofres da URSS; o nosso Monk adiado que se conhece por sr. general Eanes e entramos, finalmente, na 3ª República em toda a sua plenitude.

Vamos então, à conhecida paternidade da geração rasca, a da conversa fiada dos “Oliveiras da Figueira”.

Mário Soares. Ex-primeiro ministro dissolvido pelo seu antecessor. Um primeiro mandato de consensos comprados pelo hálito fresco da pasta enviada por Bruxelas. Época de escassas possibilidades para indignações e inauguração das auto-estradas para todo o tipo de desfaçatezes, descontrolos de mundos e fundos, um el dorado para viagens com cameleiras comitivas, cursos de manicura na garagem da vizinha, resmas e resmas de folhecas de contabilidade virtual. Sem dar cavaco, tudo aguentou até garantir a passagem ao segundo mandato, aquele tempo de borrascas, indignações de todas as cambiantes, frases onde o “sonho de entrega do governo a um titular do seu partido” e mais uns tipicismos de república de San Teodoro.

Jorge Sampaio. Ex-candidato a antecipadamente falhado primeiro-ministro, tornou-se edil chefe de Lisboa, em pleno período da modernização demolicionista da capital, política auspiciosamente inaugurada nos anos 50. Um excelente continuador do estadonovismo moderno, dos betões às corporações da gente da toga. Um primeiro mandato de grandes nadas, muitos choros, partidas de golfes e ausências por resfriados súbitos, curados em qualquer pista de relva e buracos. Fidelíssimo cumpridor do básico princípio do “amigo do seu amigo”, abespinhou-se pela vontade popular que levou o sr. Barroso a S. Bento. Numa inesperada manifestação de energia emprestada por incógnito gerador, dissolve uma Assembleia maioritária e introduz na prática constitucional, o princípio da demissão por antipatia. Reconhecida nulidade on the rocks, nunca passou de um embaraço para os próprios aliados.

Cavaco Silva. “A sua passagem pelo governo foi marcada por uma infindável lista de erros, onde as más opções numa certa ideia de desenvolvimento caboucada em exemplos dos anos trinta, caminharam na sociedade civil, de braço dado com todo o tipo de manobras evasivas da legalidade e até – o que é mais importante -, da decência: foi a época dourada dos evaporar de fundos europeus que visariam a formação profissional que não aconteceu (…) consistiu esta, numa política intencional de cobertura do disparate e do abuso. Cremos que não, mas a solidariedade de clube condescendeu com o inaceitável. Permitiu a instalação de um certo sentimento de impunidade para a prossecução de todo o tipo de negociatas e de abusos e a imprensa do tempo é um alfobre de exemplos de desfaçatez e grosseira investida em direcção a um enriquecimento a todo o custo e à custa fosse de quem fosse. Dentro da sua própria administração e círculo de alegada confiança, saíram para os escaparates dos jornais, alguns dos mais ribombantes escândalos de imprensa de que há memória.”
Pelo auto-elogiosos discursos da campanha, chegou a hora da voz grossa e das sobrancelhas franzidas, bem juntas às pálpebras. Há quem queira ver o alvorecer de uma nova era de “homem-forte” que de virtual chibata em punho, coloque as coisas nos seus devidos lugares. Mas que coisas e que lugares? Sobretudo, que homem? Precisamente um daqueles que trouxeram Portugal ao estado que penosamente se conhece?

Não vale a pena.

Comments

  1. júlia says:

    OLÁ!
    Li o seu post, nada acrescentou ao passado…Gostaria de ver pensado, e escrito o que temos de fazer hoje , para ainda podermos ter o futuro, que nós construimos, para a família.
    Os poderes públicos não procuram interlocutores, e construtores dum País de ESPERANÇA. Estão a usar-nos e, a incutir-nos como parte das consequências.
    “Deixemo-nos de chorar, o leite derramado!…”
    Neste momento, só confio em quem construir…para substituição dos partidos e sindicatos, desgatados com o desabar das grandes utopias políticas e o enfraquecimento das antigas formas de mobilização das classes populares!…
    Há um grande vazio de `CIDADANIA.
    Nós estamos no meio de supranumerários; as vítimas mais visíveis…Estes, já hoje não têm
    identidade, nada a perder…
    Resta-nos a cidadania social, pois ela é a forma de se ser HUMANO, em cada nação. Por exemplo:PORTUGAL!!!!!
    Até amanhã! Até sempre!
    Jília Príncipe

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