Presidenciais: Cavaco ainda não nasceu

Já há muito tempo que sei em quem não vou votar, a partir do momento em que Cavaco Silva concorra a umas eleições. É certo que o facto de ser um homem de direita já é suficiente para que me recuse a votar nele, mas há homens em quem nunca votei ou votarei e que, de alguma maneira, me merecem consideração. Lembro-me da inteligência de Lucas Pires, respeito a erudição de Vasco Graça Moura, aprendi muito com O Independente de Paulo Portas, aprecio a combatividade de Nuno Melo. Cavaco nunca me despertou nada de positivo. Para além dos vários defeitos que partilha com os restantes membros da classe política, é um poço de vacuidades e truísmos. Só uma partidarite extrema ou a defesa de interesses pessoais poderá ter levado homens inteligentes e cultos, como Pacheco Pereira, a defendê-lo.

Cavaco Silva é, para além disso, um desonesto cabotino, ou seja, um desonesto que representa muito mal o papel de um homem sério. As questões das acções da SLN ainda não estão esclarecidas, mas interessam-me sobretudos pormenores como a história tão mal contada da rodagem do carro até à Figueira, digna do chico-espertismo mais básico. Mais recentemente, Cavaco, com a mesma desonestidade, insiste na ideia de que a Democracia tem um preço demasiado alto, usando descaradamente o argumento de que as taxas de juros dos empréstimos poderão subir se houver uma segunda volta. É o chico-esperto que aponta descaradamente às dificuldades por que passam os portugueses.

Há poupanças ilegítimas, quando outros valores mais altos se levantam. O dinheiro que se anda a poupar na Educação, por exemplo, há seis anos, tem como consequência a perda de qualidade da Escola Pública. Ameaçar os eleitores, essência da Democracia, com o pagamento de uma factura, se houver segunda volta, é só mais um sinal da desonestidade de Cavaco. Isso e a recente preocupação com os cortes dos ordenados dos funcionários públicos que são uma preocupação do candidato e nunca foram do Presidente.

Se houver segunda volta, ficarei satisfeito: a chantagem de Cavaco com o preço das eleições terá falhado e poderá ser o primeiro presidente a não alcançar a reeleição. Ele merece.

Comments

  1. João says:

    Felizmente somos muitos milhões a pensar como o António Fernando Nabais, e vamos tirar esse cabotino da cena.

  2. António de Almeida says:

    Vou apenas comentar parcialmente o post, no que se refere ao episódio da Figueira. Existiu ali uma encenação, por forma a criar um mito, é um facto que o automóvel existia, na época era necessário efectuar rodagem aos veículos novos. A circunstância foi aproveitada para ir até à Figueira com total desprendimento, o Congresso iria supostamente eleger João Salgueiro, como presidente do PSD, mas depois, num golpe de teatro, com moções rejeitadas pelo meio, acabou elegendo Cavaco Silva. Mas há um mito ainda melhor sobre esse Congresso, Eurico de Melo estava em casa, de robe vestido, quando lhe telefonaram a dizer que seria bom ir até à Figueira, porque aquilo estava tudo muito confuso. Ora Eurico de Melo, posteriormente Ministro de Cavaco Silva, era o homem que dominava o aparelho…

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