Os netos dos que não foram à Índia:

Não serei a melhor pessoa para avaliar estas coisas. Tirando o Porto Canal, por razões óbvias (profissionais, sentimentais e de proximidade informativa) vejo pouca televisão. Tirando a informação, só cabo (e mesmo assim, pouco).

Nas redes sociais, em especial no facebook, vou-me apercebendo que os programas/concursos de novos talentos musicais existentes em Portugal são idênticos aos que existem noutras paragens. A produção é a mesma, o estilo dos apresentadores não é muito diferente e a qualidade geral não difere muito de cá para lá. Apenas num ponto as coisas são muito diferentes, assustadoramente diferentes e que nos devem obrigar a pensar.

Temos, sempre assim foi, a mania que somos os melhores. No futebol, o nosso Ronaldo é o melhor do mundo. Não, não é. É um dos melhores mas não se compara ao Messi. O nosso Algarve é o melhor destino de praia da Europa e o Porto Santo uma das 10 melhores praias do Mundo. Não, nem o Algarve é o melhor destino de praia da Europa (será que conhecem as ilhas gregas, a Sardenha, sem falar em boa parte da costa croata?) e querem mesmo acreditar que a praia do Porto Santo está no top ten mundial? Só no índico temos mais de uma centena de praias que metem o Porto Santo num bolso, o que não significa, pelo contrário, que o Porto Santo não seja fantástico. Claro que é mas…Estes dois exemplos podem ser replicados em tantas outras áreas. Temos gente e empresas a fazer coisas fantásticas, do melhor que se faz no mundo e para um país da nossa dimensão (territorial e humana) até nem é nada mau. Mas, calma, nada de exageros.

Ora, os sucessivos “resultados” destes concursos de “talentos” mostram, de forma nua e crua, alguma da nossa limitação em determinadas aspectos. Sem querer ser mauzinho e atendendo que não sou espectador atento, a ideia com que fico ao ver os nossos “melhores” desses programas é assustadora. Uma pobreza franciscana, uma mediocridade aterradora quando comparada com os inúmeros vencedores dos outros  concursos similares noutras paragens. O vídeo que publico neste post é disso exemplo.

Não tanto pelas suas capacidades de cantor, a música escolhida não permite uma análise fria e depois dos jurados ouvirem a história deste concorrente, com franqueza, seria impossível não reagirem como o fizeram. A questão é outra. Bem diferente. É a capacidade de superação. O enfrentar a adversidade com garra. É o querer vencer.

Nisso, meus caros, ainda somos muito pequenos. Ou como uma vez me disse um grande amigo e, por sinal, companheiro de blog no Forte Apache, temos um grande problema: somos os netos dos que não foram à Índia. Ao ver este vídeo e o comparar com os que, em Portugal, venceram o mesmo tipo de concurso, compreendi melhor a sua afirmação…

Comments


  1. o cantor em questão foi eliminado na terceira ronda. mesmo assim um exemplo de coragem.

    No entanto, caro Fernando, os portugueses deixam muito a desejar. Eu sou fã da Aurea e no entanto ela foi rejeitada nUM programa da SIC e até insultada.

    Os programas valem o que valem ou seja nada.


  2. Olha Daniel, nem sabia desse pormenor da Aurea. Abona a seu favor.