A indignação saiu à rua

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Devo confessar que a foto e o título deste ensaio foram retirados do Jornal Expresso.
Bem sabemos que em todos os países da Europa há indignação: Irar-se, revoltar-se, dedignar-se.

Esta terceira palavra é um adjectivo que significa ficar por baixo dos outros, palavra nova para mim, tive que pensar para dizer algumas palavras. A dignidade é uma dádiva da natureza, que nem todos possuímos ou podemos cultivar. A dignidade, no meu ver, parte da calma e paciência necessárias para suportar desentendidos, más palavras, arrogância, autoritarismo e outros adjectivos que é-me impossível definir, por serem tantos. Especialmente, se o adjectivo provêm de pessoas que estimamos, amamos, queremos e respeitamos a sua maneira de ser

Mas há uma dignidade que não consigo não comentar: a autoridade que cai sobre nós por quem nos governa e não nos sabe organizar. De tempo em tempo, a classe soberana muda e o mal que faz, é sempre impingido no grupo anterior, como inadequado para ver que uma lei seja cumprida, vigiar que o que está dentro do direito, civil o criminal, o do trabalho ou de procedimentos hermenêuticos para orientar os conteúdos, sejam ordenações acumuladas ao longo do tempo e assim respeitar às pessoas do nosso convívio, normalmente as que trabalham connosco ou partilham uma convivência de dia a dia, como amigos, parentes, vizinhos. Seres humanos com quem solidarizamos, com respeito simpático.

Não foi em vão que o fundador da ciência da Sociologia, Émile Durkheim, hesitara em denominar as suas descobertas analíticas ou ciências do socialismo, ideologia que ele aderia ou sociologia. Uma ciência do socialismo, parecia não ter razão de ser, por ser um conjunto de princípios para governar uma nação o estado, debater formas de gerir o património social e manter a população em calma. Finalmente, a denominou Sociologia, resultado da junção de palavras com significado analítico: logos, do latim ou o estudo de grupos humanos, sócios, por partilhar uma mesma língua, vínculos às mesmas leis hábitos e costumes. A sociologia é uma das ciências humanas que estuda as unidades que formam a sociedade, ou seja, estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia, a Sociologia tem uma base teórico-metodológica, que serve para estudar os fenómenos sociais, tentando explicá-los, analisando os homens em suas relações de interdependência. Compreender as diferentes sociedades e culturas é um dos objectivos da sociologia.

Os resultados da pesquisa sociológica não são de interesse apenas de sociólogos. Cobrindo todas as áreas do convívio humano — desde as relações na família até a organização das grandes empresas, o papel da política na sociedade ou o comportamento religioso —, a Sociologia pode vir a interessar, em diferentes graus de intensidade, a diversas outras áreas do saber. Entretanto, o maior interessado na produção e sistematização do conhecimento sociológico actualmente é o Estado, normalmente o principal financiador da pesquisa desta disciplina científica. Fonte: o meu saber acumulado após cinquenta anos da praticar entre grupos não ocidentais, como etnias ou grupos que vivem de outra maneira em partes fora do nosso continente europeu e que denominamos Antropologia. Tenho descrito e definido estas ideias em vários textos, aos que me remeto.

O interessante dos primórdios da Sociologia, é tê-la entendido por via de duas alternativas: as formas mecânicas ou costumeiras; e as formas solidárias que se interessam pelo bem-estar do povo, a existência de trabalho, a preparação para o mesmo o educação e tomar conta da dignidade que referi antes.

Dignidade que tem por objectivo respeitar ao ser humano, a alegria de viver e as alternativas que as pessoas podem escolher.

Eis porque, hoje em dia, estamos indignados. A nossa ansiada dignidade, objectivo do nosso grupo, tem sido atropelada e os depositários da nossa soberania, por outras palavras, do nosso desejo de optar, atropelada pelos nossos governantes. No meu entender, vivemos dentro da indignidade ou falta de merecimentos, dentro de afrontas e ultraje. A indignação é resultado da ideologia de grupos políticos, sem carisma para nós governar ou saber dirigir os interesses do povo. É o desentendimento entre os possuidores de bens e dos que vivem apenas do seu salário ou proletariado. Desde o dia e que Portugal foi reinos, milhares de séculos até o dia de hoje, houve os avisados que se apoderaram das terras e os seus produtos, e os servos, como referi no ensaio anterior, que viviam nas terras do senhor como se fosse deles, mas deviam pagar pelo uso, um usufruto em bens e em trabalho.

A indignidade saiu a rua e não temos o que comer e mais ainda, falta de trabalho. Ao sair a rua, aconteceu um estalido de indignação. Diz o Jornal Expreso: Um ovo atirado contra a escadaria da Assembleia da República originou um situação de tensão entre os manifestantes quando a polícia foi deter a pessoa que terá feito o arremesso.

Os ânimos exaltaram-se e várias dezenas de elementos do corpo de intervenção da PSP formaram um cordão ao cimo da escadaria da Assembleia. Os manifestantes passaram as barreiras de segurança e muitos ocupam a escadaria. Algumas pessoas com o rosto coberto foram surgindo entre os milhares que estão no local.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/tensao-entre-policia-e-manifestantes-a-frente-da-ar-video=f680913#ixzz1axXOnMm2

Não sabemos quando isto para e qual a solução. Diz Paula Gil, organizadora do movimento: Os organizadores da manifestação que se realizou hoje em Lisboa calculam em cerca de 100 mil o número de participantes no desfile que se realizou entre o Marquês de Pombal e o Parlamento, disse um dos promotores do protesto.

Qual o fim e quando? Será capaz o governo de carregar contra um povo que tem a dignidade massacrada? Vivemos num mundo que frita em desespero por toda Europa. Enquanto escrevo estas palavras, a marcha de ontem, s repete…As diferentes solidariedades têm aparecido—por causas de classe social…

Paro. Há mais. Os sem emprego estão a ser entrevistados no ecrã da televisão e quero ver…

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