Non hay pan para tanto chorizo!

o que significa “Não há pão para tanto ladrão!” e foi uma das palavras de ordem de mais de 30.000 pessoas nas ruas de Barcelona – e de outros muitos milhares em Madrid e noutras cidades espanholas – como resposta ao ridículo aumento de 0,25% aos pensionistas.Na denúncia do empobrecimento dos pensionistas e exigência de pensões dignas estavam nas ruas todas as gerações. Mais uma bela expressão de cidadania de “nuestros hermanos”.

Corruptos no poder

romenia

Foto: Reuters

É o quarto dia consecutivo em que dezenas de milhares de romenos protestam contra a tentativa do governo social-democrata de, com a absurda justificação de que as prisões estão superlotadas, legalizar a corrupção e amnistiar políticos e outros corruptos já condenados ou sob acusação – como o presidente do partido social-democrata, Liviu Dragnea, acusado de abuso de poder e condenado por fraude eleitoral.

Bravo! Bravíssimo! Gente na rua, ao frio, em 50 cidades, a exigir justiça. Um sopro de alento, nestes dias tão favoráveis ao autoritarismo e à corrupção.

Quem percebe de Educação? Os gestores, claro!

empreendedorNo actual paradigma empresarialês, a única opinião legítima é a do gestor-economista-empreendedor-consultor, porque, já se sabe, não há nenhuma actividade que possa ser analisada sem o recurso a instrumentos e conceitos da Economia, da Gestão ou da Contabilidade.

É certo que há elementos de outras profissões que também têm direito a emitir opiniões, desde que recorram unicamente aos instrumentos e conceitos utilizados pelos gestores-economistas-empreendedores-consultores. É por isso que os profissionais de qualquer ofício não podem exprimir-se, pelo menos em público, sem falar em “contenção de custos”, “empreendedorismo”, “competitividade” ou timing.

É claro que a Educação não poderia ficar imune a este movimento. Aliás, a Educação, à semelhança do futebol, sempre foi um tema sobre o qual todos discorrem com grande segurança e à-vontade.

Carlos Guimarães Pinto é um dos autores do livro “O Economista Insurgente” e resolveu brindar-nos com a introdução do capítulo dedicado à Educação, tendo escolhido para título do seu texto “Porque é que os professores estão sempre a protestar?”. Ricardo Gonçalves Francisco e Miguel Botelho Moniz são os outros autores. Se consultarem as hiperligações, descobrirão que estamos na presença de lídimos representantes da classe do gestor-economista-empreendedor-consultor, ou seja, do especialista em tudo, de uma maneira geral, e em Educação, mais especificamente. [Read more…]

Meanwhile, in Brazil

Bandeira

Com o fim da prestação brasileira no Mundial marcada pela mais pesada derrota de sempre em jogos oficiais, antevê-se uma noite quente. Esta bandeira que o diga…

[Fotografia: Veja São Paulo]

“Quem semeia miséria colhe raiva”

Em Barcelona, e desde o início desta semana, as ruas ardem, literalmente, de descontentamento. Há perseguições policiais, dezenas de detenções, caixas de multibanco destruídas, contentores incendiados, barricadas. Consequências da decisão do autarca Xavier Trias que ordenou o despejo de Can Vies, um centro social gerido por iniciativa popular. Num edifício ocupado desde 1997, organizaram-se, ao longo dos últimos anos, oficinas de teatro, debates, apresentações de livros, peças de teatro, concertos, jantares comunitários, e até um jornal de bairro: “La Burxa”. Can Vies tem sido um lugar emblemático daquilo a que se vai chamando “movimentos alternativos”, uma espécie de laboratório onde várias gerações foram construindo utopias e dando corpo a projectos sociais com impacto directo na vida da gente de um bairro operário, o de Sants, com grande tradição de associativismo e múltiplas cooperativas.

Ora, uma “escola de militância”, como alguns lhe chamaram, transcende as suas quatro paredes, e o despejo foi sentido como uma afronta às gentes de Sans. O rastilho de Can Vies incendiou o bairro, em seguida a cidade, e os tumultos já chegaram às vizinhas Lleida, Tarragona e Girona. [Read more…]

Brincar às greves

cultura lúdicaHá movimentações sindicais no sentido de convocar uma greve para o dia 8 de Novembro. Um dia de greve.

Se estivéssemos a lidar com um governo desconhecido ou sério, concedo que pudesse fazer sentido usar a greve de um dia como uma espécie de tiro de aviso. O problema é que se trata de gente contumaz, gente que vai impor, pela terceira vez seguida, um orçamento de Estado criminoso, porque se baseia em mentiras e em insensibilidade, como está amplamente demonstrado.

O João José lembrou, hoje, outros tempos em que protestar era muito mais perigoso ou simplesmente perigoso. O Ricardo critica a atitude da CGTP, ao desistir de fazer a manifestação na Ponte 25 de Abril. Concordando com ambos, acrescento a minha crítica recorrente às greves de brincar. [Read more…]

Reviver o Relvas no Brasil, o vídeo

Não, não acabou. Até que sejam julgados deverá ser sempre assim.

«Bella Ciao» na Praça Taksim

De canto de trabalho rural a hino da resistência partigiana, «Bella Ciao» já conheceu versões em dezenas de línguas e tornou-se um hino dos povos oprimidos.  Na noite passada, ao piano de  Yiğit Özatalay e David Martello juntaram-se as vozes dos cidadãos  turcos que, com máscaras de gás e armaduras improvisadas, têm dançado no centro de uma praça em chamas.

Una mattina mi son svegliato / o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao! / Una mattina mi son svegliato,  /e ho trovato l’invasor.

Baba de Camilo

Lourenco

Camilo Lourenço, que se excita com qualquer tirada marialva, não consegue conter um grito de prazer, diante das palavras de Silva Lopes, esse defensor dos pobres e dos desempregados.

Curiosamente, trata-se do mesmo Camilo que, nos últimos dois anos, tem andado a perorar sobre a inevitabilidade dos sacrifícios e que isto custa a todos e que andámos a viver acima das possibilidades e que agora há que aguentar. Desta vez, estranhamente, acede a preservar os pobres e os desempregados, o que parece um indício de rara humanidade.

Na qualidade de parolo do excel, característica que partilha com Silva Lopes e outros simplórios da comunicação, é natural que deixe escapar o habitual reflexo de que ninguém pode protestar enquanto houver quem esteja pior, asserção que não corresponde a um raciocínio mas a uma reacção semelhante à do cão de Pavlov: Camilo Lourenço ouve falar em professores ou em sindicatos e baba-se.

A democracia da injustiça e do conflito

O ambiente sociopolítico tem vindo a registar uma degradação e tensões crescentes. Em complemento de manifestações de oposição ao governo, frequentes e mais ou menos participadas, sucedem-se protestos e vaias “inorgânicos”, de Norte a Sul do País.

No fim-de-semana, em Trás-os-Montes, o primeiro-ministro foi acolhido em ambiente de contestação por grupos diversificados em função da área profissional e/ou económica. Hoje, a semana iniciou-se com o impedimento do secretário de Estado dos transportes, Sérgio Monteiro, de discursar na conferência “A região metropolitana, a mobilidade e a logística”, em Lisboa.

Salvo a fase do PREC, naturalmente turbulenta, nunca o nível de conflitualidade social se elevou a este tom. Naturalmente, que a receita de dura austeridade prescrita pela CE, em especial pelos países poderosos da ‘Zona Euro’ aliados ao FMI, está na origem das contestações às injustiças do governo actual: captura e redução de rendimentos a funcionários públicos, reformados e pensionistas, liberalização dos despedimentos e consequente expansão desenfreada do desemprego e de insolvências, propósito de afastamento de dezenas de milhares de profissionais da função pública, endividamento externo em acelerado crescimento, quebras acentuadas do PIB e défice orçamental acima das previsões governamentais.

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Se há alguém que merecia isto era ele

Mais protestos contra o Governo…

Quem semeia quer sementes fora da lei

Não parece, mas este é um assunto deveras importante.

Coca Cola nas veias

Nos dias que correm tenho-me lembrado de uma alta patente militar, da oposição ao regime de Salazar, com quem tive uma conversa antes de 1974. Tinham ocorrido manifestações de estudantes que, pela primeira vez, partiram à pedrada montras de bancos para os lados da Escola Politécnica. O militar estava contra e achava incivilizado. Eu, subscrevendo Gondi quando afirmou que “quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”, respondi enxutamente que preferia ver as pedras atiradas à cara dos governantes e que me nauseava uma oposição de opereta que não passava de cartas clandestinas e abaixo assinados que a Pide valorizava prendendo os seus signatários. Ele achou, escandalizado, que eu sugeria um desconchavo. Ficámos desentendidos. Mas não havia nada a fazer com um homem que acreditava no Pai Natal e na amantíssima esposa, uma que lhe fazia inenarráveis cenas de ciúmes e o deixou cego e paralítico com umas doses de arsénico quando se apaixonou por outro mais novo. Voltei a encontrá-lo depois do 25 de Abril, muito eufórico e a querer saber se a coisa tinha sido a meu gosto. Ficou fulo quando lhe respondi que tinha preferido uma revolução com grande fartura de pancadaria e contas ajustadas, mais me parecendo aquilo um golpe de floristas a prometer muita cobardia e confusão. Infelizmente, não me enganei. Aquilo que mais abominei no regime de Salazar foi a hipocrisia e a perfídia com que castrou o povo. Quando dali a pouco se cometiam as maiores tratantadas, vi com desgosto que ninguém tinha estaleca para pegar em democratas do 26 de Abril pelos fundilhos e atirá-los de janelas altas, pondo tudo na conta da “justiça revolucionária” propagandeada pelos arautos dos amanhãs que afinal não cantaram. Com isso tinham-se evitados grandes crimes sobre o corpo martirizado da Pátria, porque há uma gentinha neste mundo que só percebe e acorda à estalada. É uma perda de tempo a gentileza e as boas maneiras com tal gentinha.

Na minha geração houve muitos adeptos do politicamente correcto que é como quem diz, muitos com coca cola nas veias, sendo que a coca cola é a água suja do capitalismo. Que a terra lhes seja leve. Felizmente, quase 40 anos depois, há uma geração que se borrifa no politicamente correcto e trata os políticos desavergonhados como eles merecem ser tratados.

Afinal, há motivos para esperança. Bendita juventude!

“Se tiverem bom senso, arrepiam caminho”

Boaventura Sousa Santos comenta os protestos contra o governo.

Uma no cravo…

Embora João Soares ache “o Ministro Doutor Miguel Relvas” um homem cinco estrelas, “há muito que não reúne condições para continuar a governar”. Assim se explicou esta noite no Jornal da Noite da SIC-N.

Mãe, estou no desemprego

Algumas faixas conseguiram entrar no estádio, enganando a censura.

Diferença entre 2012 e 1969: a PIDE privatizada na forma de empresa de segurança. E também que ao menos desta vez venha a taça para Coimbra. Também pelos seus adeptos, a Académica merece.

 

 

Manolis Glezos continua a lutar contra a ocupação alemã

O senhor que está a ser agarrado pelo colarinho tem 89 anos. O polícia que o está a agarrar terá idade para ser seu filho ou seu neto. O senhor chama-se Manolis Glezos e, em 1941, durante a ocupação alemã, retirou a bandeira nazi da Acrópole, tendo, posteriormente, passado por um calvário de prisões e torturas, entre alemães, italianos e colaboracionistas gregos (que, também naquele tempo, já existiam). Setenta anos depois, ei-lo, ainda, a lutar contra um país manhoso, disfarçado de Europa. A Europa tem de ser outra coisa. Se é para ser a mesma, mais vale hastear outra vez a suástica.

A indignação saiu à rua

 https://i0.wp.com/aeiou.expresso.pt/imv/0/572/628/milhares-em-frente-a-assembleia-da-repub-a6c4.jpg?w=640
Devo confessar que a foto e o título deste ensaio foram retirados do Jornal Expresso.
Bem sabemos que em todos os países da Europa há indignação: Irar-se, revoltar-se, dedignar-se.

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Eduardo Galeano en la #acampadaBCN

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Ontem em Espanha

Lutam pelo mesmo que leva as pessoas à rua um pouco por todo o mundo.

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