Pare, pague e deixe-se roubar legalmente

Não ponho as mãos no fogo pela veracidade da notícia mas, com a rapaziada delirante que governa, já nada espanta.

Este governo herdou o imbróglio das portagens virtuais, aquela coisa coisa em que não se sabe bem quanto se paga, onde se paga e quando se paga, especialmente se se é galego, andaluz, francês ou checo e se tem o azar de circular por Portugal. Naquele momento da deriva socratista a imaginação não dava para mais e o melhor que podiam era sempre a pior solução possível. Chegado o passismo, ainda fresco e “bem intencionado”, em vez de corrigir o que obviamente está mal pensado e não funciona, resolveu acrescentar um toque intimidatório e fascistóide.

Agora o condutor pode ser parado e intimado a pagar imediatamente, com “custos administrativos crescidos”, expressão politicamente correcta para gamanço e compressão de direitos civis. Não ponho as mãos no fogo pela exatidão da notícia, repito, mas já vou pondo os dedos. É que a estupidez contagia e o respeito pelas pessoas há muito se perdeu.

Comments

  1. António Ramos says:

    Tem toda a razão, o sistema inventado pela equipe do dr. Campos, mais os seus amigos dos CTT, é uma vergonha. Já escrevi isto dezenas de vezes, mas pouco terá adiantado: nunca deveria ser aprovado um sistema que não contempla o pagamento em dinheiro vivo, como acontece em todo o mundo civilizado. Aprovou-se um sistema que exige um ship (onde é que eu já li isto?), e as portagens passaram a ser controladas, todas, por um sistema que pode ser utilizado, com facilidade, para se saber por onde andámos. E a Comissão de Protecção de Dados, às vezes tão miudinha, foi na cantiga.
    Portanto, o que este governo tinha que fazer, e o mais depressa possível, era tentar emendar o erro, criando postos de pagamento à entrada dos troços portajados, cujos valores deveriam ser redondos, para facilitar o trabalho administrativo. Todos os que optassem pelo ship deveriam ser beneficiados com descontos, uma vez que esse sistema de cobrança tem custos ridículos por cada operação e é vantajoso para as empresas concessionárias. Todas as outras soluções são demasiado más, como essa de tentar cobrar portagens a olhómetro, e nem deveriam ser pensadas…