EDP, o Embuste das Barragens e do Emprego.

A EDP continua a apagar as mensagens politicamente incorrectas do seu mural fendido.

O distrito (Bragança) está transformado num estaleiro, com empreitadas em simultâneo de estradas e barragens que representam um investimento sem precedentes no Nordeste Transmontano, superior a 1500 milhões de euros, só na fase de construção.”

Mais de meio século após o início da construção das grandes barragens do rio Douro, uma parte substancial do “povo” (essa coisa) de Trás-os-Montes ainda acredita na lenga-lenga apregoada por uns senhores da Rotunda do Marquês que vem à televisão garantir que as barragens são o progresso, são o futuro, garantem muito emprego (milhares de postos!).

Então como se explica que os municípios ribeirinhos sejam os mais pobres de toda a província, quando geram, pela força das suas águas, lucros de milhões de euros a uma empresa maioritariamente privada, a quem o Estado garante, por via da Entidade Reguladora do Sector Energético, o direito de aumentar as tarifas quanto importe?

Perante tão obtusa falta de memória histórica, alguns autarcas colocam-se mesmo em bicos de pés, apregoando os benefícios das barragem.  Por exemplo, o democraticamente eleito presidente da autarquia de Alijó garante que o rio Tua, depois de sequestrado pela anunciada barragem-maravilha, vai ficar com “um espelho de água extraordinário“, o “turismo de natureza”, “um espaço museológico”, “um turismo diferente”, “a paisagem”, “quatro núcleos museológicos”.

Entretanto, e voltando ao mundo real, enquanto estas inimputáveis personalidades apregoam as maravilhas das barragens (parecendo esquecer o que não-aconteceu desde os anos 50), as notícias dão conta que Trás-os-Montes continua tão pobre, tão desempregado, tão emigrado, tão espoliado como antes…

Comments


  1. com uma vénia à Manuela M Guedes

    Já no verão quente de 1975 se dizia que em Portugal as pessoas de coragem usavam saias:

    – A Vera Lagoa
    – A Natália Correia
    – O Bispo do Porto

    a minha homenagem

    ………….
    ler em

    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/manuela-moura-guedes/onde-esta-o-passos

    Onde está o Passos?
    O défice é de Sócrates e o Orçamento é de Passos, sim, mas deste Passos. O outro, o das promessas, sumiu para parte incerta, ou ficou-se por Massamá.

    ……….
    ……

    Os contratos das novas barragens também se mantêm.
    PPPs que irão custar 16 mil milhões de euros para um aumento de energia de 3% do qual iremos consumir só 0,5%. Mas pagaremos às concessionárias 49 milhões por ano e mais 10% na conta da electricidade.


  2. incoerencias

    a barragem da EDP é importante pois trouxe um desenvolvimento temporário embora destruindo todo o potencial turistico futuro, a base da economia (olivais e vinha) e criando só meis duzia de postos de trabalho (locais ) temporários

    As minas geram 1.300 milhões + quasi 500 postos de trabalho reais,,,, e já não interessa

    dá para desconfiar.. se fosse a EDP!

    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=513977

    Presidente da Câmara de Moncorvo pouco entusiasmado com potencial investimento de mil milhões de euros no concelho


  3. Fernando Rebelo, professor catedrático de Geografia Física na Universidade de Coimbra, disse, em entrevista ao Jornal de Leiria:

    “O Douro é o segundo rio da Europa em termos de cheias e do transporte de carga sólida. O problema é que, só em Portugal, o Douro tem dez grandes barragens, a acrescentar às mais de 100 que os espanhóis construíram na sua bacia. Com as suas cheias, o Douro trazia uma imensa carga de inertes, que depositava no litoral. A corrente pegava nessas areias e distribuía-as ao longo das praias. Esses inertes já não chegam ao litoral e, qualquer dia, as barragens não funcionam, porque têm tanta areia no fundo que não conseguirão reter muita água.”

    Para mais detalhes ver (mais para o final entrevista):

    http://www.jornaldeleiria.pt/portal/index.php?id=6849

Trackbacks


  1. […] que esta personagem fosca da democracia transmontana vai, já nos próximos dias, manifestar-se totalmente CONTRA a barragem… pífia […]

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