Curioso… no Expresso

Eis aquilo que alguns têm andado a dizer há anos e que agora encontra eco, desta vez pela pena de Fernando Madrinha. Hoje mesmo, na sua coluna no Expresso.

O caduco traste “República” – ou melhor, a baderna em que se vegeta – que se cuide.

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Nos momentos críticos e de insatisfação geral aparece logo um monárquico a tecer elogios às virtudes da Monarquia! Parece-me – descontando o factor sectário – que não conseguem perceber que em qualquer sistema há bons e maus representantes. Louvo, sem a mínima reserva, a atitude de D. Carlos, como condeno veementemente os representantes da República que se aproveitam dos seus cargos para obter privilégios e que põem os seus interesses pessoais acima dos interesses da Nação. É uma questão de carácter e de honestidade pessoal, não uma questão ideológica. Parece-me muito mais próprio – e Democrático! – ser-mos nós a escolher quem queremos para dirigir os destinos do país do que estar-mos reféns de uma patética tradição de direito divino, em que corremos o risco que termos como herdeiro e líder um qualquer mentecapto com que a Natureza nos queira brindar. E a nossa História inclui alguns exemplos, como um “rex innutilis” ou um rei tão mal preparado e tão infantil que nos conduziu à perda da independência. Os exemplos são muitos, mas seria fastidioso traçar aqui a história da nossa frustração.


  2. Simpatizo com a monarquia porque sim.
    As monarquias modernas não têm nada a ver com essas histórias tristes dos passados monárquicos. Duvido muito que hoje em dia, se o herdeiro do trono fosse incapaz, não houvesse meios que o impedissem de governar. Acho que o Rei está mais próximo do país real do que o PR, tomando como exemplo o Rei da Noruega que chorou com o povo o massacre que lá houve, em vez do discurso de circunstância que qualquer PR faria.

  3. Nuno Castelo-Branco says:

    Caro Magriço, não se trata de um desabafo num momento de insatisfação, como se de uma catarse se tratasse. Esse é o equívoco, até porque além da simpatia pela Monarquia “porque sim” – como diz o leitor DNC -, existem pontos muito sólidos que nos conduzem directamente à racionalidade. Se aceitarmos os sistemas constitucionais representativos como os (apesar de tudo e de todos) os mais credíveis e justos, reparará que em todas, repito, todas as Monarquias europeias, as tarefas impostas pela separação de poderes, encontram-se bem sintonizadas. Mais ainda, o aparelho constitucional e de funcionamento do Estado é muito mais simples. Quer um exemplo? Na Dinamarca não existe qualquer uma das supérfluas instituições a que por cá damos o nome de Supremos, Tribunal Constitucional, Procurador Geral da dita cuja, etc, etc. Monarquias há que nem sequer precisam de uma Constituição escrita, pois todas as leias são a própria Constituição.
    No que respeita à escolha do dirigente presidencial, deixe-me que lhe diga que o Magriço jamais escolheu fosse quem fosse e aliás, ninguém, absolutamente ninguém fora da máquina partidária e dos interesses (grandes) económicos, teve, tem ou terá qualquer possibilidade de ascender à Presidência. Cavaco Silva é o exemplo perfeito, eleito por 25% dos eleitores. Por outro lado, o implícito “poder imperial” dos presidentes executivos, é uma clara reminiscência do bonapartismo de outros tempos e parece-me sumamente estúpido, abusivo – para não dizer imbecil -, concentrarem-se tantos e tão diversos poderes numa só pessoa. Em países como os EUA, França, China e Rússia, o Presidente tem mesmo o teórico e também prático poder de destruição global. Imagina sequer por um momento a hipótese da Rainha da Grã-Bretanha reunir o governo e decidir proceder a um ataque nuclear? Impossível, a Monarquia está bem blindada quanto a esse tipo de riscos. Aí está então, a eterna discussão acerca da melhor forma de exercício da representatividade que apesar do que temos tido, deve ser confiada ao Parlamento e a um sistema constitucional que preveja as regulares eleições, mas também o desejável recurso à democracia directa em termos gerais, ou noutros casos, num âmbito mais restrito, regional. Isto tem-nos faltado de sobremaneira e consiste num aspecto que deve ser ligado à total falta de ligação entre eleitores e eleitos. Nos tempos de D. Carlos, o monarca “achava” que devíamos adoptar um sistema eleitoral idêntico ao britânico e isso implicava a eleição através de círculos uninominais. Inteligente e sério como era – isso não está em discussão, como o Magriço muito bem aponta -, o Rei sabia que o constitucionalismo estava a ser fatalmente minado pelo enorme afastamento que já se verificava entre a população que ia a sufrágio – substancialmente mais numerosa que durante toda a República – e os eleitos. João Franco pensou avançar nesse sentido, tendo a consciência de isso apenas ser possível pela remodelação do quadro partidário que tal como hoje – Progressista/Regenerador, ou PS/PSD -, não era nítido. Isto leva-nos à aproximação do palácio das Necessidades – o Paço de então – ao Parido Socialista de Azedo Gneco, o autêntico e original que pouco ou nada tem em comum com aquele outro que bem conhecemos e foi fundado sob o beneplácito da Fundação Ebert (1973). Esta aproximação foi fatal ao PS de então, esmagado por todo o tipo de propaganda caluniosa e intimidatória que a “malta” de serviço do PRP e dos Democráticos -a facção hegemónica – não cessou de espalhar, levando até à coacção física. nada que não se saiba e que devia ser o suficiente para o Dr. Mário Soares repensar na sua posição acerca do centenário. A verdade que a muitos custa a aceitar, consiste no facto de para todos os efeitos, Portugal ter sido privado de um Parlamento durante perto de 66 anos, esbanjando a conturbada mas profícua experiência de outras tantas décadas.
    Como o actual Duque de Bragança diz, o princípio republicano é teoricamente mais justo. É. No entanto, não existe qualquer correspondência entre a teoria das ideias vagas e colocadas no altar das coisas sacrossantas, com aquela realidade comezinha do dia a dia. Aqui, a Monarquia sai claramente vencedora, até porque representa antes do mais, uma essencial âncora que mantém povos diversos ligados ao seu passado no que este tem de melhor e os faz conscientes do seu ethos. Por outro lado, raríssimos são os casos – mesmo nos Estados plurinacionais – em que o normal funcionamento das legislaturas seja perturbado por convulsões. Veja o caso espanhol, por exemplo: país com Autonomias – algumas das quais bastante discutíveis sob o ponto de vista racional e histórico -, os governos têm sempre como certo o pleno cumprimento do tempo que as eleições gerais lhe confere. Não existe qualquer sombra de sampaísmo ou cavaquismo latente e que procure beneficiar os colegas de clube. Impossível!
    Sinceramente, como português que quer ser enterrado como tal – soa a coisa bacoca, mas suspeito que mais de 90% dos nossos concidadãos pensa da mesma forma -, sentir-me-ia muito mais seguro se hoje o parlamento optasse por uma Monarquia Constitucional, até como forma de garantia da preservação do nosso escandalosamente vasto património histórico-cultural. Pois é isto mesmo que devia estar em discussão. A Alemanha imperial tinha os seus reinos, ducados e principados, além das chamadas Cidades Livres, com as suas especificidades e sem que por isso, fosse beliscada a necessária unidade que conformava o todo. Muito fica para dizer, mas não o quero maçar.

    * Fez bem em comentar este caso da cessão dos 20% da dotação da casa real em 1892. Há ainda que sublinhar o facto de naquela data, o palácio receber exactamente a mesma soma que as Cortes lhe tinham atribuído em 1826! Isto, apesar das desvalorizações, carestia, cessões voluntárias – eram rotineiras -, hipoteca dos bens pessoais do monarca, etc, etc. Equivaleria hoje em dia, ao palácio de Belém receber a dotação dos tempo do início do mandato do General carmona. Imagine…

    • MAGRIÇO says:

      Caro Nuno Castelo Branco, admira-me que tenha começado por apoiar a tese de que se gosta da Monarquia “porque sim” e logo a seguir tenha optado pela “racionalidade” de argumentos que, embora revelando alguma erudição sobre o tema, não deixam de reflectir uma certa dose de fundamentalismo nem de conter algumas falácias. “Gostar porque sim” revela, desde logo, algum simplismo – aliás, em contradição com o resto da sua argumentação – que nos leva a estabelecer um paralelismo com as religiões, em que os seus seguidores acreditam numa abstracção que não é passível de demonstração. Já se interrogou porque é que aqueles países que aponta como exemplo de casos de sucesso da Monarquia nunca sentiram a necessidade de optar por um sistema diferente? Tenho a certeza que sim, mas vou recordar-lhe: é que esses países não passaram por 285 anos de páginas negras e vergonhosas da sua História, que vitimou milhares de pessoas horrivelmente imolados pelo fogo, não sofreram um odioso e humilhante ultimato, não estiveram perto de perder a sua independência e identidade por venalidade de governantes fracos que não hesitaram em nomear um estrangeiro como seu delegado, e nem os seus soberanos os mandaram comer brioche em substituição do pão, como em França. Chega-se assim à inevitável conclusão de que o mal não é dos regimes mas das pessoas que o representam. Como é que as coisas poderiam ser melhores se tivéssemos um regime Monárquico, se os políticos são os mesmos? Importaríamos políticos? E, caro Nuno, se a Inglaterra quisesse utilizar a bomba atómica, acha que a rainha teria algum voto na matéria? Teria tanta influência como teve, até 1947, no genocídio do povo indiano ou na declaração de guerra à Argentina em 1982, por uma questão de soberania das Malvinas. Essa sua teoria da “blindagem” é deveras interessante! Como é que funciona? Não deixa de ser curioso como uma monarquia, na sua opinião, exemplar, ainda hoje tem resquícios imperialistas – Malvinas, Gibraltar – e uma rainha que é, só, uma das mulheres mais ricas do mundo. Condeno veementemente as mordomias dos nossos presidentes, mas nunca constou que algum ostentasse um “título” semelhante. E acho que já têm demais! Mas sabe onde reside a nossa maior discordância? É que eu não acho a República perfeita, muito longe disso, enquanto o Nuno só vê virtudes na Monarquia. Está no seu direito, o que não significa que esteja certo
      Cumprimentos.

  4. A. MOREIRA says:

    com estes politicos ainda vamos ver a vender o castelo e casa dos duques a madona

  5. Nuno Castelo-Branco says:

    Caro magriço, o “porque sim” referia-se ao comentário do leitor DNO, aliás muito na linha daquilo que Miguel Estaves Cardoso costuma dizer.
    1. No que respeita ao odioso período de fogo, como lhe chama, convém recordar as atrocidades cometidas no norte protestante, onde os católicos – e eu sou agnóstico – faziam a vez dos hereges. Na Holanda foi terrível e na própria Inglaterra, a dicotomia originou duas guerras civis.
    2. As páginas negras da nossa história, referem-se sem dúvida às vicissitudes de um país que sempre foi pequeno. De facto, há apenas duzentos anos éramos pouco mais de 2 milhões, embora a extensão imperial pareça fazer esquecer esse número. Imagine as dificuldades que os governos sempre tiveram para manter a independência de que tanto nos orgulhamos. Não foi fácil, mas conseguiu-se, apesar das inevitáveis cedências. Mais ainda, manteve-se o núcleo duro imperial que daria origem aos PALOP: Decerto concordará comigo que o Ultimatum teria sido muito mais prenhe de consequências se e vez de D. Carlos no trono, estivesse Arriaga ou Bernardino em Belém. É que foi precisamente o PRP, um dos principais açuladores da louca campanha do Mapa Cor de Rosa, completamente irrealista, desfasada da nossa política de aliança com a principal potência marítima. Naquela época, o mediatismo já era o prato forte da política e o PRP pretendia encurralar o governo de qualquer forma. O ministro Barros Gomes sonhou obter o apoio da Alemanha e da França – conhecidas arqui inimigas e rivais -, contrariando a pretensão britânica do cabo ao Cairo. O resultado esteve à vista e o Rei sabia-o melhor que ninguém, sempre chamando a atenção dos seus presidentes do Conselho para aquele essencial aspecto da política portuguesa …”podemos estar de mal com o mundo inteiro, menos com o Brasil e a Inglaterra”. sensato, até porque a premissa mantém-se, acrescentando-se apenas a “nova” Inglaterra (os EUA) e os novos Brasis (CPLP). É a linha fundamental que tem garantido a nossa existência como estado.
    3. A fábula do brioche por pão, é simples propaganda, tão “autêntica” como a da “piolheira” de D. Carlos. Bem pelo contrário, quem tratou este país como piolheira, foi precisamente a gente da 1ª República, tornando-o numa exclusiva coutada e procedendo a uma assumida política de exclusão da maioria. essa é a verdade.
    4. A blindagem do sistema monárquico a certas veleidades militares. Claro que existe, o Chefe do Estado não pode de forma alguma decidir isoladamente e no caso britânico, a situação é deveras complexa, envolvendo o governo e as forças armadas. A Rainha assina, claro. Cumpre o papel constitucional (mesmo que informal seja). Quanto a Isabel II ser um das mulheres mais ricas do mundo, aí não vejo um grande problema, pois à frente dela estão muitas dezenas de personalidades que nem sequer ocupam qualquer lugar de decisão em qualquer Estado. Árabes, malaios, chineses, mexicanos, norte-americanos, russos, etc, remetem-na até para uma certa obscuridade milionária.
    5. Resquícios imperialistas? Talvez, tal como a Madeira e os Açores, por exemplo. Aliás, Gibraltar já se manifestou pela total recusa em deixar o R. U. e o magriço sabe tão bem quanto eu que o mesmo ocorreria nas “Malvinas”. Um referendo – que os argentinos não querem – seria fulminante. Ou a vontade dos povos para nada serve? O argumento da proximidade territorial é no mínimo, inusitado.
    6. No outro comentário, não digo uma única vez apenas ver virtudes na Monarquia, nada disso O que me parece é que em comparação, é muito mais vantajosa que isto a que chamam de República, mesmo que ao excluirmos a caricatura portuguesa, recorramos ao arquétipo aceite, a francesa e a americana, por si tão diferentes uma da outra. Compreendo muito bem a razão pela qual esses países evoluídos que menciona, não desejem mudar o sistema, ou melhor, a forma de representação do Estado. Essa mudança é tão “necessária” como aquela que se apresentava no Portugal de 1870-1910: não existia. Foi um erro crasso, um atraso.