A provocação

Nos finais do dia da Greve Geral houve uns incidentes em S. Bento. Nada do outro mundo: manifestação, escaramuças com a polícia, um pouco de sangue e emoção para a abertura dos telejornais. Mas com uma novidade nacional: nesta fotografia vemos dois manifestantes a furar o cordão policial, não vemos?

Não, não vemos. A PSP infiltrou agentes entre os manifestantes, o que parecendo que não dá jeito quando não acontece nada e fazem falta incidentes que ofusquem uma greve geral.

Não vou ter a ingenuidade de atribuir toda a confusão a estes senhores (sei o que é uma manif e como nos tempos que correm são inflamáveis). Mas alguém tinha de acender o fósforo.

Desde Setembro que Passos Coelho iniciou a estratégia do governo: pedir motins, numa lógica simples: sabendo que a austeridade vai lançar um milhão no desemprego, reduzir salários aumentar a miséria sujeita à caridade pública e aumentar o horário de trabalho, a repressão é o único meio de o conseguir. Venham motins e depressa, quanto mais cedo mais fácil serão de reprimir, e muito menos pessoas aparecerão nas manifes. Não estamos a brincar, os devotos de Friedman sabem muito bem não ter outro caminho (e que saudades do Chile de Pinochet).

Ora para isso duas coisas são fundamentais: dividir (nada de misturas entre indignados e sindicalistas, como avisou sabiamente Pacheco Pereira) e lançar o ónus da violência para o outro lado, os maus da fita que abram os telejornais, a polícia defendendo a lei e a ordem, como se a mentira fosse a base da democracia.

As provas em forma fotográfica de algo que não sucedia em Portugal desde a extinção da Pide ficam aqui, via 5 Dias, onde o serviço caça-polícias tem recolhido preciosas contra-informações. É que desta vez não vai chegar o bombardeamento mediático, os meses que levamos com a inevitabilidade da austeridadezinha porque gastaram muito, seus malandros. Quem vai à guerra dá e leva, até que nos apaguem a net.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Alguns já estão identificados. Curiosa a informação de que foram buscar especialistas da PSP em claques de futebol. Era o melhor que havia para os treinos, e é assim que os regimes se defendem do seu próprio povo.

[vodpod id=Video.15756398&w=425&h=350&fv=image%3Dhttp%3A%2F%2Fimg0.rtp.pt%2Ficm%2Fnoticias%2Fimages%2F54%2F548c9ae6cc67ef33244adaa5deca931d_N.jpg%26amp%3Bstreamer%3Drtmp%3A%2F%2Fvideo2.rtp.pt%2Fflv%2FRTPFiles%26amp%3Bfile%3D%2Fnas2.share%2Finformacao%2F2011%2Fwmaimotins25wwtp_WWW_92293.mp4]

Hoje, depois de o ministro ter ido serenamente à televisão desmentir o indesmentível, já trataram de acabar com a acampada à porta de S. Bento: vão acampar para a praça Tahir, seus nojentos, vagabundos. Agora é a doer.

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Para proteger o coiro político há polícia de sobra; para descobrir criminosos e proteger a vida e os bens do cidadão comum os efectivos são poucos. Não será porventura inocente o facto de ser muito mais seguro enfrentar perigosos manifestantes fortemente armados de cartazes do que marginais com simples armas de fogo sofisticadas. Outro pormenor que ilustra bem a bravura e a coragem das forças policiais é quando, em caso de confronto físico, um civil tem o azar de cair: os agentes caem sobre ele como borboletas atraídas pela luz. Que valentes!


    • Se calhar esta será uma das razões que repetidamente acumuladas, levam tanto polícia ao limite que é o suicídio – interessante foi uma mianifestação silenciosa da Polícia de França em espaço onde fosse vista pelo presidente e ainda a grande reportagem de polícia que nem quiz dar a cara para não sofrer mais represálias, sobre o que se passa em frança onde os polícias entraram de tal modo em rotura que são “um caso de grande gravidadede “do seu bem estar psíquico”, que já têm assistência clínica que afecta até toda a família e bem estar familiar que leva a dovórcio e outras situações gravesd socio-culturais e económicas do agregado familiar – vi grande reportagem na TV – em programa à hora em que estão acordados o padeiro e seguranças – e o tema é tabu dos mass media – da degradação da natureza em geral pasdsou-se ao ataque ao ser humano até à sua aniquilação como ser humano e cidadão que já não tem os direitos mais básicos – o de ser pessoa – é um tempo SINISTRO imparável de escravização psiquica e moral global

  2. mmcastro says:

    Expor estes agentes provocadores, como antes do 25 se tentava fazer com os pides e os bufos.,
    se não fizer-mos nada.
    serão os futuros pides.

  3. mloliveira says:

    A verdade é que a realidade é outra bem diferente, não vale a pena estarmos com paninhos quentes, não estamos a criticar nenhuma classe socio-profissional independente ou que não saibamos perfeitamente ao serviço de quem está. A destreza demonstrada nas imagens ou nas amontoados nas entradas dos hipermercados, com montes de “agentes” todos arregaçados, cheios de equipamento bélico á cintura, de pernas abertas, deveria era ser demonstrado onde é preciso para prevenir a criminalidade e proteger as populações e os bens da sociedade, em vez de estarem metidos dentro das esquadras, entrarem e saírem á civil para que ninguém os conheçam, e quando a população os chama poerque precisa de ajuda, por exemplo a 5 minutos da esquadra da Bela Vista em Setúbal, aparecerem 20 minutos depois.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.