Nem com duas guerras mundiais lá vão!

De uma maneira geral, quando comentamos a actualidade, temos tendência para esquecer que essa mesma actualidade, num aparente paradoxo, não começa hoje. A História, por muito que não se repita, devia ser ouvida e lida, para que pudéssemos entender o presente e prever o futuro.

Em História, um conjunto de cem anos é um fogacho e, muitas vezes, as consequências de actos praticados há menos tempo do que isso ainda se fazem sentir.

A União Europeia, uma ideia generosa, não é, com certeza, união e nem sequer é europeia, de tal modo se deixou dominar por interesses vindos de ocidente e de oriente, ao mesmo tempo que França e Alemanha punham e dispunham do resto da Europa. Se é certo que os países periféricos, como Portugal, que se juntaram à UE desperdiçaram demasiados recursos graças a uma corrupção endémica, não é menos certo que muitas imposições do directório franco-alemão contribuíram para a destruição do tecido produtivo desses países, criando fragilidades que se acentuaram com o Euro.

Ninguém, no seu juízo perfeito e civilizado, defenderia, por exemplo, que a Alemanha devesse expiar eternamente os muitos pecados cometidos na Segunda Grande Guerra ou que não fez sentido ajudar um país duramente bombardeado. Afinal, a Europa tem passado o século XX a apregoar os valores da solidariedade.

A boa vontade e, sobretudo, a inércia provocada pela passagem benfazeja dos anos levaram muitos europeus a querer esquecer os tempos em que a Alemanha assumiu, brutalmente, a sua tendência hegemónica. As recentes declarações de políticos alemães que exigem a perda de soberania de outros países tornam muito difícil esquecer a História. E ainda não passaram cem anos desde a última vez que a Alemanha invadiu vários países estrangeiros.

Comments

  1. Ricardo Santos Pinto says:

    Aliás, nem 70 anos passaram. Devia ser a função da História, ler o passado para não repetir erros no futuro. Mas esta gente não aprende nem quer aprender.


  2. Felicitações pelo artigo

    mario carvalho

  3. MAGRIÇO says:

    Porque é importante aprender com a História e não esquecer os seus exemplos, é bom avivar memórias…


  4. A CEE nasceu com um claro objectivo político: assegurar a paz. Para servir este objectivo, estabeleceu objectivos económicos; e para servir estes, objectivos financeiros.

    O problema é que esta ordem de prioridades se inverteu. E a ignorância histórica é tanta que a maior parte dos políticos europeus nem sequer se dão conta que os objectivos financeiros a que estão a dar prioridade são os mesmos que levaram à segunda grande guerra.

  5. marai celeste ramos says:

    Pelos vistos o passado nunca serve para nada por isso de vez em quando o futuro não se vê mesmo nem para o ser de maior capacidade dee previsão do andamento dos fenómenos

  6. José Galhoz says:

    A História pode não se repetir exactamente nos factos mas pode repetir-se nos efeitos. A Grande Depressão dos anos 20 do século passado teve como causa a especulação financeira desenfreada e, enquanto as teorias keynesianas não foram aplicadas, a economia só piorou, com consequências trágicas. Analisando bem a situação actual, será que não encontramos paralelismos, mesmo que Hitler e Mussolini não ressuscitem?

  7. ainda penso says:

    O que está acontecer é uma invasão pura e dura à Europa, da Alemanha com o apoio da França. Nem mais nem menos, as armas é que são diferentes, agora são a finança porque nem é a economia, que a economia é uma ciência social que analisa os efeitos económicos com base nas necessidades sociais. Mas já é visível há pelo menos uns 5 ou 6 anos, perdoem-me os “cegos” mas só não vê quem não quer ou deixou a inteligência perdida algures na viagem da “cegonha”. Sim, porque esses também devem acreditar na cegonha e no pai natal, não vejo outro motivo para tanta crendice.


  8. Interessante analise e factual.

    Sendo que “ao tempo” a História repete-se, e basta desfolhar estes ultimos 2000 anos para vermos repetições, evidentemente não lineares, por os tempos serem outros, mas repete-se.

    Pena que não aprendamos…não nos dá jeito…a ver se não acontece…mas acontece…..

    E sem duvida que os paises perifericos europeus,e não só!!!! /Belgica/ gastaram (gastámos) mais do que tinhamos, mas a todos foi dando jeito…quem emprestava, quem esbanjava, quem lucrava…..

    E hoje estamos como estamos….e a Alemanha, aproveita-se, da sua posição!!!!!

    Veremos os tempos muito proximos…..PODEM SER MUITO, MUITO DIFICEIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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