O orçamento de 2013 para Portugal, o povo e os militares

Longe de mim alarmar as pessoas, especialmente aos meus concidadãos. Mas, mal vi esta notícia, lembrei-me do Chile. Os militares estavam descontentes com a legislatura de Allende que governava em nome do povo.

É evidente que a situação é diferente, bem sabemos, mas quando os bolsos das pessoas são tocados, acaba todo por ser um sinistro de grandes proporções. Os soldados de Portugal sempre defenderam o povo e a sua soberania, causaram o 25 de Abril de 1974 que salvou ao país da escravatura do governo da ditadura de longo curso Salazar-Caetano.

Entendo bem que quem fala é o sindicato, direito adquirido desde que foi aprovada a lei que permitia essa estrutura de protesto dentro das forças armadas de Portugal. No exército, apenas soldados e sargentos, para a polícia de segurança pública, todos. Quer Exército que Forças de Segurança estão duplamente alarmados: primeiro, as suas vidas e a das suas famílias; a seguir ou em segundo lugar, a segurança do povo que eles sempre defenderam. O orçamento de Estado para 2013, faz dizer estas frases aos membros da Segurança Pública: “Nós queremos o que é nosso por direito”, “A saúde é um direito, sem ela nada feito”, “GNR motivada, segurança reforçada” e “Horário sim, escravatura não”.

Pode-se apreciar na imagem retirada de vários jornais que a reproduzem, que marcham como povo. Eles, os mandados a manter a ordem pública. Mas que ordem pública pode existir num Estado em que o Direito e ditado pela União Europeia e a sua Direção, O Banco Europeu e o Fundo Monetário Internacional? Com a desculpa de que governos anteriores têm pedido dinheiro para construis estradas e outras extravagâncias e não para o investimento em indústrias e fábricas, o governo que pretende governar o país desconhece as necessidades do povo português e o faz pagar a dívida contraída por eles para encher o tesouro do Estado.

No Chile do Allende, aconteceu exatamente igual. A Central de Inteligência dos Estados Unidos, fez um cerco alimentar ao povo que apoiava o Presidente da Salvação Nacional, até o conduzir à seu suicídio para evitar uma guerra civil. Se este governo quer evitar esse derramamento de sangue, deia de imediato recuar, como tem feito em várias ocasiões, especialmente nos agravados impostos. Aliás, sem ser consultados os Generais em Chefe das Forças Armadas, foram retirados das fileiras das quatro forças um número importante de soldados que ficaram a engrossar o exército dos desempregados, recortaram salários e subsídios, até o ponto de dar á impressão de que um governo civil manda nas Forças Armadas. È natural saber que o Presidente da República é quem dita o que faz o exército, mas na Europa o Presidente preside mas não legisla. E os que legislam, não têm a virtude de mandar nas FFAA, apenas representar os seus anseios e estratégias para legislar em bem do Exército. O Ministro da Defessa, é um, deputado apenas dentro do parlamento para representara voz das FFAA, que não têm direito a opinar. Esse seu papel acabou em trair os seus soberanos com os cortes de orçamento, de pessoas e de elementos para defender o país em caso de agressão. Os militares orgulham-se do seu papel, especialmente por ser os defensores da República, o que este governa ignora e obedece os mandatos da denominada Troica. Razão tinham os quatro Generais em chefe o dia em que foram falar como o seu mandatário, o PR e disseram: nos também temos famílias e filhos sem futuro neste país. Vários filhos de membros das Forças Armadas não têm trabalho em Portugal e devem emigrar entre esses cem mil que já saíram

O Governo joga com fogo e está muito queimado. Deve retirar-se por danificar também aos que têm a força das armas nas suas mãos e simpatias por um povo que não apenas se orgulham em defender, bem como se sentem parte desse povo. Sem eles, não teríamos democracia, sendo um general quem, em Novembro de 1975, salvou a pátria do desastre de debates ideológicos e não económicos, como acontece hoje em dia.

Atenção, governo; deixe o povo em paz ou, como Caetano, será emprazado para abandonar o poder e um novo 25 de Abril virá a acontecer, como opinam os antigos mandatários do país. Demita-se já e não tente pagar dívidas desnecessárias entre as fileiras de neoliberais aos que servem na Europa. A fileira das FFAA são mais forte e têm a sua ideologia bem contraria a do neoliberalismo.

Raul Iturra

25 de Outubro de 2012.

lautaro@netcabo.pt

Comments


  1. Escrevi isto há um ano e dois dias… E se escrevesse hoje, estava perfeitamente actual… Isto é sinal de quê?

  2. Fernando says:

    Acha o autor deste artigo que o 25/4 foi feito a pensar no povo?
    Se foi entao eu sou muito ingenuo, por ter acreditado que o 25/4 “nasceu” de um descontentamento militar que depois se estendeu ao povo.
    Em Portugal ainda ha uma tendencia para se conduzir fora de mao, ou meter o lixo debaixo do tapete para dizer que somos asseados.

  3. maria celeste d'oliveira ramos says:

    seja o que for que tenha sido e por quem o facto é que depois de 25 abril todos mudaram porque tudo mudou e sobretudo há consciência global para o melhor e para o pior o que nos torena mais intervenientes e mais responsáveis, cada um por si e pelo que acha ser


  4. O 25 de Abril não foi feito contra a povo e os militares que o desencadearam procuraram melhorar as condições de vida no interior rural, como, por exemplo, a abertura de estradas quebrando o isolamento das populações e realizando campamhas de dinamização cultural para erradicar o obscurantismo, acções estas que foram hostilizadas pela direita e o clero.

  5. John Silva says:

    «O 25 de Abril salvou o país da escravatura(…)», o Sr.Iturra aqui estava já febril e em modo delirante.
    Pergunto-me qual país?! Não foi seguramente Portugal..
    Esta apologia dos militares é-me incompreensível, estes, e limito-me ao séc.XX, são em Portugal, o paradigma da cobardia e da derrota.
    Se há instituição sobredimensionada em Portugal, são as F.A., que hoje em dia de pouco servem.
    Aliás, a principal actividade nos quartéis militares em Portugal é a sesta e não me parece que esta deva ser remunerada.

    • Maquiavel says:

      Näo é o Raul que está febril, é você que é cego… ou completamente estúpido!

      • John Silva says:

        Não sendo estúpido tenho realmente problemas de visão. Por exemplo custa-me ver como o nome «Maquiavel» é por si vilipendiado, sugiro-lhe, mais de acordo com as suas inclinações, o nick «Borrego» parece-me este mais de acordo com os seus balidos e acuidade verbal.
        E, por pedagogia, solicitar-lhe-ia que, se pudesse, tentasse discordar construtivamente e sem o imediato recurso ao burlesco e ao insulto.

  6. Raul Iturra says:

    Agradeço a vossa paciência de ler os meus textos e comenta-los, analíticos da política de um país a que pertenço. A minha experiência com as FFAA do Chile, nesses dois anos em que visitei o Chile de Allende e ganhei um campo de concentração por ser socialista, Presidente de um Partido que apoiava Allende e as torturas, que ainda me perseguem, fazem-me sempre tremer quando as FFAA se pronunciam. Hoje em dia, com justa razão. Não têm futuro, nem eles nem os seus descendentes. Aliás, desfilam de civil e como sindicato, absolutamente diferente aos militares chilenos que mataram milhares de pessoas e tomaram o poder até a intervenção de Wojtila o João Paulo II que ensinou os democratas como derrubar um governo ilegítimo sem matar ninguém: marchando todos os dias até o ditador cair. Penso que o nosso caso é também ditatorial: pessoas que se auto denominam cristãs, fazem pagar ao povo ultrajes criados pela maioria parlamentar. Sem as FFAA não teríamos um país democrata e livre como temos. O ministro da defesa é apenas um deputado das FFAA que não se pronunciam, devendo ele guardar os seus direitos, o que não faz. Os militares marcham com razão! Não estou febril. Era a escravatura do Estado Novo que parece que vários têm esquecido, em que, como me tem confidenciado um novo amigo que me apareceu nos debates, nem o Código do Trabalho era respeitado, ainda menos a Constituição!

  7. John Silva says:

    Sr.Iturbe tenho o máximo respeito pelo seu combate e suas convicções. Mas saiba que a «democracia» e os «democratas» também têm os seus escravos.
    A escravatura do Estado Novo não só vários não esquecem, como muitos por ela nunca deixaram de suspirar.
    «Sem as FA não teríamos um país democrata e livre como temos», experimente dizer isto aos combatentes guineenses e seus descendentes que se bateram e morreram pela «escravatura do Estado Novo» e foram por estas mesmas F.A. abandonados à sua sorte/morte.
    Ser «democrata e livre» não pode valer mais que a vida de um ser humano.
    Relativamente ao Código do Trabalho não ser respeitado, conheço gente que durante a «escravatura do Estado Novo» alega ter trabalhado sempre sem contrato de trabalho e nunca lhes ter falhado ou atrasado ordenado e respectivos benefícios.
    Eu AFIRMO que durante a «Democracia» já trabalhei um mês e fiquei sem receber e que VEJO gente apanhar comida do lixo, e face a estas circunstâncias não me parece que se possa continuar a brincar aos soldadinhos de chumbo.

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