Coisas fresquinhas da refundação do estado grego

Tem a versão oficial no Público‎. Experimente outra.

O deputado Nikolaos Chountis, do Syriza, enviou aos deputados europeus do GUE/NGL esta mensagem:

Muito brevemente gostaria de informá-los da situação atual da Grécia, principalmente no que diz respeito à conduta antidemocrática da coligação governamental.

Hoje é levado à votação no plenário, como um artigo único, todo o “pacote” acordado entre o governo grego e a troika com as novas medidas (cortes orçamentais e sociais, venda de serviços públicos, incluindo a energia, a água e o território, prioridade ao repagamento da dívida a todo o custo, etc).

Este “artigo único”, de quase 300 páginas muito técnicas, foi entregue aos deputados anteontem e, através de um procedimento “acelerado” foi discutido e votado ontem no comité económico e hoje é levado ao plenário. Obviamente, este procedimento viola qualquer noção democrática de estudo e conhecimento do que realmente os deputados estão a votar. Contudo, a coligação governamental afirma que se o “artigo único” não for votado com urgência, o Estado grego será conduzido imediatamente a uma bancarrota descontrolada.

Mas, neste artigo único estão também incluídas duas emendas (que dizem respeito a direitos às pensões de jornalistas e engenheiros) que foram rejeitadas pela votação em plenário na semana passada. Apesar do facto de deputados dos partidos do governo terem também votado contra as emendas há apenas cinco dias, estas duas emendas serão gora aprovadas porque estão incluídas no artigo único.

Hoje a oposição objetou que havia uma violação da Constituição Nacional em vários pontos do artigo único. De acordo com o regimento, os deputados presentes no plenário votaram de braço no ar, e a objeção foi aceite. Mas o presidente do Parlamento (deputado do partido governamental Nova Democracia) pôs em dúvida o resultado e decidiu fazer uma votação nominal, um pedido que foi aceite pela oposição. Mas, como era claro que a presença de deputados do governo no plenário não era suficiente, o presidente interrompeu os trabalhos por 30 minutos antes de realizar a votação em curso. O intervalo, feito contra a vontade da oposição e contra o regimento, durou mais de 30 minutos e teve o objetivo de que voltassem ao plenário todos os deputados ausentes para, evidentemente, votar contra que esses específicos pontos do artigo único fossem declarados inconstitucionais.

A votação começou há pouco. O plenário está agora cheio de deputados que antes não estavam presentes.

É óbvio que este governo de coligação há muito tempo perdeu qualquer sentido de obrigação de seguir a vontade e os interesses do povo mas, nos últimos dias, rompeu os últimos limites de aparência de seguir as regras democráticas básicas. Isto é tão mais importante quanto devemos levar em consideração a natureza das medidas que estão a adotar, medidas que não só vão agravar a austeridade e a recessão, como vão permitir a entrega de todos os serviços públicos, todas as instituições de bem comum, a água e os recursos do Estado, retirando quaisquer direitos sociais, laborais ou ambientais.

O povo da Grécia tem feito greve e manifestação desde ontem, continuando hoje com várias ações, incluindo um apelo ao cerco do edifício do Parlamento às 17h.

A situação é muito crítica e, como o conhecimento da situação é importante para obter solidariedade, tomei a liberdade de informá-lo e pedir que informe os cidadãos do seu país e que atue em solidariedade.

Não podemos permitir-lhes que continuem a violar os nossos direitos! Temos de continuar a nossa luta juntos, em toda a Europa!

Com camaradagem,

Nikolaos Chountis

deputado do SYRIZA – GUE/NGL”

Comments

  1. Ainda penso says:

    As bandeiras das quatro cobaias/vitimas bem visíveis para não nos esquecermos do buraco sem fundo para onde nos estão a mandar a todos. Esta imagem diz tudo. Obrigada pela mensagem tbm. Está em curso uma “máquina destruidora” de pessoas. Transformarem estes países na mão de obra escrava da Europa é o sonho da Alemanha, desde o inicio do séc. XX. e a França e a Inglaterra estão a fazer o que na altura fizeram (olham para o lado (deles), claro) e depois deu-se as guerras e emergiram os regimes ditatoriais. Onde é que nós já vimos isso?

    • Nightwish says:

      Nem pense nisso, nós somos o laboratório de ideias que depois serão aplicadas também nesses países, que também necessitarão de um ‘reajustamento’.
      Ninguém reparou, mas é um retrocesso civilicional à escala mundial.

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    E ainda há quem diga que “não somos gregos” até na DESGRAÇA ?? ai ai – Ai democracia a raíz da palavra “demo” não é também ela grega ?? creio que sim – quer dizer povo não é ?’ já me esqueci do pouco grego que aprendi há tantos anos na disciplina de Português e ainda quem que eu escreba BRASILÊS – será que “eles” se vêem gregos por nós termos parte do genoma individual e colectivo “grego” – pois – pois que cada país tem, também, um genoma nacional e, segundo consta, creio que já disse, uma investigadora em engª genética encontrou por aque alguns genes do homem original – e esta hein ?’ como diria Fernando Pessa


  3. É imperioso ler e assinar!

    http://carachancelermerkel.blogspot.pt/

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