Que partidos?

A crise que temos vindo a sentir na pele tem servido para quase tudo – ainda vamos ouvir que os dinossauros e o meteorito e tal…

Uma das coisas que está mais clara para mim foi escrita por José Adelino Maltez no seu facebook  e refere-se à dificuldade sentida pelos partidos “não-centrais” em conseguir capitalizar a alternativa à desgraça da troika. O CDS é sempre central quando cheira a taxo e por isso não conta – discordo de Adelino neste ponto.

No entanto, já estou mais tentado a concordar no caso do BE e do PCP  – parecem dois putos na noite de  S. João à procura do martelo de plástico do pai, isto é, andam completamente perdidos.

Se esticam a corda para capitalizar descontentamentos correm o risco de extremar posições e, com isso, afastam os eleitores mais moderados.

Se ficam calminhos no seu canto, deixam de fazer sentido porque não se distinguem dos partidos do centro.

A mudança, real, a acontecer só poderá vir de dentro do PS ou do PSD.

Estamos perdidos?

24 comentários em “Que partidos?”

      1. «o “aparelho”, o “cobrinha” que se adapta ao terreno.. taxo… taxo…»
        Bem se é isso… (rs), de facto a taxus baccata também é venenosa

      2. Mas é precisamente ao tacho como aparelho de cozinha que se refere a expressäo aplicada à política… porque lá väo todos comer!
        É um come-come, como se diz em Itália!

  1. Temos portanto em Portugal os partidos do tacho que nos cozinham em lume vivo e os partidos do taxo assim conhecidos pelas suas características coníferas.

  2. O PCP obviamente que não é solução para nada deste mundo. Enquanto andam a brincar às greves com os seus fantoches da CGTP a criticar os cortes na despesa do estado, a venda de património do estado, o aumento da cobrança de impostos ao povo por o estado estar falido, essa mesma gente anda a tentar fugir à falência do partido ao aplicar cortes na despesa do partido, a vender património do partido, a aumentar a cobraça de quotas e contribuições aos militantes.

    E nem se fala na natureza fascista e ditatorial dos comunistas.

    Hipócritas. Todos eles.

    A solução só passa pelo voto em partidos sem qualquer representação parlamentar. Só sai o sangue velho se entrar sangue novo.

    1. O PCP, como o BE, como todas as organizações têm uma linha que separa o país da sua própria existência, isto é, uma linha que distingue o que realmente o país precisa e a necessidade de manter viva a organização… Mas, será que podia ser de outro modo? Não…

      JP

  3. Realmente parece estar perdido, depois de 36 anos de experiência de governos da troika interna e da vergonhosa submissão à troka estrangeira ainda ter dúvidas …
    Quanto ao PCP, só por preconceito ou ignorância se pode omitir a sua importância na resistência e luta contra estas políticas e as pro0postas apresentadas para ultrapassar a crise e dar um novo rumo de prograsso a Portugal.

    1. Eu não estou assim tão certo e admito que seja por ignorância, mas do ponto de vista da visibilidade ou, se quiser, da eficácia, não vejo por onde o PCP apresente uma saída para a coisa. Dar terra ao povo? Vamos todos outra vez para a lavoura? Ou de pá e pica para as minas… Quer dizer….

      JP

      1. A lavoura é actividade menor?
        Quando estäo täo na moda as “hortas urbanas”…
        Os mineiros säo cidadäos de segunda?

        Sempre gostaria de saber se näo há graduados universitários em Agricultura ou MIneraçäo! E se os marketeiros pensassem mais em promover os produtos regionais portugueses em vez de panasquices tecnológicas da estranja veríamos se o valor acrescentado deles näo aumentaria para o dobro!
        Olhem para o que fazem os produtores espanhóis com o (refugo) que os espanhóis näo querem comprar: é tudo exportado com muito “salero” e o pessoal a-do-ra!
        E os italianos, que väo buscar o mármore a Estremoz, e depois o vendem como sendo de Carrara!

      2. Das várias medidas que o PCP apresentou e que começam pela renegociação da dívida (prazos, montantes e juros) com uma amortização, por exemplo, como a que a Alemanha teve. Relembro também a nacionalização da banca comercial e o reforço do mercado interno.
        Sem financiamento às empresas e melhoria do poder de compra, ou seja, sem a reanimação e crescimento da economia, exactamente o contrário das políticas de empobrecimento impostas, não é possível resolver a dívida e reduzir o défice.
        Aumentaram a nossa dependência do estrangeiro, destruindo e vendendo empresas e sectores estratégicos? Aumentaram os défices e as necessidades de financiamento externo.
        Só não percebe quem não quer…

  4. Pois, que partidos? As pessoas vão todas contentes (ou tristes) para as manifestações, mas a verdade é que os governos só mudam por meio das eleições. Fazerem-se manifestações como se têm feito, para depois em 2015 tirarem o Toika-os-Passos pelo Inseguro, então mais vale mesmo ficar em casa e poupar o dinheiro do gasóleo.
    Nem os partidos, nem os monarcas. É interessante analisar como essa gente anda completamente distraída. Nunca como agora em que o país perdeu completamente a sua soberania, que as pessoas estão generalizadamente revoltadas com os partidos, se abriu uma janela de oportunidade de questionar a república. Mas das duas uma, ou depois de 700 anos de monarquia, não existem monarcas em Portugal, ou então andam todos a dormir. Alguém com dois palmos de testa, com um discurso bem populista como o bom português gosta de comer, facilmente poria em causa os partidos numa eleição. Era capaz de ser divertido, e até parece que a monarquia espanhola consegue gastar bem menos dinheiro que o senhor Silva que nem salário recebe.

  5. Disse mudança REAL ? Mudança que realmente mude ? Foi isso que quis dizer ? Agora, justamente agora, é que ps/ppd vão mudar ?
    Acho que devia ter dito que este estado de coisas vai ser diferente porque a realidade o impõe (ppd) e porque a realidade eleitoral está perto (ps). Agora mudança REAL-REAL é ideia ilusória: não se esqueça que quem governa é alguém na europa, ela própria governada, se não PELOS grandes poderes financeiros, PARA eles.
    Acha que ps/ppd vai CONTRA os interesses deles ?
    (Em fundo uma enorme gargalhada).

  6. “A mudança, real, a acontecer só poderá vir de dentro do PS ou do PSD.”

    Dilema chato. Monótono, não é?

    Eu é mais: A mudança real tem de vir do pessoal.

    Custa, mas lá terá de ser.

    O Maltez, o politólogo?

    Fala, fala, fala e não diz nada. Ou não se percebe o que diz.

    Farta de politólogos!

    Neste caso, o Adelino Maltez esquece-se do ponto importante da questão que já referi – as pessoas também contam, apesar dos partidos. E se as pessoas acordarem por todo o lado, isto vai mudar, sem termos de escolher e esperar segundo o dilema apontado.

    (já me perdi, mas está bem. É do adiantado da hora..)

  7. Este é que é o ponto: “Eu é mais: A mudança real tem de vir do pessoal.”

    Subscrevo.

    Mas e depois, como se passa do individual para o colectivo?
    JP

    1. É só fazer como o Grillo e aproveitar a tecnologia à disposiçäo.
      Ou as redes sociais só servem para espalhar fotos de animaizinhos fofinhos e porcaria variada?

      1. Meu caro, mas achas mesmo que o efeito circo de um candidato anti-sistema se transforma em algo de concreto? Será que é possível surgir um novo partido? Com base em que linhas? Como se fosse um não – partido? Parece-me estranho. Quanto ao papel das novas tecnologias, penso que seria fundamental pensar uma solução que una as pessoas, isto é, algo que mereça likes, mas que seja mais do que uma banalidade ou um lugar comum,

        JP

    2. O Maquiavel que comentou a seguir dá uma pista.

      Tem de ser um movimento pendular e em crescendo em que o cidadão puxe pelos partidos, na esperança que os partidos e organizações se organizem e os passem a representar sob pena de se tornarem descartáveis.

      Esta é uma altura em que temos de avançar e não estar à espera que os partidos se regenerem.

      Até onde estamos realmente interessados em intervir, esse é o problema.

  8. Precisamos duma nova lei eleitoral que não atire literalmente para o lixo as muitas dezenas de milhar de votos nos pequenos partidos.

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