Mente, Coelho, mente

coelhoRepetir mentiras até convencer a opinião pública de que são verdades é uma técnica há muito enraizada nos perigosos inúteis que nos governam.

Com o objectivo de despedir muitos e tornar precários outros tantos, o governo tem explorado a ideia de que é necessário dispensar professores, porque há menos alunos. Aí está o Coelho a falar sobre a escola pública sobredimensionada, que há professores a mais para as crianças que temos.

É claro que a opinião pública anestesiada cai na esparrela e este é um tema recorrente, fácil de explorar num país com políticos que não informam e com cidadãos que não querem ser informados.

Um leitor menos crédulo, ainda assim, poderá perguntar: “Mas não é verdade que houve uma quebra da natalidade?” Claro que houve e a tendência será para continuar, graças, também, às políticas de empobrecimento em vigor. A questão é que não há nenhuma relação entre essa quebra e a necessidade de prescindir abruptamente de milhares de professores, por uma razão muito simples: a eventual diminuição do número de alunos, nos últimos dois anos, por exemplo, não justifica o despedimento maciço de professores no mesmo período.

O referido despedimento resulta de opções políticas que são, na realidade, antipedagógicas. Coelho, usando de uma omissão desonesta, deixa escapar uma declaração em que parece descair-se: temos “menos turmas”. Pois temos, Coelho: temos menos turma porque Crato aumentou o número de alunos por turma. Como, ainda por cima, o mesmo Crato implantou uma reforma curricular em que, antipedagogicamente, retira horas necessárias a disciplinas e disciplinas necessárias a currículos, fica-se com a sensação de que há professores a mais.

Enquanto os professores não acordarem e enquanto não souberem comunicar de modo a acordar o resto da população, os alunos portugueses continuarão a ser sujeitos a momentos de folclore, com prejuízo da sua Educação dos nossos filhos todos.

Comments


  1. Não sou professor mas sei fazer contas. O PM é que ou as não sabe ou as não quer fazer. Eu sei, eu sei, sou violento com as bestas. Mas da próxima vez que encontrar um tudólogo pro-governo e anti-prof na rua, vou interpelá-lo e caso ele mantenha a sua veia de papagaio, trato-lhe fisicamente da hipocrisia

  2. Maria João says:

    Vejam o que se está a passar na Grécia com os professores. Perante a possibilidade de greve aos exames de acesso à universidade foram alvo de uma requisição civil e ameaçados com prisão.
    Alguma coisa temos de fazer para evitar este esmagar sistemático dos direitos de quem trabalha!

  3. Maria João says:

    Vejam o que se está a passar na Grécia com os professores. Perante a possibilidade de greve aos exames de acesso à universidade, os docentes gregos foram alvo de uma requisição civil e ameaçados com prisão.
    Alguma coisa temos de fazer para evitar este esmagar sistemático dos princípios básicos de um estado de direito nos países sob intervenção da besta de três cabeças denominada Troika

  4. Balde Binos says:

    Estou confuso. Devo ser contribuinte para uma “opinião pública anestesiada”.
    É verdade que uma quebra no número de crianças nos últimos dois anos não permite estabelecer “nenhuma relação entre essa quebra e a necessidade de prescindir abruptamente de milhares de professores, por uma razão muito simples: a eventual diminuição do número de alunos, nos últimos dois anos, por exemplo, não justifica o despedimento maciço de professores no mesmo período”.
    Mais, acho que se deve evitar, por todas as formas razoáveis, o despedimento maciço ou não maciço de professores ou de quaisquer outros profissionais.
    Acontece, porém, que a quebra parece não ser uma coisa dos “últimos dois anos”. Vejamos a variação do número de crianças (dos 0 aos 14 anos) em intervalos de 10 anos:
    1981 2.508.673
    1991 1.972.403
    2001 1.656.602
    2011 1.572.329
    Assim, mesmo não gostando deste governo (nem deste nem de nenhum outro), acho que o argumento não colhe.

    • António Fernando Nabais says:

      Não chego a perceber se o argumento que não colhe é o meu ou o de Passos Coelho.
      A baixa de natalidade é um facto e penso que não o neguei. Também não afirmei que é um fenómeno exclusivo dos últimos dois anos (a referência aos dois últimos anos deve-se ao facto de que foi nesse período que se verificou o maior despedimento de professores). O que afirmei é que é desonesto querer justificar o despedimento de professores com os problemas de natalidade, porque não se verificou uma diminuição do número de alunos tão grande que, por si só, justificasse dispensar tantos professores.


    • O argumento que não colhe é que, essencialmente, a escola não é uma fábrica de cidadãos que se ajusta à matéria prima com base em pressupostos de diz-que-disse e dados que não são, em grande parte, úteis para definir a capacidade do sistema a curto prazo.
      E não se ajusta a força laboral num trabalho tão especializado perante sazonalidade a médio e longo prazo(este é um lema da Gestão Industrial feita com qualidade). O que eu quero dizer para leigos é que uma boa prática de gestão industrial em sistemas de produção especializados é simplesmente ignorado ao serviço da demagogia da parvónia(que resulta pois vivemos mesmo no país da Parvonia).
      Se o ensino fosse mesmo um processo produtivo até poderiamos conversar a sério. Coisa que não o é e é isto que irrita-me a mim como engenheiro industrial. Se querer discutir a sério, discuta-se mas não com falácias de meia leca e com frases de senso comum ao nível do bom(mau?) neanderthal.

  5. povão says:

    Temos uma Constituição virtual . Uma Democracia virtual . Um genial Presidente da Republica que no seu primeiro mandato é eleito com menos votos do que aqueles que votaram para ele não ser eleito !!! Com total impunidade , um Primeiro Ministro que promete e não cumpre !!! Uma Assembleia da Republica que sem trabalho no interesse nacional , se reforma por inteiro aos 40 anos , que não sabe fazer filhos e assim permanentemente se masturba . Uma vergonha !!!
    Como é possível esta tragédia ter sido aprovada por 99 deputedos contra 94 ,havendo ainda 9 anormais distraídos e os restantes 14 ficado em casa à nossa custa !!! Como é possível este despudor de se considerarem representantes de um Povo que permanentemente ignoram ? É também com este mal cheiroso PS que temos o País que temos …
    Deu agora a TV uma reportagem : 2 gays ,( medico e jornalista ?) , adoptaram (de forma ilícita!) um rapaz que na Escola diz que tem dois pais !!! Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és .Neto de avô gago é gago . É a natureza . Bin Laden tinha razão ? Estamos perante a exponencial gay !!! E que responde ele quando for adulto ? Se ele queria ser gay ? Neste caso até não é de nascença … nem “doença contagiosa” .
    Qual é a diferença entre um gay ir a uma loja de um Centro Comercial comprar um cachorro , ou ir à Misericórdia adoptar um rapaz – contra natura -não existe afecto de pai , e muito menos de mãe !!! nem tem a dignidade de um afecto canino !!!
    A exponencial gay e a natalícia espiral recessiva ? A raça lusitana em vias de extinção ! Racista? Não . Apenas o Apocalipse …

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