Esta Europa não.

Europe_allemande

Ele gostava de votar, de votar com convicção num partido, movimento, pessoas que verdadeiramente representassem o interesse da parte maior do povo, em que orgulhosamente se inclui. Sou povo, diz com a verdade de quem é. O discurso da esquerda, que bem conhece de a ter militado (e depois abandonado, por não mais ser possível pertencer-lhe assim), não lhe chega. Atento, há muito que esse voto perdeu sentido. Votar em quem?, pergunta-me todo perdido e chateado de vida, indisponível para a comunhão de fé com essa esquerda titubeante, de pensamento omisso sobre a Europa, e sobre o lugar de Portugal nessa economia de competição inter-pares. Um jogo que gera a desigualdade anacrónica que também em Portugal está a liquidar a recente classe média patrimonial em que também ele, que é povo, até ver se inclui.

Ele até nem se importava de votar na esquerda dos governos, que já o enerva a vocação opositora de quem espera a sublevação histórica dos deserdados do capitalismo para tomar o poder. Bem conhece o cartório de culpas comprometidas com o cavaquismo dessa esquerda. Mas lá está: com Seguro a puxar a carroça é que nem pensar, e Costa tarda, tarda, zanga-se com quem insiste para que de uma vez por todas se chegue à frente, diz que por ora Lisboa lhe basta, que ainda tem lá muito que fazer.

Ele gostava de votar, mas diz-me que esta Europa merece o castigo da abstenção dos povos. Por uma vez, a abstenção tem um outro significado. Um sentido político que aponta o dedo à Alemanha do euro-oportunismo comercial e financeiro e dos egoismos da «emigração interior» dos alemães. Um sentido político, ouviste Angela?

Comments


  1. Lamento discordar.
    Abster-se é SEMPRE fazer o jogo “deles”!

  2. ferpin says:

    “Ele” tem um pensamento muito próximo do meu.
    O PCP é o partido mais honesto, mas ainda não expurgou os gajos que têm a lata de dizer que a Coreia do Norte é uma democracia.
    O BE tem medo de compromisso, logo não serve para nada.

    O PS só difere do PSD no facto de, por se dizer de esquerda, não poder ser tão vendido e corrupto como o PSD e CDS, que não enganam, andam mesmo para gamar e servir o “chinês” para depois obterem empregos como “catrogas” (e o povo que se amanhe).

    A única diferença é que eu VOU VOTAR. Disso não abro mão. No dia em que não for à cabine de voto, nem que seja para desenhar um car*lho no papel, sinto que não tenho legitimidade para barafustar

  3. Sarah Adamopoulos says:

    Também voto sempre.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.