Privatizações: a perspectiva de Mariana Mortágua

Paulo Pereira

“O Poder de fazer um apagão no País é a Razão porque a EDP nunca pode ser privada”

O Tribunal de Contas arrasa o processo de privatização da EDP e da REN. Os juízes sublinham que os elevados dividendos anuais das empresas podiam render, no longo prazo, mais dinheiro ao Estado do que a operação de venda. Apontam ainda um conflito de interesses, com consultores a trabalharem para ambos os lados.

A Privatização dos CTT

 

É sabido, a empresa CTT possui uma das imagens mais sólidas e credíveis deste país. Foram décadas e décadas, de investimento público e dedicação dos seus funcionários, para construir essa imagem. A relação de confiança criada permitiu, por exemplo, que o seu produto financeiro de referência – os certificados de aforro – se tenha tornado o mais importante instrumento de poupança.
Com a privatização não assistimos “apenas” à destruição da ideia de um serviço público mais antigo que os nossos avós. Só isso já seria mais que mau, mas há também a preocupação em saber que os Correios, o símbolo que nascemos a confiar, a instituição onde os idosos vão buscar a pensão nos mais recônditos sítios do país, onde depositam as suas poupanças nos seguríssimos certificados de aforro, podem agora ser vendedores dos mais variados produtos financeiros.

Para além dos créditos predadores, quem nos garante que amanhã não vamos ver os CTT a fazer uso da sua rede de balcões, da sua credibilidade, e da iliteracia financeira que predomina na população mais isolada e idosa, para vender lixo disfarçado de títulos de poupança? Olhemos para o BES, para o BPP, para o BPN. Nada disso é inédito, novidade é que esteja a bater à porta de um dos últimos redutos de confiança: os CTT.
E tudo isto para quê? Qual a necessidade da privatização?

Dinheiro? Foi um mau negócio. Os correios foram vendidos por 922 milhões de euros. Só nos últimos 8 anos deram lucros de 440 milhões. Bem sabemos que este governo irresponsável quer o dinheiro já, e que se lixe o que fica para depois. Mas 8 anos é nada na vida de um Estado. O há de curioso nesta ganância governativa é que ela também é compatível como inauditos atos de generosidade. Imagine-se que os CTT foram privatizados em final de novembro de 2013 e logo em janeiro de 2014 a empresa distribuiu 60 milhões de euros em dividendos aos novos acionistas.
Para melhorar o serviço? Que se saiba, o Deutsche Bank e a Goldman Sachs, donos conhecidos dos Correios, percebem tanto do setor postal como o ministro Carlos Moedas de educação e investigação científica. Se fosse esse o objetivo dificilmente se perceberia todos os cortes feitos antes da privatização, com a redução de trabalhadores, de serviços e a transferência de postos para papelarias. De resto, a experiência internacional demonstra que a privatização do serviço postal é uma péssima ideia, até para os EUA. Na Holanda os privados ficaram com os correios mas agora pedem ao Estado que lhes pague o serviço universal mínimo.

A pergunta mantém-se: por que raio então privatizaram os CTT? Faziam-nos falta mais vendedores de produtos financeiros muito simples e garantidos até ao dia em que a deixam de o ser? Mais vendilhões de sonhos a crédito? Não, obrigada. Disso já temos de sobra. O que nos fazia mesmo falta era um serviço postal universal, acessível, abrangente e, para isso, público.

Comments

  1. O serviço postal é privado em muitos países,julgo que sem prejuizo algum. A necessidade de dinheiro urgente, vinha a ser prática de diversos(todos?) os governos desde 1974 e vai continuar, enquanto governantes e governados estiverem de acordo, em gastar mais do que temos; qual dos escribas e trolls deste Avenatar não acha que devemos ter saúde, educação, justiça gratuita para todos? e diminuição de impostos? todos incluindo eu!! como a arvore das patacas que plantei no quintal ainda não dá nada, vamos ter que pedir fora ou então não temos as coisas gratuitas!….isso nunca!! ladrões!!

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