Bilhete do Canadá: Um Debate

guterres e barroso

O debate entre António Guterres e Durão Barroso só podia ter sido o que foi: morno e sem o impacto desejável. É que há misturas que não se fazem.

António Guterres, pese embora o ter de ser mais contido por estar em campanha para o cargo de secretário geral da ONU, manteve a altura e a postura que nos habituou.  Superiormente inteligente e culto, com um grande coração e uma declarada vocação cristã, mãos limpas no passado e no presente, sem coleiras de nefasta dependência, reconheceu honestamente o descalabro internacional, e os perigos que ele comporta, bateu-se pelos refugiados e, finalmente, apontou às elites portuguesas um caminho de redenção. Que é o da compaixão e da solidariedade. No Canadá, que sendo rico é modesto, sem glamour nem exibições, é comum haver em todos os hospitais, universidades, escolas e casas de apoio social, muita obra oferecida por milionários: salas, equipamentos, serviços, bibliotecas, ginásios e por aí fora. Dir-me-ão que o fazem para diminuírem os impostos. Não disponho de provas disso mas, se assim for, nem me repugna nem discordo: preciso é que o grande capital pratique a solidariedade e saiba repartir. Que o grande capital não seja parasitário dos estados, saiba produzir riqueza e participe da sua distribuição.  Os milionários e empresários portugueses precisam de parar e de fazer autocrítica, deixarem-se de fugir aos mínimos salariais que governos progressistas impõem por lhes parecer justo e inteligente. Espero que os presentes na sala tenham compreendido que é hora de mudar.  António Guterres tem ainda muito de bom para dar.

Durão Barroso, videirinho, carreirista, medíocre, reforçou com a sua prestação neste debate que nada tem para dar mas pretende tudo receber, como aliás se percebe pela sua trajectória de vida. Impossível esquecer o mau primeiro ministro que foi, emparelhando com Bush, Aznar e Blair na tremenda mentira das armas de destruição maciça que teria o Iraque, com Barroso a jurar ao país que tinha visto as provas e não tinha dúvidas, assim ajudando a garantir a trágica gota que fez incendiar o Médio Oriente, com os dolorosos efeitos que hoje vemos. Recebeu um prémio por isso: deu o salto, é o termo exacto, para a presidência da Comissão Europeia, onde foi mais um zero à esquerda de muitos outros zeros germanófilos que por lá pastam. Fez os fretes todos.  E novamente foi premiado:tem lugar cativo no Clube de Bilderberg. Por isso, no debate, todo ele era “inchaço” e riso ao afirmar que a União Europeia está firme como rocha e outras tiradas que já ninguém em seu perfeito juízo engole. É assim que ele tem governado a vidinha.

Impacto teria uma longa e bem elaborada entrevista apenas com António Guterres. Também Paulo Dentinho, que é um homem decente, precisa de perceber que Portugal mudou e que há misturas que não se podem fazer.

Comments

  1. Fernando Cerdo says:

    O Dr. Durão iniciou a sua carreira como Estadista Mundial no comunismo carlucciano do MRPP, uma força que, sob a sábia chefia do recentemente reavivado Grande Educador, mobilizava as massas proletárias no combate contra o revisionismo khruschevista social-imperialista e social-fascista ao serviço de Moscovo do denominado P”C”P. Uma referencia documental desses tempos é sem dúvida o volume “MRPP – O Que É?” da autoria de Jorge Feio, Carlos Pina e Fernanda Leitão. Quanto aos sociais-fascistas a serviço de Moscovo lebre-se que até em Toronto gozavam dum grémio de apaniguados desmascarado a bom tempo pelo Sr. Lebre.

  2. Fernanda Leitão says:

    Exactamente. com os jornalistas citados, que infelizmente já não são vivos, fui co-autora desse e doutros livros durante o PREC. Assinei com o meu verdadeiiro nome, não mascaro o meu nome, Sr Cerdo..
    Exactamente: conheço de ginjeira muita gente política.
    Sociais-fascistas era como os do MRPP chamavam aos do PCP. O Sr. Lebre era um comunista da linha ortodoxa e, portanto, não me parece que ele andasse a desmascarar os da mesma linha. Quem ele desmascarou em Toronto foi gente desonesta, falsa, que fazia da política um pretexto para se governar e abotoar-se com livros e material fotográfico oferecido pelo governo português aos clubes. O Sr. Lebre foi um bom amigo meu. Era um homem modesto, verdadeiro, duma grande honestidade. E ponto final.