Do parlamentar insulto


O grupo parlamentar do PSD ficou numa exaltada indignação, que provocou a interrupção dos trabalhos parlamentares. Eles não perceberam bem o que disse o secretário de estado que discursava, mas intuíram que, naquela elegante disjunção, estava contido um insulto. Não tinham a certeza. É que o grupo parlamentar laranja, na AR e Madeira – então ali…- quando insulta, insulta a valer e toda a gente percebe. “Puta que o pariu”, “burro”, “anormal”, “filho da puta”, “dou-te um tiro nos cornos”, são mimos que, da parte dos grupos parlamentares do PSD estão registados nas Actas dos Parlamentos da República e insular. Ora, quem está habituado a produzir tão franca e assertiva linguagem, forçoso é que fique indignado com o gongorismo da elegante alternativa “o senhor deputado ou é profundamente ignorante do regime ou sofre de uma disfuncionalidade cognitiva temporária” – temporária, imaginem! Assim, justifica-se a indignação dos passistas. Na verdade, com insultos tão rebuscados, como podem eles partilhar grupal e irmãmente a sua indignação, uma vez que, obviamente, a maioria dos seus companheiros de bancada ficou com cara de “o que foi isto”, isto é, com cara de disfuncionalidade cognitiva momentânea?
Compreende-se, pois, a indignação da direita parlamentar. Portanto, a próxima vez que quiserem insultá-los, bradem, à moda antiga: “V. Exa. é uma besta! Salta uma garrafa de Colares!”. E toda a gente, em parlamentar comunhão, percebe perfeitamente.

Comments

  1. Idiotas não justificam idiotas. E não é de agora que a assembleia da republica dá vergonha. Um sitio que deveria ser de elevação parece um café e rasca. Lamento pois que se justifique idiotices com outras. Porque é que tem que sempre justificar-se as coisas que não nos agradam mesmo quando é por mais evidente que não se tem razão. Clubismo a grande altura

    • Nightwish says:

      Ou são burros ou aldrabões, não há outra opção, e são as duas muito piores que o insulto.

    • Não sei que lhe diga, joao. Não devo ter-me explicado bem, mas o meu ponto não é esse. Já agora: a frase entre aspas que aparece no fim do texto é, pensava eu que toda a gente entendia, uma referência à Campanha Alegre do Eça. Não é um a sugestão para os deputados.

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