Fidel Castro


Gil Sotero


Minha primeira viagem ao exterior (para fora do Brasil) foi a Cuba em 2009. Voltei depois em 2013. Tive a sorte de conhecer um pouco da ilha enquanto Fidel era vivo. Foi uma viagem marcante da qual nunca esquecerei tudo que eu vi e vivi em Cuba. Li bastante antes de viajar até lá. Quando cheguei a Havana Vieja me surpreendi com os contrastes imponentes e ruínas. As aparências enganam. Por trás daqueles prédios decadentes há um povo culto, hospitaleiro e sobrevivente. A ausência de propagandas comerciais a não ser as frases e imagens do Chê ou Fidel estavam em todo canto que eu ia.

O comandante nunca foi meu ídolo. Tenho certa aversão a idolatria política mas quando fui a Cuba eu estava com aquela carga a qual somos submetidos aqui na América do Sul; um olhar da ilha pelos binóculos fabricados nos EUA.
Depois de quase um mês lá desfiz muitos conceitos. Como um “ditador” se esforçaria para acabar com o analfabetismo e tornaria a saúde mais acessível à população? Como explicar a segurança pelas ruas de Havana mesmo nas madrugadas mais densas?
As pessoas que vociferam contra Fidel e Cuba, sem nunca terem ido lá tão pouco conhecem o que as ditaduras modernas estão fazendo com o mundo. Falam do comunismo baseadas na visão que o imperialismo deseja mas desconhecem o que o ditador da Síria está fazendo com as crianças e com apoio e armas dos EUA.
Cuba foi o único país que visitei onde crianças circulam seguras a todos lugares. Elas andavam de mãos dadas sozinhas em direção às escolas. Lá pude entender que todas os cubanos que morreram tentando atravessar o oceano em direção a Miami estão nas contas também dos presidentes e políticos norte-americanos que mantiveram a miséria presa a Ilha impedindo o comércio entre Cuba e outros países.
E pensar que um país tão pequeno fez frente a uma “potências” é surpreendente. Por essas e outras, que representam o outro lado da história posso dizer: Adeus Fidel!

Comments

  1. As notícias sobre Cuba durante toda a minha vivência nos EUA, focam sempre uma palavra que aflige todos os americanos – comunismo – a ideologia política filtra e esconde o lado positivo do governo Cubano. David contra Golias e Fidel nunca cedeu às pressões da nação mais influente no mundo.

  2. Marco Faria says:

    Ex.mo Sr. Gil Sotero,
    Fidel é um ditador, assassino, mentiroso,…, e isso é mais do que suficiente para não tentarmos fabricar uma ilusão colectiva. A imagem de um revolucionário, afável e amistoso, é enganadora. Nestas coisas não há bons nem maus ditadores. Todos são maus (e sem aspas, porque Fidel Castro é disso que se trata). Sobre Cuba, no terreno, conheço 11 dias em que calcorreei, em 2015, tentando fugir ao circuitos turísticos rígidos. Porque Cuba é mais que a linha Havana/Varadero (onde existe a única autoestrada do país). Porque Cuba é mais do que praias e hotéis de 5 estrelas (detidos pela elite política podre). Porque Cuba tem, sem dúvida, pessoas maravilhosas. Mas não há liberdades, em todo o lado há um potencial bufo, a miséria está por todo o lado. Para que não restem dúvidas, sempre olhei para o embargo como um disparate e uma intromissão a um país soberano. Mas que há miséria, há; que há perseguição política e civil a todos os que pensam de forma diferente, há. Talvez saiba que no país que visitou não é possível sequer abater uma vaca ou um porco (num regime completamente rígido, onde apenas há orçamento para Defesa, Saúde e Agricultura). A corrupção é transversal. A propriedade privada é muito condicionada (abrir um negócio implica, de resto, ter um sócio local, num sistema minado – certamente que viu os restaurantes espanhóis, franceses, instalados pelo Malecón de Havana). Fidel não é, por isso, melhor que Fulgêncio Batista. O regime familiar da família Castro não estará longe do sistema mafioso anterior a 1959. A imagem das crianças de mãos dadas sozinhas é real; há muita segurança, claro que há, ou não se tratasse de um regime policial. Um turista tem de declarar se leva consigo um simples “walkie-talkie”, tal é a paranoia do regime, de que se vá incitar às liberdades e brincar à democracia. A Saúde tem uma qualidade que inveja muitos estados, mas uma simples Aspirina não existe à venda na farmácia (tem de ir ao hospital). A Internet é pré-comprada, porque se trata de aceder a uma rede perigosa. Deixemo-nos de hipocrisias. Respeitosos cumprimentos.

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