Adeus Morais e Castro

Morreu hoje o actor Morais e Castro, que em 2006 comemorou 50 anos de carreira. Vítima de cancro.

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José Armando Tavares de Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939. Actor e encenador, Morais e Castro era também licenciado em Direito pela Universidade de Direito de Lisboa, tendo igualmente exercido a profissão de advogado.

Foi dirigente do Partido Comunista Português (PCP), que serviu desde muito cedo, e era casado com a actriz Linda Silva. Fez a estreia com o Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa, ainda estudante do secundário. A sua estreia a nível profissional foi no Teatro do Gerifalto,em A Ilha do Tesouro.

Em 1958 estreou-se na televisão intrepretando “O rei veado”, de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos.

Em 1968, com Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes, fundou o Grupo 4, no Teatro Aberto, levando à cena autores como Peter Weiss, Brecht, Peter Handke e Boris Vian.

Já em 1985 integra o elenco da comédia Pouco Barulho, com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado. Com Mário Viegas fez o imortal À espera de Godot, de Samuel Beckett.

Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou O fazedor de teatro, de Thomas Bernard, com a Companhia de Teatro de Almada, que lhe valeu a Menção Honrosa Crítica nesse ano.

Nas décadas de 1980 e 1990 participou em diversas novelas e séries portuguesas de televisão. Um dos sucessos mais populares ocorreu entre 1996 e 1998, com as As lições do Tonecas, ao lado de Luís Aleluia.

Entrevista de Morais e Castro à SPA.

Pobre demagogia / Rica ignorância

O PS está de cabeça perdida e promete coisas rídiculas todos os dias. Agora, depois de ter aumentado todos os impostos, vem dizer que os ricos podem pagar mais impostos. Poder podem, mas na verdade de pouco serve. Nas mais valias e nos rendimentos de capital onde a taxação tem margem, teríamos uma fuga para países mais atractivos. Nos rendimentos de trabalho já pagam 42% não se vê bem por onde é que se aumenta.

Mas há saídas que o PS conhece muito bem mas que nunca aceitou. Levantar o segredo bancário para saber se a bota dá com a perdigota. Taxar o consumo de bens de luxo e saber se os sinais exteriores de riqueza condizem com os rendimentos declarados.

Não permitir que a mesma pessoa receba uma pensão do Estado, por velhice ou invalidez e,ao mesmo tempo, o mesmo Estado pagar-lhe um vencimento chorudo numa qualquer empresa pública nossa, muito nossa. Não permitir que quem está reformado receba milhares de euros por mês muito mais que a maioria dos trabalhadores portugueses, que trabalham no duro.

Não distribuir subsídios a agricultores que vivem em Cascais e não fazer contratos ruinosos para o Estado com a Liscont da Motta/Engil do Sr. Jorge Coelho e entregar obras e compra de bens sem concurso público, entregando-os de mão beijada aos amigos, como se viu agora com os 40 milhões de contos em projectos para as escolas.

Antes de querer mais dinheiro para esbanjar é necessário saber gastar com critério e ter imaginação e conhecimentos que o levem a perceber que os ricos que ganham dinheiro por criar riqueza e postos de trabalho são bem vindos.

Os amigos que vivem à nossa conta à mesa do orçamento, esses é que deviam ser taxados!

A 100%!

LOGICAMENTE

Li mais jornais durante estas curtas férias. Sempre gostei de ler jornais. Não só pela curiosidade das notícias, mas também pela necessidade de encontrar algo de novo, de novidade. Mas os jornais estão uma chachada. Chega-se sempre ao fim com a sensação amarga de tempo perdido. E pela primeira vez comecei a comprar “de vez em quando”. A maior parte das crónicas e artigos não passa de banalidades. Sem qualquer profundidade literária, política, social, filosófica ou científica. Uma inutilidade total. Umas coisas escritas por pessoas que nem conheço, outras por pessoas que conheço mas que não me merecem credibilidade. Crónicas e artigos sempre metidos dentro da forma, das regras, dos carris, da órbita, sem evidenciarem qualquer impulso ou tendência a furar a casca do ovo. Nunca ultrapassando a fronteira para além da qual, logicamente, não serão publicados. Claro que este “logicamente” quer dizer censura.
Aqui há uns anos atrás, fui publicando vários artigos em alguns jornais. Bons tempos! Hoje nada me publicam. Eu sei o que valho e o que não valho. E sei que muito do que escrevo vale mais do que muito do que leio. Simplesmente, o que escrevo atreve-se a ultrapassar, muitas vezes, a tal fronteira para além da qual, logicamente, não publicam. E quando os amigos me dizem: – então, pá, há muito que não vejo nada teu nos jornais -, eu respondo: – prefiro escrever e meter dentro da gaveta do que escrever e meter dentro da forma -.

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Não esperes por mim nessa ilha
que me disseram ser o teu corpo
não olhes ao longe o despontar das velas
que não chegam.
As nuvens no céu dos meus braços
hão-de ser a chuva
na secura do teu beijo.

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(adão cruz)

QUADRA DO DIA

É um exemplo muito mau
P’ra quem reza todo o dia
A santa igreja a roubar
E a ensinar pedofilia.

Isto é de génio

O artista de rua Kurt Wenner faz coisas brilhantes, ao estilo de três dimensões, em giz, como esta…

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ou esta…

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Isto é arte! (ponto de exclamação). E brilhante.

O ponto e a minha exclamação de protesto

Dois anos e qualquer coisa na adolescência a ler, distribuir e mesmo escrever panfletos onde no mínimo a oração final berrava 3 ou 4 patetices revolucionárias destacadas com o pontinho de exclamação (tipo: Estudantes! ao Lado do Povo! e sob a Direcção da Classe Operária!) tiveram como efeito um ódio ao dito que ainda não me passou, nem passará!

Nas dezenas de teclados que já destruí garanto que o 1 foi a única utilização da tecla segunda da primeira linha das teclas a sério onde meti o dedo.

Vivia eu muito bem com esta opção de género, pontual, quando algumas almas refrescaram a estação insurgindo-se contra o uso do dito ponto, que pode ser tão inútil, e chato, como os emoticons, eroticons, ou lá como se chama aos bonecos.

Se por via do tal trauma não podia estar mais de acordo, há contudo uma utilização do ! que me parece indispensável, inultrapassável e insubstituível, levando a que o apelo à sua abolição me leve a exclamar, com um simples final parágrafo: censura não, meus senhores.

Citando por exemplo Apollinaire:

“- Agora… agora… agora… vou vir-me… Ah! Oh! Oh!…”

e podendo ir por aí fora, desbragadamente, a literatura erótica precisa, aliás depende, do ! e das reticências, sendo um facto que baixando a qualidade literária o seu uso passa a abuso, ou seja a mesma frase ficaria assim:

“- Agora… agora… agora… vou vir-me… Ah!!!!!!!! Oh!!!!!!! Oh!!!!…”

numa versão mais pindérica. Convém lembrar que a net democratizou a produção deste tipo de textos, hoje ao alcance de qualquer um que se proponha narrar as suas proezas, em particular as que não cometeu mas tem pena.

Como não alinho em teorias de conspiração não diviso aqui a mão invisível das campanhas anti-masturbação que por aí andam mas, e usando uma frase batida, relembro que “os adultos necessitam de livros eróticos como as crianças de contos de fadas”. Além disso, o dito ! é o sinal ortográfico mais fálico que temos, e isto anda tudo ligado, pois anda.

Os símbolos a quem os trabalha

http://www.cm-santarem.pt/santarem

O especialista em Estudos Orientais Paulo Pinto anda às avessas com a simbologia escalabitana:

Ai o convento de Santa Clara é que é o “símbolo” de Santarém? Terá patente ou alvará? Muito me conta, nunca vi isso escrito em lado nenhum, a não ser naquele blogue de iluminados e figuras de culto

Bastava-lhe abrir a página da C. M de Santarém, e nem precisava de ler: é o Convento de S. Clara que a encabeça.

Devo dizer que se fosse de Santarém seleccionava outra igreja, maneirista e não gótica, mas reconheço aos povos o legítimo direito à escolha do símbolo que lhes dá na gana. E como é evidente no simbólico raras vezes conta a qualidade e real importância do monumento: Coimbra e Porto ostentam as suas torres que comparadas com outras arquitecturas que possuem não valem uma nota de rodapé.

Eu se escrevesse sobre Malaca, ou Montaigne, no mínimo lia umas coisas sobre o assunto, e antes. Mas cada um é como cada qual, e numa coisa estamos de acordo: tudo está bem quando acaba bem.

Cartazes das Autárquicas de tempos idos


Aveino Ferreira Torres, candidato independente, Amarante (Autárquicas/2005)
via Autárquicas em Cartaz

Santarém

Convento de Santa Clara (Santarém)

Convento de Santa Clara (Santarém)

“Primeiro, Santarém não tem “por símbolo um templo da arquitectura mendicante”. Que eu saiba, os candidatos ao título são as Portas do Sol, a Torre do Relógio ou a rosácea da Igreja da Graça (que é dos agostinhos). Não é o Convento  de S. Francisco.”

Pois não. É o Convento de Santa Clara. E as clarissas são uma ordem mendicante. A arrogância do jugular Paulo Pinto é directamente proporcional à sua ignorância em História da Arte. Já o tinha demonstrado, escusava de se repetir, sobretudo para rebater um texto que não percebeu.

Benfica – Poltava: Bater em mortos

O comentário do adepto virá já a seguir, estou em crer. Para mim, a vitória folgada do Benfica sobre o Poltava, na Taça Europa, é positiva, porque são mais dois pontos para o futebol português. Pode ser que, da próxima vez, o segundo classificado da Liga (o Sporting) tenha acesso directo à Champions. E que o terceiro classificado, o Benfica, seja cabeça-de-série na Liga Europa.
Quanto ao jogo de hoje, foi bom, mas admitam lá, amigos lampiões, aquilo foi bater em mortos…

Eu gostava de ter escrito….

ISTO mas não tenho arte para tanto, confesso (foi graças ao Blasfémias que o li). Aqui fica uma amostra para abrir o apetite:

“Em vez de terem pensado nesse “simples, meridiano e claro facto” que é o futuro do País, deixaram-se perder nas questiúnculas internas, nos ódios pessoais e nas jogatinas de aparelho. Nas merdas, perdão, nas tretas do costume, em suma”.

Cartazes das Autárquicas (Valongo)

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Afonso Lobão, PS, Valongo.

Sou como um rio


Segundo o «Jornal de Notícias», «Sou como um rio», dos Delfins, era a música que acompanhava Elisa Ferreira, ontem, em campanha pelos bairros sociais do Porto. Rio, estão a perceber? Será que é para interpretar literamente?
Estes socialistas do Porto são uns pândegos!

Apontamentos & desapontamentos: Tele-cunha ou tele-política?

Há cerca de um ano ou dois houve um problema na RTP com o jornalista José Rodrigues dos Santos, tendo mesmo a administração instaurado um processo na sequência de declarações que Rodrigues dos Santos prestou à revista Pública sobre irregularidades cometidas na nomeação da correspondente em Madrid, Rosa Veloso. A jornalista, tendo, segundo é voz corrente, ficado em quarto lugar no concurso interno, terá passado à frente dos três primeiros classificados. Rodrigues dos Santos, na altura (2004) director de informação, demitiu-se do cargo por entender que fora desautorizado, pois a nomeação competia à direcção editorial. Quando deu a entrevista à revista do Público, o assunto criou alguma agitação, a Alta Autoridade para a Comunicação Social (depois substituída pela ERC), aconselhou a administração a não repetir a ingerência. O assunto morreu. O processo disciplinar a Rodrigues dos Santos foi arquivado em Janeiro do ano passado e a Rosa Veloso lá está em Madrid, impante na sua gloriosa incompetência. Tudo em águas de bacalhau, desfecho tão típico da «comédia à portuguesa». Porque será que as coisas se passam assim? Talvez tudo não tenha passado de uma vulgar «cunha» metida, segundo também se diz, pelo ex-ministro do PS António Arnaud ou até de uma recomendação do substituído, o Cesário Borga, que fora chefe da jornalista quando ela, em 1981, entrou para a RTP como estagiária. Também já ouvi dizer que tudo não havia passado de uma embirração com a pobre da Rosa, embirração em que a Judite de Sousa teria tido algum papel. Oxalá seja só isso, porque «cunhas», «tachos» e «empenhocas», (tal como as «embirrações») são instituições nacionais. Tão erradas, injustas e estúpidas como os touros de morte em Barrancos – que, com apenas 80 anos, já são consideradas como fazendo parte das tradições populares – mas muito mais antigas. Como tal, respeitemo-las.

Deixemos pois o «diz-se» e analisemos objectivamente a Rosa como profissional. Façamos de conta que ficou em primeiro lugar no tal concurso. Não é uma novata, tem 28 anos de profissão. Portanto, inexperiência não pode alegar e devia saber que os idiomas são instrumentos de trabalho, principalmente para os correspondentes. A RTP tem tido, e tem, belíssimos profissionais como correspondentes, tais como Carlos Fino que falava o russo com fluência, como Evgueni Mouravitch, cujo português é impecável, o poliglota António Esteves Martins, Paulo Dentinho, Vítor Gonçalves, todos são correspondentes com qualidade. Rosa Veloso fala mal o castelhano, misturando-lhe termos e construções frásicas de português, começa a esquecer-se do português, misturando-lhe termos e a sintaxe do castelhano, a sua fala começa a deslizar para um «portunhol» ridículo, bom para ir de compras, mas inaceitável numa correspondente. .Vasco Lourinho, o antecessor de Cesário, que, segundo julgo saber vivia em Madrid quando, ainda no antigamente, foi convidado para ser correspondente da RTP, falava muito bem o castelhano e esquecera o português. Cesário Borga, era discreto, pelo menos seguiu o conselho de Eça de Queirós a respeito das línguas estrangeiras e, sem esquecer o seu português, sempre falou sempre orgulhosamente mal o castelhano – o que, apesar de tudo, era uma posição mais aceitável.

Por exemplo, deu nas vistas a teimosia da Rosa em pronunciar «Valadolid», sabendo-se que Valladolid se pronuncia Valhadolid (ao contrário de Alhambra que se deve pronunciar Alambra). Em suma, a quem a ouve e vê, como é o meu caso, dá a ideia de que não prepara as reportagens, ou que as prepara em cima do joelho o que, frequentemente, dá em rematada trapalhice – lembremo-nos da ida de Mariano Gago a Espanha em que ela o tratou sistematicamente por ministro da Indústria, tendo ele que esclarecer que o seu ministério não era o da Indústria, mas si o da Ciência Tecnologia e Ensino Superior. Então, como jornalista portuguesa não teria obrigação de saber que tal ministério nem existe em Portugal? E quanto ao idioma: terá ao menos Rosa Veloso estudado um pouco de castelhano ou ter-se-á limitado a inscrever o idioma no currículo, como quase toda a gente faz? Há uns cursos intensivos no Instituto Cervantes, para além dos que se ministram nas Faculdades de Letras geralmente englobando língua e literatura. Terá ela frequentado algum destes cursos? Se sim, tal saber não transparece. Mas isto nem é o mais importante.

Porque até aqui, cunhas, incompetência, enfim, não digo como os brasileiros «tudo bem», mas não são coisas a que não estejamos habituados. E se (aqui entram os fantasmas) não foi uma tele-cunha e se é um caso (mais um) de tele-política? É isto que me preocupa, porque incompetentes sempre os houve naquela casa, ombreando olimpicamente com os «assim-assim» e com grandes profissionais, que também os houve e há.

Porque pior do que a incompetência da Rosa Veloso é a sua posição subserviente relativamente ao estado espanhol – cidadã de uma República, ela não tem que se referir a Juan Carlos como «sua majestade», basta dizer «o rei» nem que referir a ETA como «organização terrorista», basta que diga «movimento separatista» para apenas referir duas expressões muito utilizadas pela senhora. É uma jornalista, uma correspondente estrangeira, tem é de ser independente e analisar objectivamente a realidade, não é súbdita de «su majestad» nem adversária política da ETA. Sem desrespeitar o estado espanhol do qual é hóspede, tem sobretudo de respeitar as muitas sensibilidades de quem a escuta e vê. Os telespectadores, os contribuintes portugueses, é que são os seus patrões e não o rei ou o PSOE. Alguns deles não gostam de reis (sobretudo de reis que se comportaram como criados de quarto de ditadores ranhosos), podem aprovar ou não aprovar os métodos da ETA, mas compreendem a legítima aspiração dos bascos à independência; há os que adoram e os que detestam o PSOE… e por aí fora.

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A toda essa gente anónima que lhe paga o vencimento, a Rosa Veloso tem de respeitar, portanto tem de ser poupadinha nos adjectivos e nas tontas considerações bebidas em jornais espanhóis de cuja leitura apressada parece decalcar as reportagens, se assim se lhes pode chamar. Não vão os comentários e adjectivos agradar ao PSOE e desagradar a muitos portugueses. Mas não, do alto da sua incompetência, a Rosa arremessa-nos as suas ideias sobre os factos, esquecendo-se do que lhe ensinaram sobre objectividade no curso de jornalismo, sobre a inconveniência de misturar factos com opiniões pessoais; opiniões que a muitos de nós nos importan un pepino.

Em suma, não foi por acaso que ela ficou em quarto lugar no concurso, valendo-lhe para ser nomeada segundo a vox populi uma cunha. A irregularidade parece ter existido. Só uma vulgar cunha? Ou será porque Madrid é um lugar estratégico e convêm lá ter alguém devidamente domesticado, não propriamente um jornalista, o que só serviria para atrapalhar, mas uma caixa de ressonância do PSOE? Ou do PP, se for o caso. Lembremos que, quando da alegada nomeação fraudulenta, embora o governo português fosse do PSD, Zapatero ganhara nesse ano, no Março anterior, as eleições legislativas. Coincidência.? Talvez. Mas acho que a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) devia interessar-se pelo caso.

Coisa que, todos sabemos, nunca acontecerá.

Fernando Charrua, um mártir do socratismo pidesco – a não esquecer no momento do voto

Cartaz
O caso Fernando Charrua representa o que de pior teve o regime socratino que agora finda. O terror, a censura, o culto do chefe. Numa conversa privada, Fernando Charrua terá dito que José Sócrates era um filho da puta. Tal qual nos tempos da PIDE, um inominável bufo ouviu o desabafo e foi contar às chefias. O professor foi suspenso de imediato e a sua comissão de serviços terminada. Iniciou-se então um processo disciplinar.
Num país decente, que não num lamaçal como Portugal, a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, teria sido demitida de imediato, bem como a directora-geral da DREN, Margarida Moreira, e o respectivo bufo. Num país decente, o Presidente da República concluiria que estava em causa o normal funcionamento das instituições.
Ao invés, o bufo foi promovido, a directora-geral foi reconduzida e a Ministra assobiou para o lado como se nada fosse – o mesmo fizeram o primeiro-ministro e o Presidente da República.
Foi em 2007 – há dois anos apenas. Hoje, na mesma altura em que outros são glorificados por chamarem publicamente filho da puta aos adversários, Fernando Charrua é candidato à Junta de Freguesia de Campanhã, no Porto. Para trás, fica um processo kafkiano, do qual nada resultou, porque o castigo, esse, foi imediato e ficou para sempre na sua folha de serviços – fim do destacamento na DREN que durava há muitos anos e processo discipinar.
No momento do voto, convém não esquecer de que massa são feitos determinados tiranetes que governam Portugal.

Coisas muito boas

O nome “Coisas” não ajuda muito mas, vá lá, o “João” ajuda a compor. Se fosse “João Coiso” seria bem pior, a bem da verdade. Mas, tirando as partes silly (1, 2 e 3), estas “coisas” que o João fez são absolutamente geniais, ora vejam:

 

coisas

coisas 2

Pssst… Ângela, Ângela, a crise acabou…

Ângela Markel diz que “não é sério falar do fim da crise”
Apesar dos dados económicos terem melhorado, a chanceler alemã diz que
” não seria sério apostar numa data concreta” para o fim da recessão.
Em entrevista ao semanário alemão Focus, Merkel prevê que a economia
alemã vai precisar “com segurança da maior parte da próxima
legislatura” para recuperar.

Ângela , não leves a mal, mas não podes andar a dizer coisas destas
sem falares com o Sócrates e com os Jugulares e os Simplex. O fim da
crise já foi decretado aqui em Portugal e nada faz prever os teus
receios.

Há aqui umas coisitas, como o desemprego e as 150 000 pessoas que não
têm qualquer apoio do Estado mas isso comparado com os 0,3% de aumento
do PIB não é nada, não é estagnação, é mesmo aumento, embora muita
gente diga que não.

Aqui quem manda nestas coisas é o governo, ponto final! Por isso, e
com um grande abraço aí ao teu pessoal, fala primeiro com o Sócrates.
É o que fazem os Jugulares e os Simplex e olha que não se estão a dar
nada mal!

Só em Portugal

ferias

Já imaginou um parque de férias só para os políticos portugueses?

Pois esta imagem imaginária representa isso mesmo.

Não sei se algum dia teremos um espaço desse género.

No entanto, acho que ele devia ser longe de Portugal e se possível noutro planeta.

Incomodidades

Três, vá lá, duas coisas que me incomodam nestes dias. Incomoda-me que a União Europeia não aja quando o Afeganistão aprova uma lei segundo a qual um homem pode ‘condenar’ a mulher à fome se esta não o satisfizer sexualmente. Incomoda-me ainda que, no mesmo país, o Governo proíba jornalistas de qualquer parte do mundo de noticiar eventuais conflitos nas eleições que estão a decorrer.

Incomoda-me também que um alegando elemento da equipa do Presidente da República lance, para diversos jornais, suspeições graves de que a Presidência da República estará a ser vigiada pelo Governo e Cavaco Silva continue de férias e sem nada dizer aos papalvos que residente no rectângulo.

Por certo atafulhado nos processos que enfiou no jipe, o Presidente continua silencioso sobre um caso que mereceria, pelo menos, uma declaração escrita. Fica no ar o prolongamento da suspeição e a suspeita de que o “desabafo” da fonte anónima foi orquestrado.

Isto incomoda-me. Não sei se se passa o mesmo com vocês?

Ouça o Sócrates, espere o contrário

Com os primeiros sinais de abrandamento da crise duas posições se consolidaram. As dos que não têm qualquer ideia para sair dela e as dos que sabem muito bem o que têm pela frente e respondem em sintonia.
Ângela Merkel vem dizer que ninguem de bom senso pode ver nestes brandos sinais o fim da crise. Sócrates decreta o fim da crise.
Entretanto, para além das preocupações com o aumento do desemprego, outras preocupações se revelam. Todas as instituições financeiras internacionais apontam para um desemprego, em Portugal, superior a 10%. Como não podia deixar de ser o nosso governo aponta para valores mais baixos. Uma preocupação, muita portuguesa, tem que ver com quem já esgotou o direito de receber apoio no desemprego. Como este subsídio corresponde ao tempo de descontos, quer dizer que temos os jovens sem emprego e sem subsídio.
Voltam a casa dos pais desempregados? Emigram ? Recorrem à violência?
Outra questão que passa ao lado do discurso político é que a margem de retoma das economias é muito frágil, tanto do lado da oferta como da procura. Podemos entrar em estagnação por muito tempo como aconteceu com o Japão, nos anos 90.
Portugal se não apostar na criação de riqueza , na produçõa de bens e serviços transaccionáveis e dirigidos para a exportação, vai entrar num período de empobrecimento. Não são os lucros dos bancos, nem das empresas públicas, dirigidas para o mercado interno que darão a volta ao problema. Como só não vê quem não quer. Foi sempre a política económica dos últimos cinquenta anos e que nos arrastou para este beco. Não são os megainvestimentos.
É a produtividade, a inovação, a exportação. Mas para isso é preciso ser muito bom, ser determinado, não ter medo dos senhores do dinheiro. É preciso a reforma da Justiça, da Administração Pública, da Fiscalidade!
É tudo muito dificil mas é o único caminho! Leiam o programa do PS e não se encontra lá nada que não tivesse sido experimentado nos últimos cinquenta anos!
Que a coragem comece por quem vota!

Apontamentos & desapontamentos: A televisão é para estúpidos (sobre a tele-dependência)

televisão
A frase é do escritor e editor Luiz Pacheco (1925-2008) numa entrevista conduzida por João Paulo Cotrim, quando este lhe perguntou se «a televisão está a matar a literatura – «A televisão não mata nada! A televisão é para estúpidos!», confessando depois, no entanto, que tendo recusado ter televisor até pouco tempo antes, fora «apanhado pelo fascínio do pequeno ecrã» e via tudo (de tudo dizendo mal) – telenovelas, séries, concursos… Groucho Marx (1890-1977), numa frase que já aqui citei, costumava dizer: «Acho a televisão muito educativa – logo que alguém a liga vou para outra sala ler um livro. No fundo, as duas frases dizem a mesma coisa, por palavras e com intensidades diferentes. Ray Bradbury (1920), numa entrevista dada em 25 de Julho ao El País, coloca a mesma questão, da sobrevivência do livro face à concorrência da televisão e, sobretudo, desde há uma década, da Internet e das novas tecnologias da informação em geral. Vamos então tentar saber se, de facto, como disse, com frontal brutalidade, o Pacheco, «a televisão é para estúpidos».
É óbvio que Luiz Pacheco se referia à dependência da televisão que afecta muitas pessoas e não ao meio televisivo em si, um invento notável que, bem utilizado, poderia ser um poderoso instrumento de difusão cultural. Só não o é porque tem sido posto ao serviço de ideologias e de interesses económicos, criando dependências perversas (como todas as dependências) – a Internet, outro meio potencialmente disseminador de cultura e possível eixo estruturante da aprendizagem e do saber acumulado, tem vindo a ser utilizado também para fins criminosos – redes de pedofilia, incluídas – sem que se possa negar os seus benefícios. Sempre que se abre um caminho, seja uma rota marítima ou aérea, seja uma estrada, há sempre piratas e salteadores que saem ao caminho dos viajantes. Não vamos, por esse motivo, deixar de abrir caminhos.
Ficar um dia em frente do televisor, vendo séries, telenovelas, concursos, é, de facto uma estupidez, um atentado contra a vida. A televisão é usada como meio de estupidificação, de criação de uma «ideologia de massas» consonante com os interesses de uma minoria. Um grande exército de agentes está na base dessa «ideologia» – desde os criadores de programas aos criativos das agências de publicidade, por exemplo. As estatísticas que nos informam do tempo que crianças e adultos de diversas faixas etárias passam diariamente em frente dos televisores, são aterradoras. Um inquérito feito em São Paulo, revela que 87% das pessoas com mais de 60 anos vêem televisão durante todo o dia. Uma pesquisa levada a cabo pelo Center for Media Education, dos Estados Unidos, mostra que as crianças de todo o mundo, vêem de três a quatro horas de televisão diária. Para a maioria de crianças e adolescentes (entre os três e os 17 anos) a principal actividade é a televisão. Principalmente para os idosos, a televisão é uma forma de suprir carências afectivas, a solidão provocada pela viuvez, pela morte dos amigos e familiares, causando uma desertificação da sua vida social, etc.
Por outro lado, ao não exigir qualquer esforço das funções cognitivas, limita a imaginação, o que se torna particularmente grave entre os jovens. Nos telespectadores assíduos, reduz a capacidade e a velocidade da leitura, provoca a obesidade, prejudica a postura, tem influência no desempenho sexual (piorando-o), altera o sono, afecta as relações sociais… Resumindo, a tele-dependência é uma patologia com consequências colaterais graves se não for tratada. E não adianta emitir conceitos morais – a televisão, até ser substituída por outro suporte mais apelativo, vai continuar a absorver as atenções de todos, crianças e adultos. È um mal iniludível. Transformar um mal numa coisa boa nem sempre é impossível. Neste caso, tratava-se de aproveitar o sortilégio da TV para educar, ensinar e divertir, claro. Não deixando de incentivar os telespectadores a viverem a vida que acontece para lá da janela do pequeno ecrã.
Contudo, o objectivo de quem controla esse e outros meios não é criar programas de boa qualidade – é engendrar programas «apelativos» – redes que apanhem os otários distraídos. Como, há alguns anos, me disse ironicamente Mr. Hugh House, alto responsável da BBC, queixando-me eu da má qualidade da televisão em Portugal, a função da televisão é, precisamente, não ter qualidade. Quando João Paulo Cotrim pergunta a Pacheco se a Televisão não matará o livro, está a citar a frase de Victor Hugo a que já aludi noutra crónica – «ceci tuera cela» – isto matará aquilo – referindo-se ao livro impresso, ao invento de Gutenberg, que mataria a arte gótica, a arquitectura, a escultura, a iluminura, a glosa medieval, como forma de comunicar com as massas. Foi uma preocupação do final do século XV que, como se viu, era infundada – o livro, a arquitectura, a escultura, conviveram pacificamente até hoje.
Numa entrevista ao El País que já aqui referi, Ray Bradbury, foi aos arames quando lhe falaram no Kindle – «Isso não são livros. Os livros apenas têm dois cheiros: o cheiro a novo, que é bom, e o cheiro a livro usado, que é ainda melhor.» Como muitos de vós sabeis, o Kindle é um pequeno equipamento criado pela Amazon, uma empresa norte-americana, com a função principal de ler livros digitais ( e-books), podendo armazenar cerca de 1500 livros, podendo arquivar música (no formato MP3), actualizar páginas da Internet, entre outras funções. Isto sem que se possa aduzir o velho argumento (a favor da sobrevivência do livro) de que «não se pode levar um computador para a cama» – o Kindle tem um tamanho semelhante ao de um livro e um peso também equivalente. Recentemente, em Maio deste ano, foi lançado o Kindle DX, com um display de 24,6 cm na diagonal, uma vez e meia maior do que a versão standard, e que permite ler jornais e aceder aos formatos PDF, MP3 e TXT. Eu não seria tão radical quanto Bradbury na recusa liminar desta inovação. Também pertenço a uma geração que tem uma forte relação afectiva com o livro tradicional – o cheiro do papel novo, da tinta acabada de secar, a volúpia com que se examina a textura mais rugosa ou mais calandrada das páginas, o vício de tentar avaliar a gramagem, esfregando a folha entre o polegar e o indicador, a análise atenta do grafismo, a busca das gralhas, o odor dos livros usados… Não se pode, à partida, no entanto, recusar uma invenção que evitaria o derrube de florestas inteiras e permitiria sem ocupação de espaço aceder a enormes bibliotecas. Sobretudo para obras de referência, para livros de estudo. O Kindle, e os suportes que lhe sucederem, não matarão o livro – antes o perpetuarão com outra forma. Não haverá tão cedo Kindle que possa substituir o requinte de, por exemplo, uma edição de arte. Haverá sempre quem não dispense os livros em papel alinhados em estantes – os «loucos dos livros», de que, há 500 anos, nos falava o alsaciano Sebastian Brant na sua «Stultifera navis».
A televisão não é para estúpidos. A televisão foi um invento brilhante, mas é, muitas vezes, controlada por estúpidos, por sua vez manipulados por bandalhos espertos e codiciosos que nos querem estupidificar (e, segundo as estatísticas, estão a conseguir). O inteligente escritor e editor Luiz Pacheco era isto que, por certo, queria dizer.

Borradinho de medo

Tem algum sentido que não haja um ciclo de debates entre, no mínimo, os dirigentes dos partidos parlamentares?  Que numa campanha eleitoral Sócrates se confronte uma única vez com os seus principais adversários, num debate a cinco que todos já sabemos ser mais ruído que debate?

Tem:

José Sócrates aceita participar em três debates televisivos: dois frente-a-frente com a líder do PSD, Manuel Ferreira Leite, e um debate alargado com os presidentes dos cinco partidos com representação parlamentar, anunciou hoje fonte socialista.

Quando se está borradinho de medo pela ameaça de ter de enfrentar os adversários em debates a dois. Quando se tenta fazer passar a mensagem de que em Portugal só dois partidos é que contam. Quando se sabe que debates com Manuela Ferreira Leite até podiam ser à dúzia porque nesses joga em casa.

É o rotativismo no seu pior.

Sobremesa: Carolina Patrocínio

Os anseios de Carolina Patrocínio

Prato do dia: hoje há comunas, ontem havia parceiros

Como é possível que alguém, que manifesta uma tal alergia ao comunismo e a alguns dos seus supostos continuadores, seja capaz de ter participado numa coligação com comunistas “a sério”.
Assim, ou Tomás Vasques participava, debaixo da capa de um anti-comunismo militante, na “sovietização” da cidade de Lisboa ou de forma encapotava contribuía para a ruptura daquela aliança, tudo fazendo para que João Soares perdesse as eleições para Santana Lopes, como de facto aconteceu ou, a hipótese mais verosímil, andava a fazer pela vida, ele e a sua mulher, vereadora do urbanismo de João Soares, como alguns zunzuns que na altura foram publicados na imprensa deixavam antever (ver aqui, aqui e aqui).

Jorge Nascimento Fernandes no Trix-Nitrix, sublinhados da casa.

Sopa do Dia: conceptualizar algo

Quanto aos abusos da Casterman, não sei, não são do “Alerta Laranja” e o SIMpleX é um “medley” de muitas mentes.
Sei, que como art-director, pago os direitos de imagem(e paguei pela laranja) para a poder utilizar.
Tenho o cuidado de não ser vulgar, não pretendo ter graça, apenas conceptualizar algo.
E por mais que ache estranho, não sou, nem vou votar PS…
Abraços

Comentário de João Coisas, pelos vistos art director do Alerta Laranja e mente participante nesse medley que é o Simplex,  no Cinco Dias

Apontamentos & desapontamentos: Tele-disparates


Konrad Lorenz, o grande naturalista austríaco (1903-1989), prémio Nobel para a Medicina em 1973, criou o conceito do imprinting, que em castelhano se traduziu por «impronta», mas que entre nós se tem preferido deixar em inglês, já que uma tradução literal – estampagem, cunhagem, gravação – podia dar lugar a uma distorção do conceito científico. O que é o imprinting? Estudando o comportamento dos gansos recém-saídos da casca, Lorenz verificou que eles aprendem a seguir a mãe, mesmo que seja uma falsa mãe, um ser humano, outro animal ou mesmo um objecto, copiando-lhe o comportamento. Sugiro que o amigo Adão Cruz, com a experiência clínica e a bagagem científica de que dispõe, um dia destes, nos dê uma lição de Etologia, até porque, segundo julgo saber, a disciplina procura sobretudo explicar a raiz da agressividade. Num tempo de agressividades múltiplas e de agressivos fundamentalismos, seria útil compreendermos os mecanismos desse comportamento que, à primeira vista, é, do ponto de vista humano, irracional e autodestrutivo. Deixo a sugestão e volto ao tema inicial. Saído da casca, o meu primeiro emprego «a sério» foi na RTP. Por isso, talvez, à luz do conceito etológico do Lorenz, me tenha ficado dos longínquos dois anos em que lá trabalhei o hábito de preferir o canal de serviço público aos outros dois que surgiram muito posteriormente. Confesso que raramente ligo para a SIC (embora o canal de Notícias, não seja mau) e, por razões que me dispenso de explicar, quase nunca para a TVI. Vejo diariamente os serviços informativos da RTP, o «Jornal da Tarde» emitido do Porto e o «Telejornal». Imprinting? Talvez. Na realidade, não sendo grande consumidor de televisão, mesmo quando não presta e me desaponta – ou seja, quase sempre – a RTP é o «meu canal». Vou dar-vos conta de alguns dos meus desapontamentos.

Vou apenas abordar pormenores. As coisas transcendentes não são para aqui chamadas, Um amigo que leu um desses meus textos sobre a democracia, disse-me uma coisa muito sábia – entre o que se tem e o que se idealiza é preciso criar degraus, porque se deixamos um abismo intransponível entre realidade e sonho nem as asas da imaginação de quem lê o consegue por vezes transpor. E as pernas da realidade muito menos. Mutatis mutandis, entre o canal de serviço público que temos e o que gostávamos de ter, a diferença é abismal. Por isso, vou falar de pormenores, ou seja de alguns dos modestos degraus que poderiam conduzir a RTP ao patamar satisfatório que merecíamos ter, se o soubéssemos exigir, num serviço público de televisão.

Por exemplo, no que se refere ao «Jornal da Tarde», lamento os critérios de um alinhamento que muitas vezes privilegia notícias regionais sem grande relevância, deixando para o fim acontecimentos mais importantes da actualidade nacional ou internacional. Não seria preferível a RTP ter mais dois ou três canais regionais onde se desse uma informação local completa e minuciosa (como o da Madeira e o dos Açores e como acontece com a descentralizada TVE)? Assim, embora se compreenda perfeitamente a necessidade de dar, num palco com audiência nacional, protagonismo à região Norte, esse desiderato resulta muitas vezes em mau jornalismo – o que diríamos de um jornal que trouxesse na primeira página um vulgar acidente de viação ocorrido na cidade onde o periódico se edite e nas páginas interiores a notícia de um terramoto na China, ou de um descarrilamento na Índia, com centenas de mortos? Outra deficiência, esta comum a todos os serviços informativos da RTP, é a sua exagerada extensão, incluindo numerosas peças temáticas, com maior ou menor interesse, mas que não têm a ver com o tipo de informação que se espera. Os serviços da RAI, por exemplo, são modelares, pois em meia hora dizem tudo o que de importante se passou no mundo e no país. Na RTP (e nos outros canais generalistas) existe a peregrina ideia de que um serviço informativo é «uma espécie de magazine».

Dá-se demasiada importância ao futebol. Não é invulgar os serviços abrirem com um flash de um jogo o que me leva logo a pensar: «hoje não aconteceu nada de importante». E às vezes nem é verdade. Outra coisa que não percebo é a razão por que se gasta tanto dinheiro em tele-tontice, pagando a «cantores populares» que nos despejam em cima o seu analfabetismo e a sua mentalidade pornográfica servidos sob uma suposta forma musical. É puro lixo, que serve para preencher programas como a Praça da Alegria, Portugal no Coração, e quejandos, verdadeiros hinos à imbecilidade (salvo uma ou outra entrevista que teria interesse se o Jorge Gabriel e a Sónia Araújo fossem capazes de as fazer). Se tiverem paciência, deliciem-se com o vídeo de cima, apreciem a subtileza do poema e a qualidade da frase melódica repetida até à exaustão…

É nestas indescritíveis porcarias que o dinheiro dos nossos impostos é gasto?

Registo aqui também aquele tique anedótico dos jovens profissionais que, depois de termos escutado uma personalidade discorrer sobre qualquer assunto da sua área de actividade, nos «explicam», como se estivessem a fazer uma tradução do chinês, as mais das vezes em linguagem confusa e demorada, aquilo que, por vezes, a pessoa disse de forma escorreita e ágil. Como fazem todos os mesmo, penso que será lição (mal) aprendida nos cursos de jornalismo onde lhes devem ter dito para encerrar cada entrevista com uma breve síntese do que o entrevistado disse.

Claro, eu disse atrás que não percebia porque é que se gastava o dinheiro dos contribuintes em lixo, mas até percebo perfeitamente. A RTP está na guerra das audiências com a TVI e com a SIC e para isso precisa de ir abastecendo o seu tele-contentor. O serviço público de televisão não deveria entrar nessa competição, nem deveria passar publicidade. Em suma, não deveria competir em nada com os outros canais generalistas. Informar, formar, divertir educando… Mesmo correndo o risco de perder telespectadores. Mantê-los servindo-lhes programas que competem em estupidez com a «concorrência», não é prestar um serviço público. Era preciso mudar totalmente a filosofia da estação. Mas isso é entrar no campo das coisas impossíveis, dos sonhos, das transformações megalómanas e eu hoje só vim falar de pormenores. É abrir o tal abismo intransponível entre o que existe e o que deveria existir.

Uma última nota, agora para outra secção – a das tele-calinadas. José Rodrigues dos Santos, além de um bom profissional, é um escritor de sucesso, professor da Universidade Nova de Lisboa e um dos pilares da informação do serviço público de televisão. Tem uma responsabilidade intelectual tripla de, tanto quanto lhe seja possível, respeitar a língua portuguesa. Os seus erros de português não são aceitáveis. Tanto mais que, estou convencido de que os comete por teimosia. Quando digo teimosia é isso mesmo que quero dizer. Teimosia e arrogância, pois não acredito que nunca lhe tenham chamado a atenção para dois erros que repete há anos como se estivesse acima das regras que regem a língua portuguesa. Diz Ter a haver quando o que pretende dizer é ter a ver. Outra calinada do Zé: Ir de encontro, quando o que quer dizer é ir ao encontro. Dispenso-vos da lição de português. Todos sabemos o que cada uma destas quatro expressões significam. E não creio que Rodrigues dos Santos o não saiba. Outro erro que comete, imperdoável para quem estudou em Londres e foi correspondente da CNN, é a sua pronúncia da palavra rugby – ele diz
r
eigbi. Bem sei que muita gente diz assim, incluindo alguns dos jogadores da selecção de râguebi. Mas isso não é desculpa. Porém, apesar do ter a haver, do ir de encontro e do reigbi, o José Rodrigues dos Santos é um dos grandes profissionais da minha RTP.

Paquete de Oliveira, provedor do telespectador, continua no seu estilo tímido e soletrante, a dar vazão a alguns reparos que lhe chegam sobre a programação do serviço público de televisão. Já tenho ouvido críticas, dúvidas ou sugestões pertinentes, mas nunca dei conta de o caminho da RTP ter sido alterado num milímetro que fosse em função desses reparos. Talvez a ideia seja mesmo essa – dar espaço às pessoas para protestarem, mas não ligar a mínima importância ao que dizem – uma espécie de «deixa-os lá falar!».

A Zezinha vai sair a gritar

A Maria José Nogueira Pinto é um caso sério de coerência. Está pronta
a trabalhar com quem lhe dá trabalho e quem é que a pode levar a mal?
Já passou por tudo quanto é sítio de nomeação, pela mão do CDS, do
PSD, do PS! Agora, apoia o PS na pessoas do António Costa e consta nas
listas do PSD. Tudo claro como a água doce, embora não se perceba
porque sai sempre dos lugares (de nomeação) aos gritos com tudo e
todos!

Ou não lhe reconhecem capacidades e demitem-na, ou não lhe renovam os
mandatos, mas a verdade é que sai sempre zangada com toda a gente. Mas
isso dura no máximo 3 mesitos que é o tempo necessário para recuperar
energias e dar uns passeios retemperadores. Com uns textos nos
jornais, uns convites para faladuras na rádio e nas Tvs, a Zézinha
volta na maior.

E aí a temos novamente. Há sempre gente capaz de se sacrificar pelo
serviço público!

Finalmente explicada a história do filho da puta, ou o professor e o aluno

«João Constâncio, um malabarista do malsão equilíbrio Maçonaria/Opus Dei, que gangrenou a Universidade Nova, e que lá está por ser filho de quem é, lá terá de dar o doutoramento ao Sr. Galamba, CNO, ou afim. Parece que o preço foi chamar “filho da puta” ao outro. Cosa poca…» (Arrebenta)
Que é como quem diz, o aluno João Galamba chama filho da puta a quem se atreve a criticar o seu orientador João Constâncio. E nós a pensarmos que era por pura amizade…
E já agora, alguém me diz se o João Galamba que aparece a defender a Juventude Comunista da República Checa aqui é o nosso João Galamba?
Há coisas fantásticas, não há?

Sporting – Fiorentina


Quando joga com equipas italianas, o Sporting raramente ganha. Desenvolve um bom futebol, cria oportunidades mas não chega lá.
Contra a Fiorentina, voltou a acontecer o mesmo. Podia ter ganho à vontade, mas acabou com um mau resultado devido a infantilidades inacreditáveis (como aquela de tirar a camisola para festejar um golo), algum azar e a ajuda do árbitro. Deve ser esta a ética e a verdade desportiva defendida pela UEFA de Platini – o mesmo que queria tirar o FC do Porto da Liga dos Campeões e acabou por amochar depois de chamado à razão.
Ou muito me engano, ou, desta vez, o Sporting não vai mesmo à fase de grupos. Lá se vão os mihões. E lá se vai o Paulo Bento, que anda há cinco anos a preparar uma equipa. Como disse no último «post» que escrevi sobre o Sporting, este ano Paulo Bento Cai Cedo…