
Quando joga com equipas italianas, o Sporting raramente ganha. Desenvolve um bom futebol, cria oportunidades mas não chega lá.
Contra a Fiorentina, voltou a acontecer o mesmo. Podia ter ganho à vontade, mas acabou com um mau resultado devido a infantilidades inacreditáveis (como aquela de tirar a camisola para festejar um golo), algum azar e a ajuda do árbitro. Deve ser esta a ética e a verdade desportiva defendida pela UEFA de Platini – o mesmo que queria tirar o FC do Porto da Liga dos Campeões e acabou por amochar depois de chamado à razão.
Ou muito me engano, ou, desta vez, o Sporting não vai mesmo à fase de grupos. Lá se vão os mihões. E lá se vai o Paulo Bento, que anda há cinco anos a preparar uma equipa. Como disse no último «post» que escrevi sobre o Sporting, este ano Paulo Bento Cai Cedo…
Sporting – Fiorentina
tarde de Agosto
Há um instante, quando os dias ainda são longos e o sol escalda e Agosto parece interminável, em que uma rajada de vento sopra com violência inesperada, os ramos dos salgueiros agitam-se e murmuram uma queixa, um arrepio estremece-nos, e percebemos que é o fim do Verão que se anuncia.
Poderão ainda as tardes de calor suceder-se, o rio continuar a chamar-nos com a sua calmaria cálida, mas já conhecemos o segredo do fim das coisas e esse saber não nos amargura nem entristece.
As crianças saem da água a tiritar, as mães apressam-se a cobrir-lhes os ombros com toalhas, passam-lhe para as mãos o pão com fiambre e o leite achocolatado, tudo é igual ao que era há vinte anos, e sabemos que a seguir virá Setembro com a sua melancolia, o mês dos regressos e das despedidas, o mais belo de todos.
Deixamos as margens do rio, de regresso à vila, e caem as primeiras gotas, grossas e frias, um bálsamo após a tarde abrasadora. A terra húmida perfuma o ar da tarde e o mundo respira placidamente. Por instantes podemos fechar os olhos e acreditar que uma secreta harmonia se estende a todas as coisas.
Mapa Mundi Imperial, Agosto 2009
Se o império americano levantasse um dedo nas Honduras havia um desgolpe de estado.

Se o império chinês mexesse um dedo, Aung San Suu Kyi era despresa.
Judas i pedofiia
Com amigos destes o PS não precisa de inimigos. O Judas no i não está com meias e vá de assassinar a eito!
Ninguem me recebeu no PS nem quis falar comigo, ao contrário do que se passou com quem foi acusado de pedofilia, que até foi recebido na Assembleia da República, digo eu, tal é a mensagem clarinha de primeira página.
Isto é de uma gravidade extrema e leva a pensar que quando o PS ou alguém pelo PS vem com remoques acerca do Preto e da mala cheia de dinheiro, devia era estar calado. Pelos casos que correm na Justiça e fora dela acerca de gente do PS é dificil perceber que não contem com gente da própria casa para lhes fazerem a folha.
Pois se uns são abandonados à sua sorte enquanto outros são defendidos com evidente prejuízo para o partido, têm a lata de falar da palha no olho do adversário e não vêem a trave no seu próprio olho? O Moita Flores está muito zangado e vai sair ou não sai mas vai votar pelo PS? Muito bem, levas com o Judas dois dias depois!
É que o PS nao pode estar à espera que na campanha estas questões não venham a lume, o que faz pensar que vai ser lindo!
Judas diz que os casos em que está envolvida gente importante não dão em nada, quem manda são os banqueiros e os industriais, os políticos fazem-lhes os fretes. Mas eles é que são os grandes senhores do sistema. Diz mais, que com Sócrates não há coligações, que teria de ser com Costa a aproximação ao PSD. A tendência geral será um maior protagonismo do Presidente Cavaco Silva, a tentação de uma V República Francesa como Catroga já adiantou.
Governos cada vez mais fracos, com gente sob suspeita que tem que mexer cordelinhos para se manter em funções, deixam o poder cada vez mais nas mãos dos de sempre. Os grandes Grupos económicos que se pelam pelas grandes obras públicas e as grandes empresas públicas em monopólio ou em cartel, e que fazem o que querem, agora em grande parte nas mãos do capital internacional e que dirigem o investimento para o exterior em vez de o aplicarem cá dentro.
Como pode o país viver com 500 000 desempregados apoiados pela Segurana Social os próximos anos, se ninguém pensa em medidas estruturais? Onde está a capacidade de criar riqueza e exportar?
Com a clase dominante que temos, do ponto de vista empresarial, a desgraça vai continuar.
É com esta classe empresarial que Sócrates tem governado, com os milhões que enterrou nos bancos e a preparar-se para desgraçar o país com os Megainvestimentos (esta digo eu!)
Para a Conchichina

O MMS (Movimento Mérito e Sociedade) apresentou, nos últimos dias, um cartaz em que mandava os actuais líderes políticos para a Conchichina.
Parabéns MMS!
Finalmente alguém pensa como eu.
Penso que todos os portugueses estam FARTOS dos já tradicionais, líderes políticos pois estes não apresentam ideias novas.
Mandá-los para a Conchichina… coitados dos conchichinenses.
Eu vou mais longe: Mandem-nos para um planeta que não seja habitado…
Já agora que seja uma viagem só de ida.
A Guerra das Salamandras
O injustamente esquecido Karel Capek, romancista e dramaturgo checo mais conhecido pelos seus romances de ficção científica e por ter sido o criador do termo “robot”, escreveu “A Guerra das Salamandras” em 1936. Em plena ascensão do nazismo, e no ano em que tinha início a sangrenta guerra civil de Espanha, Capek descreve-nos os acontecimentos que rodeiam a descoberta de uma nova espécie de salamandra, dotada de capacidades tão surpreendentes quanto a de aprender a falar em diversos idiomas, ou construir obras de engenharia que em muito superam aquilo de que a humanidade é capaz. O passo seguinte é explorar as suas capacidades, escravizá-las e montar um negócio mundial que rentabilize os dotes do bicho. As salamandras, pacíficas e obedientes, multiplicam-se, adquirem mais capacidades, conhecem a humanidade e, um dia, respondem a uma agressão. Começa assim uma nova etapa da história das salamandras, que trará terríveis consequências. Nas vésperas da eclosão da II Guerra Mundial, Karel Capek era o terceiro nome da lista da Gestapo na qual se enumeravam as pessoas a prender assim que Praga fosse ocupada. Capek não chegou a ver esse dia, morreu no Natal de 1938. O seu irmão, de quem era muito próximo, e que era também um dos nomes cimeiros na mesma lista, viria a morrer no campo de concentração de Bergen-Belsen, quase no final da guerra. Deliciosamente irónico, mordaz e apaixonante, A Guerra das Salamandras transfigura o negro ambiente que precedeu a eclosão da II Guerra Mundial, e a tenebrosa ascensão do nazismo, criando uma poderosa metáfora dos efeitos da desumanização. A reedição é recente e vem contribuir para dar a conhecer a novos leitores a interessantíssima literatura checa, que está longe de se cingir a Kafka.
Recordações da Casa Amarela
Por falar em privacidade, janelas, encarnado, verde, ética, princípios, fins, meios, termino com a abertura. Ainda é o melhor filme português de sempre, e se-lo-á até que A Ministra (novela) seja transposta para cinema.
Presidência suspeita de estar a ser vigiada pelo governo
A capa do Público para hoje.
Estou sem palavras!
No Twitter não se fala de outra coisa, mas na comunicação social mais convencional, até ver quase nada.
Será uma brincadeira de 1 de Abril?
É que é uma BOMBA atómica de gravidade tal que até custa a acreditar.
Haverá um antes e um após 18 de Agosto de 2009.
A Ministra mora na Av. de Roma… isto é para não lhe chamar outra coisa!
Não percebi. E gostava que me explicasses, Carlos Vidal, a mim e à senhora cujo pé tanto foge para a chinela.
Será que é mais grave eu mostrar a casa da Ministra do que chamar-lhe filha da puta?
Está tudo louco?
Acedo ao Facebook da minha empresa, e vejo que um dos nossos amigos acaba de realizar o teste “que tipo de cocó és tu?”, tendo obtido como resposta: “tipo 4 – Como uma salsicha ou serpente, suave e mole”. Nunca mais se olha da mesma maneira para alguém depois de saber que ela é do tipo 4, pois não?
Professores Titulares
O movimento de luta dos professores nos últimos anos tem sido algo absolutamente fantástico mas, nem por isso, o governo parece aprender.
Vejamos o site da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação: DGRHE…
Vamos passar à frente aquela ideia que boa parte dos tugas continua a ter sobre os professores – aquela dos 3 meses de férias. Estão todos de acordo que pelo menos em Agosto temos direito a férias, certo?
Pois bem, em pleno dia 17 do oitavo mês o Ministério informa as escolas e os professores de que podem iniciar o processo de candidatura a Professor Titular.
Os menos atentos certamente deverão lembrar-se de que esta trapalhada da divisão da carreira tem sido uma das bandeiras da luta dos professores e isso acontece fundamentalmente por dois motivos:
– é uma divisão desnecessária e injustificável à luz das actividades escolares – na nossa profissão só há uma função do primeiro ao último dia: dar aulas. Logo, não se justifica qualquer divisão.
– a forma como decorreu o primeiro concurso foi um absurdo, permitindo injustiças já reconhecidas pela Ministra.
Dito isto, o ME tenta agora lançar uma OPA sobre os professores.
É importante gritar bem alto a todos os possíveis candidatos (15 anos de serviço): isto é pouco mais do que uma mentira, porque entre poder concorrer e entrar vai uma distância maior do que a do BENFICA vir a ser campeão. Em nenhum lado o ME se atreverá a lançar vagas REAIS antes das eleições – avança apenas com um processo burocrático procurando comprar o nosso voto nas eleições que se seguem.
Eu por mim farei assim:
1- hoje reclamo, amanhã votarei.
2- Subscrevo a sugestão do Paulo Guinote – vamos todos apresentar candidatura e vamos desta vez, SIM, tentar provar como isto é absolutamente impossível de implementar.
Vamos a isso!
Cartazes das autárquicas (Stª Mª Feira, Aveiro)
Os Miseráveis
Se vivesse no Portugal do século XXI, em alternativa à França do Século XIX, Victor Hugo teria muito material humano para trabalhar aquele que seria, por certo, um grande clássico.
Na SIC, esta noite, o fiscalista Diogo Leite Castro declarou que uma pessoa que tem um vencimento de cinco mil euros é um remediado. Já quem ganha mil euros mensais é um miserável. Até pode ter razão, mas a realidade é que uma parte gigantesca da população nacional tem vencimentos até esse montante. Logo, há um oceano de miseráveis e uma pequena bacia de milionários.
No entanto, sejamos realistas: não vale a pena acabar com os ricos. O que importa é acabar com os pobres.
Um piqueno problema…
… Chamado coerência!
Aqui pelo Porto há quem use expressões do tipo “Coluna vertical”, “tomates no sítio”. Quando alguém tem a capacidade de recusar um tacho a troco da sua dignidade.
Há outros provérbios do tipo “Cão que não conhece o dono”.
Mas, tudo isto é nada a troco de tudo, não é?
Sabemos todos que os partidos são um problema, quase sempre mais parte deste do que da solução. Sabemos todos que ninguém está preso a nada, nem a ninguém.
Mas, o que leva um fundador do BE a mostrar surpresa pelo partido que ajudou a fundar, manter a linha de rumo por si “construída” e nunca criticada?
S.L.Benfica – Futaventar #1
“Aí está a retoma!”
(Foto do Jornal “A Bola”)Sócrates e Antero Henriques (AH) estão na mesma onda!
Para um 153 000 desempregados corresponde ao alcançar de um objectivo e um excelente sinal da economia lusa, para outro as não vitórias do Maior Clube do Mundo correspondem a um facto – não sabe ganhar em Democracia. Nem mais!
E ontem 54113 tiveram oportunidade de ver a retoma on tour, mais conhecida por Dias, A.S..
A retoma entrou cedo em campo com uma bola a bater na mão do David, visão categórica de A.H. como sinal da ditadura que se vive no clube da luz. Logo, sem margem para qualquer certeza, ASD aponta para a marca de penalty. Talvez por ter sido com a mão direita valeu penalty, mais tarde, por ter sido na esquerda não valeu – na área do marítimo uma mão não deu penalty: verdade que um não chegou porque o Cardozo resolveu dar uma de Sportinguista e falhou uma penalidade.
Quanto ao resto foi uma batalha dura entre o povo que luta diariamente para vencer um crise real e uma governação que apresenta a retoma há anos – fechadinhos lá trás, vestidos com as cores da Madeira, encostaram o paquete em frente à baliza. Depois, devagar e devagarinho lá foram indo… Nunca sairam do Porto, por isso nunca chegaram a bom porto ainda que a retoma azul e branca. Ups… Desculpem. A retoma rosa tenha tentado.
Nesta campeonato muito particular da retoma sim ou não, está visto que do lado do glorioso, só podemos confirmar: a retoma está aí. Já nos levaram dois pontos.
Até Guimarães.
Nota:meu caro Miguel, não sou de pressas – e, sim, concordo contigo – esse jovem da foto foi o melhor do Benfica ontem.
Cartazes para as Autárquicas (Matosinhos)
Guilherme Pinto (actual Presidente), PS, Matosinhos.
A quota da Fernanda Câncio*
Com aquela escrita meio “tem-te não tem-te ” como se fosse a cada palavra descobrir a origem do Universo e logo a seguir desaguar num mar de lugares comuns, o Director do “Sol” escreve sobre a não recondução do Prof. Lobo Antunes para membro da Comissão para a Ética e para a Vida.
E, após umas dicas de senso comum à volta de quem teria tido influência junto do Primeiro Ministro para que este tomasse tal decisão, encontra a resposta em quem está ali mais á mão. Pois a namorada de José Socrates não é a campeã das causas fracturantes e não terá o Prof. escrito um relatório contra o Testamento Vital?
E, záz, aí está a razão clarinha como a água doce. Não entras!, manda a Fernandinha…
Eu, por acaso, que não tenho o “olho de falcão” do Sr. Director, andava às voltas com uma questão bem mais preocupante.
Então, não é, que para além das quotas das sensibilidades, das distritais e da “dos nacionais” o PS tambem tem a quota da Fernanda? Na constituição das listas a deputados do PS! Muito mais evidente que o raciocínio do Sr. Arquitecto. Um grupo de bloggers sai do “5 dias” e forma a “Jugular” que por sua vez se transforma no “Simplex”, onde deixam de estar envergonhados e fazem às claras o que sempre negaram. O apoio “à outrance” do Governo, do PS e de Sócrates! E não é que um desses bloggers já está em terceiro lugar na lista do PS por Vila Franca de Xira, justamente a terra natal da Fernanda Câncio? E esta hem?
Parabéns João Galamba, foi rápido, não deu aquele trabalho “filho da puta” das Jotas nem do aparelho e é pela mão de quem manda!
* corrigido.
Francisco Leite Monteiro – Os preços dos combustíveis rodoviários
Preços estão empolados em 20% como se constata, por opção do Governo, que terá aproveitado para reforçar os cofres do Estado
O comunicado da GALP de 11 de Agosto, proclama o esclarecimento da opinião pública, aparentemente em defesa da Autoridade da Concorrência, a entidade reguladora que, segundo o Prof. António Costa Silva, pouco ou mal regulará o mercado dos combustíveis, deixando tudo na mesma ou pior. O comunicado traz à mente, pela negativa, a velha máxima britânica “make a long story short”, por assim dizer procurando explicar o inexplicável e, a partir de pouco mais de nada, quiçá habilmente evitando a factualidade, converte uma “short story” numa arengada exaustiva nada clarificadora.
De qualquer modo, já ninguém terá grandes dúvidas – pelo menos desde 2005, coincidindo com a entrada em funções do actual governo – sobre a realidade do que é o mercado dos combustíveis em Portugal, tema de que me ocupei em “O Imbróglio dos Combustíveis” (DN de 17 de Janeiro passado) e que também abordava alguns dos pontos focados no comunicado.
Deve pois recordar-se, tomando os valores indicados pela GALP no que se refere ao peso dos impostos relativamente ao preço final de venda ao público dos combustíveis rodoviários, assim como o peso da matéria-prima, o “crude”, também em termos relativos; e, evidentemente, o preço do próprio “crude”, o “crude brent” que serve de referência para a formação dos preços para, não indo muito mais longe, reabrir o processo sem esquecer a necessidade de ponderar a variação da cotação do euro vs. dólar americano. Como elementos “chave” que são e o facto de o pico do preço do “crude”, como refere o comunicado da GALP, ter ocorrido em 11 de Julho do ano passado – 147 dólares por barril – importa não limitar a análise apenas aos últimos 12 meses, já que a actual crise começou bastante antes.
Ora, no início de 2005, após a chamada “liberalização do mercado de combustíveis”, o preço médio do “crude”, situava-se ao nível dos 40 dólares e a cotação do euro versus o dólar estava ligeiramente acima de 1,30. Curiosamente, no início do ano em curso, após todas as flutuações que se verificaram, os valores, quer em relação ao preço médio do “crude”, quer à cotação do euro versus o dólar, tornaram a ser praticamente equiparáveis aos de há quatro anos. Presentemente, o preço médio do “crude” ronda os 70 dólares e o euro vale cerca de 1,40 dólares, cabendo ainda salientar que o euro chegou a valer 1,60 dólares, quando o preço do “crude”, em Julho de 2008, atingiu o tal pico, que refere o comunicado.
Para não tornar demasiado fastidioso, tendo presente as variações que ocorreram neste mercado, em linhas muito gerais, pode resumir-se:
· no início de 2005 o preço do “crude” situava-se ao nível dos 40 dólares por barril, o euro valia 1,30 dólares e o preço por litro de venda ao público era, para a gasolina 95, cerca de 1 euro e, para o gasóleo, 80 cêntimos;
· em Julho de 2008 com o preço do “crude” nos 147 dólares, o euro chegou a valer 1,60 dólares, a gasolina 95 atingia o preço de €1,50 e o gasóleo €1,43;
· presentemente, com o “crude” próximo dos 70 dólares e o euro a valer 1,40 dólares, a gasolina 95 é vendida a pouco mais de €1,30 e o gasóleo está acima de €1,07.
Nestas condições, a partir de uma análise prática, tendo em consideração os indicadores de início de 2005 (preço do “crude”, cotação do dólar e preços de venda ao público) bem como o peso relativo dos impostos (62% no caso da gasolina e 53% no caso do gasóleo, conforme o comunicado da GALP) o preço da gasolina 95 deveria agora situar-se ao nível de € 1,10 e o do gasóleo de € 0,90. A verdade é outra e os preços estão empolados em cerca de 20% como se constata, por opção do governo que terá aproveitado para reforçar os cofres do Estado, aumentando a receita fiscal em dezenas de milhões de euros – no conjunto do ISP e IVA – ao longo dos últimos 4 anos que dura a crise, à custa da sobrecarga para o consumidor. Impõe-se como tal reavaliar rigorosamente toda a situação, incluindo a actuação da Autoridade da Concorrência – um desafio ao governo, em nome do interesse público.
Publicado também no Diário de Notícias
O poder Ditatorial do FC Porto e a noite
Alguém se surpreende com este tipo de acontecimentos?
Há muitos anos que todos sabem a enorme influência- em tempos total – que os Homens fortes do Porto tinham sobre a noite e o poder que isso lhes conferia perante os jogadores, jovens habituados às coisas boas da noite. Sou do tempo, em miúdo de ver craques do Porto – Oliveira, Gomes – até altas horas num café de Rio Tinto no dia anterior aos jogos. Está publicado em livro e é voz corrente na invicta que a entrada do Pinto da Costa mudou isto tudo e o braço armado criado foi crucial para esta estratégia de dominar tudo e todos – de jogadores a árbitros, a dirigentes de outros clubes. O Braço Armado são os Super que controlam e atemorizam “tudo o que mexe” – estão para quem se mete com o FCP como o cotovelo do Bruno Alves para os seus adversários.
A forma como a Direcção do Porto tolera a “autonomia” dos Super é algo questionável e permitiu a criação de um grupo dirigente com muito dinheiro que vive da venda de bilhetes, de roupa e de outros negócios…
E depois, tudo isto tem acontecimentos muito curiosos, onde quase sempre, alguém que se atreve a mexer no lodo, leva! Simples… A ideia vai passando, vai fazendo escola e depois qual é a solução – comer e calar!
O Porto tem os melhores jogadores, melhores treinadores, melhores dirigentes, ganha mais, etc… e tal. Mas, uma e outra coisa não são por acaso nem mera coincidência. Até aposto que o Adriano vai aparecer que gosta muito do Porto, que o Pinto da Costa e a Direcção do Porto sempre o apoiaram muito e que afinal a agressão não aconteceu – ele caiu na casa-de-banho.
Leitor do Aventar, Nuno Miguel Silva
Os pimentos padrón de Goian

Goyán, ou Goian para os galegos, como fazem questão de mostrar nas placas toponímicas, é uma pequena vila fronteiriça, separada de Portugal pelo rio Minho. Do lado de lá da fronteira, fica Vila Nova de Cerveira. Antigamente, a ligação fazia-se através de «ferry-boat», substituído há uns anos por uma ponte construída a norte da vila e junto à freguesia de Lovelhe. Quanto ao «ferry», que ligava as duas margens em dois minutos de muita magia, está transformado num bar sem grande interesse.
Para chegar a Goian, atravessa-se a ponte e vira-se à esquerda, na direcção de A Guarda (La Guardia). Um quilómetro depois, vira-se no primeiro cruzamento e segue-se sempre em frente até ao local onde ancorava o «ferry-boat», junto ao rio. Virando à direita, já a pé, e andando cerca de cem metros, encontramos uma humilde esplanada que só funciona nos meses de Verão. Pedimos uma canha, um prato de pimentos Padrón e começamos a desfrutar da beleza e calmaria do rio Minho e, do lado de lá da fronteira, do panorama magnífico de Vila Nova de Cerveira.
Poucos minutos depois, o olfacto já não engana: o cheiro do azeite a fritar os pimentos, cobertos por uma fina camada de sal grosso, prenuncia algo de delicioso. Devem ser os melhores pimentos Padrón do mundo, porque são comprados no sítio onde são produzidos, Herbon, aldeia vizinha de Padrón, a cerca de cem quilómetros de Goian.
Manda a tradição que os convivas se juntem a comer os pimentitos e que o primeiro que encontrar um picante pague a conta. Porque os pimentos Padrón, diz o povo, «unos pican y otros non». Se forem apanhados no momento certo, é difícil sairem picantes. Se forem pimentos Padrón de Marrocos, comprados no Pingo Doce, já é mais provável… Seja como for, aconselha-se sempre a ter um copo cheio quando se prova o primeiro, se não se quiser ficar com a boca a fumegar. É que quando picam, picam mesmo.
Só existem nos meses de Primavera e Verão, por isso é aproveitar.

Maria Monteiro – A força da CDU na Av. de Roma

A senhora é que já está a influenciar os vizinhos …. no prédio já nasceram mais janelas vermelhas.
(cá para mim é a força da CDU em campanha pela Av Roma)
—-
Nota: A administração do Aventar dedica este «post» à D. Maria João Pires do Jugular.
Falando de democracia: A televisão e o computador significarão a morte do livro?

Livraria Lello, no Porto – uma das mais belas do mundo.
A democracia é indissociável do livro. Hoje, falando de democracia, vou falar do livro. E começo por transcrever palavras de José Afonso Furtado em O Que é o Livro: «Uma das imagens recorrentes em diversas obras que se dedicam a problemas de História ou da Sociologia do Livro e da Leitura é uma passagem clássica do romance Nôtre-Dame de Paris, de Victor Hugo. Nela, o arcediago abre a janela da sua cela, contempla por algum tempo a Nôtre-Dame, estende a mão para o livro impresso aberto na sua mesa e, lançando um olhar triste para a igreja, profere a conhecida frase: ceci tuera cela.». Embora como José Afonso Furtado diz, este imagem seja recorrente, utilizo-a mais uma vez porque facilita a compreensão do que quero expor. Segundo o próprio Victor Hugo explica depois, a frase dita pelo arcediago Claude Frollo (o protector de Quasímodo), reflecte o espanto e o receio do sacerdócio, naquele final do século XV, perante o “prelo luminoso de Gutenberg”, o confronto entre a palavra escrita e a palavra falada. Por outro lado (como refere McLuhan) a arquitectura gótica, a escultura, a iluminura ou a glosa medievais eram suportes da arte da memória e o eixo da cultura da escrita. Temia-se que o advento da imprensa pusesse tudo isso em causa e em risco de extinção.
Tal como nesse fim do século XV se temia que um avanço como o que a imprensa significava, pusesse em risco a forma mais popular de comunicar com as massas – a arquitectura gótica, através das quais multidões de gentes iletradas, que faziam das catedrais o seu local de encontro e de passeio dominical (tal como hoje as famílias vão ao centro comercial) «liam», nos elementos escultóricos de pórticos, túmulos, capelas e retábulos, passagens das Sagradas Escrituras, teme-se agora que as novas tecnologias da informação ponham o livro em risco de extinção. Penso que se trata de um falso receio e de um falso problema. Embora, indubitavelmente, o cenário mude – já mudou – e os editores tenham de se adaptar a ele. O feeling que têm usado como sistema, vai deixar (se é que não deixou já) de ser suficiente – vão ser necessários investimentos, nomeadamente na área da formação. As novas tecnologias só podem ser aliadas do livro, nunca adversárias. Concorrentes, sim, inimigas, não. Mas isto, se os editores estiverem apetrechados, inclusive com formação específica que desde há cerca de quinze anos existe, tendo começado com um curso de especialização na Faculdade de Letras de Lisboa e existindo agora outros cursos na Católica e na Nova. Na realidade, do mesmo modo que é impensável um médico ou um engenheiro autodidactas, deveria pôr-se na gaveta das recordações o editor «sem mestre, mas com jeito», como diria o José Fanha. Os editores continuam a publicar por feeling. E não nego que existem pessoas no mundo da edição com uma espécie de sexto sentido. Mas até esse sobredotados às vezes se enganam. Vejam só o perigo que seria se os farmacêuticos, em vez da formação científica que recebem, actuassem por feeling. Ele era aspirina para a queda do cabelo, xarope anti-tússico para as varizes e por aí fora. A edição é uma ciência. A vocação é necessária, mas a formação é indispensável.
Porque a crise do livro é endémica. Quando, há muitos anos, cheguei ao meio editorial a crise do sector era já um dado adquirido. Ironicamente, dir-se-ia que Portugal está em crise desde que o nosso Afonso I derrotou D. Teresa na escaramuça de São Mamede, em 1128, e o que a indústria e o mercado do livro no nosso País estão em crise desde que, em 8 de Agosto de 1489, se imprimiu em Chaves o «Tratado de Confisom», primeiro incunábulo português. As causas apontadas para a crise são numerosas. Umas crónicas, outras que vão surgindo. Há umas décadas, a persistência de uma larga percentagem de analfabetismo entre a população, o baixo poder de compra e a censura, eram três argumentos recorrentes (e todos eles reais). A televisão não se usava ainda como desculpa, pois a oferta desse meio era escassa. Actualmente, o analfabetismo é residual, o poder de compra não é famoso, mas os concertos de música rock enchem-se, para falar só num concorrente do livro. Não há censura, mas há televisão com múltiplos canais, computadores e Internet – as pessoas não ficam com tempo para ler, pois não podem perder os seus programas, os sites ou blogs favoritos. A pouco e pouco a leitura on line dos jornais vai pegando. O que significa que os jornais, ligados geralmente a grandes grupos, já estão a aprender a conviver com a mudança. Também há grandes grupos editoriais, grandes multinacionais da edição, e aí não se brinca às edições – cada projecto é minuciosamente analisado, antecedido de estudos de mercado. Nessas grandes empresa não se usa o velho sistema dos editores clássicos – «eu acho que»… – «Em marketing, não se acha, testa-se!», é uma dos axiomas do Professor Jorge Manuel Martins que lecciona Marketing do Livro na Faculdade de Letras de Lisboa, numa das tais pós-graduações de que falei. Por causa do «eu acho que», os armazéns estão cheios de livros que não se venderam e que, muito provavelmente, não se vão vender. Milhares de árvores inutilmente abatidas.
O empirismo dos editores e a falta de especialização das editoras médias e pequenas, a tentação generalista, a ausência de especialização em linhas editoriais específicas – direito, medicina, culinária, pedagogia, economia – a busca de nichos de mercado, que seria a grande solução para as pequenas e micro editoras; mas não, os pequenos editores, mesmo aqueles que publicam vinte ou trinta títulos por ano, persistem em abarcar todo o imenso leque do conhecimento – do romance à astrofísica. Eles divertem-se, mas arruínam-se. É um suicídio.
Porém, penso que mais do que uma crise no mercado do livro, creio que há a ausência de uma política do livro que induza os cidadãos a ler e a colocar o livro na sua lista de prioridades. Como é que isso se fará? Será coisa para o Ministério da Cultura resolver? Também, mas não só. Para falar só nos últimos cinquenta anos, nem o Estado Novo, nem os governos democráticos souberam criar uma política do livro. E o que será isso? Pitágoras disse. «Educai as crianças par que não seja necessário punir os homens», o que aplicado ao tema que estou a abordar seria «Educai as crianças para que não seja possível em adultas castigá-las com romances da Margarida Rebelo Pinto ou com uma televisão concebida para imbecis». Claro, dirão logo alguns, mas os programas escolares contemplam a literatura. Mas não é de programas escolares que estou a falar. É de educação integrada – uma das minhas utopias, claro. Voltemos à temática da crise do livro.
Resumindo: a verdade objectiva tem contornos estranhos: por um lado, os editores têm razão – há uma crise. Sempre houve. Porém, nunca se vendeu tanto livro como actualmente. Não me perguntem se a qualidade média das edições subiu ou baixou. Estou só a falar de quantidade. Crise do livro? – Sem dúvida! Também crise de mentalidades a afectar os pequenos e médios editores e impedindo-os de se adaptarem às novas realidades.
Sobretudo e sempre, crise de valores da sociedade. Para falar num facto recente, lembremo-nos Cristiano Ronaldo a ser saudado por multidões, com os canais de televisão a seguir todos os seus passos. E se toda aquela força e energia mediáticas fossem postas ao serviço da cultura? Cultura no sentido lato, não no sentido livresco. Embora a disseminação da cultura nesse sentido lato de aquisição de valores e de saberes, se traduzisse também na venda de mais livros
Cartazes para as Autárquicas (Oeiras)
Isaltino Morais (actual Presidente), candidato independente, Oeiras (enviado por Francisco Leite Madeira).
Discurso sobre o filho da puta
João Galamba chamou filho da puta ao João Gonçalves por causa do João Constâncio.
Começa a tornar-se um hábito. O futuro deputado da Nação, quando não gosta do que lê, desata a chamar filho da puta a uma velocidade superior à do Alberto Pimenta. Já me chamou filho da puta a mim, já terá chamado a uns quantos, agora chamou ao João Gonçalves.
Neste ponto, não posso deixar de dar razão a Fernanda Câncio no último «post» que escreveu no «5 Dias» (devo estar confuso, porque agora estou a lê-lo no Jugular numa data em que o mesmo nem sequer existia): «Sempre me fez muita confusão que para chamar um nome a alguém — no caso, para dizer que alguém não presta — se optasse por qualificar a respectiva mãe. ora não só me parece de manifesto mau gosto partir do princípio de que uma pessoa é má rês por alguma coisa que a mãe fez ou deixou de fazer, como não me é minimamente óbvio que o trabalho sexual deva ser associado à geração de más índoles. mas o mais curioso de tudo será a espécie de desculpabilização do facínora implícita na designação. como quem diz que o problema não é bem dele, é da mãe.»
Quanto ao futuro deputado João Galamba, será certamente um digno representante da Nação. Ao nível de um Manuel Pinho ou de um Jorge Coelho. É que quem se mete com o PS leva!
Antologia de pequenos contos insólitos: O Conde Drácula
O Aventar inicia hoje a publicação de pequenas jóias da literatura, contos insólitos, pérolas do non-sense e do fantástico. Aceitam-se sugestões. Inauguramos a série com um conto de Woody Allen, o Conde Drácula.
Algures na Transilvânia, Drácula, o monstro, jaz adormecido no caixão à espera que a noite caia. Como a exposição aos raios solares lhe causariam, por certo, a morte, ele protege-se na câmara orlada a cetim, com o nome da família gravado a prata. Quando o momento da escuridão chega, através de algum instinto miraculoso, o Demónio emerge da segurança do seu esconderijo e, assumindo as abomináveis formas do morcego ou do lobo, vagueia pelos campos, bebendo o sangue das vítimas. Por fim, antes que os primeiros raios do seu arqui-inimigo, o Sol, anunciem um novo dia, regressa sem demoras à segurança do caixão escondido e dorme. O ciclo recomeça.
Ei-lo que começa a mover-se. O estremecimento das pálpebras é uma resposta a um qualquer instinto remoto e inexplicável que lhe diz que o Sol está prestes a ocultar-se e que é chegada a sua hora. Esta noite, sente-se particularmente esfomeado e enquanto permanece deitado, agora completamente desperto, com a capa e o casaco de Inverno debruados a vermelho, à espera de sentir, com misteriosa percepção, o preciso momento da escuridão antes de abrir a tampa e sair, decide quais vão ser as vítimas da noite. O padeiro e a mulher, pensa de si para si. Suculentos, disponíveis e insuspeitos. Pensar no incauto casal, cuja confiança tinha cuidadosamente cultivado, excita febrilmente o seu desejo de sangue e quase não consegue aguentar os últimos segundos antes de trepar para fora do caixão em busca da presa.
Subitamente apercebe-se de que o Sol se pôs. Como um anjo do Inferno, ergue-se com rapidez e, transformado num morcego, voa atabalhoadamente em direcção à casa das vítimas que longamente esperara.
– Conde Drácula, que bela surpresa – diz a mulher do padeiro, abrindo a porta para o deixar entrar.
(Tinha de novo assumido a forma humana, quando entrou na casa, dissimulando com charme os seus objectivos rapaces.)
– O que é que o traz cá tão cedo? – pergunta o padeiro.
– A nossa combinação para jantar – responde o conde. – Espero não me ter enganado. Convidaram-me para jantar esta noite, não foi?
– Sim, esta noite, mas não dá para sete horas.
– Desculpe? – inquire Drácula, olhando em torno, embaraçado.
– Ou veio para ver o eclipse connosco?
– Eclipse?
– Sim, o eclipse total de hoje.
– O quê?
– Alguns momentos de escuridão desde o meio-dia até dois minutos depois. Olhe pela janela.
– Oh! Oh! Estou metido em trabalhos.
– Hem?
– E agora, se me dão licença…
– O quê, conde Drácula?
– Tenho de ir andando…mm… Oh, meu Deus… – Freneticamente, apalpa o puxador da porta.
– Já vai? Acabou de chegar.
– Sim, mas… penso que fiz mal…
– Conde Drácula, está pálido.
– Estou? Preciso de um pouco de ar fresco. Prazer em vê-los…
– Venha. Sente-se. Vamos beber um copo.
– Beber? Não, tenho de me apressar. Eh, está-me a pisar a capa.
– Claro. Acalme-se. Um pouco de vinho.
– Vinho? Oh!, não, deixei de beber; o fígado e todas essas coisas, sabe. Tenho mesmo de me despachar. Lembrei-me que deixei as luzes do castelo acesas; a conta vai ser enorme…
– Por favor – diz o padeiro abraçando o conde com firme amizade. – Você não está a incomodar. Não faça cerimónia. Portanto veio mais cedo.
– Na realidade gostava de ficar, mas há um encontro de velhos condes romenos na cidade e eu sou o responsável pelas carnes frias.
– Sempre com pressa. É um mistério como não arranja um ataque de coração.
– Sim, tem razão. E agora…
– Estou a fazer pilaf de galinha para esta noite – badala a mulher do padeiro. – Espero que goste.
– Esplêndido, esplêndido – diz o conde, sorrindo enquanto a empurra para cima da roupa suja. Então, abrindo por engano a porta do armário, entra. – Jesus, onde é que está o diabo da porta da rua?
– Ah! Ah! – ri a mulher do padeiro. – Que homem divertido que é o conde.
– Estava à espera que gostasse – diz Drácula, forçando um sorriso amarelo. – Agora deixem-me passar. – Enfim abre a porta da rua, mas o tempo tinha-o ultrapassado.
– Oh! Olha, mamã – diz o padeiro -, o eclipse deve ter acabado. O Sol está a aparecer outra vez.
– Exacto – diz Drácula, batendo com a porta da rua. – Decidi ficar. Baixem as persianas depressa, depressa! Mexam-se!
– Quais persianas? – pergunta o padeiro.
– Não há nenhumas, certo? Imaginem. Têm uma cave?
– Não – diz a mulher afavelmente. – Estou sempre a dizer ao Jarslov para fazer uma, mas ele nunca me dá ouvidos. Sabe lá como é o Jarslov, o meu marido.
– Estou a sentir-me mal. Onde é o armário?
– Já fez essa, conde Drácula. E a mamã e eu achámos muita graça.
– Ah, que homem divertido que é o conde.
– Olhem, vou para o armário. Batam às sete e meia.
– E com estas palavras o conde entra para o armário e bate com a porta.
– Eh! Eh! Ele é tão engraçado, Jarslov.
– Oh, conde. Saia do armário. Deixe-se de disparates. – Do interior do armário chega a voz abafada do Drácula.
– Por favor, palavra de honra. Deixem-me ficar aqui. Sinto-me bem. A sério.
– Conde Drácula, deixe-se de maluqueiras. Já estamos fartos de rir.
– Posso garantir-lhes, adoro este armário.
– Sim, mas…
– Eu sei, eu sei… parece estranho, e no entanto aqui estou eu em grande. Dizia justamente, um dia destes à senhora Hess: «Dêem-me um bom armário e eu sou capaz de ficar lá dentro durante hora.» Deliciosa mulher, a senhora Hess. Gorda mas deliciosa… E agora porque é não se vão embora e discutimos isso ao pôr do Sol? Oh, Ramona la da da di da da di, Ramona…
– Eis que chegam o presidente da Câmara e a mulher, Katia. Estão de passagem e decidem retribuir uma visita aos bons amigos, o padeiro e a mulher.
– Olá, Jarslov. Espero que eu a Katia não incomodemos.
– Claro que não, senhor presidente. Venha, conde Drácula! Temos visitas!
– O conde está cá? – pergunta o presidente surpreendido.
– Está e adivinhe onde – diz a mulher do padeiro.
– É raro vê-lo por aí tão cedo. De facto, nem me consigo lembrar de o ter visto de dia.
– Pois bem, está cá. Saia, conde Drácula!
– Onde é que está? – pergunta Katia, sem saber se havia de rir ou não.
– Saia agora!, vamos lá! – A mulher do padeiro começa a ficar impaciente.
– Está no armário – diz o padeiro apologeticamente,
– A sério? – pergunta o presidente da Câmara.
– Vamos lá – diz o padeiro, trocista e bem humorado, enquanto bate na porta do armário. – Já chega. O presidente da Câmara está aqui.
– Saia lá, Drácula – grita Sua Excelência -, vamos beber um copo.
– Não, vão-se embora. Tenho aqui que fazer.
– No armário?
– Sim, não estraguem o dia por minha causa. Eu consigo ouvir o que dizem. Vou ter com vocês se tiver algo a acrescentar.
Entreolharam-se e encolheram os ombros. O vinho soltou-se e todos beberam.
– Um pouco de eclipse hoje – diz o presidente da Câmara, beberricando no copo.
– Sim – concorda o padeiro. – Incrível.
– Sim. De meter medo – diz uma voz de dentro do armário.
– O quê, Drácula?
– Nada, nada. Deixe.
E assim o tempo passa, até que o presidente da Câmara já não suporta mais e, forçando a porta do armário, grita:
– Saia lá, Drácula. Sempre pensei que você era um homem com maturidade. Pare com este disparate.
A luz do dia entra, fazendo guinchar o monstro demoníaco, que lentamente se dissolve num esqueleto e dep
oi
s em pó diante dos olhos das quatro pessoas presentes. Inclinando-se para o monte de cinzas brancas no chão do armário, a mulher do padeiro grita:
– Isto quer dizer que cancelamos o jantar desta noite?
Woody Allen (Nova Iorque, 1935), grande actor, escritor e realizador norte americano, dispensa qualquer apresentação. Este conto é extraído da colectânea Getting even, editada em 1966. O título escolhido para a edição portuguesa foi Para Acabar de Vez com a Cultura.
A tradução é de Jorge Leitão Ramos e a edição da Livraria Bertrand (1981).
F.C. Porto – Futaventar #2
Estou chocado.
Depois de ter visto o Nacional marcar dois golos e não ter ganho quando o sporting não marcou nenhum, demonstrando a forma como a direcção da liga se prepara para levar ao colo os clubes da 2º circular, eis que o clube dos carpinteiros jogou de mãos dados com a equipa de arbitragem, prejudicando gravemente a minha equipa, o Futebol Clube do Porto.
Foram foras-de-jogo inventados pelo Xistra, o Hulk expulso por não ter ido para a luz e o café junto a minha casa cheio como um ovo. Um somatório de contrariedades. Mas vamos ao que interessa: o Xistra. O Sr. Carlos Xistra de Castelo Branco é funcionário público e é o responsável por esta injustiça, este enorme roubo de igreja. O facto de ser funcionário público comprova que já aprendeu com o seu chefe, o Ministro das Finanças – é fartar vilanagem!
Não fora estas incidências e os carpinteiros teriam perdido!
Direito da Família…
Enquanto um o trata por “filho da puta” e o outro o apelida de “filho do outro“, a blogosfera anima-se com ou sem bandeira do Rei. É a season, a silly season…
"Morangos" gripados

Pois é… a “maldita” Gripe A atinge pode atingir qualquer português.
Claro que não é desejável que isso aconteça a quem quer que seja. Mas todos estamos sujeitos a que isso aconteça.
Na sua edição de hoje, o jornal “Correio da Manhã” indica que um jovem assistente da conhecida série “Morangos com Acúcar”, actualmente transmitida pela TVI foi “atingido” pela Gripe A.
E agora?
Como vão eles resolver o problema?
Será que vão “inventar” uma personagem contagiada com a dita gripe?
Ou será o fim desta série?












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