Um piqueno problema…

… Chamado coerência!

Miguel Vale de Almeida, via Um Homem das cidades

Aqui pelo Porto há quem use expressões do tipo “Coluna vertical”, “tomates no sítio”. Quando alguém tem a capacidade de recusar um tacho a troco da sua dignidade.
Há outros provérbios do tipo “Cão que não conhece o dono”.

Mas, tudo isto é nada a troco de tudo, não é?

Sabemos todos que os partidos são um problema, quase sempre mais parte deste do que da solução. Sabemos todos que ninguém está preso a nada, nem a ninguém.
Mas, o que leva um fundador do BE a mostrar surpresa pelo partido que ajudou a fundar, manter a linha de rumo por si “construída” e nunca criticada?

Play it, Sam

O calor dá-me para a nostalgia, que querem?

S.L.Benfica – Futaventar #1

“Aí está a retoma!”

Enorme exibição de Fábio Coentrão

Enorme exibição de Fábio Coentrão

(Foto do Jornal “A Bola”)

Sócrates e Antero Henriques (AH) estão na mesma onda!
Para um 153 000 desempregados corresponde ao alcançar de um objectivo e um excelente sinal da economia lusa, para outro as não vitórias do Maior Clube do Mundo correspondem a um facto – não sabe ganhar em Democracia. Nem mais!
E ontem 54113 tiveram oportunidade de ver a retoma on tour, mais conhecida por Dias, A.S..
A retoma entrou cedo em campo com uma bola a bater na mão do David, visão categórica de A.H. como sinal da ditadura que se vive no clube da luz. Logo, sem margem para qualquer certeza, ASD aponta para a marca de penalty. Talvez por ter sido com a mão direita valeu penalty, mais tarde, por ter sido na esquerda não valeu – na área do marítimo uma mão não deu penalty: verdade que um não chegou porque o Cardozo resolveu dar uma de Sportinguista e falhou uma penalidade.
Quanto ao resto foi uma batalha dura entre o povo que luta diariamente para vencer um crise real e uma governação que apresenta a retoma há anos – fechadinhos lá trás, vestidos com as cores da Madeira, encostaram o paquete em frente à baliza. Depois, devagar e devagarinho lá foram indo… Nunca sairam do Porto, por isso nunca chegaram a bom porto ainda que a retoma azul e branca. Ups… Desculpem. A retoma rosa tenha tentado.
Nesta campeonato muito particular da retoma sim ou não, está visto que do lado do glorioso, só podemos confirmar: a retoma está aí. Já nos levaram dois pontos.
Até Guimarães.

Nota:meu caro Miguel, não sou de pressas – e, sim, concordo contigo – esse jovem da foto foi o melhor do Benfica ontem.

Cartazes para as Autárquicas (Matosinhos)

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Guilherme Pinto (actual Presidente), PS, Matosinhos.

A quota da Fernanda Câncio*

Com aquela escrita meio “tem-te não tem-te ” como se fosse a cada palavra descobrir a origem do Universo e logo a seguir desaguar num mar de lugares comuns, o Director do “Sol” escreve sobre a não recondução do Prof. Lobo Antunes para membro da Comissão para a Ética e para a Vida.
E, após umas dicas de senso comum à volta de quem teria tido influência junto do Primeiro Ministro para que este tomasse tal decisão, encontra a resposta em quem está ali mais á mão. Pois a namorada de José Socrates não é a campeã das causas fracturantes e não terá o Prof. escrito um relatório contra o Testamento Vital?
E, záz, aí está a razão clarinha como a água doce. Não entras!, manda a Fernandinha…
Eu, por acaso, que não tenho o “olho de falcão” do Sr. Director, andava às voltas com uma questão bem mais preocupante.
Então, não é, que para além das quotas das sensibilidades, das distritais e da “dos nacionais” o PS tambem tem a quota da Fernanda? Na constituição das listas a deputados do PS! Muito mais evidente que o raciocínio do Sr. Arquitecto. Um grupo de bloggers sai do “5 dias” e forma a “Jugular” que por sua vez se transforma no “Simplex”, onde deixam de estar envergonhados e fazem às claras o que sempre negaram. O apoio “à outrance” do Governo, do PS e de Sócrates! E não é que um desses bloggers já está em terceiro lugar na lista do PS por Vila Franca de Xira, justamente a terra natal da Fernanda Câncio? E esta hem?
Parabéns João Galamba, foi rápido, não deu aquele trabalho “filho da puta” das Jotas nem do aparelho e é pela mão de quem manda!

* corrigido.

Francisco Leite Monteiro – Os preços dos combustíveis rodoviários

Preços estão empolados em 20% como se constata, por opção do Governo, que terá aproveitado para reforçar os cofres do Estado

O comunicado da GALP de 11 de Agosto, proclama o esclarecimento da opinião pública, aparentemente em defesa da Autoridade da Concorrência, a entidade reguladora que, segundo o Prof. António Costa Silva, pouco ou mal regulará o mercado dos combustíveis, deixando tudo na mesma ou pior. O comunicado traz à mente, pela negativa, a velha máxima britânica “make a long story short”, por assim dizer procurando explicar o inexplicável e, a partir de pouco mais de nada, quiçá habilmente evitando a factualidade, converte uma “short story” numa arengada exaustiva nada clarificadora.

De qualquer modo, já ninguém terá grandes dúvidas – pelo menos desde 2005, coincidindo com a entrada em funções do actual governo – sobre a realidade do que é o mercado dos combustíveis em Portugal, tema de que me ocupei em “O Imbróglio dos Combustíveis” (DN de 17 de Janeiro passado) e que também abordava alguns dos pontos focados no comunicado.

Deve pois recordar-se, tomando os valores indicados pela GALP no que se refere ao peso dos impostos relativamente ao preço final de venda ao público dos combustíveis rodoviários, assim como o peso da matéria-prima, o “crude”, também em termos relativos; e, evidentemente, o preço do próprio “crude”, o “crude brent” que serve de referência para a formação dos preços para, não indo muito mais longe, reabrir o processo sem esquecer a necessidade de ponderar a variação da cotação do euro vs. dólar americano. Como elementos “chave” que são e o facto de o pico do preço do “crude”, como refere o comunicado da GALP, ter ocorrido em 11 de Julho do ano passado – 147 dólares por barril – importa não limitar a análise apenas aos últimos 12 meses, já que a actual crise começou bastante antes.

Ora, no início de 2005, após a chamada “liberalização do mercado de combustíveis”, o preço médio do “crude”, situava-se ao nível dos 40 dólares e a cotação do euro versus o dólar estava ligeiramente acima de 1,30. Curiosamente, no início do ano em curso, após todas as flutuações que se verificaram, os valores, quer em relação ao preço médio do “crude”, quer à cotação do euro versus o dólar, tornaram a ser praticamente equiparáveis aos de há quatro anos. Presentemente, o preço médio do “crude” ronda os 70 dólares e o euro vale cerca de 1,40 dólares, cabendo ainda salientar que o euro chegou a valer 1,60 dólares, quando o preço do “crude”, em Julho de 2008, atingiu o tal pico, que refere o comunicado.

Para não tornar demasiado fastidioso, tendo presente as variações que ocorreram neste mercado, em linhas muito gerais, pode resumir-se:
· no início de 2005 o preço do “crude” situava-se ao nível dos 40 dólares por barril, o euro valia 1,30 dólares e o preço por litro de venda ao público era, para a gasolina 95, cerca de 1 euro e, para o gasóleo, 80 cêntimos;
· em Julho de 2008 com o preço do “crude” nos 147 dólares, o euro chegou a valer 1,60 dólares, a gasolina 95 atingia o preço de €1,50 e o gasóleo €1,43;
· presentemente, com o “crude” próximo dos 70 dólares e o euro a valer 1,40 dólares, a gasolina 95 é vendida a pouco mais de €1,30 e o gasóleo está acima de €1,07.

Nestas condições, a partir de uma análise prática, tendo em consideração os indicadores de início de 2005 (preço do “crude”, cotação do dólar e preços de venda ao público) bem como o peso relativo dos impostos (62% no caso da gasolina e 53% no caso do gasóleo, conforme o comunicado da GALP) o preço da gasolina 95 deveria agora situar-se ao nível de € 1,10 e o do gasóleo de € 0,90. A verdade é outra e os preços estão empolados em cerca de 20% como se constata, por opção do governo que terá aproveitado para reforçar os cofres do Estado, aumentando a receita fiscal em dezenas de milhões de euros – no conjunto do ISP e IVA – ao longo dos últimos 4 anos que dura a crise, à custa da sobrecarga para o consumidor. Impõe-se como tal reavaliar rigorosamente toda a situação, incluindo a actuação da Autoridade da Concorrência – um desafio ao governo, em nome do interesse público.

Publicado também no Diário de Notícias

O poder Ditatorial do FC Porto e a noite

Alguém se surpreende com este tipo de acontecimentos?

Há muitos anos que todos sabem a enorme influência- em tempos total – que os Homens fortes do Porto tinham sobre a noite e o poder que isso lhes conferia perante os jogadores, jovens habituados às coisas boas da noite. Sou do tempo, em miúdo de ver craques do Porto – Oliveira, Gomes – até altas horas num café de Rio Tinto no dia anterior aos jogos. Está publicado em livro e é voz corrente na invicta que a entrada do Pinto da Costa mudou isto tudo e o braço armado criado foi crucial para esta estratégia de dominar tudo e todos – de jogadores a árbitros, a dirigentes de outros clubes. O Braço Armado são os Super que controlam e atemorizam “tudo o que mexe” – estão para quem se mete com o FCP como o cotovelo do Bruno Alves para os seus adversários.

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A forma como a Direcção do Porto tolera a “autonomia” dos Super é algo questionável e permitiu a criação de um grupo dirigente com muito dinheiro que vive da venda de bilhetes, de roupa e de outros negócios…

E depois, tudo isto tem acontecimentos muito curiosos, onde quase sempre, alguém que se atreve a mexer no lodo, leva! Simples… A ideia vai passando, vai fazendo escola e depois qual é a solução – comer e calar!

O Porto tem os melhores jogadores, melhores treinadores, melhores dirigentes, ganha mais, etc… e tal. Mas, uma e outra coisa não são por acaso nem mera coincidência. Até aposto que o Adriano vai aparecer que gosta muito do Porto, que o Pinto da Costa e a Direcção do Porto sempre o apoiaram muito e que afinal a agressão não aconteceu – ele caiu na casa-de-banho.

Leitor do Aventar, Nuno Miguel Silva

Os pimentos padrón de Goian


Goyán, ou Goian para os galegos, como fazem questão de mostrar nas placas toponímicas, é uma pequena vila fronteiriça, separada de Portugal pelo rio Minho. Do lado de lá da fronteira, fica Vila Nova de Cerveira. Antigamente, a ligação fazia-se através de «ferry-boat», substituído há uns anos por uma ponte construída a norte da vila e junto à freguesia de Lovelhe. Quanto ao «ferry», que ligava as duas margens em dois minutos de muita magia, está transformado num bar sem grande interesse.
Para chegar a Goian, atravessa-se a ponte e vira-se à esquerda, na direcção de A Guarda (La Guardia). Um quilómetro depois, vira-se no primeiro cruzamento e segue-se sempre em frente até ao local onde ancorava o «ferry-boat», junto ao rio. Virando à direita, já a pé, e andando cerca de cem metros, encontramos uma humilde esplanada que só funciona nos meses de Verão. Pedimos uma canha, um prato de pimentos Padrón e começamos a desfrutar da beleza e calmaria do rio Minho e, do lado de lá da fronteira, do panorama magnífico de Vila Nova de Cerveira.
Poucos minutos depois, o olfacto já não engana: o cheiro do azeite a fritar os pimentos, cobertos por uma fina camada de sal grosso, prenuncia algo de delicioso. Devem ser os melhores pimentos Padrón do mundo, porque são comprados no sítio onde são produzidos, Herbon, aldeia vizinha de Padrón, a cerca de cem quilómetros de Goian.
Manda a tradição que os convivas se juntem a comer os pimentitos e que o primeiro que encontrar um picante pague a conta. Porque os pimentos Padrón, diz o povo, «unos pican y otros non». Se forem apanhados no momento certo, é difícil sairem picantes. Se forem pimentos Padrón de Marrocos, comprados no Pingo Doce, já é mais provável… Seja como for, aconselha-se sempre a ter um copo cheio quando se prova o primeiro, se não se quiser ficar com a boca a fumegar. É que quando picam, picam mesmo.
Só existem nos meses de Primavera e Verão, por isso é aproveitar.

Maria Monteiro – A força da CDU na Av. de Roma

ministra
A senhora é que já está a influenciar os vizinhos …. no prédio já nasceram mais janelas vermelhas.
(cá para mim é a força da CDU em campanha pela Av Roma)
—-
Nota: A administração do Aventar dedica este «post» à D. Maria João Pires do Jugular.

Falando de democracia: A televisão e o computador significarão a morte do livro?


Livraria Lello, no Porto – uma das mais belas do mundo.

A democracia é indissociável do livro. Hoje, falando de democracia, vou falar do livro. E começo por transcrever palavras de José Afonso Furtado em O Que é o Livro: «Uma das imagens recorrentes em diversas obras que se dedicam a problemas de História ou da Sociologia do Livro e da Leitura é uma passagem clássica do romance Nôtre-Dame de Paris, de Victor Hugo. Nela, o arcediago abre a janela da sua cela, contempla por algum tempo a Nôtre-Dame, estende a mão para o livro impresso aberto na sua mesa e, lançando um olhar triste para a igreja, profere a conhecida frase: ceci tuera cela.». Embora como José Afonso Furtado diz, este imagem seja recorrente, utilizo-a mais uma vez porque facilita a compreensão do que quero expor. Segundo o próprio Victor Hugo explica depois, a frase dita pelo arcediago Claude Frollo (o protector de Quasímodo), reflecte o espanto e o receio do sacerdócio, naquele final do século XV, perante o “prelo luminoso de Gutenberg”, o confronto entre a palavra escrita e a palavra falada. Por outro lado (como refere McLuhan) a arquitectura gótica, a escultura, a iluminura ou a glosa medievais eram suportes da arte da memória e o eixo da cultura da escrita. Temia-se que o advento da imprensa pusesse tudo isso em causa e em risco de extinção.
Tal como nesse fim do século XV se temia que um avanço como o que a imprensa significava, pusesse em risco a forma mais popular de comunicar com as massas – a arquitectura gótica, através das quais multidões de gentes iletradas, que faziam das catedrais o seu local de encontro e de passeio dominical (tal como hoje as famílias vão ao centro comercial) «liam», nos elementos escultóricos de pórticos, túmulos, capelas e retábulos, passagens das Sagradas Escrituras, teme-se agora que as novas tecnologias da informação ponham o livro em risco de extinção. Penso que se trata de um falso receio e de um falso problema. Embora, indubitavelmente, o cenário mude – já mudou – e os editores tenham de se adaptar a ele. O feeling que têm usado como sistema, vai deixar (se é que não deixou já) de ser suficiente – vão ser necessários investimentos, nomeadamente na área da formação. As novas tecnologias só podem ser aliadas do livro, nunca adversárias. Concorrentes, sim, inimigas, não. Mas isto, se os editores estiverem apetrechados, inclusive com formação específica que desde há cerca de quinze anos existe, tendo começado com um curso de especialização na Faculdade de Letras de Lisboa e existindo agora outros cursos na Católica e na Nova. Na realidade, do mesmo modo que é impensável um médico ou um engenheiro autodidactas, deveria pôr-se na gaveta das recordações o editor «sem mestre, mas com jeito», como diria o José Fanha. Os editores continuam a publicar por feeling. E não nego que existem pessoas no mundo da edição com uma espécie de sexto sentido. Mas até esse sobredotados às vezes se enganam. Vejam só o perigo que seria se os farmacêuticos, em vez da formação científica que recebem, actuassem por feeling. Ele era aspirina para a queda do cabelo, xarope anti-tússico para as varizes e por aí fora. A edição é uma ciência. A vocação é necessária, mas a formação é indispensável.

Porque a crise do livro é endémica. Quando, há muitos anos, cheguei ao meio editorial a crise do sector era já um dado adquirido. Ironicamente, dir-se-ia que Portugal está em crise desde que o nosso Afonso I derrotou D. Teresa na escaramuça de São Mamede, em 1128, e o que a indústria e o mercado do livro no nosso País estão em crise desde que, em 8 de Agosto de 1489, se imprimiu em Chaves o «Tratado de Confisom», primeiro incunábulo português. As causas apontadas para a crise são numerosas. Umas crónicas, outras que vão surgindo. Há umas décadas, a persistência de uma larga percentagem de analfabetismo entre a população, o baixo poder de compra e a censura, eram três argumentos recorrentes (e todos eles reais). A televisão não se usava ainda como desculpa, pois a oferta desse meio era escassa. Actualmente, o analfabetismo é residual, o poder de compra não é famoso, mas os concertos de música rock enchem-se, para falar só num concorrente do livro. Não há censura, mas há televisão com múltiplos canais, computadores e Internet – as pessoas não ficam com tempo para ler, pois não podem perder os seus programas, os sites ou blogs favoritos. A pouco e pouco a leitura on line dos jornais vai pegando. O que significa que os jornais, ligados geralmente a grandes grupos, já estão a aprender a conviver com a mudança. Também há grandes grupos editoriais, grandes multinacionais da edição, e aí não se brinca às edições – cada projecto é minuciosamente analisado, antecedido de estudos de mercado. Nessas grandes empresa não se usa o velho sistema dos editores clássicos – «eu acho que»… – «Em marketing, não se acha, testa-se!», é uma dos axiomas do Professor Jorge Manuel Martins que lecciona Marketing do Livro na Faculdade de Letras de Lisboa, numa das tais pós-graduações de que falei. Por causa do «eu acho que», os armazéns estão cheios de livros que não se venderam e que, muito provavelmente, não se vão vender. Milhares de árvores inutilmente abatidas.

O empirismo dos editores e a falta de especialização das editoras médias e pequenas, a tentação generalista, a ausência de especialização em linhas editoriais específicas – direito, medicina, culinária, pedagogia, economia – a busca de nichos de mercado, que seria a grande solução para as pequenas e micro editoras; mas não, os pequenos editores, mesmo aqueles que publicam vinte ou trinta títulos por ano, persistem em abarcar todo o imenso leque do conhecimento – do romance à astrofísica. Eles divertem-se, mas arruínam-se. É um suicídio.

Porém, penso que mais do que uma crise no mercado do livro, creio que há a ausência de uma política do livro que induza os cidadãos a ler e a colocar o livro na sua lista de prioridades. Como é que isso se fará? Será coisa para o Ministério da Cultura resolver? Também, mas não só. Para falar só nos últimos cinquenta anos, nem o Estado Novo, nem os governos democráticos souberam criar uma política do livro. E o que será isso? Pitágoras disse. «Educai as crianças par que não seja necessário punir os homens», o que aplicado ao tema que estou a abordar seria «Educai as crianças para que não seja possível em adultas castigá-las com romances da Margarida Rebelo Pinto ou com uma televisão concebida para imbecis». Claro, dirão logo alguns, mas os programas escolares contemplam a literatura. Mas não é de programas escolares que estou a falar. É de educação integrada – uma das minhas utopias, claro. Voltemos à temática da crise do livro.

Resumindo: a verdade objectiva tem contornos estranhos: por um lado, os editores têm razão – há uma crise. Sempre houve. Porém, nunca se vendeu tanto livro como actualmente. Não me perguntem se a qualidade média das edições subiu ou baixou. Estou só a falar de quantidade. Crise do livro? – Sem dúvida! Também crise de mentalidades a afectar os pequenos e médios editores e impedindo-os de se adaptarem às novas realidades.

Sobretudo e sempre, crise de valores da sociedade. Para falar num facto recente, lembremo-nos Cristiano Ronaldo a ser saudado por multidões, com os canais de televisão a seguir todos os seus passos. E se toda aquela força e energia mediáticas fossem postas ao serviço da cultura? Cultura no sentido lato, não no sentido livresco. Embora a disseminação da cultura nesse sentido lato de aquisição de valores e de saberes, se traduzisse também na venda de mais livros

Cartazes para as Autárquicas (Oeiras)

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Isaltino Morais (actual Presidente), candidato independente, Oeiras (enviado por Francisco Leite Madeira).

Discurso sobre o filho da puta

João Galamba chamou filho da puta ao João Gonçalves por causa do João Constâncio.
Começa a tornar-se um hábito. O futuro deputado da Nação, quando não gosta do que lê, desata a chamar filho da puta a uma velocidade superior à do Alberto Pimenta. Já me chamou filho da puta a mim, já terá chamado a uns quantos, agora chamou ao João Gonçalves.
Neste ponto, não posso deixar de dar razão a Fernanda Câncio no último «post» que escreveu no «5 Dias» (devo estar confuso, porque agora estou a lê-lo no Jugular numa data em que o mesmo nem sequer existia): «Sempre me fez muita confusão que para chamar um nome a alguém — no caso, para dizer que alguém não presta — se optasse por qualificar a respectiva mãe. ora não só me parece de manifesto mau gosto partir do princípio de que uma pessoa é má rês por alguma coisa que a mãe fez ou deixou de fazer, como não me é minimamente óbvio que o trabalho sexual deva ser associado à geração de más índoles. mas o mais curioso de tudo será a espécie de desculpabilização do facínora implícita na designação. como quem diz que o problema não é bem dele, é da mãe.»
Quanto ao futuro deputado João Galamba, será certamente um digno representante da Nação. Ao nível de um Manuel Pinho ou de um Jorge Coelho. É que quem se mete com o PS leva!

Antologia de pequenos contos insólitos: O Conde Drácula

O Aventar inicia hoje a publicação de pequenas jóias da literatura, contos insólitos, pérolas do non-sense e do fantástico. Aceitam-se sugestões. Inauguramos a série com um conto de Woody Allen, o Conde Drácula.
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Algures na Transilvânia, Drácula, o monstro, jaz adormecido no caixão à espera que a noite caia. Como a exposição aos raios solares lhe causariam, por certo, a morte, ele protege-se na câmara orlada a cetim, com o nome da família gravado a prata. Quando o momento da escuridão chega, através de algum instinto miraculoso, o Demónio emerge da segurança do seu esconderijo e, assumindo as abomináveis formas do morcego ou do lobo, vagueia pelos campos, bebendo o sangue das vítimas. Por fim, antes que os primeiros raios do seu arqui-inimigo, o Sol, anunciem um novo dia, regressa sem demoras à segurança do caixão escondido e dorme. O ciclo recomeça.
Ei-lo que começa a mover-se. O estremecimento das pálpebras é uma resposta a um qualquer instinto remoto e inexplicável que lhe diz que o Sol está prestes a ocultar-se e que é chegada a sua hora. Esta noite, sente-se particularmente esfomeado e enquanto permanece deitado, agora completamente desperto, com a capa e o casaco de Inverno debruados a vermelho, à espera de sentir, com misteriosa percepção, o preciso momento da escuridão antes de abrir a tampa e sair, decide quais vão ser as vítimas da noite. O padeiro e a mulher, pensa de si para si. Suculentos, disponíveis e insuspeitos. Pensar no incauto casal, cuja confiança tinha cuidadosamente cultivado, excita febrilmente o seu desejo de sangue e quase não consegue aguentar os últimos segundos antes de trepar para fora do caixão em busca da presa.
Subitamente apercebe-se de que o Sol se pôs. Como um anjo do Inferno, ergue-se com rapidez e, transformado num morcego, voa atabalhoadamente em direcção à casa das vítimas que longamente esperara.
– Conde Drácula, que bela surpresa – diz a mulher do padeiro, abrindo a porta para o deixar entrar.
(Tinha de novo assumido a forma humana, quando entrou na casa, dissimulando com charme os seus objectivos rapaces.)
– O que é que o traz cá tão cedo? – pergunta o padeiro.
– A nossa combinação para jantar – responde o conde. – Espero não me ter enganado. Convidaram-me para jantar esta noite, não foi?
– Sim, esta noite, mas não dá para sete horas.
– Desculpe? – inquire Drácula, olhando em torno, embaraçado.
– Ou veio para ver o eclipse connosco?
– Eclipse?
– Sim, o eclipse total de hoje.
– O quê?
– Alguns momentos de escuridão desde o meio-dia até dois minutos depois. Olhe pela janela.
– Oh! Oh! Estou metido em trabalhos.
– Hem?
– E agora, se me dão licença…
– O quê, conde Drácula?
– Tenho de ir andando…mm… Oh, meu Deus… – Freneticamente, apalpa o puxador da porta.
– Já vai? Acabou de chegar.
– Sim, mas… penso que fiz mal…
– Conde Drácula, está pálido.
– Estou? Preciso de um pouco de ar fresco. Prazer em vê-los…
– Venha. Sente-se. Vamos beber um copo.
– Beber? Não, tenho de me apressar. Eh, está-me a pisar a capa.
– Claro. Acalme-se. Um pouco de vinho.
– Vinho? Oh!, não, deixei de beber; o fígado e todas essas coisas, sabe. Tenho mesmo de me despachar. Lembrei-me que deixei as luzes do castelo acesas; a conta vai ser enorme…
– Por favor – diz o padeiro abraçando o conde com firme amizade. – Você não está a incomodar. Não faça cerimónia. Portanto veio mais cedo.
– Na realidade gostava de ficar, mas há um encontro de velhos condes romenos na cidade e eu sou o responsável pelas carnes frias.
– Sempre com pressa. É um mistério como não arranja um ataque de coração.
– Sim, tem razão. E agora…
– Estou a fazer pilaf de galinha para esta noite – badala a mulher do padeiro. – Espero que goste.
– Esplêndido, esplêndido – diz o conde, sorrindo enquanto a empurra para cima da roupa suja. Então, abrindo por engano a porta do armário, entra. – Jesus, onde é que está o diabo da porta da rua?
– Ah! Ah! – ri a mulher do padeiro. – Que homem divertido que é o conde.
– Estava à espera que gostasse – diz Drácula, forçando um sorriso amarelo. – Agora deixem-me passar. – Enfim abre a porta da rua, mas o tempo tinha-o ultrapassado.
– Oh! Olha, mamã – diz o padeiro -, o eclipse deve ter acabado. O Sol está a aparecer outra vez.
– Exacto – diz Drácula, batendo com a porta da rua. – Decidi ficar. Baixem as persianas depressa, depressa! Mexam-se!
– Quais persianas? – pergunta o padeiro.
– Não há nenhumas, certo? Imaginem. Têm uma cave?
– Não – diz a mulher afavelmente. – Estou sempre a dizer ao Jarslov para fazer uma, mas ele nunca me dá ouvidos. Sabe lá como é o Jarslov, o meu marido.
– Estou a sentir-me mal. Onde é o armário?
– Já fez essa, conde Drácula. E a mamã e eu achámos muita graça.
– Ah, que homem divertido que é o conde.
– Olhem, vou para o armário. Batam às sete e meia.
– E com estas palavras o conde entra para o armário e bate com a porta.
– Eh! Eh! Ele é tão engraçado, Jarslov.
– Oh, conde. Saia do armário. Deixe-se de disparates. – Do interior do armário chega a voz abafada do Drácula.
– Por favor, palavra de honra. Deixem-me ficar aqui. Sinto-me bem. A sério.
– Conde Drácula, deixe-se de maluqueiras. Já estamos fartos de rir.
– Posso garantir-lhes, adoro este armário.
– Sim, mas…
– Eu sei, eu sei… parece estranho, e no entanto aqui estou eu em grande. Dizia justamente, um dia destes à senhora Hess: «Dêem-me um bom armário e eu sou capaz de ficar lá dentro durante hora.» Deliciosa mulher, a senhora Hess. Gorda mas deliciosa… E agora porque é não se vão embora e discutimos isso ao pôr do Sol? Oh, Ramona la da da di da da di, Ramona…
– Eis que chegam o presidente da Câmara e a mulher, Katia. Estão de passagem e decidem retribuir uma visita aos bons amigos, o padeiro e a mulher.
– Olá, Jarslov. Espero que eu a Katia não incomodemos.
– Claro que não, senhor presidente. Venha, conde Drácula! Temos visitas!
– O conde está cá? – pergunta o presidente surpreendido.
– Está e adivinhe onde – diz a mulher do padeiro.
– É raro vê-lo por aí tão cedo. De facto, nem me consigo lembrar de o ter visto de dia.
– Pois bem, está cá. Saia, conde Drácula!
– Onde é que está? – pergunta Katia, sem saber se havia de rir ou não.
– Saia agora!, vamos lá! – A mulher do padeiro começa a ficar impaciente.
– Está no armário – diz o padeiro apologeticamente,
– A sério? – pergunta o presidente da Câmara.
– Vamos lá – diz o padeiro, trocista e bem humorado, enquanto bate na porta do armário. – Já chega. O presidente da Câmara está aqui.
– Saia lá, Drácula – grita Sua Excelência -, vamos beber um copo.
– Não, vão-se embora. Tenho aqui que fazer.
– No armário?
– Sim, não estraguem o dia por minha causa. Eu consigo ouvir o que dizem. Vou ter com vocês se tiver algo a acrescentar.
Entreolharam-se e encolheram os ombros. O vinho soltou-se e todos beberam.
– Um pouco de eclipse hoje – diz o presidente da Câmara, beberricando no copo.
– Sim – concorda o padeiro. – Incrível.
– Sim. De meter medo – diz uma voz de dentro do armário.
– O quê, Drácula?
– Nada, nada. Deixe.
E assim o tempo passa, até que o presidente da Câmara já não suporta mais e, forçando a porta do armário, grita:
– Saia lá, Drácula. Sempre pensei que você era um homem com maturidade. Pare com este disparate.
A luz do dia entra, fazendo guinchar o monstro demoníaco, que lentamente se dissolve num esqueleto e dep
oi
s em pó diante dos olhos das quatro pessoas presentes. Inclinando-se para o monte de cinzas brancas no chão do armário, a mulher do padeiro grita:
– Isto quer dizer que cancelamos o jantar desta noite?
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Woody Allen (Nova Iorque, 1935), grande actor, escritor e realizador norte americano, dispensa qualquer apresentação. Este conto é extraído da colectânea Getting even, editada em 1966. O título escolhido para a edição portuguesa foi Para Acabar de Vez com a Cultura.
A tradução é de Jorge Leitão Ramos e a edição da Livraria Bertrand (1981).

F.C. Porto – Futaventar #2

Estou chocado.

Depois de ter visto o Nacional marcar dois golos e não ter ganho quando o sporting não marcou nenhum, demonstrando a forma como a direcção da liga se prepara para levar ao colo os clubes da 2º circular, eis que o clube dos carpinteiros jogou de mãos dados com a equipa de arbitragem, prejudicando gravemente a minha equipa, o Futebol Clube do Porto.

Foram foras-de-jogo inventados pelo Xistra, o Hulk expulso por não ter ido para a luz e o café junto a minha casa cheio como um ovo. Um somatório de contrariedades. Mas vamos ao que interessa: o Xistra. O Sr. Carlos Xistra de Castelo Branco é funcionário público e é o responsável por esta injustiça, este enorme roubo de igreja. O facto de ser funcionário público comprova que já aprendeu com o seu chefe, o Ministro das Finanças – é fartar vilanagem!

Não fora estas incidências e os carpinteiros teriam perdido!

Direito da Família…

Enquanto um o trata por “filho da puta” e o outro o apelida de “filho do outro“, a blogosfera anima-se com ou sem bandeira do Rei. É a season, a silly season

"Morangos" gripados

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Pois é… a “maldita” Gripe A atinge pode atingir qualquer português.

Claro que não é desejável que isso aconteça a quem quer que seja. Mas todos estamos sujeitos a que isso aconteça.

Na sua edição de hoje, o jornal “Correio da Manhã” indica que um jovem assistente da conhecida série “Morangos com Acúcar”, actualmente transmitida pela TVI foi “atingido” pela Gripe A.

E agora?

Como vão eles resolver o problema?

Será que vão “inventar” uma personagem contagiada com a dita gripe?

Ou será o fim desta série?

A quota da Fernanda Câncio

Com aquela escrita meio “tem-te não tem-te ” como se fosse a cada palavra descobrir a origem do Universo e logo a seguir desaguar num mar de lugares comuns, o Director do “Sol” escreve sobre a não recondução do Prof. Lobo Antunes para membro da Comissão para a Ética e para a Vida.

E, após umas dicas de senso comum à volta de quem teria tido influência junto do Primeiro Ministro para que este tomasse tal decisão, encontra a resposta em quem está ali mais á mão. Pois a namorada de José Socrates não é a campeã das causas fracturantes e não terá o Prof. escrito um relatório contra o Testamento Vital? E, záz, aí está a razão clarinha como a água doce, não entras manda a Fernandinha… Eu, por acaso, que não tenho o “olho de falcão” do Sr. Director, andava às voltas com uma questão bem mais preocupante.

Então, não é, que para além das quotas das sensibilidades, das distritais e da “dos nacionais” o PS tambem tem a quota da Fernanda? Na constituição das listas a deputados do PS! Muito mais evidente que o raciocínio do Sr. Arquitecto. Um grupo de blogueres sai do “5 dias” e forma a “Jugular” que por sua vez se transforma no “Simplex”, onde deixam de estar envergonhados e fazem às claras o que sempre negaram. O apoio “à outrance” do Governo, do PS e de Sócrates! E não é que um desses blogueres já está em terceiro lugar na lista do PS por Vila Franca de Xira, justamente a terra natal da Fernanda Câncio? E esta hem?

Parabéns João Galamba, foi rápido, não deu aquele trabalho “filho da puta” das Jotas nem do aparelho e é pela mão de quem manda!

Objectivo alcançado

Juntos conseguimos!

Empregos150000

Simplex no seu melhor (ou eu a armar-me em Rui Santos)

A empresa pública criada, em 2007, para desenvolver as obras de transformação das escolas secundárias portuguesas já gastou mais de 20 milhões de euros em projectos de arquitectura que foram adjudicados por convite directo, sem consulta a terceiros nem publicitação dos contratados, diz o Público.

Não vejo grande problema. Não é mais simples? Estamos ou não no Simplex? Se há burocracia e concursos onde se perde muito tempo, com comissões de análise, potenciais recursos e demais chatices, achamos mal. Se não há nada disso, se é tudo mais fácil, ai, ai, ai, que não pode ser. Mas que raio de democracia é esta?

Poemas com história: Natureza morta

Discussão recorrente foi, nos anos sessenta e setenta, a da dicotomia entre forma e conteúdo. Bati-me sempre pela prevalência do conteúdo, sendo da opinião que «o que se diz» é mais importante do que «como se diz». Mas não era, nem é, uma opinião compartilhada pela maioria dos escritores e artistas. Segundo eles, a arte constitui uma linguagem autónoma, independente da realidade do quotidiano, vale por si mesma. É uma posição respeitável. Entretanto, particularmente na literatura, foi vingando um tipo de escrita enovelada sobre si mesma. Os poetas e escritores, sem liberdade de expressão, jogavam com as palavras e, às vezes, no meio de uma floresta de palavras descobria-se um significado. É contra esse tipo de escrita (e de arte) que este poema, escrito por esses tempos, mas apenas publicado em 1990 em O Cárcere e o Prado Luminoso, se batia. Uma arte ligada à vida e à realidade é o que pretendo defender com esta Natureza morta:

Olhando a natureza morta,

frias laranjas dormindo

numa fruteira inerme,

silenciosa,

que o azul cerúleo recorta

na quadrícula branca

da janela,

recuso a natureza

assim estagnada,

sem dentes, sem fome, sem desejo,

sem nada que triture as laranjas:

sem dedos que a esmaguem,

nem crianças que partam

a puta da fruteira;

sem sequer um grito de revolta

que trespasse a gélida fronteira

entre a morte e o silêncio

emoldurados

e a vida que se agita,

grita, ruge e dói

deste lado de cá

da maldita moldura.

Recuso a natureza

pálida, parada,

sem aves, vento ou sons

que sulquem o azul do céu

desta natureza, assim

tão contra-natura

como a que assassinada

a tiros de pincel,

jaz fria, morta e enterrada

na tela e nas cores

desta pintura

Por onde anda esta voz?



Marta Ren, dos Sloppy Joe.

As incoerências de Vieira da Silva e de Moita Flores

Vieira da Silva acusou o PSD de política de baixo nível por Aguiar-Branco dizer que o Governo está sob suspeita.
Cuiroso. Ninguém lhe ouviu uma única palavra a propósito da «roubalheira do BPN» que Vital Moreira andou a espalhar em plena campanha para as Europeias.
Moita Flores, por seu turno, diz que não vai votar no PSD nas Eleições Legislativas. Mas nas Autárquicas, duas semanas depois, irá candidatar-se pelo PSD à Câmara Municipal de Santarém. Se não se revê no PSD, por que razão não concorre sozinho? Ah, pois, porque já entregou as listas. Isto é que é azar!

Publicado também no Do Contra

Não sei o que vocês pensam mas eu acho uma boa ideia

No dia 9 de Setembro de 2009 será reeditado em CD o catálogo completo das gravações originais dos Beatles, pela primeira vez remasterizadas digitalmente. No mesmo dia será apresentado o videojogo com a música do grupo: The Beatles: Rock Band.

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Cada CD tem uma embalagem com o grafismo igual ao da edição original inglesa dos anos 60 e ainda pequenos livros em que ao material original foram acrescentados fotografias raras e novos textos sobre a gravação de cada disco.

Cada CD será ainda editado com um documentário acerca do álbum em questão.

Os álbuns foram remasterizados ao longo de quatro anos por engenheiros de som dos estúdios de Abbey Road,  em Londres-

A colecção inclui os 12 álbuns de originais dos Beatles em estéreo, e a banda sonora de Magical Mistery Tour. Esta será a primeira vez que os quatro primeiros álbuns dos Beatles serão editados em estéreo.

The Beatles In Mono será uma caixa extra que reúne todas as gravações do grupo que foram misturadas para edições em mono nos anos 60. Vai ter os 10 álbuns originalmente lançados neste formato.

de volta

Por momentos pensei que já não tinha a hipótese de aventar as minhas obsessões e anormalidades críticas. O login falha-me constantemente e a net ainda anda intermitente. Para quem não sabe, faço paginação e algum design gráfico quando tenho liberdade para isso. Este último mês tem sido um exagero de trabalho. Nem tempo para respirar… foi só e apenas trabalho. O que quer dizer que neste mês que passou, para mim nada se passou. Quando trabalho a este ritmo, o mundo pára. Acontece-me isto volta e meia; já na altura do 11 de Setembro, estava a paginar um livro sobre a história do futebol em Portugal e só quando saí do “buraco”, durante a tarde, e vi as imagens na TV, é que percebi que algo grave tinha acontecido. É mesmo assim: não vejo televisão, não consulto sites (farto de estar à frente do computador já eu estou), não me apetece ouvir as notícias… Ligo-me às máquinas, que é como quem diz, meto os phones, trabalho, trabalho, trabalho e ouço música. Muita música. A última playlist que fiz, tinha 14 horas de duração. Dá para fazer playlists temáticas e tudo…

Para não ser muito violento, deixo-vos apenas com uma pequeníssima parte da playlist feminina…

«Odeio os caroços nas frutas. Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim. E uvas sem grainhas. É uma trabalheira» (Carolina Patrocínio, Mandatária do PS para a Juventude)

Só uma dúvida: como será que a empregada lhe tira os caroços? Com os dentes?
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A pérola encontra-se por volta dos 8 minutos.
via Arrastão
Publicado também no Do Contra

FUTAventar – nacional sportinguismo

Como eu tinha, superiormente, aqui aventado préfigurando o embate na pérola do Atlântico, o leão julgava que a crise tinha acabado e quando deu por ela (a bola) estava dentro da baliza.

Só se apercebeu que o árbitro apitava por tudo e por nada, quando aos vinte minutos de jogo foi pela primeira vez à baliza contrária. Aí ficou tudo esclarecido, o senhor do apito não deixava o sporting aproximar-se da área adversária. É pá, diziam os mais bem intencionados ou os mais nabos (normalmente são os mesmos)o gajo até apita a nosso favor! Pois apita, para travar as nossas investidas, assim passamos o jogo a marcar livres a 40 metros da área dos nacionais.

A perder por 1 a 0 a nossa equipa carregou olimpicamente o acelerador, remetendo toda a equipa adversária para a frente da baliza e só não marcou dois ou mesmo três golos porque o senhor do apito, fez vista grossa a um penaltie e a vários livres junto da área que sendo marcados pelos nossos especialistas “cantariam na gaiola” inapelavelmente!

As vítimas ( todas as equipas que se atravessam no caminho vitorioso do Leão) podem contar já no próximo jogo com o Caicedo e com o Matias que por razões tecnico-tacticas não jogaram hoje.

Parabéns, pois ao Nacional pelo empate, que é a todos os títulos um grande resultado, tendo em vista a evolução no gramado de ambas as equipas com prepoderância evidente em todos os vectores do campo pela equipa verde que ficou a dever a si própria um resultado muito mais dilatado e mais condizente com o que se passou no relvado bem tratado do Nacional, numa tarde amena a dar para o calor mas que permitiu um ritmo de jogo bastante competitivo, assim fosse o resto do país, mas não estraguemos tão bela ocasião a falar de coisas tristes e para já vamos na frente.

Luis (Roch em back)

Woodstock, o meu

Teatro-Circo do Príncipe Real, inaugurado em 1892, mais tarde Cine-Teatro Avenida, Coimbra

Teatro-Circo do Príncipe Real, inaugurado em 1892, mais tarde Cine-Teatro Avenida, Coimbra

O Woodstock só cá chegou em 1976/77, não me falhando a memória, ao defunto cine-teatro Avenida, sem chuva, sem lama, foi a primeira vez que vi um filme com projecção de odores: cheirava maningue a erva, coisa permitida pelo sistema de camarotes e frisas e pelo espírito da época (sim, pá, fumava-se no cinema nos anos pós 74).

Gosto da música de abertura, mas sou suspeito porque Canned Heat é muito cá de casa:

Canned Heat – Going Up The Country

“Some attendees to the festival even reported that yelling FUCK was the highlight of the festival for them. This of course is mind boggling to me as I always wanted to be known as a sensitive poet not a person who taught a generation to yell an obscene word.”

Country Joe McDonald, 2004

Country Joe McDonald’s “F-U-C-K Cheer” / “I Feel Like I’m Fixing To Die”

Lamento Joe, mas era um dos momentos mais aguardados do filme, e em disco o único exemplar que durante muito tempo conheci de um fuck gravado, foda-se o atraso mental mas ninguém reparava na tua sensibilidade poética.

Jimi Hendrix, Star Spangled Banner

Woodstock Movie PosterSensibilidade, e génio, é isto: Jimi Hendrix inventa a música de intervenção sem letra, só guitarra eléctrica. Ora aqui está um momento que vale o filme, o ter havido Woodstock, vale tudo.

Acho que vi o filme umas duas vezes, e tive uma k7 com o álbum, não sei se foi do aroma, mas saí dali com vontade de provar a tal erva. Gostei.

Sendo Woodstock, mais pelo filme que por qualquer outra coisa (festivais assim, à época, houve muitos), o pai da indústria dos festivais de música, não deixa de ser irónico que em Portugal, pelo menos desde o II Vilar de Mouros, sirvam de campo de treino para os binómios cinotécnicos das nossas polícias. É tão imbecil como toda a guerra da droga. Como diria o Joe McDonald, cheio de poesia e sensibilidade: dêem-me um F…

Bipublicado

A invenção de Scolari


Scolari inventou uma «coisa» chamada Ricardo. Diz que é guarda-redes. Diz que também sabe marcar grandes penalidades sem luvas!
Pois esse tal de Ricardo, que um dia sonhou ser melhor do que Vítor Baía, mesmo sem nunca ter ganho nada, acaba de ser dispensado por uma obscura equipa da II Liga de Espanha. Apenas um ano depois de o seu inventor, Scolari, ter desinfectado do nosso país.
E agora, quem lhe pega? O criador não quer dar uma mão à criatura?

Uma crise que já acabou aí umas cem vezes…

Ali na Jugular tem João Pinto que não acerta, não. O homem diz que o Sócrates já deu por terminada a crise, e assim sendo, terminou mesmo!

O João não diz nada quanto ao Teixeira das Finanças ter dito que não podemos dar por terminada a crise mas quem é o pior ministro das finanças para ser levado a sério? Para desmentir o patrão?

É que este João Pinto parece ser economista e é por isso, e só por isso, que fico um bocado atravessado, já que como Jugular/Simplex percebe-o muito bem. E agora sem crise, ó João, como vamos nós explicar o continuado aumento do desemprego ? Sim, claro, o anualizado foi -3,7 (negativo) mas isso não conta nada. Os últimos três meses é que …

E, agora, como vamos nós encarar a coisa, nós que andamos todos a dizer que o país não está preparado para enfrentar a crise e, afinal, somos os primeiros a sair dela? Os últimos a entrar e os primeiros a sair? Mas, então, não era necessário que a Alemanha e a Espanha recuperassem as economias e nós íamos atrás? Não foi assim que fomos para a crise? Ou foi mesmo porque a responsabilidade é nossa, muito nossa? Entramos a reboque e não saímos a reboque? Mas se saímos a reboque como é que somos os primeiros, ó João?

Ou é mesmo porque perdemos com Sócrates 200 000 empresas, o desemprego atingiu 9.3 % e vai chegar aos 10% em 2010 (apesar da crise ter terminado) e o déficit já anda, novamente ,pelos 6% ?

Como vamos nós, agora, explicar as falências, os desempregados sem subsídio ( que não param de aumentar) as famílias que deixam de pagar as prestações da casa…

Ó, João Pinto, ele há momentos…

Apontamentos & desapontamentos: o insustentável peso do futebol

É frequente em contextos de crítica social, económica ou política, surgir a alusão à síntese de Juvenal, panem et circenses, – locução latina que significa «pão e espectáculos de circo». Juvenal caracterizou com estas palavras a situação de decadência que o Império atravessava, substituindo-se uma política de medidas favoráveis ao povo, pela demagógica dádiva de pão e de divertimentos gratuitos. Juvenal – poeta latino nascido em Aquinum, Apúlia cerca do ano 60, foi o autor de «Sátiras», textos que opunham à Roma dissoluta da época a imagem da República, justa e íntegra, idealizada por Cícero e por Tito Lívio. Se substituirmos o pão pelas «medidas» sociais dos governos (as obras e reformas anunciadas antes dos períodos eleitorais) e se pusermos no lugar do circo o futebol, temos um quadro perfeito da situação sociopolítica portuguesa – Dois milénios depois, a receita denunciada por Juvenal continua a funcionar, em Portugal e não só.

O futebol é um dos meus desapontamentos. Gosto muito de ver jogar futebol, sobretudo quando é bem jogado, embora como conversa não seja dos meus assuntos preferidos. Por mais voltas que se dê, resulta sempre numa conversa tonta, na melhor das hipóteses sobre tácticas, na pior, trazendo à superfície facciosismos clubísticos, quando não mesmo frustrações de outra espécie – futebol é mesmo para jogar ou para ver jogar. No entanto, ganhou tal peso que se transformou num tema incontornável. É interessante ver políticos, economistas, cientistas, escritores, a recorrerem a metáforas futebolísticas para explicar pontos de vista das suas áreas. O que já não tem tanta graça é o que o futebol custa aos contribuintes. É um peso insustentável para os nossos fracos recursos.

Moro perto de uma pequena vila no litoral Oeste. Há umas semanas, no «meu café», havia um clima de excitação – o presidente do clube de futebol tinha entrado em greve da fome porque, sendo avalista da colectividade, ficara com uma dívida pessoal às costas – dois milhões de euros, correspondendo ao passivo acumulado do clube. A greve de fome era uma forma de protesto contra o presidente da autarquia que terá prometido apoios que não cumpriu. O homem está em vias de ver todos os seus bens penhorados, ficando, ele a mulher e os filhos sem nada. Ao cabo de nove dias, a greve foi interrompida com o grevista a entrar nas urgências de São José em perigo de vida. Espera que o Município, o Governo, seja quem for, encontrem maneira de ele, cujo crime foi gostar de futebol e ser crédulo, não ficar sem os seus bens. Senão, ameaça recomeçar a greve da fome. Mas dá que pensar, um pequeno clube e que, mesmo assim, acumula um passivo de dois milhões de euros. Ignoro que apoios o município terá prometido, o certo é que, pelos vistos, não os cumpriu.

Apesar de tudo, esta é uma autarquia sem escândalos assinaláveis (o que já em si é assinalável). O caso mais marcante sobre o «sentido de justiça» deste autarca, no poder há vários mandatos, foi o de, certamente por motivos políticos, se ter recusado a dar o nome de José Saramago à escola secundária. Porém, deu (modestamente) o seu próprio nome à maior estrutura do concelho, o parque polidesportivo, onde não falta um estádio com relvado sintético e pista de tartan, pavilhões, piscinas, courts de ténis… Referira-se que, após a pressão de alunos e professores, foi forçado a dar o nome do Nobel à escola. Adiante.

Os pequenos clubes, como o da minha vila, não têm geralmente equipas que se destaquem. Mas isso seria mais do que secundário se promovessem o desporto, particularmente entre os jovens. Não conheço a situação particular do grupo de futebol cujo presidente entrou em greve da fome, embora me pareça que a dívida tem a ver com obras que se fizeram nas instalações e com os juros do empréstimo bancário que a colectividade contraiu. Não é o caso típico de endividamento para contratar jogadores profissionais ou semi-profissionais em geral estrangeiros ou portugueses em fim de carreira. Do mal, o menos.

No debate «Democracia e Corrupção», realizado em Constância há cerca de dois anos, falou-se do papel do futebol na criação de climas favoráveis à corrupção. Maria José Morgado comparou o combate que no nosso País se trava contra a corrupção com a luta que a justiça italiana move à Máfia. Defendeu a adopção de reformas institucionais que garantam o exercício de cargos políticos com transparência. É óbvio, até para os leigos como eu, que a Justiça não dispõe de instrumentos que lhe permitam lutar com eficácia contra o crime e a corrupção, dotados de tudo o que necessitam para ser eficazes. Que dizer da situação anómala das escutas telefónicas. Ouve-se pessoas responsáveis a combinar resultados de futebol, o crime está ali mais do que provado e documentado, mas pelo pormenor processual de que as escutas não foram previamente autorizadas, a prova é considerada nula e os criminosos ficam a rir da Justiça, de quem os acusa, de quem os critica. Também nos diz muito sobre a natureza humana a massa apoiante que estes autarcas corruptos têm. Tal como acontece com a corrupção no futebol – os corruptos são defendidos pelos adeptos com unhas e dentes. Sobretudo se a corrupção deu frutos, ou seja campeonatos. Voltamos atrás: a corrupção nas autarquias se for acompanhada de apoio aos clubes de futebol, tem o apoio da população. A corrupção encontra no futebol um bom local para nidificar. Se a Justiça funcionasse com maior celeridade e eficiência, talvez se pudesse começar a erradicar os males que o futebol enquistou na sociedade portuguesa – as pequenas e grande máfias que giram em torno dos clubes, a escumalha das claques, alfobres de marginalidade onde a droga e o neo-nazismo, por exemplo, se encontram e acasalam, gerando híbridos monstruosos – tráfico de droga e de pessoas, redes de pedofilia… Os negócios ínvios que, autarcas e presidentes dos clubes fazem, são um caldo mafioso e sinistro que vive sob os tapetes relvados onde, ainda por cima, se joga cada vez pior.

Pão e circo? – Mas que pão, mas que circo!