O saber das crianças. Ensaio de antropologia da educação.

Crianças

.Crianças estudam baixo as árvores de Kongolote.

Kongolothe é um bairro da cidade e município moçambicano de Matola

Fonte: Monitoria e Avaliação da Estratégia de Redução da Pobreza (PARPA) de Moçambique 2006-2008, fotografado em 26 de Agosto de 2009

 O SABER DAS CRIANÇAS. ENSAIO DE ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Texto baseado na minha investigação, na obra de Boris Cyrulnik [1]e outros atores. Dados retirados de trabalho de campo ou etnografia, do convívio com as pessoas, para os subsumir depois a teoria dos antropólogos ou etnologia, comparando factos com hipóteses a teoria Etologia Humana, como a entende Cyrulnik

Educação, a árvore e o beija-flor

O Ministério da Educação e Ciência pela mão do Ministro Nuno Crato tem estado a colocar no terreno um conjunto bem significativo de mudanças (está aí a segunda versão do documento da gestão), umas troikistas, outras nem por isso.

A legislação sobre a avaliação de desempenho está aí, mas basicamente atira tudo para amanhã: diz que este ano é só produzir papeladas, não há aulas assistidas e uma amostra de relatório serve.

Mas tenho uma dúvida existencial: não há progressão nas carreiras por força do congelamento na administração pública. Logo, fazer coincidir a avaliação com os escalões torna o processo uma coisa sem sentido – quando é que terminam os escalões de um tempo que não está a ser contado?

As alterações do MEC são inúmeras e começa a ficar claro o caminho que está a ser traçado. [Read more…]

Ensinar e Educar

Escola Pública - educar ou ensinar?

Escola Pública

As palavras têm valor: ensinar e educar podem ser vocábulos de sentidos semelhantes, mas para a reflexão em causa, vamos argumentar no sentido da diferença. A mãe de todas as enciclopédias diz que a Educação engloba ensinar e aprender.

Poderia também ir por aí: ensinar é o que o “mestre”, “o ensinador” (desculpem o mau jeito da palavra que, confirmo, não faz parte do novo acordo), o “professor”, o que ensina faz – no sentido mais restrito, o que transmite. Num sentido mais amplo, o que faz a mediação entre o objeto de aprendizagem e o que aprende.

Aprender, normalmente coloca-se no lado do que recebe, na nossa sociedade, o aluno.

Mas, e esta é a questão: ensinar e educar não são só isto.

Educar é muito mais que escola e muito mais que ensinar! Pensem, por exemplo, no que foi ensinado nas faculdades de economia por esse mundo fora e para o que lá foi aprendido – vejam como é difente a teoria dessa gente e a prática que nos (des)governa. Como é diferente ensinar e educar. Ensinar é passar conteúdos, sejam eles práticos ou teóricos. Sejam eles andar de bicicleta ou o teorema de Pitágoras. Educar é isso, mas é também respeitar os mais velhos, não buzinar no trânsito, ouvir quando os outros falam ou não entrar de chapéu dentro da sala de aula.

Dizia em tempos um ex-ministo que o difícil é sentá-los. Ora nem mais! Hoje, como nunca – penso nas turmas C.E.F. – é impossível dar aulas em algumas turmas. IMPOSSÌVEL – assim mesmo, com as letras todas!

E é aqui que entra o ponto final desta reflexão: para o sr. comentador Nuno Crato chega ensinar, quando, de facto, o que o país precisa é que a escola eduque.

Há maternidade precoce, investe-se na Escola. Há acidentes, lá vem a prevenção rodoviária para a escola. Há droga, a Escola que resolva. Há falta disto ou daquilo e é logo culpa da Escola.

Esta instituição – a ESCOLA – é uma criação recente da humanidade e as Elites perceberam que poderia ser um instrumento de promoção social, logo, trataram de a adaptar ao que precisam, que é claro, de menos promoção social e mais reprodução das desigualdades porque essa situação garante a manutenção do poder. E quem tem o poder só precisa de assalariados cumpridores, tipo peça de uma simples máquina.

Todos os meninos ricos da linha, seja de Cascais ou da Boavista, além do colégio têm artes, piano, ginástica, esgrima, equitação. A Educação, no seu sentido mais amplo, é para as elites algo abrangente que toca o conhecimento puro e duro, mas toca também as artes, o desporto, etc…

O que fica para os pobres? Uma escola sem artes, sem desporto onde parece que só há lugar para a Matemática e o Português? E esta é, nos dias que correm, a discussão que todos temos de fazer – que escola pública queremos?

O que temos em cima da mesa é uma coisa muito simples: a Escola Pública deve ensinar ou educar?

A impossível subordinação

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Ártemis é para mim, uma das figuras mitológicas mais interessantes. O seu carácter indomável, insubordinado e vingativo a diferencia de outras divindades, como Afrodite, por exemplo, a deusa do Amor, que lhe o oposto.
Ártemis é também chamada Diana, seu nome latino. É a deusa das florestas virgens, habita a natureza selvagem, os lugares ermos e dificilmente desce aos lugares civilizados.

1. A ideia

Vivemos numa sociedade que grita, ao borde da bancarrota. A sociedade dos irrequietos, dos que protestam. Uma sociedade que precisa de resiliência, conceito criado por Boris Cyrulnik: essa inaudita capacidade de reconstrução humana. [Read more…]

Saber Aprender. Araucania e Europa

mapuche

Cidadãos Mapuche a cantar.

Para os meus filhos britânicos, o casal Camila e Felix Isley, que acabam de pôr no mundo Weñe Javier para acompanhar a sua irmã May Malen, nome Mapuche (Malen: menina linda). Não uma Elisa como eu pretendia… uma Elisa, como a de Beethoven… que sabem aprender ao estar sós à espera do… aparecimento do irmão, o Weñe Javier – sendo Weñe outra palavra mapudugum da Nação Mapuche que habita o Chile: rapaz lindo e inteligente. É assim como aprendemos… para saber

São dois verbos aparentemente contraditórios. O primeiro parece indicar a actividade de conhecer o que se faz; o segundo, a de colocar na mente de uma pessoa, ideias novas. Parecem contraditórios e, no entanto, são actividades que precisam de andar juntas. O aprender está normalmente associado a educação. No entanto, no meu entender, é um acto contínuo ao longo da vida. [Read more…]

o que é educação

no dia do aniversário da nossa mãe, que me ensinara as primeiras letras…

A questão parece simples. Ou, melhor, a pergunta. No entanto, ela sempre foi complexa e heterogénea. Há vários tipos definições de educação. A mais directa é dizer que educação vem do latim 1 e significa o que está na nota de rodapé de esta página. No entanto, tem significado para discutir, como esse o de domesticar. Não tenho esquecido três definições fornecidas por mim, em vários textos meus. Um desses textos, é um livro meu que cito ao pé de página 2, livro no qual, após ter analisado com uma larga equipa mais de 40 crianças da aldeia de Vila Ruiva em Portugal, Concelho de Nelas, concluí que educar era formar cidadãos para os subordinar às formas e costumes de ser do nosso país. Aliás, para fazer de eles pessoas impingidas de saber social. [Read more…]

Educar, ensinar e sobreviver nas salas das nossas Escolas

A Escola tem sido uma espécie de mulher na recta de pigeiros. “Todos” se vão servindo dela e ainda por cima sem qualquer retribuição coerente com o serviço prestado.
Houve as paixões, as apostas, as opções e sei lá o quê mais.
Há até uma Escola que anda à frente do país que a possui, à escola! É uma escola que forma pessoas sem lugar no mercado de trabalho dos patrões reles dos ferraris.
A Escola pretende educar apesar de quererem que ela ensine ou será que quer apenas ensinar quando lhe exigem que eduque?
Sexualidade, prevenção rodoviária, educação para a saúde, alimentação, cidadania… Não tem fim o conjunto de competências que a sociedade exige à Escola.
Estará aqui uma das possíveis razões para o desconforto da relação entre a Escola e a Sociedade? Será por isto que a Escola procura um caminho e não o encontra? Ou será que é um caminho que nunca poderá encontrar porque não há caminho com os recursos existentes?
Aprender e ensinar

saber ensinar

Para a família Isley: May Malen que ontem fez um ano, a minha filha Camila (nascida Iturra-González), que hoje está de aniversário e para o nosso genro Felix Isley, nascido a 8 de Janeiro. No meio do mês, será o meu… Comemorações, entre 1 ano e os sessenta e muitos!

saber ensinar é saber criar, como Adão e a sua divindade por Michelangelo

É uma das tarefas mais difíceis da vida. Começamos por aprender em pequenos, passamos a estudar mais crescidos, e já adultos, somos nós que ensinamos. Mas, o quê?

Até onde eu saiba, não há escola de pais para aprender a ensinar. É uma permanente improvisação que nasce do fundo da nossa alma pelos sentimentos que criamos para as nossas crianças que, com paixão, fazemos. Eis o motivo do nome criança: são nossas, as fazemos, as amamos, as cuidamos.

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mis nietos

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como aprender siendo abuelo

Los vi ese día, todos ellos juntos, a hablarme por es maravillosa máquina llamada Skype. No son muchos, eran cuatro, uno se perdió al nacer, ese pequeño de una hora, que ahora vive en nuestras emociones y sentimientos. Como los otros tres, que están en nuestra presencia cuando es posible, y se pelean entre ellos para hablar con el Grand Pa, Oppa Daddy o el Abuelo, depende de su lugar de nacimiento y del idioma que hablen. [Read more…]

A (in)diferença entre indisciplina e violência

O espaço mediático continua a ter referências mais ou menos explícitas a questões de indisciplina e / ou violência.
E permitam-me que possa reflectir sobre esta temática procurando ilustrar esta questão sob duas perspectivas: a de Pai e a de Professor.

Num post anterior procurei mostrar o que pode ser o dia-a-dia numa escola. A indisciplina é algo que faz parte das relações entre poderes divergentes – entre pais e filhos, netos e avós, alunos mais velhos e alunos mais novos, jogadores e treinadores…
A formação inicial dos professores não permite uma grande aprendizagem nas metodologias que permitem gerir esta realidade – é a experiência e o contacto real, em contexto de escola, com os alunos que permite ir realizando uma profissionalização que vai ajudando a construir as competências necessárias.
E, boa parte desta realidade surge porque na sociedade a instituição responsável pela Educação, não EDUCA – a família, seja lá o que isso for.
As pressões que hoje TODOS exercem sobre as famílias levam as pessoas a:
a) trabalhar de sol a sol, com tempo para os filhos ao fim-de-semana e apenas no Centro-comercial;
b)viver dos rendimentos sociais e, sendo tudo dado, nada é preciso fazer, só exigem.
Os “putos” chegam-nos às mãos convencidos que podem tudo e não têm regras: ir à casa de banho é quando querem, material, que tragam os profs… Calados, só se estiverem “motivados”… Enfim, como antes escrevi, para onde vais Escola Pública, onde todos nos enganamos? Uns a fazer de conta que ensinam e outros a fazer de conta que aprendem…

Erros da escola e dos seus profissionais

No tripé que apresentei, os professores têm particular responsabilidade na escola, quer ao nível do seu funcionamento, quer ao nível da sua organização. São por isso parte crucial na solução deste TREMENDO problema que se transformou nos últimos anos, no pai de todos os Problemas. É por ele que os seniores estão a deixar a escola reformando-se com penalizações de 20, 30, 40 %…
Não podemos é deixar de considerar que TEMOS, professores uma imensa culpa nesta dimensão. Aceito trocar a palavra culpa por responsabilidade.

Responsabilidade porque enquanto colectivo de 150 mil profissionais nunca conseguimos colocar no centro das nossas acções a aprendizagem dos alunos, a verdadeira essência da Escola Pública – temos sido mais eficazes a falar sobre a profissão e as suas condições. Esta dialéctica favorece que do outro lado se coloque o aluno e aí ficamos a perder: parece que há alunos de um lado (com os pais e o país) e do outro os professores. Se, o centro fossem as aprendizagens e o exercício do ensino, não haveria outro lado.
Por outro lado, os Professores e a sua organização – a FENPROF – sempre defenderam um discurso em torno da autonomia, mas a verdade é que, penso eu, ninguém sabe muito bem o que isso é: estou cada vez mais convencido que, realmente, os professores não a querem e a FENPROF também não. O modelo que hoje temos, criou uma cadeia de comando imensa, um polvo com muitos braços: ME, Direcções Gerais, Direcções Regionais, Equipas de apoio… Todas estas organizações fazer sair leis, despachos, circulares, normas, recomendações e recados… Pedem relatórios, memorandos, grelhas e grelhinhas. Introduzem práticas sem sentido e que só prejudicam os alunos e o processo de ensino. Já nem falo do processo de aprendizagem.
E o que fazem os professores perante a imbecilidade do poder – cumprem! Fazem! Deixam de ensinar para fazer o que lhes mandam.
Qual é a chave para resolver isto?
A autonomia e a gestão das escolas… (voltarei)

Não há acordo possível

Com uma proposta que é pior que o pesadelo Maria de Lurdes.

Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)

Aroncilhe na Imagem (SEMPRE na frente!)

O low profile de Isabel parace ter adormecido as coisas, mas com essa capacidade não consegue disfarçar outra – a de que o ME está transformada na maior secção do Ministério das Finanças.
Uma coisa há de positivo – deixaram-se das tangas da qualidade da educação, de que isto tudo é para melhor, etc…
Assumem que é tudo uma questão financeira.
Muito bem. Vamos então à guerra no terreno onde ela tem que ser feita – o da política pura e dura.
A pergunta que todos podemos fazer: a educação custa muito dinheiro? Mas… já não se lembram do que ainda estamos a pagar pela ignorância do Salazar?

Quero com isto avançar um primeiro argumento para justificar o que me parece MUITO evidente – a Educação e a qualificação das pessoas têm que ser a nossa prioridade número um porque é a única coisa que nos pode valorizar quando comparados com outros povos.
Mas, apesar de parecer o Sócrates a falar, quero com estas palavras significar uma mudança TOTAL na realidade presente – na escola quase tudo tem que mudar, nomeadamente os currículos e a sua centralidade: temos, enquanto sociedade, que responder à pergunta:
– o que é que se aprende nas escolas públicas?
Pois… eu nem vos dou a resposta… CEF, EFA… Novas Oportunidades… zero reprovações…
Voltaremos em breve a esta discussão.

Estamos sempre aprender

Acabo de descobrir que nesta quadra, octeto e mesmo soneto, a blogocoisa, incluindo o Aventar, é completamente dominada pela esquerda. Uma boa altura para tomar o poder:

embora já se saiba que a seguir vêm os amorosos prussianos, e vamos todos para o muro, a parede, o caixote,  essa parte onde nos arrumam todos comunistas ou assim:

Cidadãos de Paris arrumados à moda da burguesia, André Adolphe Eugène Disderi, 1871

Há que estar preparado,  depois do Nascimento vem a  Páscoa.  Mas até gostei deste bocadinho, e boa continuação das festas do solstício invernal para todos.

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