Quando é o próximo comboio para o Gulag?

“Quem se abstém sem uma razão de força maior é um mau cidadão.”
Daniel Oliveira, jornalista e opinion maker (Jornal Expresso, 18 de Setembro de 2017)

E quem não põe o vidro no vidrão.
E quem não faz tatuagens. E quem compra manuais escolares da Porto Editora. E quem gosta de ler o Camões, principalmente a parte da Ilha dos Amores. E quem canta o Hino Nacional de pé . E quem não tem cão. E quem caça com gato e vai a touradas. E quem ainda ouve discos da Amália. E quem não telefona para a linha de Pedrógão. E quem não vê o Eixo do Mal. E quem não compra o Expresso. E quem não tem os dentes todos. E quem não come sushi. E quem enfia o guardanapo no colarinho da camisa. E quem não canta a Grândola no banho. E quem não toma banho. E quem ainda tem Bilhete de Identidade. E quem manda piropos na rua. E quem não usa medalhas e talismãs budistas ao peito, num fio de pele de vaca morta.

E mais: quem come pica no chão é um mau cidadão.
Quando é o próximo comboio para o Gulag?

Pasquim

Há momentos em que nos faltam as palavras. Esta manhã, ao ver a capa do JN, fiquei sem palavras.

A minha sorte é que existem dicionários e o problema resolveu-se:

pasquim
(francês pasquin, do italiano antigo pasquino, de Pasquino, nome de uma estátua mutilada sobre a qual os romanos afixavam escritos anónimos)

s. m.
1. Escrito anónimo afixado em lugar público com expressões satíricas contra o governo ou alguma pessoa constituída em dignidade.
2. Publicação difamatória.
3. [Depreciativo]  Jornal de baixa qualidade, sem importância. = JORNALECO
Podia pegar na manchete de diferentes formas, poderia perguntar se são apenas e só os professores, poderia ironizar e referir que afinal parece que sempre há professores a trabalhar, mas não. Fica apenas a citação retirada do dicionário e que dedico à jornalista Emília Monteiro.

Das Gerações à Rasca, às manifestações Que se Lixe a Troika*

Estive dois dias a “mastigar” o que foram as manifestações simultâneas do passado sábado.

Pouco tempo, eu sei, para luisproduzir o que quer que seja de uma reflexão aprofundada. Mas mesmo assim, gostaria de partilhar e, para quem o quiser fazer(coisa nada fácil de fazer no nosso mundo-chiclete), colocar a debate, algumas ideias.
Penso que a “Geração à Rasca”, há pouco menos de 2 anos, que estudei em profundidade graças à bem-aventurada aventura académica, marca uma espécie de início visível de um longo processo de re-tomada do espaço público simbólico por um “cidadão anónimo” novo, que já não coloca em campos antagónicos a “cidadania” e o “anonimato”, o que pode significar que estaremos num processo reformulador do próprio conceito de “cidadão”. Trata-se, pois, da possível emergência de algo cujas consequências políticas ainda não temos suficiente informação para perceber.
Digo que se trata da re-tomada, ou re-ocupação do “espaço público simbólico” porque, nas últimas décadas, o capitalismo (chamemos-lhe “democracia de mercado” para sermos, vá, simpáticos) desvitalizou, de facto, o espaço público como “espaço político”. Julgo que é da sua tentativa de revitalização que tratam estas manifestações, o 12 de Março de 2011, o 15 de Setembro de 2012, o 2 de Março de 2013.
Para já, estaremos num período de diagnóstico a que poderíamos chamar “a rebelião dos consumidores”.  [Read more…]

Morreu o Manuel António Pina

Caramba…

O que se escreve nestas alturas? Lembra-se o Homem, o escritor, o criativo, o cidadão.

A primeira coisa que me ocorreu foi um dos últimos trabalhos que fiz com os meus alunos em torno do livro “O tesouro.”

Estamos de volta ao país das pessoas tristes, hoje ainda mais triste pela partida do Pina.

Quem nos protege dos nossos protectores?

Segundo o cidadão, tudo começou quando um dos agentes lhe tira à força dois documentos negando devolvê-los. Indignado com o abuso, o cidadão insiste que lhe devolvam os documentos. O agente acaba por chamar reforços (1 carrinha + 2 ou 3 carros patrulha). O cidadão aflito chama o filho para o seu colo momento em que a polícia decide detê-lo.

Toda a Morais Soares assistiu indignada. Embora rapidamente afastados, até velhotes transeuntes tentaram impedir que separassem pai e filho.

Actualização: segundo a própria PSP o hediondo crime que justifica esta “abordagem” –  falar ao telemóvel enquanto conduzia -, e esse eterno clássico policial:  injúrias.  A justificação, publicada no Facebook, é todo um tratado, de contradição e língua portuguesa, que  aqui reproduzo: [Read more…]

CP – o agente reincidente

A 29 de Janeiro, com base em fundada reclamação de um consumidor, passageiro regular da CP, a ACOP difundiu um comunicado do teor seguinte: [Read more…]

Desabafo

(desenho de manel cruz)

Eu gosto muito do meu Porto e penso que seria capaz de escrever lindos textos sobre o Porto. Mas não me apetece. Apetece-me escrever um texto feio. Como me apetece escrever só textos feios sobre este miserável e corrupto país. Este país, vítima da maior bandalheira da sua história. Este país que tem como Presidente o seu coveiro, e como portadores do caixão, os seus incorruptíveis boys. E o pior é que todos se preparam para a exumação do cadáver. [Read more…]

A distribuição da riqueza é a questão central na sociedade Portuguesa

A economia

(imagem que me chegou por mail, desconheço a fonte)