Aposta-se : Que selecção ?

Aqui vai a minha previsão :

Eduardo

Bowsingua Bruno Ricardo Duda

Pepe

Nani Deco Simão

Ronaldo Hugo

PS: Meireles no lugar de Nani

A selecção já não mora aqui

A selecção nacional de futebol joga hoje na Albânia uma das ‘cinco finais’ de acesso ao Mundial de 2010. Todos os jogos serão fundamentais e em todos eles a equipa de Carlos Queiroz está obrigada a vencer.

Ontem o Sporting teve eleições para a direcção e o vencedor estava, à partida, encontrado, tal a disparidade de apoios demonstrada.

Hoje, os jornais desportivos nacional, dão a capa ao novo líder leonino. Compreensível. Mas na capa de todos eles há apenas uma linha, quase envergonhada, para o jogo da selecção.

Noutros tempos, as opções teriam sido inversas, com grandes parangonas, as histórias sobre as chuteiras de Ronaldo, a borbulha de Deco que o poderia impedir de dar o melhor rendimento, o penteado que Simão prometia apresentar à hora do jogo, entre outros pormenores de grande importância. Mesmo que o jogo da selecção não fosse decisivo, mesmo que fosse um vulgar particular, seria assim que as coisas aconteceriam.

Algo mudou entre os jornais e a selecção nacional.

Messi, Maradona, Hugo Sanchez, Figo… e um tal CR7

Boas,
hoje li no público uma declaração absolutamente fantástica do Messi. Diz o melhor jogador do mundo que se sente ofendido por alguém pensar em o comparar a Maradona, porque como ele não haverá outro.
É isso mesmo! Maradona é só o o Maradona mesmo que muitos (até ele próprio) insistam em inventar um novo mágico sempre que é preciso despachar algum puto da Argentina para a Europa.

Eu lembro-me de ver o Maradona jogar (sempre pela TV) e de facto ele era o que nunca ninguém foi e nunca mais ninguém conseguiu ser.

Este vídeo é um dos milhares que lembra como o futebol pode ser tão simples:

Mas, para mim futebol não foi só o Maradona e quase ao nível dele, no meu imaginário, está um tal de Hugo Sanchez. Jogador Mexicano que o Mundo conheceu no Real Madrid – ele conseguia complicar o que era fácil. Se podia rematar ou simplesmente cabecear, ele inventava uma bicicleta… Espectáculo:
(neste vídeo sugiro o golo 3 para que comparem com os livres do Ronaldo, que alguns dizem ser uma inovação e, claro, os dois primeiros).

Nesta volta pelo meu baú de recordações vou buscar o Figo para procurar responder ao post pesetero .
Como adepto ignoro completamente o que cada jogador faz com os seus contratos, interessa-me pouco ou nada essa dimensão da bola: quero saber lá dentro, no rectângulo, o que cada um faz com ela. Figo esteve ao nível dos melhores e ao contrário do CR7 sempre foi brilhantemente competente durante épocas e épocas ao mais alto nível europeu. O meu coração diz-me que o João Vieira Pinto foi o melhor jogador português que eu vi jogar, mas admito que o Figo anda lá perto.
Quanto ao outro, o tal CR7… tenho pena dele, coitado!

Breve biografia de Luís Figo, o «Pesetero»


Na semana em que anunciou o fim da sua carreira, começam a aparecer os balanços de duas décadas de Luís Figo. Revejo-me muito no que foi escrito aqui, no «post» e sobretudo na caixa de comentários.
Aqui ficam, na óptica do Aventar, alguns dos momentos mais significativos da sua carreira desportiva:
– Em 1989, estava no Sporting, era presidente Sousa Cintra, e assinou ao mesmo tempo pelo Benfica. Voltou atrás quando o Sporting dobrou a proposta do Benfica.
– Em 1995, estava ainda no Sporting quando assinou por dois clubes italianos ao mesmo tempo, Parma e JUventus. Ficou impedido pela Federação Italiana de Futebol de se inscrever em qualquer clube italiano durante dois anos.
– Ainda nesse ano, recusou a renovação pelo Sporting, razão pela qual, em fim de contrato, acabou por sair para o Barcelona por um valor irrisório.
– Em 1997, no rescaldo do «Caso Paula», pelo que se disse na altura, terá arremessado, no Hotel onde a Selecção estagiava, um saco de urina ao jornalista da SIC, Nuno Luz, que estivera envolvido na cobertura daquele execrável «Os Donos da Bola».
– Em 2000, idolatrado e reverenciado pelos adeptos do Barcelona e por toda uma região, a da Catalunha, assinou contrato com o Real de Madrid sem qualquer explicação, dando origem ao epíteto pelo qual é mais conhecido, o de «pesetero».
– Em 2001, quando foi eleito o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, fez o discurso da vitória em espanhol.
– Em 2006, já no Inter de Milão, festejou de forma efusiva e despropositada, no banco de suplentes, o golo do Inter de Milão contra o Sporting.
– Em 2007, anunciou que iria jogar na Arábia Saudita e chegou a ser apresentado em conferência de imprensa pelo clube saudita.
– Em 2008, disse que gostava de ter voltado ao Sporting, mas que nunca fora convidado.
– Em 2009, terminou a carreira colocando uma cabeleira de palhaço na cabeça.
– Depois de anunciar o fim da carreira, pondera continuar a jogar no próximo ano.

Dobrada à moda do Porto

É indigesta, não pode ser sempre nem demais! O Paços aguentou-se bem, jogou benzinho mas sem fazer grande mossa à defesa Dragona.
O FCP está esgotado, poucas vezes acelerou e quando o fez marcou um golo !
O Jesualdo merece acabar a carreira num clube com a dimensão do Porto.É um estudioso , fez uma carreira longa e começou por baixo, com dificuldades. Há aí uns treinadores de aviário que começam onde deviam acabar.
O Jorge Nuno, à parte umas aferroadas escusadas ao Jamor e ao Glorioso, esteve ao seu nível. No camarote presidencial.No ano passado esteve duas filas atrás de mim.
Efeito das catarinas…
E um abraço aos meus compinchas aventadores “azuis e brancos” …

Até quando os vamos deixar ganhar?

tetra
Cartaz de Bruno Carvalho, candidato à Presidência do Benfica

O Glorioso será sempre grande

Dois treinadores! Dois! É assim, para perceberem como reage a águia voadora ! De asa ferida, a rainha dos céus agiganta-se e mesmo na derrota é dela que se fala! Animais de terra nunca chegarão, altaneiras, ao cimo das montanhas. Só há duas formas de chegar à glória, ao cimo do supremo objectivo. A voar ou a rastejar!
Ela aí está, asas estendidas, imponente, a esvoaçar ao sabor das brisas!

O CDS no Montalvão

O Montalvão é o campo de futebol onde este vosso amigo punha a cabeça em água aos defesas, em jogos de futebol com duas pedras a fazer de balizas!
Fiquei siderado quando vi o meu campo das alegrias na televisão. Grandes jogos, fugido às aulas, dava recitais de bem jogar toda a bola. De pano, de borracha era um ver se te avias, fintar, rematar, não dar a bola a ninguem, uma farturinha.
Eu morava no outro lado da cidade, mas não era isso que me impedia de passar lá o dia. A malta da bola não precisava de acertar nada. Já todos sabíamos que o céu andava perto do Montalvão, nunca faltava ninguem.
Agora está lá um Instituto para a terceira idade, parece ser uma Universidade, espero bem que de bola e desportos afins!
Já agora aproveito para dizer que o Paulo e o Nuno passaram por lá a caminho de uma residencial da terceira idade, na Covilhã!

O que hoje é verdade, amanhã é mentira

Há três dias perguntava quando é que o comunicado do Benfica seria desmentido. Bem podem dizer que o texto, em rigor, não foi e não será desmentido, que era a realidade naquele momento, que tinha de ser, por razões formais, porque a CMVM tinha pedido esclarecimento, ou por qualquer outro motivo.

São as tais verdades e mentiras do futebol, como descrevia há uns anos Pimenta Machado, naquele que terá sido o seu maior contributo para a semântica do desporto-rei em Portugal.

Hoje, o jornal Record conta que Jorge Jesus assinou um contrato com o Benfica por dois anos, com Luís Filipe Vieira. Pode até ser mentira mas os detalhes são tantos que tudo me leva a crer que é verdade. Se não for, este será mais um caso ‘tipo Vichyssouse’ ou lá como se chama a sopa fria.

O CÚMULO!

VALE E AZEVEDO, OITO ANOS, TANTO TEMPO
VALE E AZEVEDO
Ainda lhe faltam oito anos para cumprir, dos onze a que foi condenado, mas para já ainda está em Londres, a gozar de boa vida.
Vale e Azevedo não aprendeu nada com a vida que levou em Portugal (ou aprendeu, refinando as suas aptidões), com as dívidas que deixou, com as malandrices e pulhices que fez, com as aldrabices que praticou. Foi condenado, foi preso, e depois rumou ao estrangeiro. Lá cometeu as mesmas coisas. Criou dívidas, aldrabou, mentiu e viveu uma vida de luxo. Viveu e vive, já que, não podendo sair do Reino Unido, tendo o passaporte apresado, sendo obrigado a presentar-se às autoridades do bairro onde vive assiduamente, e tendo sido obrigado a sair da mansão em que vivia por não pagar a renda que lhe era devida, está alojado, há já alguns meses, num hotel de luxo nos arredores de Londres.
Por cá, foi condenado. Por lá, vive à grande e à francesa. Por cá a justiça parece ter funcionado menos mal. Por lá o homem vive descansado. Por cá ser ou não ser condenado é a mesma coisa. Por lá, será extraditado um dia, ou talvez não.
Adorado por muitos neste nosso País (convém reparar na fotografia), este salafrário, enganou meio mundo e continua a viver como quer e lhe apetece, numa vida faustosa.
Ser condenado a viver assim como Vale e Azevedo vive, faz apetecer ser criminoso como ele. A ser assim, a corrupção passa a valer a pena (de qualquer forma e pelo que se sabe, sempre valeu).

O Boavista desceu. A Oliveirense não. Hermínio Loureiro é candidato à Câmara de Oliveira de Azeméis

O Boavista desceu de Divisão. A Oliveirense não. O Boavista foi vítima de uma arbitragem vergonhosa de Duarte Gomes. A Oliveirense não. Duarte Gomes vai terminar a época com uma excelente classificação. Hermínio Loureiro é candidato à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
O treinador da Oliveirense foi expulso no penúltimo jogo. O treinador da Oliveirense esteve no banco no último jogo. A Oliveirense tem de perder os 3 pontos. A Oliveirense tem de descer. Hermínio Loureiro é Presidente da Liga. Hermínio Loureiro é candidato à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.

O Leão em eleições

Em Portugal não temos o prazer democrático de discutir opiniões, apresentar argumentos, reconhecer o que é melhor para o bem comum.Se fosse preciso, os últimos dias da campanha de Alvalade, eram exemplo esclarecedor. Tudo se faz para que não hajam eleições.
Trata-se de nomear alguem que já venceu antes da ida às urnas.Os candidatos assomam e logo se retiram ao primeiro aceno de acordo.Arranja-se um lugar na lista, negoceia-se isto e mais aquilo e o candidato desaparece.
Devagar, o “escolhido”, com a ajuda de tudo o que pode formatar a opinião pública, é apresentado aos sócios como o “salvador”. Tem programa? É a continuação de quem lá esteve e nada ganhou? Ou ser segundo e ganhar umas taças, já passou a ser o objectivo do Sporting? Nem sequer aparece um verdadeiro Leão a dizer que quer uma equipa vencedora! É assunto vedado por quem? Pelos credores, pelos bancos?
A equipa arrasta-se num futebol paupérrimo, com um treinador competente mas incapaz de ganhar.Não corre os riscos necessários e suficientes para ganhar campeonatos.É preciso dar espaço a Moutinho, dar liberdade a Vuk, saber o que se quer de Roka e manter o “tandem atómico” Liedson/Derley ! E já agora dois laterais de bom nível!
Mas para isso é preciso pôr os bancos no seu lugar! Isto é, “no banco”!

Quanto tempo vai demorar até isto ser desmentido?

quique-flores

1) A SL Benfica SAD e o Sr. Enrique Sanchez Flores celebraram e mantêm em
vigor um contrato de trabalho válido até ao final da época desportiva
2009/2010;
2) A SL Benfica SAD e o Sr. Enrique Sanchez Flores têm estado a debater as
condições relativas à preparação da nova época desportiva;
3) A SL Benfica SAD não tem intenção de avançar com qualquer rescisão
unilateral
do actual contrato;
4) Não existem negociações em curso relacionadas com o contrato em vigor.

O comunicado, de hoje, enviado à CMVM, pode ser lido no site do SLBenfica. Sublinhados meus.

Sou pelos pequenos!

mordillo-futebol

E agora para algo completamente diferente… Numa altura em que o campeonato dos “grandes” endinheirados e profissionais está a acabar, uma pequena homenagem aos “pequenos” pobretes, mas alegretes.

O Salgueiros 08 disputa este Domingo, no Complexo Desportivo do Sra. da Hora, o título de Campeão da II Divisão Distrital da Associação de Futebol do Porto com o Aliança F.C. de Gandra. O Campeão garante a subida à I Divisão. A primeira mão ficou 1×3 a favor do Salgueiros, faltando agora apenas um empate ou vitória ao Salgueiros 08 para garantir o título. Em caso de vitória do Gandra haverá lugar a uma finalíssima. A hora do jogo é às 15:00h, e pela primeira vez nos campeonatos distritais, terá honras de transmissão televisiva em directo, pelo Porto Canal.
Excelente iniciativa esta do Porto Canal em divulgar um “evento menor” de carácter nitidamente regional, ainda por cima envolvendo a face menos vista do futebol, que é precisamente as pessoas que gostam do futebol-desporto. A transmissão directa de um jogo da Distrital deve ser estreia mundial!
Em caso de conquista do título a equipa do Salgueiros sairá em autocarro a liderar o cortejo para festejar primeiro em Vidal Pinheiro, onde haverá o primeiro foco de animação e posteriormente para a Avenida dos Aliados, para desfilar no centro da cidade.
Não estarei presente nos festejos. Estarei à mesma hora num outro grande jogo de futebol com a minha equipa de futebol de 5 no Bairro da Pasteleira. São as micro-revoluções ao Domingo. Sou pelos pequenos!

Não é sobre um alegado apoio a associação de jovens

Ainda pensei em escrever sobre o belo gesto de alegada protecção e apoio a uma associação de jovens por parte de um dirigente desportivo. Mas prefiro não o fazer. Tenho medo de ser processado. Não por mim, mas porque se podem lembrar de fazer o mesmo a todos os aventadores.

Tenham em atenção que escrevi ‘alegada’. Só ‘alegada’. Não vá o diabo tece-las.

Investimento Sócrates: 4 estádios às moscas

Investir sem parar em obras públicas é o remédio de Sócrates para a crise!
Em quê? Não interessa! Em tudo! De todos os quadrantes, incluindo dos empresários, clamam vozes avisadas que neste quadro frágil e, principalmente, incerto, ninguém sabe o que aí vem, a prudência é o caminho a seguir. Obras de proximidade, recuperação de escolas, hospitais, lares, centro das cidades, renovação das redes de distribuição de água e electricidade, ampliação da rede de distribuição do gás. Melhorar o ambiente, as praias, os acessos às áreas de lazer, facilitar o turismo, o Patrimónimo Histórico que está a apodrecer…
Não, o homem quer obras megalónomas, que depois de lançadas já não andam para trás, que ninguém controla, onde o risco é medonho e a irresponsabilidade um crime! Obras que importam do estrangeiro grande parte do Know How e dos equipamentos, que nos próximos dois anos não têm nenhum efeito no emprego. Não, o homem quer grandes obras!
Obstinado, este mesmo Sócrates já esqueceu que foi por não ouvir ninguém que se deitaram para o lixo 200 milhões de Euros em quatro estádios que todos sabiam não serem necessários: Estádio do Algarve, Leiria, Coimbra e Aveiro. Não só não têm espectadores como as próprias Câmaras não têm capacidade financeira para suportar a sua manutenção. Fez-se um Europeu de Futebol na Holanda e na Bélgica e cada um dos países construiu dois estádios!
Se este homem fosse chamado à responsabilidade deste enorme prejuízo, talvez fosse mais humilde e não cavasse a nossa sepultura! E comparasse o que se faz naqueles dois países para perceber uma série de coisas! A responsabilidade na alocação dos dinheiros públicos, a rentabilidade dos projectos e, porque é que eles são ricos e nós cada vez mais pobres!

Nos 25 anos da morte de Joaquim Agostinho


O Luis Moreira chamou a atenção, no Domingo, para os 25 anos sobre a morte de Joaquim Agostinho. Afogueado com o tetracampeonato do FC do Porto, preferi deixar para hoje a evocação do maior ciclista português de sempre.
Joaquim Agostinho nasceu a 7 de Abril de 1943 no lugar de Brejenjas, da freguesia de Silveira, concelho de Torres Vedras. O ambiente rural em que foi criado levou-o a abandonar os estudos quando ainda não completara a quarta classe, para ajudar o pai na lavoura.
Durante um ano, esteve em Moçambique a cumprir o serviço militar. Quando regressou, pegou no dinheiro que fora amealhando e foi a Torres Vedras comprar uma bicicleta. Passou então a ser a sua amiga inseparável e que utilizava para se deslocar diariamente para a Fazenda dos Cucos, onde trabalhara antes ainda de ir para o Ultramar. Demonstrando a força que tinha nas pernas, conseguia chegar sempre ao mesmo tempo da camioneta da carreira.
«Nesses tempos Agostinho deslocava-se para o trabalho utilizando uma bicicleta como meio de transporte, aliás como faziam muitos dos seus conterrâneos. Eram grandes grupos de trabalhadores da Casa Hipólito, do FAZ e de outras empresas que enchiam nas horas de ponta, por completo, as estradas que ligam Torres Vedras a destinos como Coutada, S. Pedro da Cadeira, Silveira, Povoa de Penafirme, e entre eles encontrava-se muitas vezes o nosso Joaquim Agostinho.» (Francisco Manuel Costa Fernandes, in Joaquim Agostinho: 20 Anos)
Aos vinte e cinco anos, concretizando uma aspiração que ia alimentando há algum tempo, decidiu que queria ser ciclista. Em 1967, no dia de Natal, competiu pela primeira vez a nível oficial. Foi no Circuito do Barro e a facilidade com que venceu, a grande distância de todos os adversários, demonstrou que se estava em presença de um enorme talento.
Poucos dias depois, vai prestar provas ao Sporting Clube de Portugal e é imediatamente admitido. Chamavam-lhe então o «Quim Cambalhotas», porque caía muitas vezes. Não imaginavam, nessa altura, que seria numa dessas quedas, anos mais tarde, que encontraria a morte. No entanto, a abnegação com que encarou esses primeiros tempos de «leão» ao peito levou-o à vitória, logo no ano seguinte, do Campeonato Nacional e Regional de Amadores. Já como profissional, participa na sua primeira Volta a Portugal em Bicicleta, ainda em 1968, onde fica em segundo lugar.
Em 1969, consegue a sua primeira internacionalização, através da participação no Campeonato do Mundo de Estrada, em Imola. Apesar de terminar a prova em décimo quinto lugar, essa classificação foi a melhor de sempre obtida por um ciclista português. Pouco tempo depois, vence a Volta ao Estado de S. Paulo, no Brasil, e volta a sagrar-se Campeão Nacional de Fundo. Termina a Volta a Portugal em primeiro lugar, mas é desclassificado por acusar «doping».
Entretanto, a fama de Joaquim Agostinho galgara fronteiras. Na prova mais importante do calendário mundial, o «Tour» de França, vence duas etapas (Mulhouse e Revel) e termina no oitavo lugar.
Em Portugal, já não tinha nenhum adversário à altura. Em três anos, entre 1970 e 1972, vence três Campeonatos Nacionais de Fundo e três Voltas a Portugal. O quarto lugar que obtém na Volta a França de 1972 chama ainda mais a atenção da comunidade internacional para as suas qualidades.
Em 1973, abandona o Sporting e é contratado pela Bic. Em França, vence o contra-relógio de Bordéus e termina a prova em oitavo lugar. No ano seguinte, fica em segundo na «Vuelta» à Espanha, onde só não ganha porque teve de ajudar o «chefe de fila», e em sexto no «Tour». Nos anos seguintes, a contas com problemas nos clubes que representou e com acusações de «doping», vai desiludir.
Mas em 1978, ao serviço da equipa belga Velda / Lano / Flandria, regressa em grande. Forte e pujante, em particular nas etapas de montanha e nos contra-relógios, termina a Volta a França na terceira posição, a melhor classificação que obteve. Melhor do que ele, só os míticos Bernard Hinault e Joop Zoetmelk. A euforia que então se apoderou dos emigrantes portugueses, quando subiu ao pódio para receber o prémio do terceiro posto e a medalha da cidade de Paris, ficou na história da prova.
No ano seguinte, representando a mesma equipa, Joaquim Agostinho partiu como favorito à vitória. No entanto, os primeiros dias não lhe correram bem e só a etapa dos Alpes e o último contra-relógio lhe permitiram repetir a classificação do ano anterior, o terceiro lugar. «Quando pressinto que Agostinho vai fugir, ataco eu, para ficar tranquilo», viria a dizer Eddie Merckx nesse mesmo ano.
Em 1981, desistiu. Em 1982, não participou. Em 1983, ficou em décimo primeiro lugar. Era então o mais velho do pelotão, com quarenta anos. Foi a décima terceira e última vez que correu a Volta à França. Anos mais tarde, em 2003, viria a ser considerado o vigésimo nono melhor ciclista da Volta de todos os tempos, numa classificação que tinha Eddy Merckx, Bernard Hinault e Jop Zoetmelk nos primeiros lugares. Uma das dezassete curvas da mítica etapa que termina no Alpe d’Huez foi baptizada de Curva Agostinho em sua honra. Uma curva que tem uma inclinação de 14,7% e que representa o ponto mais difícil da ascenção.
Em finais de Abril de 1984, quando preparava o regresso à Volta a Portugal, participou na Volta ao Algarve ao serviço, ainda e sempre, do Sporting. Assumiu desde cedo o comando da prova e foi com a camisola amarela que, na etapa que terminou na Quarteira, no dia 30 de Abril, caiu na recta da meta quando se atravessaram no caminho dois cães. Ainda conseguiu levantar-se e terminar a etapa, com a dignidade que sempre demonstrou, mas foi o chamado «canto do cisne».
«Agostinho decidira, enfim, deixar a vida de andarilho pela estranja. Para acabar a sua carreira no Sporting. Acabá-la-ia tragicamente. Como herói morto na batalha. Corredor de milhares e milhares de quilómetros, subiu e desceu adamastores, cruzou, vezes sem conta, planícies, obedecendo a uma mitologia sem sentido que era uma espécie do seu código deontológico na raça: cair, sufocar a dor e continuar.» (Carlos Miranda, in História de 50 Anos do Desporto Português)
Com fortes dores de cabeça, é levado para o Hospital do Algarve, onde nada é feito porque não havia neurocirurgião. Acaba por ser transportado de ambulância para Lisboa, porque não havia helicóptero disponível. Nunca como nessa altura as lacunas do Sistema Nacional de Saúde nessa deprimida zona do país se revelaram tão graves.
Nos dias seguintes, o país ficou suspenso de um desfecho que se temia tanto quanto se adivinhava. A entrada em coma prenunciou a morte, ocorrida no dia 10 de Maio. Causa do óbito: embolia pulmonar, conseqüência do inicial hematoma epidural, ou seja, sangue que se aloja entre a calota craniana e a dura-máter e que tem solução se tratada de imediato, o que não aconteceu. Foi sepultado no cemitério de Silveira, numa cerimónia que contou com a presença de milhares de pessoas.
«Vê tu, Joaquim, é capaz de aparecer quem proclame que tu caíste de camisola amarela, algo que, afinal, era capaz de lisonjear Merckx, Anquetil, mais para trás, um Bartali e um Copi… Levei o meu tempo a perceber, mas ainda compreendi em boa altura: que tu nunca quiseste deixar de ser o camponês que nasceste, que a uma camisola amarela preferias o ir para casa, uma semana que fosse, que a uma vitória nas alturas querias o amor da mulher, dos filhos, o conforto da casa, a paródia dos amigos, o João, o Leonel, que o teu mundo não era o dos «palaces» dos fins de etapa, os teus horizontes confinavam-se aos campos verdes de Torres Vedras, o teu Atlântico não era o do Brest, era o de Santa Cruz… Foi isso que compreendi e confidenciei então, a meia dúzia ou menos de pessoas amigas: nunca s
er
ias um grande campeão, contentavas-te em ser um homem feliz. O Rei podia vestir a tua camisola.» (Carlos Miranda, in «História de 50 Anos do Desporto Português)
Em sua homenagem, o Prémio Internacional de Torres Vedras passou a designar-se, em 1985, Troféu Joaquim Agostinho. Em 3 de Julho de 1988, foi inaugurado na Várzea um monumento em bronze que recorda a sua memória, da autoria do escultor Soares Branco, do arquitecto Leopoldo S. Branco e do torneiro João António. Em Silveira, onde nasceu, foi dado o seu nome a uma das avenidas mais movimentadas da freguesia e erguido um monumento em sua honra.

in «Torres Vedras: Na ESteira das Velhas Torres», Paços de Ferreira, Héstia Editores, 2006.

Quase que se torna cansativo…

O FC Porto continua a ganhar. Até os festejos já perdem algum fulgor, é que são tantas vezes seguidas… Mas ainda bem. É que eu fiz uma aposta já no longínquo ano de 1991, na altura em que o César Brito marcou dois golos pelo Benfica, em pleno Estádio das Antas. Apenas “ouvi” os golos na rádio. A SportTV ainda estaria a ser combinada ali junto aos placards publicitários do sr. Oliveira. Triste com a derrota, revoltado com a afronta, a chorar de nervos, e com a estupidez natural de quem tem 18 anos, apostei naquele preciso momento com a minha família, que por acaso é toda benfiquista e sportinguista, que o FC Porto ainda havia de ser o melhor clube português. Bastava para isso ter mais campeonatos que os outros clubes. Impossível! Em 1991 esta era uma meta demasiado longínqua para ser alcançada. Em 2009, o FC Porto conquista o 24.º título. O Sporting (mas afinal, existem mesmo sportinguistas?) ficou bem para trás. O Benfica (o clube que mais ganha com as vendas de lenços brancos) está apenas a 7 campeonatos e continua a ser a palavra mais vezes associada com “desilusão”.
Depois de anos a ouvir constantemente “falar” de estatísticas com o “nós temos 2 Taças dos Campeões Europeus, coisa que vocês nunca vão ter“, “nós já temos 30 campeonatos, só daqui a 50 anos é que nos passam“, qual será no futuro o grande argumento que permita aos outros clubes não justificar que o FC Porto é de facto, o melhor clube português? Só se for, nunca termos tido Cinco Violinos ou o Eusébio no plantel. É pena que o Fernando Gomes não tenha marcado mais meia dúzia de golos, senão lá se ia a estatística novamente.
Já fui sócio e sempre vi os jogos no meio dos “Super”, com os meus amigos de infância. Mas já não “adoro” o FC Porto como antigamente. No geral, (como em quase tudo) perdeu-se a simplicidade e a inocência do futebol. Está tudo demasiado profissionalizado e industrializado e estes são pormenores que me dão algum amargo de boca. SAD’s, cotações em bolsa e administradores são um trio de ataque que me metem logo na retranca. Penso, se  jogadores como o Rui Filipe ou o Domingos, por exemplo, alguma vez conseguiriam emergir no FC Porto com (exagerado) sotaque sul-americano dos dias de hoje.
Ainda assim, nos pormenores, também se vê a diferença para melhor do FC Porto em relação a outros clubes. Com o tratamento à camisola “2”, por exemplo. O FC Porto conseguiu apenas com uma camisola, criar um perpetuador da mística do clube. Apenas com uma camisola, o FC Porto consegue transmitir feitos e anos de experiência de verdadeiros mitos do clube para as gerações seguintes. Outros clubes ainda tentam perceber o que é a mística. Independentemente dos (muitos) bons jogadores do plantel, uma palavra de destaque para um jogador que muito admiro e que acho que fica esquecido: Raul Meireles, o miúdo que era da Boavista e que agora é, para mim, o motor do FC Porto. Tivesse mais “cabedal” e arriscava-se a ser o actual melhor meio-campista português. Ao Pedro Emanuel também, por continuar a ser um exemplo (interno e externo) do que é ser jogador de futebol através de todas as etapas da carreira, até mesmo quando se está para pendurar as botas.
Fica a minha sugestão: vender algum do sotaque sul-americano para dar lugar aos miúdos das camadas jovens. Já este ano tive dificuldade em distinguir as declarações dos jogadores do FC Porto e a telenovela mexicana da vizinha. Senão para o ano será o “Pienta Campionato Puertista”. Acho que já chega, não?
Por último, que FC Porto será esse sem Pinto da Costa? E que Pinto da Costa será esse sem FC Porto? Já não consigo distinguir quem é quem.
A este ritmo e com “este” FC Porto, acho que vou ganhar a aposta na próxima década. Só é pena já não me lembrar do que vou ganhar com a aposta. Parabéns ao FC Porto. Outra vez.

Passe a publicidade (e não é por ter estado envolvido na produção), aproveito para sugerir aos verdadeiros amantes do futebol, uma obra imprescindível de dois verdadeiros crâneos do mundo do futebol e da investigação, grandes amigos e excelentes profissionais: História do Futebol em Portugal – A Paixão do Povo, de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro.

porto ignorado pelo Deus Mercado!

Oi,

eu aqui venho defender a causa prismática de um Benfiquista tripeiro. Sou de esquerda e no sentido mais nobre (ESPERO EU) da palavra sou também intelectual e de esquerda. Gosto de futebol, ou seja, só defeitos.

O que leva então o país a ignorar os feitos do Porto e hiper-valorizar, por exemplo, qualquer facto relacionado com o BENFICA?

Os ferrari que circulam por Gaia

Os ferrari que circulam por Gaia

O mercado, sempre o DEUS mercado. É essa a minha leitura.
Como consumidor de informação e hoje a informação está também transformada num produto, compro produtos sobre o BENFICA e nunca compro nada sobre o porto. E creio que os valores de venda e de publicidade ano após ano mostram isso mesmo e, só por isso, se pode compreender a relativa indiferença que o país, de facto, mostra perante as vitórias do porto.
Obviamente, acredito, há também aqui alguma habituação ao ganhar – quer dos media, quer dos próprios adeptos e adversários. Até parece que não é notícia o porto ganhar o campeonato. É como a história do homem que morde o cão.

Numa segunda dimensão penso que seria interessante, até na sequência de posts anteriores que se fizesse alguma reflexão sobre a forma como o porto comunica em tempos de vitória. Mais adeptos, mas sempre jogadores, corpo técnico e claro, sua eminência, traduzem em vocabulário agressivo perante outros a motivação das suas práticas.
Ganham porque os outros os criticaram, porque os trataram mal, porque são uns coitadinhos, etc… Ganham sempre contra alguma coisa, se calhar contra os moinhos de vento.
Mas, tal como o Mourinho se atira para a frente das balas para defender os jogadores, creio que a marca porto só faz sentido nesta existência quase provinciana de quem está sempre contra o que vem da capital, a velha história “Lisboa a arder”.

E, meus caros PORTISTAS AVENTADORES, o insucesso do porto nos últimos 30 anos é mesmo esse – nunca conseguiu ser um clube que ganha porque sim. Ganha porque os outros e tal…
O melhor exemplo disso foi o dia em que o BENFICA, sem eu saber, em 2003, creio, ganhou uma taça uefa em Sevilha. Sim, o BENFICA.
É que ao entrar no estádio para festeja com os seus adeptos, o que se ouvia aqui no Porto era SLB, SLB, filhos da puta SLB! Aí percebi a grandeza de uns e o menor tamanho de outros.

Num terceiro aspecto a considerar, creio que no post do José Freitas fica clara a relação directa entre o isolamento de uma região e a forma, a meu ver, menor, como se vivem as vitórias do porto. Parece que o resto do mundo se uniu para nos tramar, como se pode ouvir na canção, mas de facto, o que aconteceu, foi que o Norte e também o Porto (região, cidade) não conseguiram, nos últimos vinte anos mostrar a sua força, que, se calhar, até não tem. Os nossos políticos são claramente dos piores que temos tido – Valentim e Fernando Gomes só para citar alguns e com um umbigo enorme, o norte vai continuar a viver das vitórias de um clube que teima em não crescer para lá da sua dimensão.

Estou a ser mauzinho e vou levar nas orelhas dos meus caros aventores, mas entendam este post como o post de um vermelho que não consegue perceber o que pode o seu clube fazer para ganhar!

Termino com os votos dos meus mais sinceros parabéns pelo Tetra!
JP

O FC Porto como valor acrescentado

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Um comentário do aventador Miguel Dias num “post” do Fernando Moreira de Sá, a propósito do tetracampeonato do FC Porto, levou-me ao baú das recordações. Nem foi preciso procurar muito, nem me enchi de pó, porque a memória que pretendia não morava longe. Tem uns dois meses. Foi escrita para um outro espaço mas permanece totalmente actual.

Lembrei-me dela por causa do breve comentário do Miguel Dias, que salienta haver “muito de revanche, de ódio visceral a raiar o sadismo”, na forma como os adeptos do FCP festejam. Fala de humilhação e de um dos factores de bloqueio do Porto serem as vitórias do principal clube da cidade. “Conclui-se que o porto cidade, porque noutras esferas não tem o poder (e competência, conceda-se do pinto da costa) não é mais do que é por causa doa poderes ocultos da capital”.

Não concordo. Bem sei que há alguns indivíduos que, em vez de exaltarem os triunfos próprios, preferem acicatar os orgulhos feridos das derrotas alheias. Acontece com adeptos do FCP como acontece com simpatizantes de outros. Mas não é a maioria.

O tempo em que o Porto olhava para Lisboa com um misto de desdém e inveja, também já lá vai, parece-me. O Porto, cidade e região, caíram num fosso em que já não vale a pena ter sentimentos desse género, por muito ridículos que fossem.

Lisboa é a capital do país e ainda bem. Para o bem e para o mal. Não é por aí que o Porto terá razões de queixa. Nem sequer vale a pena reforçar a ideia que a Invicta se irrita com o famoso centralismo que, de tão real, não vale a pena esconder. Às vezes enfurece-se com razão, noutras vezes não.

Vamos, se me dão licença, e com ligeiros retoque, ao que escrevi há dias.

Hoje, a cidade do Porto, a sua Grande Área Metropolitana do Porto e a região Norte mais parecem uma manta de retalhos que uma união de vontades e interesses. A fórmula de gestão do aeroporto parece ser, por estes dias, a única coisa que faz levantar de manhã a Junta Metropolitana do Porto. Demais, há um deserto enorme. Nem num instrumento determinante para a mobilidade da região há um debate sério e busca de consensos. A linha do metro para Gondomar, que deveria ter entrado na primeira fase do projecto, só agora começa a ser executada. Nada de mais, só tem 10 anos de atraso.

A administração estratégica, para lá da rotina do dia-a-dia, não existe. Cada município está feliz no seu cantinho, a brincar com as pequenas coisas, numa espécie de “The Sims” para os crescidos. De projectos comuns e ideias de coordenação, com poucas e honrosas excepções, nem vale a pena falar. Por falta de vontade, de querer, de saber ou, ainda pior, por invejas e egoísmos, a cidade e a região lá vão caminhando, cada um para seu lado. Mas é um percurso trôpego, com muitos tropeções e demasiadas quedas.

A transferência das sedes dos bancos do Porto para Lisboa (ainda hoje o Público lembrava o nascimento dos bancos na capital do Norte) fez quase desaparecer o peso económico de uma balança cada vez mais desequilibrada. Daqui até à saída da bolsa foi um instantinho. A indústria está em queda desde que os fundos de apoio do passado serviram, sobretudo, para melhorar a frota automóvel e comprar uns néons novos, em vez de uma séria reestrutura tecnológica e uma digna formação técnica dos funcionários. Nem os milhões de outros quadros de financiamento chegaram para lamber as feridas abertas. É certo que, neste aspecto, o panorama melhorou, mas perderam-se anos, empresas e empregos. A ‘capital do trabalho’ também mudou para a capital e arredores. No Porto e no Norte trabalha-se muito ainda, nalguns casos também muito bem, mas os índices mostram que a maior produtividade já não mora aqui. Os números, frios e cruéis, dizem isso. E os números, como todos sabemos, são como o algodão.

De peso mediático nem vale a pena falar. No passado os autarcas do norte ainda eram ouvidos sobre os grandes projectos nacionais e até sobre o orçamento de Estado se lhes pedia uma palavrinha. Hoje não há nenhuma televisão nacional que os queira ouvir. A não ser que haja chatices e problemas. O local dos jornais pouco mais é que um pequeno repositório do labor dos municípios e pouco mais, fazendo lembrar uma qualquer gazeta oficial.

O Porto, cidade e região, definha progressivamente. O norte, seguindo os traços da sua capital, acompanha esse processo. Nós, os portuenses, os nortenhos, orgulhosos da nossa história, da nossa Invicta e do patrimónios mundial tão desgraçadamente aproveitado, felizes por pertencermos à mais bela região do país, onde há montanhas, rios, planícies, praias, o vinho do Porto, uma gastronomia invejada e maternidade de grandes personalidades das artes, continuamos a assistir a esse definhamento.

Volta e meia, lá ficamos contentes por pequenas – ou grandes – vitórias pontuais. Porque o FC Porto volta a ser melhor que os outros (o que não é normalmente difícil), porque o Manoel de Oliveira fez 100 anos, porque o Carlos Tê e o Rui Veloso fizeram o “Porto Sentido” que é mais bonito que o “Lisboa menina e moça”, porque Agustina é uma mulher do Norte, porque o Infante de Sagres nasceu na Ribeira, porque temos a Fundação e o Museu de Serralves, ou o Parque da Cidade, ou a Lello, a mais bela livraria do mundo, e a Red Bull Air Race e os outros não têm, ou simplesmente porque sim.

Por isso é que as vitórias do FC Porto são apenas vitórias desportivas mas, ao mesmo tempo, vão para além disso. Sobretudo num momento em que Pinto da Costa parece ser o único timoneiro de uma entidade nortenha que é um verdadeiro valor acrescentado.

Os intelectuais de Esquerda não gostam de futebol


via Blasfemias

Porque sei que há lá portistas, fui ao meu blogue preferido, para além do Aventar, claro, ver o que tinham dito de mais uma grande vitória do FC do Porto.
Para minha surpresa, zero. Nada. Nicles. Ao contrário dos blogues de referência, como o Blasfémias ou o Arrastão, o «5 Dias» decidiu pura e simplesmente ignorar o assunto. Até o recatado Klepsydra, do Rui Curado Silva, dedicou dois «posts» à vitória de ontem.
Realmente, os intelectualóides de Esquerda são malta esquisita. Entretêm-se com o Zizoko e esquecem-se do verdadeiro herói, o Cissokho. Entretêm-se com Santiago Sierra, artista espanhol radicado no México, e esquecem-se de Lucho González, um artista argentino radicado em Portugal. Entretêm-se com Desidério Murcho e esquecem-se de que, se Portugal está murcho, no Porto vive uma nação bem viçosa. Entretêm-se com as Conferências do Estoril e esquecem as Conferências do Dragão. Shostakovic??? E que tal Sapunaru?
Olha se eu ainda trabalhasse no «5 Dias»! Agora sim, é que o «Grande Bardo» me indicava a porta da rua. Felizmente, aqui no Aventar, não tenho desses problemas. Não vejo que alguém que me possa dizer o que devo ou não escrever. Seja um belíssimo poema do Pedro Homem de Mello (oh, oh, também sou intelectual!), sejam os profanos festejos de rua.

No Porto, hoje à noite, foi assim…

Aleluia!


Dúvida? Não. Mas, luz, realidade
e sonho que, na luta, amadurece.
– O de tornar maior esta cidade.
Eis o desejo que traduz a prece.

Só quem não sente o ardor da juventude
poderá vê-la, de olhos descuidados.
Porto – palavra exacta. Nunca ilude.
Renasce, nela, a ala dos namorados!

Deram tudo por nós estes atletas.
Seu trajo tem a cor das próprias veias
e a brancura das asas dos poetas…
Ó fé de que andam nossas almas cheias!

Não há derrotas quando é firme o passo.
Ninguém fale em perder! Ninguém recua…
E a mocidade invicta em cada abraço
a si mais nos estreita. A pátria é sua.

E, de hora a hora, cresce o baluarte!
Lembro a torre dos Clérigos, às vezes…
Um anjo dá sinal quando ele parte…
São sempre heróis! São sempre portugueses!

E, azul e branca, essa bandeira avança…
Azul, branca, indomável, imortal.
Como não pôr no Porto uma esperança
se “daqui houve nome Portugal”?

Pedro Homem de Mello

Pinto da Costa, Jesualdo e Pedro Emanuel

  
5 de Novembro de 2008. Kiev, capital da Ucrânia. A 20 minutos do fim, o FC do Porto perde com o Dínamo e está afastado da Liga dos Campeões. Depois das derrotas com esse mesmo Dínamo, com a Naval e com o Leixões, parecia o fim da linha para Jesualdo Ferreira e para o Campeão Nacional.
De repente, Rolando e Lucho Gonzalez marcam dois golos e o FC porto passa para a frente. É a reviravolta e a caminhada em frente na competição. Viria a cair apenas em Abril, aos pés do Manchester United, e depois de ser simplesmente a equipa mais difícil que o actual Campeão Europeu teve de defrontar na sua caminhada até à final.
Na minha opinião, foi aquele o momento decisivo. A reviravolta no jogo e na época. Foi também o jogo em que Pedro Emanuel regressou à equipa após meses de ausência. A voz de comando, o espírito do dragão que encarna foram fundamentais. A sua experiência, a sua calma, a sua raça terá valido, muito provavelmente, uma época.
Jesualdo Ferreira teve a inteligência de perceber que, naquele momento, era aquele jogador que fazia falta. Um treinador que foi desde sempre mal-amado mas que, na terceira época à frente dos destinos do «Dragão», já nada tem a provar a ninguém. Mesmo aquele temor, aquela reverência que demonstrava face a adversários mais fortes, parece ser hoje coisa do passado. A forma como integrou os novos elementos com os que já cá estavam foi extremamente hábil. Com ele, o plantel ter-se-á valorizado em vários milhões.
Por fim, Pinto da Costa. Sem os rabos de saias a distraí-lo, voltou a assumir o comando da nau. Relembre-se que o FC do Porto tinha 7 Campeonatos conquistados quando chegou à Presidência, 3 deles na década de 30, 2 na década de 50 e 2 na de 70, quando já era o chefe do Departamento de Futebol. Hoje, tem 24 e é um clube de nível internacional. Mais palavras para quê?

Faltam 15 minutos para o jogo decisivo.

O Leão já não ruge


Faz hoje 25 anos que morreu um grande campeão. Joaquim Agostinho, uma força da natureza, preparado a pão e água, com jornas de enxada nas mãos na sua terra natal. Atacava quando tinha forças, o que era quase sempre. “Doucement”, dizia-lhe Merckx ao empinar a bicicleta montanha acima. Ali, em Espanha, roubaram-lhe uma Vuelta e ficou várias vezes nos três primeiros lugares no Tour. Jogava as cartas que sabia serem os seus trunfos. Essa paixão pela vitória, pelos riscos inerentes a quem quer ganhar, morreu em Alvalade com o leão das estradas.
O Simon Vik tem força, é um cavalo sem freio, corre para a baliza e marca golos? É preciso pôr-lhe rédea curta e pô-lo a defender!Mas olha que no Dragão há lá um tipo que se chama Hulk e que é como ele, mas lá dão-lhe o campo todo para ele dar largas à força, correr, rematar e marcar golos! Pois é, não quer vai para o banco. Resultado? O Leão já começa derrotado. Quer ficar em segundo! Querem que o Leão jogue como o treinador que foi um jogador medíocre. Bola para o lado e para trás! Está sempre, matematicamente, na luta, embora não diga para que lugar. O Moutinho precisa de mobilidade no meio campo? Prende-se numa das extremas, a jogar por dentro, para dar lugar a esse craque de força e violento pontapé que se chama Romagnoli. Pois é, enquanto houve obras, muitas e grandes, negócios, acotovelavam-se para serem dirigentes. Como agora só há déficites e passivos, procura-se de lamparina na mão para ver se se encontra uma saída!
E o Pinto da Costa tem a culpa toda, como não pode deixar de ser!

O Dragão em fúria


Pedroto, “o Zé do Boné”, foi o primeiro a perceber que o FCP perdia os jogos ainda estava em cima da ponte que liga a Gaia. Começou por aí, mostrar aos jogadores que era no campo que se ganhava ou perdia. Um belo dia, foi a Inglaterra com a Selecção, “que íamos ser cilindrados, eles começavam a correr e nós nem víamos a bola Ah! sim? podem correr à vontade desde que não tenham a bola” e nasceu aí o “futebol à portuguesa”, pertinho uns dos outros que os bifes em pequenos não abundavam. Os Ingleses deitavam fumo pelas orelhas. Se bem me lembro, ganhamos por um a zero. A bola deslizava de uns para os outros e os grandalhões nem a cheiravam.
Quem não percebe que Pedroto e Pinto da Costa estão na base do futebol que nos faz ser admirados no mundo, não percebe nada. É mais fácil chamar nomes aos árbitros. Pinto da Costa foi o primeiro a perceber que para os jogadores profissionais crescerem tinha que haver profissionais a dirigir. E ele entregou-se com “amor” à tarefa. Sim, com amor porque as paixões, fugazes, deixa-as para as namoradas.
É assim que se faz um grande clube, campeão europeu conhecido em todo o mundo, ganhador. Os novos jogadores que um após outro “pegam de estaca” é porquê? Porque tem uma rede de “olheiros profissionais” e tratados e dirigidos como profissionais! Os Benfiquistas e os Sportinguistas querem acreditar em “bruxas”? O Dragão agradece!

O Glorioso


Na minha vida profissional visitei vários países e em todos eles a admiração pelo Benfica era total!
Um belo dia, fui apanhado na baixa de uma cidade alemã com um cachecol do Benfica, por um grupo ruidoso de holandeses. Ruidosos e bêbados, logo ali me levaram literalmente, ao colo, para a primeira cervejaria que encontraram. Ainda pensei que íria passar um mau bocado, mas não, a malta queria “estórias” do Glorioso! Lá estive um par de horas a falar-lhes do Águas, do Coluna,do Eusébio, jogadores que constituiam a equipa que melhor futebol tinham visto praticar. Pura admiração!
Saí orgulhoso e tenho contado inúmeras vezes este episódio. É a minha maneira de rejeitar gente que não merece um clube com o historial do Benfica! O Glorioso para sempre!

Benfica

Meus caros,
andei por estes últimos dias a ver, ler e ouvir comentários variados sobre o mundo da bola lusa, sobre os seus sucessos e os seus fracassos.
Não seria minha intenção vir a este corner falar de bola, porque isso é para os sábados à tarde com os amigos de sempre, mas não resisto a falar do meu BENFICA!

Sou sócio do Benfica e por isso penso que tenho algo mais a dizer do que o simples adepto.
E para arranque de conversa não vou recorrer ao que todos sabemos sobre o “Sistema”. Vou apenas falar da minha casa.
Ao longo dos últimos anos têm passado pelo BENFICA muitos jogadores e treinadores, dirigentes e directores, presidentes e afins. Em quase todos, o resultado, desportivamente falando têm sido maus.

Mais um erro de LFV

Mais um erro de LFV

E nos últimos dez anos há uma marca comum à vida do BENFICA – Luís Filipe Vieira. Num estilo muito próprio foi construindo algumas coisas interessantes, mas no plano da equipa de futebol falho redondamente: temos estádio, temos sócios, temos modalidades a lutar por títulos, temos campeões olímpicos, mas tudo isso é pouco porque a equipa de futebol não ganha.

É uma questão de jogadores? Sim, claro: eu lembro-me que no Benfica estiveram jogadores como o Nelo e Tavares, o King, o Fernando Aguiar e outras dezenas de homens que nem para suplentes de algumas equipas da SuperLiga serviram.
É uma questão de treinadores? Claro que sim. Alguns foram um erro.

Mas, não eram TODOS, jogadores e Treinadores, MAUS!
Creio, pois que estaria na hora de Luís Filipe Vieira, eleito com o meu voto, deixar o cargo para uma nova geração de gente que não queira só copiar o estilo de Pinto da Costa.
Se este quer Lisboa a arder, eu não quero que o meu Presidente deseje ver o Porto a arder.
Se PC odeia os Mouros, eu não quero ver a palavra Tripeiros metida no meio disto, até porque nasci em Miragaia!

E para começar uma nova época, nada melhor do que manter o Quique, o Rui Costa e contratar jogadores em vez de craques!

E quem os quer?

O ex-presidente do Conselho Fiscal do Benfica, Luís Nazaré, considerou que o elevado o passivo do clube é "preocupante". Em entrevista à Lusa, deu conta da necessidade do Benfica vender um ou mais jogadores no final da época. Os mesmos jogadores que acusa de serem os responsáveis pela má época do clube, que classifica de “decepcionante”. Um eufemismo, pois. Se não fosse “aquela” vitória na Taça da Liga teria de ser classificada como “catastrófica”.

benfica_rui_costa

A questão de um milhão de dólares é: quem os quer? Com excepção de Cardozo, os restantes nomes sonantes são emprestados e não vão render dinheiro. Os outros, nomes não sonantes, dificilmente terão mercado interessado nos seus préstimos. A não ser a preço de saldo. A excepção talvez seja Ruben Amorim, mas nem neste caso o clube terá grande margem para o transferir.

FCP – Já só penso no Penta

Como costume e sem espinhas, o Tetra já cá canta e agora toca a pensar no Penta que ainda nos falta o bi-Tri, CARAGO!!!