Poemas com história: Em louvor dos equilibristas

 

Quase um lugar-comum, nem é uma metáfora muito engenhosa, esta dos equilibristas para designar aqueles que durante a ditadura, vestiam a pele de oposicionistas ou de situacionistas, conforme mais conveniente lhes fosse, oscilando entre a direita e a esquerda e conseguindo, nesse equilíbrio difícil, ser considerados democratas pelos antifascistas e «respeitadores da ordem» pelos salazaristas. Hoje, na democracia que temos continua a haver «equilibristas», gente que é de esquerda quando quer parecer «bem-pensante», mas suficientemente conservadora para ser aceite por quem governa e para ocupar cargos e receber sinecuras. Pensando nessas pessoas que continuam a equilibrar-se entre o «democraticamente correcto» e o «conveniente para a conta bancária», escrevi este texto que publiquei em «O Cárcere e  o Prado Luminoso» (1990):


 

Em louvor dos equilibristas

Falta ainda uma condecoração,

ordem ou comenda que consagre

o esforço do equilibrista

em prol da civilização.

Formidável ciclista,

verdadeiro paganini da circulação

em cima do arame,

o ciclista percorre,

sem qualquer hesitação,

o ténue espaço que separa

a esquerda direita.

É um simples traço,

quase uma abstracção,

um risco passado

por onde não há espaço.

Ágil, aproveita

o espaço inexistente

deslocando o corpo obliquamente:

metade sobre o risco da direita

e a outra debruçada

sobre os riscos da vertente

que à esquerda, sobre o abismo,

espreita.

Mas ouçamos a receita do artista

(que ninguém está livre

de a ter de usar:

quando menos se espera e pensa,

a corda tensa, a pista, a vertigem,

lá estão à espera

dos que não aprenderam a voar).

Diz, com modéstia,

o frágil saltimbanco:

– Afinal nem é assim tão complicado.

Sigo pela direita

quando

ando;

avanço pela esquerda

quando estou

parado.

 

Comments

  1. tempo1 says:

    No caso dos 113 despedidos do casino estoril era bom que investigassem a fortuna do dr. asssis ferreira os bares do tamariz estão na posse embora camoflado na d.paula que tem 2 filhos do assis ferreira a discoteca no casino d.paula o director de operações no casino estoril dr. duarte gonsalves genro do dr. assis ferreira que seleccionou parte deste despedimento sem pertencer aos quadros do casino o bar du art lounge na entrada do casino é para explorar pelo genro a area de espectaculos querem forçar por metodos de intimidação a aceitar a indeminização só asssim podem vir a trabalhar no casino através da outsourcing – jasonora do sr. antonio campelo que foi nestes ultimos anos director tecnico na area dos espectaculos e que foi um dos manobradores para este despedimentos . estamos fartos de injustiças no casino estoril penso que a parte chinesa nem sabe de metade do que se passsa em matéria de dinheiro fora da area de jogo e que são eles que pagam e os funcionários agora é que tem a culpa como é possivel o casino ter 11 administradores para 600 e poucos empregados quando o governo tem 14 ministros para portugal inteiro . julgo que devia – se fazer justiça sabendo que o casino corrompe muita gente desde jornalistas e peço desculpa por dizer isto mas já aconteceu em certos casos como agora o que deu na televisão pouca importancia teve . o própio director geral do casino estoril pertence as bases do partido socialista . meus senhores se o pvo já não acredita em ninguem que se salve o jornalismo . obrigado

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