Um cemitério chamado Vale do Tua

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[Carlos Almendra Barca Dalva]

Não é de hoje ou de ontem. A oferta do vale do Tua à EDP e ao António Mexia não é coisa que se faça de um dia para o outro. Demora seu tempo. Uma década, coisa menos coisa. Pelo meio, houve tempo para encontrar justificações, as vantagens e lugares-prémio para os judas do costume. A seguir, encontrou-se forma de entregar a exploração turística das águas a um empresário amigo, Mário Ferreira que em breve nos brindará com barcos-churrasco redondos e uma espécie de “comboio turístico” a fazer lembrar a Disneyland de Paris ou mesmo a original, na América. Sobre essa peça de mau humor, dediquei a Mário Ferreira duas cartas abertas. Na primeira delas, aqui no Aventar, surge uma fotografia da “locomotiva” (com altifalantes) que o visionário empresário imaginou para o vale do Tua e o que restar de uma via férrea como não há muitas na Europa. Um brinquedo, portanto. No comentário que lhe fez, Mário Ferreira estava obviamente equivocado.
Mas, claro está, porque os tempos são modernos e interactivos, o afogamento de um vale inteiro pela EDP tem que ser celebrado. Há que celebrar o assassinato que acaba de se cometer, como a querer dizer que tudo isto era inevitável, não havia nada que pudéssemos fazer contra este atentado, com esta parede de 90 metros de altura com vista para o vale vinhateiro do Douro, ainda Património da Humanidade.
Matem o Rei! Viva o Rei!
Vai daí, nasceu o “Centro Interpretativo do Vale do Tua” na estação ferroviária homónima que, diz a CP, “é um espaço que desvenda a riqueza natural e histórica de um território”. A sério?

Darth Vader e o Estado Laico

A “ponte”.

Ainda se sentem as vibrações do grande terramoto de indignação que causou, entre os convictos defensores da Laicidade do Estado, a atribuição do nome de um Bispo – caso único em todo o país – a uma “ponte” de luz sobre o Rio Douro.

Piratas

Não vai há muito que conheci um pirata. Entrou na tasca com um papagaio ao ombro, pediu uma sandes de panado ao balcão, foi sentar-se com ela na mesa ao pé da porta, e o papagaio saltou-lhe do ombro para a mesa e debicou o pão até à última migalha. Uma turista, que parecia ter entrado ali por engano mas foi ficando, pediu ao empregado, num português de dicionário de conversação, que fotografasse a cena porque ela tinha vergonha de aproximar-se. Passou-lhe para a mão um descomunal telefone cor-de-rosa e ele, muito castiço, fez de conta que não percebeu.

– Quer que fotografe quem?

Ela apontou para o papagaio.

– Ah, bom. É que o dono é feio como o caralho.

Ela não percebeu, quem estava achou por bem não traduzir, o pirata não se deu por aludido, e o papagaio espreguiçou uma pata de cada vez, limpou o bico às penas do peito, e voltou para a câmara o seu melhor perfil. [Read more…]

Douro, um rio privado

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O denominado Táxi Fluvial do Douro, a ligar já em 2016 pelo rio a Ribeira do Porto e a Beira-Rio de Gaia (e não as “Ribeiras” de Porto e Gaia como erradamente dizem as notícias) é um projecto empresarial privado pertencente à maior empresa de Vinho do Porto a operar em Portugal, a The Fladgate Partnership, dona, por exemplo, do Hotel Yeatman, em Gaia.
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Ponte Maria Pia

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Quatro Minutos sobre o Vale do Tua, o Douro, o Património de Toda a Humanidade

Chamei a atenção [antes das eleições] para os perigos que corria a região Património Mundial do Douro (…)”, Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura.

Qual destas palavras não perceberam?

Património Mundial em Risco!

Afinal, o que tem a ministra do Ambiente a dizer sobre o assunto? ou é que se não existisse?

Ponte Maria Pia: Uma Ponte de Eiffel … e de Seyrig

“Aquando das comemorações do 75º aniversário da Ponte Maria Pia, em 1952, foi publicado um conjunto de artigos, sob o título “Os homens da Ponte Maria Pia”, associando três nomes à realização daquele notável empreendimento: Manuel Afonso Espregueira, que na sua qualidade de Director Geral da Companhia Real dos Caminhos de Ferro resolveu definitivamente o problema do atravessamento do rio Douro pela linha férrea do Norte;”

No 134º aniversário da Ponte Maria Pia, importa conhecer este documento da autoria de José Manuel Lopes Cordeiro (in 2009).

 

 

Centenas, Milhares de Empregos nas Barragens da EDP

As barragens criam emprego!… Construída por volta de 1978, a grande barragem do “Poçinhoestá a recrutar um electricista.

 

“Canção do Desterro”

Pocinho, Tua, rio Douro, linha do Douro

Se Ainda Houver Um Pingo de Decência…*

… esta barragem da mentira não terá passado de um sonho pérfido.

Há uns tempos, uma ministra-da-cultura de um país africano, Gabriela Canavilhas de seu nome, vinha a terreiro promover a construção de uma barragem; por entre exemplos de fascismo mal amanhado, a idónea ministra lá tentou convencer todos os portugueses de que a barragem é cultura…

Tenho pessoal fé que Francisco José Viegas, actual secretário de estado da cultura, está consciente de que a construção daquele mamarracho hedonista e desnecessário coloca em perigo todo o Alto Douro… o de agora e o das gerações que se seguem.

* Foto obtida desde o rio Douro este sábado. Como se depreende, um paredão de 90 metros de altura nada interfereé magia!

O Ramal de Alfândega

O Comboio junto ao rio Douro, no Porto; ao fundo, a ponte da Arrábida.

 

Entrando no Espoliado Reino Maravilhoso…

Pela outrora fronteira ferroviária de Barca d’Alva, Linha do Douro. A fotografia terá pouco mais de 40 anos.

Um Comboio e Três Linhas

Porto, anos 70

Em finais do loucos anos 70, daqui, por sobre a Alameda das Fontaínhas, avistava-se ainda com carris e ao serviço o Ramal de Alfândega, esse troço inclinado que ligava Porto Campanhã à Alfândega do Porto. Avistava-se a ponte Maria Pia, monumento último da Linha do Norte. E avistava-se ainda um comboio a vapor saindo do túnel D. Carlos (o maior dos três túneis entre Campanhã e a estação central de São Bento, início das linha do Minho e Douro.

A contemporaneidade acrescenta a este cenário a ponte de São João e a ponte do Freixo. A ponte Maria Pia, agora monumento nacional, perdeu a sua função ferroviária, o Ramal de Alfândega é um balde do lixo e comboios a vapor só circula no Douro aos sábados de Maio a Outubro. Actualmente, e não me ocorre outro, este é o único local em Portugal de onde se avistam três linhas ferroviárias, duas pontes e três túneis. Viva o Porto, capital emocional do Norte de Portugal.

(foto original aqui)

Apontamentos do Douro (8)

(Rio Douro, visto de Miranda do Douro)

Apontamentos do Douro (7)

(Rio Douro, Vila do Pinhão)

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(Rio Douro, da Régua ao Pinhão)

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(Rio Douro, da Régua ao Pinhão)

Apontamentos do Douro (4)

(Rio Douro, Régua)

Apontamentos do Porto (4)

(Rio Douro, Barcos Rabelos, Cidade do Porto)

Apontamentos do Porto (1)

(Rio Douro, Cidade do Porto)

Foz do Rio Douro – Porto – Garças

Porto