A fatalidade de mulheres e homens de hoje

A Carla Romualdo tem no ‘Aventar’ um papel relevante, essencialmente, em minha opinião, por dois motivos cruciais: O estilo literário de grande qualidade estética que utiliza; e a resistência ao tratamento, quase em exclusivo, de temas de política, em que nós homens somos mais prolixos.
À semelhança do Luís Moreira, e por estes motivos, sou um admirador da Carla. Ela adorna o blogue com histórias, ficcionais ou não, preferentemente ligadas à vida real, ou seja, a alegrias, tristezas, erros, emoções, desilusões e demais sentimentos do quotidiano dos humanos.
O tema ‘Homens Fatais’ integra-se no estilo e nas escolhas habituais da Carla. E, num primeiro instante, mereceu-me um comentário algo irónico, mas cujo sentido assenta no ponto de vista de que as mulheres, em família e na sociedade, têm um papel mais decisivo do que aquele que geralmente lhes é reconhecido pelos próprios sistemas sociopolíticos – com responsabilidades acrescidas para o chamado mundo desenvolvido, sublinhe-se.
Todavia, a par de homens e mulheres fatais, existem outros seres humanos, heterossexuais ou homossexuais, orientados, por sentimento, para gostar de alguém. Umas vezes são bem sucedidos; outras têm o desfecho da fatalidade.
Goethe, fundador do romantismo literário, retrata de forma sublime o sofrimento do amor não correspondido, na história do desventurado “Werther” – “…a nossa pobre existência…é tão-somente uma ilusória resignação”, escreve, ele, a certa altura. Apesar da distância do tempo, a citada obra de Goethe é perene. Sobretudo, numa época em que a fatalidade de mulheres e homens é viver em sociedades de extremo individualismo, erigidas sobre o valor supremo da cupidez que destronou torpemente o Cupido. É uma fatalidade que favorece a proliferação de homens e mulheres fatais, e das suas vítimas. Diferentemente da Carla, penso que o pragmatismo dos fatais é um estado permanente, e não resulta de metamorfoses. Beneficiam conscientemente da desestruturação social e é aqui que reside a essência do ser pragmático.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    O aventar é um bébé chorão.De tal maneira jovenzinho que só agora ando a descobrir verdadeiros talentos literários para além da Carla.Hoje o Miguel arranca um grande texto e o Carlos outro .Tenho que me esmerar.Percebes agora “A”, que temos que dar o nosso melhor,pá?

  2. Carlos Fonseca says:

    Luís, obrigado. Sinceramente, tu também escreves bem. A insatisfação sentida com o nosso próprio trabalho leva, por vezes, a que sejamos muito pouco generosos connosco. Todos temos pela frente um desafio interessante: esmerar-nos para que o ‘aventar’ avente à grande e à francesa. E tu estás nessa. Um abraço.

  3. Não é só aquela obra de Goethe que é perene. Todas as histórias de grandes amores resistem ao tempo e às fatalidades. Mesmo quando acabam mal.

  4. Adalberto Mar says:

    …Cada um no seu estilo, Luisinho do Areeiro. Bom dia..ainda na ressaca do soberbo comício-desbunda-orgia político-cultural de ontem no cinema Batalha , Porto. A TRUE HAPPENING! Obrigado pelo conselho, mas Luís, eu não venho para aqui exprimir a minha boa escrita…Só me interessam os feelings e não a forma de os escrever..é cansativo!Mas adoro o requinte dos textos dos outros. Meu caro Luís, já fui «obrigado» anos a fio a escrever bem na Tese de Doutoramento em Estudos Americanos (Douglas Coupland Generation X versus Vivianne Forrester L’horreur Économique»),já tive horas de horrores literário-sociológicos na tese de Doutoramento em «O Novo Individualismo e os Modelos Familiares Emergentes nas Sociedades Contemporâneas» com o Teixeira Lopes como tutor, foram duas licenciaturas, uma em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Franceses e Ingleses, e outra em LLM-Ramo Tradução Português/Inglês, são os inúmeros cursos intensivos de verão na Escuela Diplomática de madrid e Uiversidad Computense de Madrid, e na Autónoma de Madrid, em Brighton..etc etc..é o livro da Cláudia/Adalberto , a escrever e metade já escrito no Torrão do Lameiro ao pôr do sol e no Sudoeste francês, em La Rochelle e nas ìles de Ré, D’Aix et d’Oleron..onde passei meses o ano passado…em paz..mas sob stress também..POR ISSO, MEU CARO CONFRADE, NÃO ME PEÇAS, A MIM, ESMERO E DIAMANTES, PORQUE o que me apetece actualmente é sexo,praias selvagens e bolinhos de bacalhau. DEIXO A POESIA AOS POETAS, e a bela-escrita a eles, porque por mim, estou mais numa de «putas e vinho verde», se bem me entendes..não quero provar nada a ninguém.JÁ NÃO PRECISO! Mas que vou escrever um belo texto na PlayBoy para o mês que vem ai isso sim!!. E segundo o que a minha Jacques me contou ontem ao telefone, são às dezenas de milhar a quererem fazê-lo! POIS É! O MUNDO VAI ASSIM! PLAY TUDO!dalby

  5. Talentoso mesmo é o gajo que os contratou. Tem faro para quem escreve bem, o tipo! Então a Carla, ultrapassou mesmo todas as expectativas.

  6. Adalberto Mar says:

    mas o tipo és tu, I PRESUME , não??!!!

  7. Ah, pois sou!A minha última descoberta (bem, foi mais do João Paulo) foi de um tipo cá do Porto que, à primeira vista, parece meio marado mas que, depois de vistas bem as coisas, é completamente marado. Ainda vai dar muito que falar aqui pelo Aventar. :)Abraços.

  8. Adalberto Mar says:

    Não esquecer NUUNNCCAAA que este tipo de «marado» é, e não parece, simples, TÌMIDO, SIM …disse… t-i-m-i-d-o!! REPITO -TÍMIDO-, e doce..se o menino R, e quando me vir vai morrer, pensa que sou agressivo , rude e mal-educado mesmo (porque devem pensar que eu sou tipo Barbudo a matar 7 de cada vez.)…e ao vivo..nem o Bambi consegue parecer tão inofensivo..um destes dias, quando escrever sobre a Cláudia, deixo ir para o «ar» aí , uma foto de mim com ela..MAS VAI SER ELA A ESCOLHER A FOTO!inté péssoau!!

  9. Adalberto Mar says:

    ALÉM DE OUTRA COISA: ESSA CARLA (maravilhosa by the way!) ..se ela pensa que uma mulher me vai derrotar, engana-se! PREPARE-SE A MENINA PARA IR LER A COISA MAIS BELA QUE JAMAIS FOI ESCRITA! E TER «GUERRA». HEI-DE VE-LOS AQUI TODOS AOS GRITOS DE «YES YES»A UM ARTIGO MEU! É GUERRA! ESSA MENINA JÁ SABE!! PROVOCOU A MINHA IRA, AS MINHAS ENTRANHAS, O MEU CIÚME! O MEU DESASSOSSEGO! DIGAM-ME QUE ELA É DO SUL-LX, DIGAM, OH DIGAM!!! QUE EU AÍ ENTÃO VOU SER UMA CARNIFICINA, UM ASSASSINO EM SÉRIE! ESSA CARLA (maravilhosa na escrita!) NÃO VAI MAIS TER SOSSEGO PARA O RESTO DA VIDA DELA.!!! EU TENHO DE A MASSACRAR COM «a mais bela história de amor, depois de Massacre no Texas e Bambi NA SALA DE JANTAR!»!!!I know what you did last summer IIIDALBY

  10. Tímido só se fores na vida privada, porque a escrever não és nada tímido. Já agora, a Carla é do Porto.

  11. Adalberto Mar says:

    Já estava com uma caixa de xanax 0,50 e de lorenin 500!! Para o caso de alguém me dizer que ela era de Setúbal ou de Lisboa!!

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